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22 de jan. de 2026

Vampira humanista procura suicida voluntário

Acho curioso o quanto buscamos desesperadamente por conforto, por algo que nos traga a sensação de pertencimento e identidade. Eu, por exemplo, mesmo em meio ao caos estou separando um tempo para esse momento sagrado de ler e escrever por aqui, estou em uma fase de recuperação da minha saúde mental e tenho a necessidade de estar envolta de conforto/lugar seguro.

Enfim, entre os meus anseios e paixões, estava precisando de uma dose vampiresca, o que se traduz por conforto na minha perspectiva, ou seja, um bom filme com a temática de vampiros. Após assistir Salem's lot e não ter gostado em quase nada do longa, Vampira humanista procura suicida voluntário foi o que eu precisava. 

Gosto de filmes de vampiros com uma trama envolvente e que trás a paixão, a contemplação, a arte, a sedução por algo/alguém, o dilema de ser imortal e o preço que se paga por isso. Ou seja, quando tratamos a temática "vampiros" temos muitas possibilidades temáticas e narrativas. No post de hoje vamos tratar desse filme extremamente encantador e que beira a contemplação e possui alguns takes longos e com toda sua fotografia sombria, mas não deixa de ser convidativa e reconfortante em alguns momentos. 



Dirigido por Ariane Louis-Seize, acompanhamos uma jovem vampira que possui um problema muito pior do que os demais integrantes da sua espécie: uma sensibilidade aguçada que a impede de matar alguém. Cada vez mais desesperados com a situação, seus pais resolvem cortar o seu suprimento de sangue, assim colocando a vida de Sasha (Sara Montpetit) por um triz. No entanto, ao conhecer Paul (Félix-Antoine Bénard), suas perspectivas sobre vida e morte humanas, mudam. O garoto, solitário e com tendências suicidas, está disposto a doar sua vida para salvar a da vampira, mas o pacto entre os dois vira uma importante missão de realizar os últimos desejos de Paul antes do amanhecer chegar. 

Não há grandes complexidades abordadas no longa, mas trata temas interessantes e que com o olhar um pouco mais atento vamos observar um enredo mais profundo do que crises de pertencimento no ambiente dos personagens, seja Sasha não sentindo que se encaixa bem em sua família e na vida de vampira, e Paul um adolescente francês que não pertence a nenhum grupo da escola, do trabalho e nem possui amigos ou parentes mais próximos além da mãe. 

Sasha não se importa, necessariamente, com o ato de beber sangue, mas sim em matar um ser humano, no caso ela se preocupa com a ética da sua comida. Ao longo da trama ela mesma vai entender como "funciona" a morte para os humanos e como alguns buscam a morte (sem sofrimento), mas a buscam de qualquer forma, não importa o gênero, idade ou quais quer outras características...Ela descobre que a morte é muito bem-vinda para muitos humanos. O longa trata o tempo todo sobre o viver ou não. A relação dela com a família e principalmente com o pai são bem construídos e logo nas primeiras cenas conseguimos "sentir" a sinergia dos personagens e suas conexões, há muitos detalhes na atuação e a forma como tudo é conduzido. 


A prima da vampira também possui uma relação bem interessante, e a forma como vê e auxilia a prima em sua jornada vampiresca. Apesar dela ser bem expressiva, a forma como demonstra certos "sentimentos" possui um tom de não-saber-expressá-los-direito. Paul também é bem interessante, ele não aguenta mais viver a vida que está vivendo, porém não sabe como modificar ou lidar com isso, então a solução que ele busca é o suicídio, afinal em sua perspectiva a sua vida é extremamente miserável social e emocionalmente. Inclusive, as expressões e linguagem corporal dele são bem parecidas com a de Sasha,  é muito gosto ver a forma como possuem harmonia, como funcionam muito bem em conjunto e como ele traze conforto para ela.

