Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

23 de ago. de 2026

O meu café esfriou e eu lembrei da gente, Lucas Lopes

Faz alguns dias que não posto, estou falhando na frequência, mas aconteceu tanta coisa desde a última postagem, que precisarei escrever um post só para isso, escrever para me encontrar em meio aos emaranhados de pensamentos e fluxo de consciência interno, no entanto o post de hoje vai ser uma resenha de um dos livros finalizados recentemente. 

Acredito que irei fazer uma "série" de postagens que será "Livros que meus colegas de trabalho me recomendaram", adoro poder conversar sobre literatura, leituras atuais e como tocam nossos corações e almas, assim sendo, recentemente me recomendaram alguns livros. Há alguns dias atrás um colega me emprestou esse livro e em cerca de pouquíssimos dias eu já havia terminado, ainda assim alguns poemas permaneceram comigo e me fizeram refletir, não de forma emocional, mas sim na técnica usada para construí-los. 

9 de ago. de 2026

A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata

Há algum tempo, tenho me aventurado pela literatura japonesa para além dos mangás e, nessa jornada, cheguei a um de seus grandes nomes: Yasunari Kawabata, considerado um dos principais representantes da literatura japonesa do século XX, Kawabata recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968. Comecei a leitura deste livro há algum tempo e, mais tempo ainda faz que o terminei, tempo suficiente para, é claro, esquecer de publicar a resenha aqui no blog. Mas, como sempre dizemos, antes tarde do que nunca, e mesmo agora, não sei o que realmente sentir com essa leitura, fiquei bem dividida e vou explicar ao longo dessa postagem o porquê.



7 de fev. de 2026

Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu

 Esse livro está no meu desafio de 30 livros antes dos 30 anos, e simplesmente foi uma escolha excelente! Comecei a lê-lo em dezembro de 2025 e terminei em meados de janeiro de 2026, foi uma leitura profunda, cheio de poética e momentos de introspecção. Morangos Mofados é o quarto livro de contos do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu, sendo considerado sua obra-prima pela crítica literária. Foi escrito em 1982 e aclamado como o melhor livro daquele ano pela revista Isto É. Foi um livro que me acompanhou durante um tempo, me foi uma excelente companhia, amigo e conselheiro! 

No post de hoje trago, certamente, essa resenha tão especial, e antes de falarmos mais profundamente da obra devo ressaltar que tanto essa leitura quanto a presente resenha apenas aconteceu por conta da nossa parceira, a Livraria Unesp, localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. Como sempre digo por aqui, é sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim. 


2 de fev. de 2026

Recebidos de janeiro [parceria Livraria UNESP]


 Desde o ano passado, depois de quase um ano de hiato, escrevo com muito regularidade, ao menos uma vez por semana publico algo, em linhas gerais tento deixar tudo registrado da melhor forma possível, porém nos últimos dias vivi tanta coisa que parece que minha postagem anterior foi a meses atrás...É bizarro a nossa percepção da passagem do tempo e como nosso corpo e mente sentem isso! Inclusive ao escolher os livros desse mês, parece que faz muito tempo atrás, janeiro sempre me deixa estranha em relação ao tempo.

16 de jan. de 2026

6 Livros clássicos da Ficção científica

[Imagem: Momentum saga]

A ficção científica se baseia em grande parte em escrever sobre mundos, futuros e cenários alternativos possíveis e de maneira mais racional possível. Diferentemente de outros gêneros, no contexto narrativo da F.C encontramos elementos imaginários, inspirados em fatos reais ou do passado, que estão cientificamente estabelecidos ou postulados por leis e princípios científicos, ainda que o enredo permaneça imaginativo, seja sobre a própria ciência ou da sociedade. Caso você acompanha o blog a pouco tempo e não saiba, sou extremamente apaixonada por ficção científica, acho incrível nossa capacidade literária em criar esses universos e mundos extraordinários. 

A ficção científica é um gênero muito vasto, existem diversos livros consagrados, contudo esse post vai se atentar aos 6 livros que particularmente gosto bastante e que (acho) merecem a divulgação e quem saiba, lidos por você, caro(a) leitor(a). São obras que merecem seu tempo de leitura, mesmo que você não goste muito de FC ou não conhece muito sobre, afinal, devemos começar por algum lugar.

Frankenstein, de Mary shelly

É narrada a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais empenhado em descobrir o mistério da criação e que acaba por construir um ser humano  em seu laboratório. O livro é epistolar; a introdução é feita por cartas de um personagem fora da história de Victor. Um viajante/aventureiro que está indo para o ártico (naquela época, século XIX, era comum haver expedições para essa região, pois permeava tanto o imaginativo quanto despertava a curiosidade). 

Parece estranho? mas não é, Shelly é tida como a mãe da ficção científica com sua obra. Já fiz duas resenhas (2019 e 2022) aqui no blog e ainda pretendo fazer a terceira, estou com uma nova edição e extremante ansiosa para iniciar esse leitura ainda em janeiro. 

