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23 de ago. de 2026

O meu café esfriou e eu lembrei da gente, Lucas Lopes

Faz alguns dias que não posto, estou falhando na frequência, mas aconteceu tanta coisa desde a última postagem, que precisarei escrever um post só para isso, escrever para me encontrar em meio aos emaranhados de pensamentos e fluxo de consciência interno, no entanto o post de hoje vai ser uma resenha de um dos livros finalizados recentemente. 

Acredito que irei fazer uma "série" de postagens que será "Livros que meus colegas de trabalho me recomendaram", adoro poder conversar sobre literatura, leituras atuais e como tocam nossos corações e almas, assim sendo, recentemente me recomendaram alguns livros. Há alguns dias atrás um colega me emprestou esse livro e em cerca de pouquíssimos dias eu já havia terminado, ainda assim alguns poemas permaneceram comigo e me fizeram refletir, não de forma emocional, mas sim na técnica usada para construí-los. 

25 de mar. de 2025

Não pise no meu vazio, Ana Suy

Essa foi mais uma leitura terminada nesse mês de março, a qual me fez bem no geral! O livro possui, em muitos poemas, uma metalinguagem sobre o ato da escrita, o quão importante é o ato de escrever para autora. Em diversos momentos senti que estava lendo um diário, ou textos extremamente íntimos, muitas vezes até tive a sensação de que estive invadindo a privacidade da autora, roubando suas confissões, seus sentimentos, seus desesperos e tomando-os durante um tempo.



Segundo a própria autora, os textos reunidos neste livro foram escritos ao longo de uns dez anos ou talvez mais, em sua maioria, sem pretensão alguma de publicar incialmente. Foi a partir do surgimento da expressão “não pise no meu vazio”, que chegou repentinamente para a autora em 2017, que nasceu a vontade e uma misteriosa urgência de publicá-los em formato livro.

O livro é dividido em três partes: do que preenchedo que esvazia e do que preenche e esvazia ao mesmo tempo, da psicanalista e escritora best-seller Ana Suy. A obra fala fundamentalmente sobre o amor, e, também, sobre os demais sentimentos que o coadunam. "É um livro sobre excessos, sobre faltas, sobre o vaivém da vida, sobre o amor, o ódio e a dor." É justamente isso para mim, tudo sobre excesso e como o emaranhado de sentimentos podem nos consumir por dentro. Minha impressão variou muito entre os textos, alguns não gostei de todo, outros me senti muito conectada, outros achei bem malucos, mas todos achei muito verdadeiros...



Algo que vamos encontrar em todos os poemas em prosa nesse livro é a temática do vazio e os diferentes significados para eles...Como nós (mulheres) costumamos nos preencher muito mais do outro quando estamos nos relacionamentos, principalmente os amorosos. Os textos parecem vivências e experiência da autora, principalmente quando ela descreve as condições sociais femininas, quando priorizamos tanto outra pessoa aponto de esquecer quem realmente somos, ou nos moldamos tanto para caber no ideal romântico daqueles que estão conosco. 

Vários poemas achei dolorosos, mas não uma dor em mim, e sim na voz poética, ou até mesmo uma dor que parte da autora. São textos muito íntimos, quase confessionários de diversas situações, muito me tocaram bastante, e com toda certeza valeu cada momento a sua leitura. 

Poder ler uma obra que é quase um diário é intenso, é extraordinário pois estamos no íntimo de um ser humano e de suas experiências e o quanto isso a impactou de certa forma.

23 de mar. de 2021

Canto geral, Pablo Neruda

Trago finalmente, hoje, a reseha do livro que me levou mese, me incomodou por estar tanto tempo ao lado da minha cabeceira, não é um livro fácil de ser lido, por haver tantas palavras cruas para citar a desolazção causada pelos colonizadores as americas, por tanta brutalidade e caos deixados pelos ditadores sul-americanos durante o século XX. Vamos agora embarca à uma resenha satisfatória de Canto geral de Pablo Neruda.