O longa trás temas como ética, aceitação, busca pela própria identidade, o quanto para muitos o suicídio por ser visto como uma opção quando não há satisfação nenhuma em viver ou quanto há falta de conexão com a vida (algo que nos prenda à ela), além claro da contemplação, e a própria temática do suicídio. Antes que alguém moralizante possa falar algo, o filme não incentiva a desviver, mas a tratar da temática, a observar que há pessoas insatisfeitas e desesperadas por uma solução e também pessoas doentes emocionalmente que buscam por ajuda. Em suma, estava procurando um filme que me trouxesse conforto e abordasse o tema vampiros e essa obra conseguiu suprir essa necessidade. 

5 de jan. de 2026

Casa velha, Machado de Assis (Edição da editora L&PM Pocket)

 Escrever essa resenha é bem interessante, pois tive uma história inusitada com esse livro. Tudo começou em uma tarde qualquer do ano de 2025, quando visitei minha irmã, que mora em outro município de São Paulo. Nessa mesma tarde acompanhei ela até seu atual serviço, uma livraria no meio de um shopping popular e movimentado da grande São Paulo. Em meio as prateleiras e estantes que fiquei zanzando, achei um cantinho destinado à editora L&PM Pocket, e vi Casa Velha do Machado de Assis, na hora eu não lembrava de ler lido esse livro, inclusive fiz um vídeo de book haul contando que não havia lido ainda...Porém, ao iniciar a leitura, me deparei com uma história que já conhecia. 


É com essa anedota que começo essa resenha, depois disso me senti um pouco boba, no entanto, é engraço que a primeira leitura foi em audiobook, e após iniciá-la, lembrei das minhas reações, lembro, inclusive, de ouvir no metrô voltando da faculdade ou do trabalho, e o tempo breve que me acompanhou...Por isso tenho a meta ambiciosa de fazer resenha de todos os livros que estou lendo, pois consigo segmentar e marcar ainda mais minhas leituras dentro de mim mesma. Odeio esquecer algumas leituras, isso me aborrece, e acredito que, apesar de audiobooks serem muito interessantes, não substituem a leitura mesmo das obras! Esse livro vai para o hall de leituras de 2025 que só consegui fazer a resenha nesse momento.


 Ora classificado como romance, ora como conto pela crítica e estudiosos, foi publicado em folhetins na revista carioca A Estação, de janeiro de 1885 a fevereiro de 1886, Casa Velha narra a história de um amor incestuoso a partir das lembranças de um padre, que faz um balanço das perdas e ganhos dessa paixão. O texto em si não tem tempo de discurso revelado; porém, o tempo de diegese se passa nos anos entre 1838 e 1839.  Por meio dessa obra, Machado de Assis sugere haver um paralelo entre as esferas públicas e privadas da vida e mostra como um drama familiar pode ser um retrato do Brasil do século XIX. 

Durante o desenrolar da história, o padre faz sua pesquisa histórica, enquanto se aproxima e faz parte da rotina da família, o cônego tornando-se grande amigo dos membros, ficando íntimo dela, inclusive. Deste modo, vê na amizade de Félix, filho da dona da casa, D. Antônia, e Lalau, que praticamente é uma agregada da casa, uma possível paixão. Ao longo da trama, descobre que sua observação estava corretíssima e os dois realmente se amavam, no entanto muitas circunstâncias se opõem a essa união. Agora, falando das personagens que se destacaram na minha leitura: Dona Antonina, é uma personagem um tanto interessante, o narrador descreve que ela governava esse ambiente familiar com discrição, brandura e justiça, irá fazer de tudo para impedir esse relacionamento por seus motivos, ela é extremamente discreta e evita que a família se envolva em escândalos, seu lema é " Uma Quintanilha não treme nunca"! 

Lalau é uma personagem que apesar de possuir uma inocência quase poética, a princípio a simpatia por ela demorou a chegar, em vários momentos parecia uma princesa de contos de fadas, porém ao longo da trama  cresce de forma extraordinária, e essa inocência é deixada para trás, substituída por maturidade. É uma personagem que mostra sua força e determinação pelas suas ações: abrir a mão de algo, aceitar outras e tomar as melhores decisões que possam proteger sua dignidade e integridade social. Machado com toda a certeza sabia muito bem escrever uma personagem feminina.