O respeitado médico escocês, dr. Jekyll, faz pesquisas para entender os impulsos e os sentimentos humanos mais profundos, a acaba por criar uma droga que libera seus aspectos mais primitivos, o “animal” adormecido sob a capa do homem civilizado: no seu caso, ele assume a forma de mr. Hyde (do verbo hide, esconder, ocultar; mr. Hyde é a “versão oculta” do bom dr. Jekyll). Aqui no blog fiz uma resenha que me deu muito orgulho, talvez uma das melhores que eu escrevi anos atrás, por favor, considere ler esse post. Novamente, você pode se perguntar se realmente esse livro faz sentindo nessa lista que montei, e sim, é uma novela gótica, com elementos de ficção científica e terror, ou seja, é um grande clássico da literatura mundial que "contém" três grandes subgêneros da literatura. 



Guerra dos mundos, de H.G Wells

Quando um exército de invasores marcianos chega à Inglaterra, o pânico e o terror tomam conta da população. Enquanto os alienígenas atravessam o país em enormes máquinas de três pernas, incinerando tudo em seu caminho com um raio de calor e espalhando gases tóxicos nocivos, os moradores da Terra devem chegar a um acordo com a perspectiva do fim da civilização humana e o início da era marciana. Esse é um dos clássicos que ainda não fiz resenha, pretendo trazer esse ano ainda!

A máquina do tempo, de H.G Wells

O personagem conhecido apenas como "O Viajante do Tempo", desenvolve, com base em conceitos matemáticos, uma máquina capaz de se mover pela Quarta Dimensão,  a dimensão do tempo. Com ela, viaja até ao ano de 802.601 d.C. onde encontra os Elóis, pacíficos e dóceis remanescentes dos humanos, aparentemente vivendo num mundo paradisíaco, sem qualquer tipo de preocupações, até perceber que eles, na realidade, servem de alimentos para uma outra raça. Li e resenhei esse livro em 2018 e foi uma surpresa, foi extremamente interessante e envolvente essa leitura. 

O livro nos conta de um planeta que  é constituído de um imenso oceano inteligente. Exploradores tentam entrar em contato com essa inteligência "não humana". O oceano envia a cada explorador um "visitante", réplica de uma pessoa que eles conheceram no passado. O livro relata o fracasso dessas tentativas de comunicação. Então, seguimos o ponto de vista de Keven, um psicologo, designado para a missão no planeta Solaris, que lembra muito Kamino de Star wars. Já publiquei resenha dessa obra aqui no blog, foi uma experiência que na época lembrei da demora, do quanto era arrastado, porém, é uma obra que se aprofunda na mente e condições humana, é muito interessante como o autor trabalha seus personagens e o mundo...Talvez, agora em 2026 eu esteja preparada para uma releitura desse livro.


29 de dez. de 2025

RECEBIDOS DE DEZEMBRO | Livraria UNESP

Mais um dia fazendo um post sobre literatura, e dessa vez, falando sobre os recebidos de dezembro, e para ser mais sincera, estou mega apaixonada por eles! Inclusive já coloquei na lista de leitura de 2026, agora tente adivinhar qual deles entrará para minha lista de leituras de 2026, o meu desafio literário...

Nesse post trago mais recebidos em parceria com a  Livraria Unesp, localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. Como sempre digo por aqui, é sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim. Lembrando que temos cupom de desconto de 15% com: jessica15. Aproveitem para adquirirem seus exemplares com desconto! Bom, vamos falar propriamente dos livros.


Valeria Cossati queria apenas buscar cigarros para o marido na tabacaria, mas acaba comprando ilegalmente um caderno preto, um item que não poderia ser comercializado aos domingos, e faz dele seu diário. Estamos na Roma dos anos 1950, e Valeria leva a vida entediante de uma mulher de classe média, dividindo-se entre os papéis de mãe, esposa e funcionária de escritório. Há anos ela não ouve o próprio nome, o marido só a chama de “mamãe”, e sua relação com os filhos é marcada por conflitos geracionais. Porém, conforme alimenta aquelas páginas proibidas, Valeria começa a notar uma profunda transformação em si mesma, cujas consequências ela ainda não sabe prever.

Alba de Céspedes foi uma das grandes autoras de língua italiana do século XX, com uma obra que se destaca pela profundidade das personagens femininas. Em Caderno proibido, a autora demonstra todo seu talento ao retratar a intimidade de uma mulher comum e as mudanças da sociedade italiana no pós-guerra. 


Ao assistir, tempos atrás, uma resenha muito boa do canal Vá ler um livro, eu simplesmente me encantei com essa obra e precisava, finalmente, acabar com minha sede de literatura feminina. Inclusive, quero fazer essa leitura o quanto antes, pois acho que me ajudará com as questões que estou passando com meu diário, meio que nos afastamos e estamos "estranhos" um com o outro (sim, dei vida para ele)... 



A paixão segundo G.H. conta, através de um enredo banal, o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. A partir disso, tira suas conclusões sobre humanidade, existência e sua posição social como mulher de classe média e dona de casa.