Canto geral foi elaborada em circunstâncias adversas, quando Neruda, perseguido, foi obrigado a transpor os Andes e refugiar-se no estrangeiro. Testemunha um grande amor ao Chile e ao seu povo e, por extensão, a todos os povos latinos-americanos, frequentes vítimas do despotismo, considerado um livro de combate e de ternura. Consiste em quinze seções, 231 poemas e mais de quinze mil versos, lançados em 1950

Foto do instagram do blog

Para ser sícera não sabia bem como começar essa resenha, tendo em vista os altos e baixos dessa leitura, e os diferentes impactos que esse livro me causou. Estou começando a ler escritores latinos americanos (além dos escritores brasileiros) e ao gênero poema/poesia, já que minha bookshelf estava muito defasada nesse sentido, você caro leitor pode pecerber que desde o ano passado venho me empenhando mais nesse gênero.

O livro trás uma crítica muito profunda a toda formação da america latina, ou seja, todo o processo de colonialismo, o escritor cita nomes importantes da resistência indígena contra os europeus, e também cita os principais massacres aos habitantes destas terras, e líderes responsáveis. Além disso tudo, as primeiras 200 páginas, também são dedicadas à exaltação da beleza da fauna e da flora de toda america latina, e lendas indígenas de cada região.

Para evidênciar esse fato, temos toda a segunda parte do livro, "Alturas de Macchu Picchu" o ato da  valorização das mitologias pertencentes aos povos latinos, sempre citando a fauna e a flora, destacam a beleza e sua "antiguidade". Também há o uso da sexualidade para mitos, e crencas antigas, além de destacar a efemeridade da vida, tudo isso em uma história poetica com trechos voltado as questões sociais dos povos.

Ademais, o livro não é um memorial apenas ao passado colonialista, mas também a contemporaneidade  do autor, então novamente há muitas críticas sociais as ditaduras, torturas durante essa época, a corrupção social e política, também refere-se a injustiças sofidas pelos amigos de Neruda, jornalistas, escritores e intelectuais no geral, os quais foram presos ou exilados, mas também à homenagens e exporessão de respeito e companherismo. 

Canto geral é um livro mais profundo do que essa resenha possa expressar, tendo em vista que são um pouco mais de 600 páginas de uma ótica da história, seja de séculos passados ou do século XX, o eu lírico expressa sua opinião, deixa claro o quão repugnante foi muitas situações, e nos lembra que nas aulas de história são esquecidos de mencionar o quanto o povo desta terra sofreu e sofre. 

Destarte, para fechar  todo esse conjunto de poesisas, o final é voltado para Neruda e suas relações com o mundo e sensações, até mesmo há um momento de testamento, pode-se dizer que esta obra, nitidamente, é o que ele considerava A obra prima de sua vida, pois em cada verso vê-se o quanto o escritor dedicou-se como se fosse o último. 

5 de mar. de 2021

Coletânea de Paulo Leminski

 Desde 2019 estou lendo mais poesia, desde nacionais como é nesse caso, até contemporâneas como Rupi Kaur, ano passado li Claro enigma para o vestibular, contudo não falei dele ainda aqui no blog, talvez eu releia para fazer uma resenha. Neste post vamos falar de um escritor brasileiro muito talentoso e que deveria ser mais 're-conhecido' pelo grande público, afinal suas obras tiveram maior repercussão durante o século XX. 

 
Seleção feita por Fred Góes, compositor, dramaturgo e professor/doutor em teoria de Literatura da Faculdade de Letras da UFRJ, e Álvaro Marins, professor de Teoria Literatura e Literatura Brasileira da Escola de Letras da UniverCidade/Rio de Janeiro.

Paulo Leminski Filho teve um currículo extenso, professor, escritor, tradutor e crítico literário, nasceu em  Curitiba em  24 de agosto de 1944, e morreu em  7 de junho de 1989. Sua poesia é bastante marcante e característica, assim como Gregório de Matos com sua poesia irreverente e em certos pontos questionável (o que não se aplica a Leminski) que o consagrou como um dos primeiros poetas brasileiros. Leminski, não somente pelo jeito próprio de escrever, com trocadinhos, brincadeiras com ditados populares, influencias do haicai, mas também de abusar de gírias e palavrões, por isso fiz a comparação com Gregório de Matos (mas só no uso dos palavrões mesmo, e sua originalidade na escrita). 