O padre é uma personagem interessante também, cheio de "poréns", moralidade, integridade, curiosidade, fé com um  espírito de santo casamenteiro. Vários momentos um pouco mais cômicos, por assim dizer, fica por conta dele, seja a forma como age em certas situações, ou a forma que conta suas lembranças. Já o Felix senti que foi um personagem muito morno, é apenas um típico filho da oligarquia, apenas um homem sem muitas ambições, nada a acrescentar, apenas um homem branco rico...E sim, essa construção foi proposital pode ter certeza, afinal, estamos falando de Machado.

Essa edição em específico me chamou demais a atenção, pois tem o objetivo de auxiliar o leitor a penetrar na sociedade carioca do século XIX e a conhecer a mente brilhante do autor, que diga-se de passagem é um dos maiores autores da nossa literatura. Dessa forma, temos notas abundantes sobre escrita, costumes regionais, sobre a corte, região e "curiosidades" de partes bem específicas para que o leitor, ou o jovem leitor do século XXI possa entender do que se trata. Também temos disponível uma biografia do autor, uma cronologia de publicação das suas obras, um panorama cultural do Rio de Janeiro e um mapa da época em questão.  



27 de jun. de 2025

Pensamentos vegetarianos, Voltaire

Levei alguns dias para terminar esse livro, mas apenas porque era meu livro de ônibus e metrô e nem sempre estava tão disposta a ler durante meu trajeto por conta de uma série de coisas como cansaço mental, aliás é o que eu mais sinto ultimamente. 



Bom, dentro da minha experiência de leitura senti-me profundamente tocada! Por ser vegetariana/ovolacto senti a revolta nas linhas escritas, a forma como o filósofo se posiciona diante de uma sociedade hipócrita e como dialoga com o leitor apenas me mostrou o quanto ainda hoje se faz necessário essa discussão, é quase como se eu me visse, de certo modo, refletida nos recortes filosóficos.

Ao longo da obra, é evidente esse esforço de Voltaire em articular razão, sensibilidade e justiça, sua crítica não é apenas contra o consumo de carne, mas contra todo tipo de violência institucionalizada e naturalizada pela cultura. Algo que devemos refletir sobre os nossos dias também! Ao refletir sobre nossos hábitos alimentares, ele nos convida a pensar sobre a forma como tratamos os seres vivos e, por consequência, sobre a própria natureza da humanidade em si. A fluidez dos textos é notável, o que me deixou embasbacada: Voltaire tem uma escrita afiada, direta e, ao mesmo tempo, profundamente reflexiva. 

A leitura é uma experiência provocadora e intelectualmente revigorante, de fato é quase um deleite para leitores e amantes de um exercício filosófico-moral. De forma mordaz o filósofo ilumina as contradições morais de uma sociedade que naturaliza o consumo de carne ao mesmo tempo em que se diz civilizada e ética, seu estilo também é impregnado de ironia e lucidez, o que torna a leitura não apenas informativa/didática, mas também intensamente reflexiva.

O que mais impressiona é a capacidade do autor de antecipar, em pleno século XVIII, debates que ainda hoje dividem as pessoas: a ética alimentar, o sofrimento animal, o especismo, e a moral seletiva que concede alma e dignidade a uns, e nega a outros. Voltaire desnuda, também, a hipocrisia religiosa e filosófica, em especial a justificação cristã de que “os animais foram feitos para serem comidos”, essa sem dúvida é uma das "justificativas" que me revolta muito! A revolta de Voltaire diante dessa ideia é não apenas filosófica, mas visceral e encontra eco no leitor moderno, sobretudo em quem se sente desconfortável com os alicerces frágeis de nossa tradição alimentar.