Bom, esse é um trecho adaptado da sinopse disponível (e sem spoilers), e me intriga pelo fato de como nós somos arrastadas por Clarice, o quanto ela nos devora e se faz presente em nossa memória, vida e instantes de epifanias enquanto lemos suas obras, o quanto ela cativa, despedaça e nos faz metamorfosear em outras versões de nós mesmas. Não importa quem sejamos, devemos ler Clarice. Inclusive, esse é um dos romances que ainda não li da autora e estou estonteantemente empolgada e felizaça com essa nova aquisição! Muito obrigada Livraria Unesp por permitir mais leituras incríveis! 

27 de dez. de 2025

Balanço geral do desafio literário de 2025

Estou com um vício de ler e escrever, especificamente no dia em que escrevo essa primeira parte aqui dessa postagem. Estou lendo um blog de literatura que é um dos meus favoritos no momento, enquanto leio, paro para tomar meu chá, observar minha mesa do escritório ao meu redor, pensar no que acabei de ler, também, nas minhas leituras em andamento, deixo meus pensamentos viajarem durante uns instantes e por fim escrevo. 

Imagem tirada da internet

Esse ciclo contínua em mais alguns instantes infinitos dessa noite. Parecem infinitos, parece que vivi mil vidas só nesses momentos meditativos. Enquanto escrevia essa introdução, estava decidindo qual livro iria continuar a ler nesse momento, se iniciaria uma nova leitura, ou pegaria mais um pouco dos que estão em andamento, mas qual deles? Todos me parecem boas opções, mas também ler algo novo parece melhor ainda...Enfim, estou lendo Morangos Mofados e extremamente encantada com esse livro complexamente delicioso. Mas hoje, não vou falar sobre ele, e sim o quanto fui extremamente desorganizada com minha leituras.

Em janeiro deste ano, postei meu desafio literário de 2025, amo desafios e sempre sou bem razoavel comigo, porém, confesso que estou decepcionada comigo mesma...coloquei apenas 12 livros para ler, para melhorar meu ritmo de leitura e me aproximar mais das minhas leituras...No entanto, eu simplesmente joguei tudo pelos ares e agora estou recolhendo o que foi jogado, não me dei conta da passagem do tempo e quando me observe, já estava sendo devorada por Cronos. Me deixei levar por circunstâncias da vida, cansaço, sono, momentos de piloto automático, correria do cotidiano e quando me dei conta, tudo já havia passado e eu estava em casa fazendo receitas de natal. Isso não significa que eu tenha lido pouco, não é isso!

Eu não li os livros DESSE desafio em específico! Como trabalho e estudo a Literatura, sempre preciso ler e muito, aliás. 

A lista era com livros de certo impacto, e com prováveis crises existências que a literatura nos dá, e infelizmente não consegui cumprir, inclusive os dois livros nessa lista que li fiz resenha e estão lincados. Como não consegui ler os livros que eu desejava, então alguns desses aqui serão colocados na lista de 2026, principalmente Querida Konbini, que estou postergando desde a Festa do livro da USP do ano passado. 

Caso você queira ler as resenhas completas basta clicar nos livros lincados, aqui vou falar bem brevemente o que achei das duas leituras. Começando por ordem: Lições de poética, de Paul Valéry

Lições de poética, é divido em três partes, são três aulas do autor dada na universidade francesa. É extremamente interessante e um exercito intelectual válido, no entanto, é uma leitura um pouco cansativa dependendo do momento que o leitor se encontrar e alguns pontos são realmente arrastadas. Acredito que por serem aulas, presencialmente deveria ter sido muito mais fluido do que a leitura em si, pois no próprio texto já vemos uma certa empolgação do autor com o tema. No geral, gostei, porém é um exercício e não é uma leitura fácil para leitores de primeira viagem.

Antes que o café esfrie, de Toshikazu Kawaguchi, é ambientado em uma pequena e quase escondida cafeteria em Tóquio chamada Funiculi Funicula. A cafeteria é conhecida por uma lenda urbana: ali, é possível viajar no tempo. Contudo, a experiência vem com regras muito rígidas, a viagem só pode ocorrer dentro do próprio café, o viajante só pode encontrar pessoas que já tenham estado ali, nada do que for feito mudará o presente, e, acima de tudo, a pessoa precisa retornar antes que o café servido esfrie.

A narrativa acompanha quatro histórias principais, cada uma centrada em personagens que desejam revisitar momentos específicos do passado: uma mulher que quer consertar sua relação amorosa, uma esposa que deseja ler uma carta do marido com Alzheimer, uma irmã buscando entender um rompimento familiar e uma mãe que nunca conheceu sua filha. Em todas essas tramas, o livro trata com muita delicadeza de temas como amor, amizade, reconciliação e perda. No geral foi uma boa leitura para passar o tempo, mas não achei um livro extraordinário, muito menos quero continuar a série. 

Enfim, esse foi mais um post para registrar esse balanço no desafio literário, espero que em 2026 eu consiga, apesar de toda loucura que a minha vida costumar ser, dar conta das metas e também de fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Sim, é um baita desafio esse (de fazer resenhas), mas isso vai me mover a estar mais presente para essa leitura, mais determinada e empolgada também.


