O filme acompanha quatro vampiros que dividem um casarão em Wellington e precisam lidar com as pequenas dificuldades da convivência doméstica. Ao longo da narrativa, somos apresentados a situações absurdas e divertidas, temperadas por momentos de gore (como uma refeição) e uma atmosfera levemente sombria, gosto também de como os clichês da mitologia vampiresca são explorados de maneira inteligente e bem-humorada, enquanto questões sociais e aspectos das relações humanas aparecem de forma orgânica, sem quebrar o ritmo de comédia e terror, um dos grandes exemplos disso é como a comunidade vampírica da cidade está organizada e como cada um encontra suas formas de se alimentar.
Um dos aspectos de que gostei muito, também, é a maneira como o filme subverte a imagem tradicional dos vampiros, ao invés de figuras sempre imponentes, misteriosas, sedutoras e aristocratas, encontramos personagens desajeitadas e bem preocupadas com questões cotidianas que para nós, meros mortais, são bem comuns também: Conseguir jantar, manter um bom relacionamento com os amigos, ir para festas, deixar a casa arrumada e etc. Ao mesmo tempo, por trás das situações cômicas, surgem temas como a solidão, a amizade e a necessidade de pertencimento, aliás a convivência entre os vampiros e a chegada de novos integrantes ao grupo revelam relações marcadas, de certa forma, por afeto, cuidado e preocupação, mesmo quando tudo parece caminhar para o completo desastre social.
Diante das câmeras, Viago (Taika Waititi), um vampiro-dândi do século XIX, relata as dificuldades diárias de conviver com Vladislav (Jemaine Clement), um antigo vampiro medieval com uma peculiar predileção pela tortura, e Deacon (Jonathan Brugh), que, antes de se tornar imortal, levava uma vida camponesa no século XIX e está longe de ser um exemplo de refinamento. Viago gostaria que a casa fosse mais organizada e agradável, mas seus companheiros resistem às tentativas de impor alguma ordem à rotina doméstica caótica, até mesmo lavar a louça suja de sangue se transforma em motivo para uma discussão acalorada, registrada integralmente pela equipe de câmeras, é extraordinariamente divertido.
Ademais, o quarto integrante do grupo é Petyr, o mais recluso de todos, com cerca de oito mil anos de existência, ele parece já ter perdido a "energia" pela convivência, e prefere permanecer afastado, escondido em seu próprio espaço. Sua aparência remete diretamente ao imaginário dos vampiros clássicos, especialmente ao conde Orlok, de Nosferatu, a referência é particularmente interessante porque aproxima a figura tradicionalmente aterrorizante do vampiro do universo cômico e absurdo construído pelo filme. Enfim, é um filme que trás um bom momento de entretenimento, um certo encantamento que mistura elementos do terror e da comédia que trás algo único, um bom refrigério para os tempos sombrios o quais vivemos na atual conjectural político-social mundial!

