A crítica voltairiana não se limita à denúncia social; ela propõe, inclusive, uma reeducação do olhar e da consciência, o autor nos desafia a abandonar a passividade moral e a refletir sobre os hábitos herdados sem questionamento. Sua argumentação é ao mesmo tempo lógica e sensível: a violência contra os animais, diz ele, não é justificável pela ausência de uma “alma” nos moldes humanos, muito pelo contrário, é um ato de brutalidade que revela a própria limitação espiritual do homem.

Como leitora, fui profundamente tocada pelo texto. Além da admiração pelo domínio estilístico de Voltaire, senti também uma revolta compartilhada (como eu disse no começo do texto) diante das ideias absurdas que, incrivelmente, ainda hoje persistem. A leitura não apenas confirma a atualidade de seu pensamento, como também reacende a urgência de retomar, com coragem, uma discussão ética sobre aquilo que colocamos em nossos pratos  e, mais profundamente, sobre como tratamos os seres com quem dividimos o planeta.

8 de abr. de 2025

Amantes Eternos | Preciso de doses vampirescas


Eu precisava desse filme! Sou intensamente melancólica e solitária que encontro refugio na literatura e filmes sombrios, densos, tristes e melancólicos. Amo vampiros, talvez eu me sinta tão atraída por eles por conta dessa tristeza sem igual. De alguma forma, histórias de vampiros e sua estética me trazem uma sensação de "completude", não sei bem definir direito. É um emaranhado de sentimentos e emoções.

Essa semana assisti um filme que a muito tempo venho "namorando", dirigido por Jim Jarmusch, Amantes Eternos é um drama romântico com toques de fantasia e melancolia. O filme acompanha a história de Adam (Tom Hiddleston), um músico vampiro recluso e desiludido com os rumos da humanidade, que vive em Detroit. Ele é casado há séculos com Eve (Tilda Swinton), uma vampira sábia e serena que vive em Tânger. Quando percebe que Adam está mergulhando em depressão existencial, Eve viaja para vê-lo, temendo que algo aconteça com seu amado, seu vínculo profundo e sua paixão.

O longa mostra como o casal precisa lidar com os desafios modernos de viver como vampiros em um mundo caótico, incluindo a escassez de sangue puro (pelo que dá a entender, seria um sangue sem muitas contaminações) e a presença incômoda da impulsiva irmã de Eve, Ava (Mia Wasikowska). Com uma estética sombria, trilha sonora docemente hipnótica e uma atmosfera contemplativa, o filme explora temas como amor, arte, imortalidade e a decadência cultural do mundo contemporâneo. A sabedoria de ambos, a forma como veem o mundo denunciam seus anos de vivência e tempo que tiveram para contemplar a existência. 

Ao  longo do filme fiquei com uma vontade tremenda de conhecer Tânger, toda a estética, os detalhes que compõem desde figurino, trilha e a própria interpretação dos atores torna tudo muito perfeito. Simplesmente amei cada minuto. 

A cada filme sobre vampiros, bem construído e que conversa de forma extraordinária com a literatura, me deixa sedenta por doses diárias de histórias vampirescas.  

Amantes Eternos é mais do que uma história de vampiros, é uma elegia à arte, ao amor e ao tempo que consome tudo.  Em sua cadência lenta e hipnótica, o filme nos convida a contemplar a fragilidade da cultura em um mundo que se esquece da arte, da literatura e das ciências, e a imortalidade como um fardo daqueles que assistem à lenta decomposição do que um dia foi sublime. Adam e Eve, amantes milenares, caminham por ruínas e bibliotecas, agarrando-se à música, à poesia e ao toque do outro como relíquias sagradas. Em um universo que se move rápido demais para sentir, Only Lovers Left Alive é um sussurro eterno dizendo que o amor e a arte ainda importam e possuem seu lugar, mesmo que seja apenas para aqueles que se recusam a esquecer.