26 de dez. de 2025

Coleção Georges Simenon | Parceria Editora UNESP

Kit que recebi da editora UNESP: Uma ecobag, marcador de páginas, uma lupa, um guia de leitura e o livro.

É com um imenso prazer e muita alegria que escrevo esse post, hoje! Desde que me entendo por blogueira literária sempre desejei obter uma parceria com alguma editora que conversasse com meu gosto literário e minha personalidade, e finalmente ela veio!!! A editora UNESP me enviou um grande lançamento, um exemplar que faz parte da coleção do autor Georges Simenon, um dos autores mais respeitados do século XX, e que será lançada  não somente algumas obras, estamos falando de uma coleção que abrangerá TODAS as obras do autor. O objetivo da editora é ampliar o acesso aos escritos de Simenon no Brasil, além de consolidar outro capítulo na história da própria editora. 


Trata-se de um projeto ambicioso, afinal será 10 anos de publicações cuidadosamente editadas e trabalhadas para chegar até nós leitores. Será dividido em duas séries, inauguradas agora com os dois primeiros volumes de cada uma delas, a cada semestre teremos uma nova fornada de livros do autor que vai da década de 1930 à 1980. Teremos disponível a série policial do autor, que segundo a crítica especializada transcende os clichês do gênero, Maigret é investigador da alma humana, e também teremos a tradução dos "romances duros", os quais são narrativas mais sombrias e existenciais, é um mergulho na solidão, no fracasso, nas paixões proibidas e nas obsessões. 



Por sua vez, entendemos que a genialidade do autor encontra-se na versatilidade, navegando com maestria por dois estilos distintos, são intrinsecamente ligados pela profundidade psicológica e pelo realismo brutal. Simenon explora os dilemas da existência, revelando a fragilidade e a complexidade que nos define como humanos. Nesse primeiro volume que recebi da editora, Comissário Maigret, Volume 1, nos deparamos com os traços que se tornaria marcas registradas do personagem: a perspicácia, a empatia e a capacidade de farejar os segredos mais íntimos de cada caso. Nesse volume está reunido 4 romances: Pietr, o letão; O finado sr. Gallet; Um crime na Holanda; e A cabeça de um homem.




Georges Simenon foi um escritor belga de língua francesa, um romancista de uma extensa e extraordinária produção: escreveu 192 romances, 158 novelas, além de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens sob seu nome e mais 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos sob 27 pseudônimos diferentes. O projeto da Editora Unesp é para dez anos de publicações cuidadosamente editadas, divididas em duas séries: Os romances e outros escritos e Comissário Maigret.


17 de dez. de 2025

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto irão me impactar a ponto de mexer com alguma coisinha dentro de mim e, em certos aspectos, coisinhas das quais a primeiro momento nem saberei explicar direito...Como você já percebeu, estou bem atrasada com esse post, inclusive irei fazer sobre os livros de dezembro em breve, mas vamos focar nessa lista atual.


Nesse post trago mais recebidos em parceria com a  Livraria Unesp, localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. Como sempre digo por aqui, é sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim. Lembrando que temos cupom de desconto de 15% com: jessica15. Aproveitem para adquirirem seus exemplares com desconto!


Escrito às vésperas do colapso da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e publicado em Viena no ano seguinte, O mal-estar na civilização é uma penetrante investigação sobre as origens da infelicidade, sobre o conflito entre indivíduo e sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada. Este clássico da antropologia e da sociologia também constitui, nas palavras do historiador Peter Gay, “uma teoria psicanalítica da política”. Na tradução de Paulo César de Souza, que preserva a exatidão conceitual e toda a dimensão literária da prosa do criador da psicanálise, o livro proporciona um verdadeiro mergulho na teoria freudiana da cultura, segundo a qual civilização e sexualidade coexistem de modo sempre conflituoso. A partir dos fundamentos biológicos da libido e da agressividade, Freud demonstra que a repressão e a sublimação dos instintos sexuais, bem como sua canalização para o mundo do trabalho, constituem as principais causas das doenças psíquicas de nossa época.

Escolhi esse livro por todo seu contexto e importância para a literatura das áreas mencionadas, além disso, acredito que ler algo do Freud, um dos grandes nomes que mudou o pensamento ocidental completamente, é sempre bom para a bagagem intelectual e cultural. 



Escrito com uma voz única, O álbum branco é um mosaico jornalístico e ensaístico do cotidiano americano de uma época fundamental para os Estados Unidos e o mundo. Um dos maiores clássicos do gênero, seu poder de surpreender e informar o leitor se mantém igual mesmo após décadas de sua publicação original.

Escolhi junto à livraria essa obra por conta de duas resenhas incríveis e que de algum modo senti que irá tocar-me em algo que também não saberei explicar de início e precisarei de algumas páginas do meu diário para escrever e refletir sobre...Sim, já estou prevendo uma resenha extensa sobre essa obra. 


O surgimento de Perto do coração selvagem, em 1943, causou grande impacto no cenário literário brasileiro, proporcionando à autora aclamação imediata da crítica e de seus colegas escritores.