Ademais, suas peculiaridades são instigantes, dão gosto de ler, além de serem bem imersivas e fluidas, tão envolventes com seu estilo e jogo de palavras e significados. A poesia concreta influenciou bastante seu estilo, além da escola modernista, afinal. Poesia concreta, caso você não saiba, caro leitore, é um tipo de poesia vanguardista, de carácter experimental, basicamente a mistura do visual, da estrutura, de acordo com a mensagem, além das palavras, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço, lembrando que sempre busca a superação do verso como unidade rítmico-formal, ou seja quebra com a métrica e toda a forma clássica.

Destarte, esse foi meu primeiro contato com o autor e já amei a escrita e a maneira de abordagem e a forma que é transmitida, inclusive temáticas cotidianas como "Por um lindésimo de segundo", ou um pouco mais filosóficas com "O mínimo do máximo".

"A nós, gente só foi dada

essa maldita capacidade,

transformar amor em nada."


A baixo deixo uma entrevista do autor, caso você queira assistir, para conhecê-lo ainda mais, e sua visão a respeito da literatura, contudo, não deixe de ler o livro e se aventurar por águas desconhecidas.

15 de mai. de 2019

O que o Sol faz com as flores, de Rupi Kaur

Créditos imagem \\

Ultimamente estou mais lendo do que postando, geralmente estou fazendo resenhas no Good Reads, essa semana estou muito doente, está difícil lidar com a vida com uma gripe terrível. Enfim, vamos a resenha desse livro que me deixou intrigada.

Da mesma autora de outros jeitos de usar a boca, best-seller com mais de 100 mil exemplares vendidos no Brasil. O que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. ancestralidade e honrar as raízes. expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco capítulos e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. uma celebração do amor em todas as suas formas.


Título original: The sun and her flowers 

Autora: Rupi Kaur 
Tradução: Ana Guadalupe
Número de páginas:277
Editora: Planeta 
Onde ComprarAmazon

O livro é dividido em 5 partes, Murchar, Cair, Enraizar, Crescer e Florescer. Cada qual traz poemas de temas variados, com tom de auto-ajuda e bem abrangentes, como por exemplo, termino de relacionamentos, aceitação corporal e de suas raízes, relacionamentos tóxicos, amadurecimento, crescimento emocional, abuso tanto físico quanto emocional, com destaque para estupro, é importante frisar que este livro possui gatilhos.

A forma como você fala de si mesma
A forma como você se humilha
Até ficar minúscula
É abuso
-Autodestruição 

São poemas que mostram a vida pessoal da autora e seu ponto de vista sobre o mundo, igualdade de gênero, assim como xenofobia e diversos outros temas, são textos políticos, pertinentes à debates atuais, assim como temas mais pessoais como a relação dela com a mãe. 

Ademais, a escrita da autora é bem fluida, levando em conta que são poemas e o livro possui ilustrações, a leitura é bem rápida e interessante, muito do que é abordado é intrigante pelo simples fato de não ser muito discutido no dia a dia. Apesar de já ter ouvido falar sobre autoaceitação, visto alguns debates em filmes e com celebridades, por exemplo, não debatemos como isso nos afeta e aos outros a nossa volta, não sabemos como nos aceitar, para podermos aceitar as diferenças à nossa volta, assim como não nos  é apresentado como um problema social.

Livros poéticos são uma experiência excepcional, pelo fato de que cada leitor terá um sentimento, uma visão extremamente diferente um do outro. Portanto, tive emoções bem variadas enquanto lia os poemas, alguns me trouxeram surpresa, náuseas, identificação. É uma leitura que recomendo, apesar de não ter amado de um todo o livro, gostei de diversas partes, alguns me marcaram profundamente, outros nem tanto, mesmo assim me deixou reflexiva. 

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...