29 de mar. de 2025

Epílogo e finais abruptos

Não sei por onde começar esse texto. Já escrevi no diário, já fiquei no sol quente e sentindo a pele queimar no calor amarelo. Estou digerindo e pensando, mas meus pensamentos saem confusos, explodem palavras e sensações misturada a lembrança da despedida em um domingo chuvoso no velório. 

Quanto mais penso na morte do meu sobrinho, filho do meu meio-irmão (por parte de pai), mais acho doloroso, penso em tantas coisas. Penso em como a morte pode ser o fim das sensações sensoriais e explosões de cores e afetos, como ela por si evita inúmeros sofrimentos para quem parte, porém, para quem fica deixa marcas profundas, solidões, embaraços e a sensação de incompletude. Penso em quanto não consegui ser forte e me desfiz em chorar, o quanto achei injusto uma criança de 4 anos parti sem ao menos ter provado o que é ser humano e vivenciado todas suas dicotomias. 

Tendemos a ficar mais sensíveis quando uma criança se vai, ficamos ainda mais estarrecidos quando é uma criança-parente se vai. Mesmo que não sejamos próximos o suficiente, mesmo que não tenhamos convivido todos os dias, mesmo que não saibamos todos os gostos, brincadeiras favoritas, comidinhas favoritas, a cor que mais encanta, a temperatura perfeita da água do banho...mesmo assim, somos comovidos, tocados, sentimos o coração dilacerar. Já passei por alguns tantos velórios, me despedi de diversas pessoas...As intensidades mudam muito de acordo com as épocas e outras variantes, porém, ainda sinto que o coração nunca está preparado. 

Porém, toda vez que alguém parte e vamos no velório nos despedimos, nos conectamos com o luto, com os enlutados, com as dores, com a vida perdida e a não vivida, sempre pensamos: E se? Tantos "E ses" passaram por mim nesses últimos dias, tantos "e agora?" Inúmeros pensamentos, sensações, lembranças, cheiros, dores, tudo....Tudo sempre sentido, sempre dolorosamente melancólico. Não sou a pessoa mais próxima ou a mais presente na vida até mesmo de familiares e amigos, mesmo assim, ainda sinto as dores minhas e me compadeço das dores alheias...

Tanta coisa que pensei sobre minha dor e as dores alheias a mim. Estudo literatura, estudo a antiguidade, estudo a língua de poetas e literatos antigos e mesmo assim nada é suficiente, nem mesmo as linhas de um epitáfio grego antigo estão me ajudando. O meu desespero também se encontra quando meu cérebro não consegue decodificar a dor que está no meu peito e o emaranhado de palavras avulsas, emoções, medos e tantas outras coisas...Acredito que dizer adeus seja necessário. Então, esse é meu adeus!  


Considero o blog meu diário de páginas infinitas, sempre estou colocando sentimentos e acontecimentos por aqui, registrando alguns pedacinhos de mim no espaço da internet, amo que aqui tenho uma sensação de segurança que em outros lugares da internet não tenho. 

11 de mar. de 2025

A divina comédia, Inferno, Dante Alighieri

Essa resenha comecei a escrever junto com a minha leitura de Inferno, porém acabei esquecendo de terminar de redigir o texto e publicá-lo. Só agora em 2025, arrumando os posts, verificando os rascunhos que encontrei esse texto perdido e finalmente trago para você caro(a) leitor(a)! Fiz apenas uma revisão de texto, e ajeitei algumas coisas, porém quis preservar o texto o máximo possível.

"uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança"

Enfim terminei essa leitura! Levei umas três semanas (ou quase) para ler e mais um tempinho para redigir essa resenha, pois achei bem difícil fazê-la, afinal escrever algo a altura desse monumento da literatura, é quase uma tarefa homérica. 

A primeira parte de um dos grandes clássicos dos clássicos da cultura ocidental, sendo uma obra que trás o encontro da cultural clássica e a medieval. A propósito a viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, e ao longo dessa jornada ele é guiada pelo poeta romano Virgílio.