Houve quem encontrasse no livro a influência de Virginia Woolf, ao passo que outros apostavam em Joyce, seguindo a falsa pista da epígrafe da qual Clarice pinçou seu título: "Ele estava só. Estava abandonado, feliz, perto do coração selvagem da vida." Ambos os grupos estavam errados, apesar do uso do fluxo de consciência pela escritora estreante a justificar tais correlações. Ocorre, no entanto, que esse havia sido um achado natural e espontâneo para Clarice Lispector, que admitiu como única influência neste caso O lobo da estepe , de Hermann Hesse. Não em termos estilísticos tampouco por se identificar com o caráter do protagonista, mas sim por compartilhar com ele e, sobretudo, com Hesse, o desejo imperioso de romper todas as barreiras e ultrapassar todos os limites na busca da própria verdade interior. Anseio personificado pela personagem central, Joana, com uma expressão que se tornou célebre: "Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome."

Íntima e universal, destemida e secreta, Joana "sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres" e ela destoava do sistema patriarcal em que se encontrava inserida da mesma forma que Clarice se distanciava da literatura de seu tempo, ainda dominada pelo regionalismo e o realismo. Ambas, autora e protagonista, eram forças divergentes, porém não dissonantes, já que introduziam uma nova musicalidade, uma harmonia própria, poética e triunfal, na aspereza circundante, enquanto buscavam "o centro luminoso das coisas" sem hesitar em "mergulhar em águas desconhecidas", deixando o silêncio e partindo para a luta. Deste embate à beira do íntimo abismo, Joana torna-se uma mulher completa e Clarice, uma escritora singular e inimitável.

Acho que nem preciso falar o porquê de ter escolhi a Clarice, afinal uma grande mulher, uma grande autora da nossa literatura e extremante avassaladora! Estou extremamente ansiosa por essa leitura, estou feliz em dizer que finalmente estou de férias e espero que tudo ocorra bem, irei me planejar para passar dias apenas lendo e respirando...Uma férias merecida depois desse ano conturbado que passei e tive a oportunidade de registrar algumas coisinhas por aqui.


15 de dez. de 2025

Livros que ganhei de presente de Natal (adiantado)

Lembro que na minha adolescência eu não gostava de nenhum tipo de livro que fosse "religioso", seja de qualquer segmento, lembro-me de nem querer saber do esoterismo, inclusive...Mas ele sempre esteve permeando meus caminhos e leituras de alguma forma, e hoje sou uma colecionadora desse tipo de material também. Acho maravilhosa nossa capacidade metamórfica! Eu amo essa característica em mim também: poder me transformar, reformular e mudar quando e sempre que eu quiser e sentir necessidade!


Bom, nesse post trago alguns dos presentes que recebi da minha irmã, já considero presente de natal tudo o que ganho em dezembro, o qual é um dos meses que acho mais mágico (só fazendo uma leve digressão, considero que todos os meses são mágicos, mas cada um a sua maneira, e dezembro sempre tem cheiro de anis estrelado, canela, cravo e sabor de panetone). Enfim, estou empolgada com essa postagem! 

2 de nov. de 2025

Recomendando livros para ler no Halloween

 Eu amo o Halloween! Para mim todo dia é Halloween! Amo a ancestralidade dessa data e a história que carrega. Inclusive, aqui no blog eu amava fazer especiais, queria ter feito um especial de Dia das bruxas desde o dia primeiro de outubro, porém não obtive muito sucesso, afinal não me programei e fui bem desorganizada esse mês. Aliais a última vez que fiz um especial de Halloween foi em 2018, sim, faz muito tempo mesmo! Caso você queira ler o que recomendei de leitura naquele ano, clique aqui.


Enfim, embora eu esteja um pouco atrasada, a magia do Halloween ainda permanece muito viva nesta semana que o sucede, de modo que senti que ainda seria o momento ideal para compartilhar este post,  Os livros que tiverem resenha disponível aqui no blog deixarei lincado.

3 de jun. de 2025

Orange Vol. 4, Ichigo Takano

 Está quase acabando... Mais um post falando de Orange e só falta mais um volume para finalizar a série, quero dizer aqui nos posts mesmo, pois não me aguentei e já li tudo e cheguei a conclusão de que essa série definitivamente tem sim data de validade e certamente um público alvo para alcançar e definitivamente não me enquadro, não sei se me sinto muito velha ou aceito a passagem do tempo sem precisar me "cobrar" a gostar de uma série de mangás que alguns amigos gostam.




No quarto volume de Orange, a história atinge um ponto crucial. Naho e Kakeru finalmente reconhecem seus sentimentos um pelo outro, mas a sombra do destino ainda paira sobre eles. A tensão aumenta à medida que o grupo de amigos, agora ciente das cartas do futuro, unem forças para mudar o trágico desfecho que se aproxima para o amigo. Este volume é marcado por momentos de ternura e angústia entre os personagens e o desenrolar (mais doido possível) da trama. 

O festival esportivo se torna um símbolo de esperança, com os amigos se esforçando para criar memórias felizes para Kakeru. No entanto, a preocupação com os sentimentos de Suwa adiciona uma camada de complexidade emocional, já que ele também recebeu uma carta do futuro e sabe que, ao salvar Kakeru, pode estar abrindo mão de seu próprio futuro com Naho, porém é algo que ele mesmo não tem certeza do que pode acontecer. Suwa é o grande herói silencioso da história. Abrir mão da mulher que ele ama, sabendo o que no futuro aconteceria com eles, é MUITO pesado. É o tipo de gesto que carrega maturidade emocional, altruísmo real — quase um anti-herói romântico, porque ele ama em silêncio e age pelo bem do outro. Essa parte, confesso, me abalou muito, pois eu não sou do tipo boazinha e que abre mão das coisas pelos outros, e sempre acho que tudo tem várias vias e alternativas.

A narrativa de Ichigo Takano continua a explorar temas profundos como amizade, arrependimento e a luta contra o destino. No entanto, as coisas se desenrolam de um jeito totalmente estranhos e cheio de heroísmos e auto sacrifício por parte dos personagens. Orange tenta equilibrar entre o drama emocional e uma leve pitada de ficção científica, mas quando força a explicação do tempo com Triângulo das Bermudas e buraco de minhoca, quase derruba o que estava construindo. Enfim, foi um volume intenso, cheio de cargas emocionais e explicações forçadas sobre viagem no tempo, como alguém que ama ficção científica...fiquei doida com essa parte.

25 de mai. de 2025

O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini [30 livros antes dos 30 anos]

Um livro que não sei muito bem descrever as reações que tive com ele! Desde muito nova ouvia falar desse livro, não de seus por menores, e um dia na casa da minha sogra eu o vi na estante dela, inclusiva ela comentou na ocasião que o livro pertencia ao falecido pai. Durante meses esse exemplar me acompanhou, deixando diversas sensações....

A literatura é algo extraordinário, nosso cérebro deixa-se tomar completamente pelas histórias e mergulhamos em diversas  sensações e pensamentos, tornando as leituras mais ricas e profundas ainda! 

A complexidade dessa história e como me envolveu deixou-me completamente absurdada, acho que um livro não mexeu tão negativamente comigo (até o momento) como esse mexeu. Algo nele me deixou mais que choca, mais que irritada e com uma revolta interna. Uma mistura de revolta social com algo que me tocou profundamente, tocou tão fundo que nem mesmo sei o que tocou exatamente. Falar de O caçador de pipas é falar de um livro que não consegui terminar, avancei um pouco mais do que um terço e, infelizmente, não consegui completar essa história. 



26 de abr. de 2025

Diário de leitura: O Caibalion para bruxas, Claudiney Prieto

O post de hoje será um diário de leitura. Estou trazendo de volta ao blog o quadro Diário de Leituras, que há tempos não atualizo. Compartilharei algumas das obras que estou lendo no momento — embora ainda não as tenha finalizado, elas já vêm provocando reflexões e impactando a minha vida. Para marcar o retorno desse espaço, começarei apresentando o primeiro livro.

Tenho lido em doses homeopáticas e sem pressa O caibalion para bruxas. Esse livro tem sido meu companheiro de cabeceira, não significa necessariamente que leio ele todo dia, ou que antes de dormi eu esteja especificamente lendo este livro. É uma expressão que tenho usado para dizer que sempre está comigo de alguma forma. 

 

11 de abr. de 2025

Orange Vol. 3, Ichigo Takano

E mais um post falando de Orange. Esse mangá tem me intrigado com algumas coisa, a forma como a autora constrói e desenvolve seus personagens é uma delas. Ela com certeza tem uma sensibilidade para tratar diversos assuntos, inclusive a falta de tato social de Naho e Kakeru. Porém, algumas coisas na forma de tratar esses dois personagens me irrita durante a leitura, uma delas é essa total falta de traquejo social chegar a ser quase do nível infantil.  

5 de abr. de 2025

Orange Vol. 2, Ichigo Takano

Essa foi mais uma leitura de março, um mês que não foi fácil, teve vários momentos de alegrias e felicidade, porém, também teve seus momentos de tristezas intensas. Estou bem deprimida nos últimos dias, e não tenho conseguido falar disso, só escrever sobre. Os processos de viver a vida e suas lutas diárias...

As leituras estão lentas e estou com vários livros acumulados. Estou sentindo que muita coisa do cotidiano não está rendendo tanto quanto eu gostaria, consequentemente me sinto incompetente na vida adulta, mas com a consciência de que é culpa do sistema em que vivemos.

Bom, falando da série propriamente, vou seguir lendo até o volume 5º. Estou curiosa, quero saber até onde as coisas vão chegar, e nesse momento da história mais questionamentos foram abertos. Apesar de ser apenas o volume dois o ritmo aqui foi bem diferente. Ainda não sei se vou ler os novos volumes (6º e 7º), parte de mim só quer terminar essa história o quanto antes, comentei sobre isso na resenha do vol.1.



Conhecemos um pouco mais sobre Kakeru, e descobrimos que ele é bem hesitante quanto as escolhas que precisa fazer para levar a vida de forma geral, inclusive sobre o que sente pela Naho, ele possui um medo de errar que o está assombrando e carrega uma culpa pesadíssima. Na medida em que a distância diminui, a Naho, cada vez mais deseja mudar o “futuro onde Kakeru não existe”. Mas ela acaba percebendo que mesmo alterando o presente, o futuro da Naho de 10 anos depois permanece inalterado. Então, a dúvida surge, será que ela deve continuar seguindo o que as carta dizem?