3 de mar. de 2021

A garota das laranjas, Jostein Gaarder

 Essa semana estou tendo uma crise de identidade, estou achando tudo uma loucura: algumas coisas que estou passando, nada grave sabe? Mas coisas curiosas da vida, que é um circulo maluco e sempre estamos conectados de alguma forma. Esse momento de devaneio coincidiu com minha leitura da semana, que foi agridoce, bem melancólica e com algumas discussões filosóficas, afinal um livro do Jostein Gaarder não seria por menos.



TítuloAppelsinpiken
Autor: Jostein Gaarder
Tradutor: Maria Luísa Ringstad 
páginas: 136
Editora: Presença
Onde Comprar: Amazon


Neste livro de Jostein Gaarder,  uma carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg Roed uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, que morreu há onze anos - ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse lê-la depois, quando estivesse mais maduro.

A história que o pai conta é do tempo em que ainda era um jovem estudante de medicina: a sua busca por uma moça desconhecida, que ele vê por acaso nas ruas de Oslo, sempre carregando um saco cheio de laranjas. Apaixonado, o rapaz persegue os diversos mistérios que cercam os seus encontros fugidios com a garota das laranjas, numa aventura que culmina numa grande revelação. Alternando entre a voz de Georg e a do pai, Jostein Gaarder constrói uma narrativa pontuada com perguntas filosóficas, que tratam de temas como o amor, a morte e a grandeza do universo.

Meu primeiro contato com essa história foi no ensino fundamental, sempre chegava aos 1/3 do livro e nunca seguia com a leitura, no entanto a oportunidade de relê-lo, de certa forma, apareceu quando minha irmã o adquiriu. E o gostinho da história, lembra muito Soul, o filme mais recente da Disney e Pixa.

Apesar da história ser interessante, a narrativa oscila entre o muito fluido, repetitivo e as vezes parece andando em círculos, dando tonturas com os rodeios filosóficos e  crises existenciais, ora quando Jan Olav (pai do Georg) escreve a carta está prestes a morrer, o que é até certo ponto compreensivo, mas o irritante é quando alterna para o filho e ele continua com as mesmas "dores" filosóficos, embora seja um adolescente, Georg tem um olhar irritantemente minucioso e politicamente correto da vida. O momento do pai, por outro lado é outro, o qual ele tira diversas reflexões tristes sobre o viver e ser "retirado" a força desse plano no momento mais feliz de sua vida. Ou seja, o livro é duplamente angustiante.

Ademais, o personagem mais profundo e interessante é Olav, não somente por sua forma questionadora e um pouco mística de ver a vida. mas a forma como foi construída também cativa o leitor. A garota da laranjas, personagem chave para toda a história, é misteriosa e ensina a Olav a ver os detalhes da vida. Agora, Georg é muito chato, é um adolescente, age como um e há cenas que não demonstra maturidade suficiente para a idade, ou talvez por ser jovem demais, ainda não tenha maturidade suficiente.

Um livro agridoce, portanto, ora doce, com as fantasias e delírios de um apaixonado em busca da garota das laranjas, ora azedo, com o amargor do fim da vida, isto é, o livro discorre sobre a efemeridade da vida, o quanto absolutamente tudo é líquido e inconstante, desde nossos contratos sociais até mesmo a vida em si. Considero como um livro profundo e muito, muito melancólico, o longo tempo que passamos vivendo em comparação com os longos anos do universo, a vida que passamos com quem amamos, em como a magia do viver está em coisas simples (sim, como em Soul), nos dando conta de que é lindo viver mesmo nas horas amargas. 

30 de mai. de 2019

A cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom

Essa resenha vai ser um pouco grande, tenho muito para falar desse livro, afinal é meu primeiro contato com Schopenhauer e sua filosofia, que em certos aspectos achei muito interessantes, outros achei muito massante, apenas pelo fato de alguns aspectos parecerem muito repetitivos, ou porque meu espirito atual não condiz com alguns pensamentos do filosofo. enfim, vamos a resenha.