Ainda continuo tendo uma forte sensação de que já vi algo semelhante à essa obra, mas não consigo lembrar exatamente de onde vêm. Orange aborda e "apela" muito para a relação dos personagens e quão linda e verdadeira é amizade entre eles, o quanto se apoiam e protegem um ao outro. Naho está aos poucos tendo mais coragem para tomar as rédeas da vida dela, o que me assusta é ela se anular muito, o que me fez refletir bastante.

Apesar de não estar 100% conectada com a história e aos personagens, o mangá tem me feito refletir o quanto tenho realmente feito decisões que eu me orgulhe e se realmente eu tenho vivido da maneira que eu quero e não para agradar os outros. A história trás muito isso, não se anular e viver sem se arrepender de não ter feito algo, agido mais e "curtido" mais as pessoas à sua volta.

Acho que meu subconsciente está querendo me mandar uma mensagem, essa é a segunda leitura que faço nesse mês que tem um pouco dessa temática de agir e não ficar entorpecida na vida. Amo o quanto a literatura nos deixa inquietos e "pensando mil pensamentos". 

Essa edição que tenho em mãos em minha biblioteca possui uma novela ao final, Haruiro Astronaut, que estou achando bem chatinha. Os personagens parece caricatos ao extremo, apesar de se passar no mesmo colégio, o tom das histórias são bem diferentes, enquanto uma é bem mais dramática, a segunda é mais espalhafatosa, e com foco no romance das irmãs gêmeas. No geral é uma leitura que está me divertindo e sendo ótima para descansar entre as leituras mais densas e pesquisas da faculdade!

25 de mar. de 2025

Não pise no meu vazio, Ana Suy

Essa foi mais uma leitura terminada nesse mês de março, a qual me fez bem no geral! O livro possui, em muitos poemas, uma metalinguagem sobre o ato da escrita, o quão importante é o ato de escrever para autora. Em diversos momentos senti que estava lendo um diário, ou textos extremamente íntimos, muitas vezes até tive a sensação de que estive invadindo a privacidade da autora, roubando suas confissões, seus sentimentos, seus desesperos e tomando-os durante um tempo.



Segundo a própria autora, os textos reunidos neste livro foram escritos ao longo de uns dez anos ou talvez mais, em sua maioria, sem pretensão alguma de publicar incialmente. Foi a partir do surgimento da expressão “não pise no meu vazio”, que chegou repentinamente para a autora em 2017, que nasceu a vontade e uma misteriosa urgência de publicá-los em formato livro.

O livro é dividido em três partes: do que preenchedo que esvazia e do que preenche e esvazia ao mesmo tempo, da psicanalista e escritora best-seller Ana Suy. A obra fala fundamentalmente sobre o amor, e, também, sobre os demais sentimentos que o coadunam. "É um livro sobre excessos, sobre faltas, sobre o vaivém da vida, sobre o amor, o ódio e a dor." É justamente isso para mim, tudo sobre excesso e como o emaranhado de sentimentos podem nos consumir por dentro. Minha impressão variou muito entre os textos, alguns não gostei de todo, outros me senti muito conectada, outros achei bem malucos, mas todos achei muito verdadeiros...



Algo que vamos encontrar em todos os poemas em prosa nesse livro é a temática do vazio e os diferentes significados para eles...Como nós (mulheres) costumamos nos preencher muito mais do outro quando estamos nos relacionamentos, principalmente os amorosos. Os textos parecem vivências e experiência da autora, principalmente quando ela descreve as condições sociais femininas, quando priorizamos tanto outra pessoa aponto de esquecer quem realmente somos, ou nos moldamos tanto para caber no ideal romântico daqueles que estão conosco. 

Vários poemas achei dolorosos, mas não uma dor em mim, e sim na voz poética, ou até mesmo uma dor que parte da autora. São textos muito íntimos, quase confessionários de diversas situações, muito me tocaram bastante, e com toda certeza valeu cada momento a sua leitura. 

Poder ler uma obra que é quase um diário é intenso, é extraordinário pois estamos no íntimo de um ser humano e de suas experiências e o quanto isso a impactou de certa forma.

14 de mar. de 2025

Livros que ganhei de presente de aniversário em fevereiro

Demorei para escrever esse post por uma série de questões, como tempo e tinha me esquecido da existência dos post de "book haul" - lembro que em anos anteriores eu trazia com uma certa frequência aqui no blog! Bom, apresento três livros de diferentes temáticas que ganhei das minhas amigas, elas me enviaram pelos correios. 

Sabe quando você não espera presentes e de repente chega algo na sua casa? Bom, foi isso, sou muito grata pela surpresa maravilhosa! Vou falar um pouco de cada livro, destacar alguns pontos da edição e falar qual deles está sendo minha leitura atual e o que estou achando até agora. A qualidade das fotos ultimamente tem sido duvidosa, mas como tenho que fazer algumas coisas com certa pressa não estou conseguindo entregar a qualidade como eu queria. Mas como diz o ditado popular: antes feito do que não feito.

11 de mar. de 2025

A divina comédia, Inferno, Dante Alighieri

Essa resenha comecei a escrever junto com a minha leitura de Inferno, porém acabei esquecendo de terminar de redigir o texto e publicá-lo. Só agora em 2025, arrumando os posts, verificando os rascunhos que encontrei esse texto perdido e finalmente trago para você caro(a) leitor(a)! Fiz apenas uma revisão de texto, e ajeitei algumas coisas, porém quis preservar o texto o máximo possível.

"uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança"

Enfim terminei essa leitura! Levei umas três semanas (ou quase) para ler e mais um tempinho para redigir essa resenha, pois achei bem difícil fazê-la, afinal escrever algo a altura desse monumento da literatura, é quase uma tarefa homérica. 

A primeira parte de um dos grandes clássicos dos clássicos da cultura ocidental, sendo uma obra que trás o encontro da cultural clássica e a medieval. A propósito a viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, e ao longo dessa jornada ele é guiada pelo poeta romano Virgílio.

7 de mar. de 2025

Futuro ancestral, Ailton Krenak

Nos últimos anos tenho procurado mais literatura decolonial, claro que ainda estou longe de onde eu queria estar conhecendo e consumindo mais esse tipo de literatura, porém acho que Krenak é um ponto de partida. É um livro pequeno de 122 páginas publicado pela Companhia das Letras, e minha aquisição foi através da parceria com a Livraria Unesp. Esse não é o primeiro livro do autor que leio, mas é o primeiro que trago aqui no blog! 

Uma foto minha um tanto antiga, 2023

Ailton Krenak é um líder indígenaambientalistafilósofopoetaescritor brasileiro da etnia indígena krenaque e Imortal da Academia Brasileira de Letras. Ailton é também professor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento internacional. Só pelo histórico do autor ler ele é muita mais que imprescindível, ainda mais nos momentos sombrios que nos encontramos no campo político, social e intelectual. 




A ideia de futuro por vezes nos assombra com cenários apocalípticos, podemos ver isso na prórpia ficção científica, por exemplo, com as distopias. Por outras, ela se apresenta como possibilidade de redenção, como se todos os problemas do presente pudessem ser magicamente resolvidos, "o amanhã vai ser melhor". 

Em ambos os casos, as ilusões nos afastam do que está ao nosso redor, no momento presente, como o próprio livro nos aponta. Nesta nova coleção de textos, produzidos entre 2020 e 2021, Ailton Krenak nos provoca com a radicalidade de seu pensamento insurgente, que demove o senso comum e invoca o maravilhamento. Diz ele: “Os rios, esses seres que sempre habitaram os mundos em diferentes formas, são quem me sugerem que, se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral, porque já estava aqui.”

O livro trás um conjunto de ensaios o qual demonstra que meio ambiente, política ancestralidade e revoluções estão juntos. Além disso estão, atualmente, tão intrinsicamente aliados que política não se faz mais sem pensar o meio ambiente, ou deveria ser assim. O quanto o capitalismo está matando não somente a memória de vários povos indígenas, sua cultura, crenças e modo de vida, mas poluindo e ultrapassando espaços naturais, destruindo vida selvagens que são protegidas pelos povos originários. O sagrado é a terra, a fauna e a flora, e o homem vem apenas consumindo desenfreadamente visando o lucro bilionário de suas empresas...

Como podemos aprender com a própria natureza? Rios, lagos, fauna e flora possuem suas sabedorias, e todo o ecossistema tem uma forma sustentável de existir e de ser...O planeta se renova, se reinventa, tudo o que há nele é mais antigo do que a própria humanidade, como podemos observar e tirar lições de uma das maiores ancestralidades que temos?
"Para começar, o futuro não existe - nós o imaginamos. Dizer que alguma coisa vai acontecer no futuro não exige nada de nós, pois ele é uma ilusão. Então, pode-se depositar tudo ali, como em um jogo de dados. Infelizmente, desde a modernidade, fomos provocados a nos inserir no mundo de maneira competitiva." - pág 97

Pensar soluções ambientais, é pensar que a forma de consumo atual deve acabar, que a forma de se viver precisa se modificar completamente, o mundo precisa se transformar! O brasil precisa deixar de vender matéria prima como se fosse uma colônia 2.0 e investir em se renovar e transformar completamente, para isso o sistema socioeconômico deve mudar. 

Portanto, é um livro que nos faz pensar e repensar, uma leitura válida e ótima para nos fazer meditar no momento presente, pensar no futuro de forma a não depositar esperanças vãs ou medos irracionais, mas ficar desperto no presente para lutarmos pelo futuro que queremos de forma sóbria. Acredito que é um pé na "fé" de que as coisas podem ficar bem, com o outro pé na realidade. Que a luta de classes e busca por igualdade social e liberdade possam ser guias e ferramentas para esse futuro tão sombrio como a maioria de nós o vemos. 

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...