A história se passa em torno das terapias em grupo coordenadas por Julius Hertzfeld, e a influência e participação de um antigo paciente, Philip Slate. O Livro utiliza de atualidades no mundo da psiquiatria e psicologia fazendo um enredo com a filosofia de Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX que afirma "viver é sofrer". Instigando o auto-conhecimento de cada um.

Autor: Irvin D. Yalom 
Número de páginas:334
Editora: Ediouro 
Tradução: Beatriz Horta 
Onde comprar: Amazon  
Demorei demais para terminei esse livro, e não sei bem o porquê. a narrativa é fluida, os personagens são bem interessantes, e atrevo-me a dizer que o que mais prende o leitor ao livro é a história do grupo de apoio, não a biografia do filósofo alemão, Schopenhauer. Algo interessantíssimo da narrativa, é que o autor intercala a biografia de Schopenhauer com a história do grupo de apoio, exemplificando a filosofia de Schopenhauer com situações dos indivíduos do grupo, assim como alguns personagens tomam mais destaques. 

O autor trás personagens um tanto complexos, com seus problemas psicológicos já sendo tratados pelo psicanalista Julius, então o estado de seus problemas já estão meio caminho andado para o desenvolvimento de suas paranoias, ansiedade, medos, etc. Apesar de durante a leitura os personagens acabam crescendo ainda mais, e vão revelando mais ainda seus problemas e medos, avançando ainda mais no tratamento do grupo de apoio. 

"Adquirimos um conhecimento através do corpo que não podemos conceituar e comunicar porque a maio parte de nossa vida interior é desconhecida para nós. A vida interior é reprimida e não pode ser conscientizada porque conhecer nossa natureza mais profunda (nossa crueldade, medo, inveja, desejo sexual, agressividade, egoísmo) seria um peso maior do que poderíamos aguenta."- Página 222
Os personagens são bem peculiares e bem diferentes entre sim. Pam, é uma amante da literatura, professora universitária de literatura inglesa e da língua inglesa, que não consegue se desvencilhar de pensamentos obsessivos sobre seu ex amante e ex marido, além de guardar muita raiva dentro de si, e odiar Philip, o qual teve um envolvimento sexual com ela na época da faculdade, ele sendo um professor assistente e ela aluna. Philip  é um ex obsessivo em sexo, doutorado em filosofia, que quer tornar-se orientador usando a filosofia para mudar as pessoas, mas que nunca viveu plenamente, nunca se aproximou ou amou alguém, que tem problemas em se relacionar com as pessoas, e muitas vezes mostra-se uma pessoa desagradável e arrogante.

Bonnie, é uma personagem um tanto clichê, pois ela é gorda, sente-se solitária,  é insegura com a aparência e acha que não é importante como os demais, por vezes despreza sua profissão, bibliotecária (meu sonho ser bibliotecária hahaha), o progresso dela é legal, contudo...pareceu que ela foi um pouco esquecida no final, por causa de conflitos de dois personagens.

Rebecca, era a típica popular do colégio que formou-se em advocacia, ela tem problemas em aceitar que ela não é sua aparência, autoafirmação, e sente-se muito triste por não ter mais a beleza de quando ela tinha 20.
Gill, é um médico com problemas no casamento e fantasmas de seu passado ainda o assombram, assim como não consegue ser parcial ou pessoal em suas observações no grupo. Ao decorrer da leitura foi um dos personagens que fez muitas mudanças, e confessou várias coisas de seu passado ao grupo. 

Tony é o personagem rustico do grupo, ele é carpinteiro e por vezes ele não entende muito das citações filosóficas que Philip faz ou livros que Pam comenta, ele parece que representa o público que por ventura venha a ler o livro e não tenha muito uma bagagem literária ou filosófica abrangente, assim como tony pode ser uma representação da porcentagem da população americana que não tem muita instrução e tem sempre os mesmos pensamentos do "homem hétero branco", tendo em vista que está no grupo de terapia devido a sua relação destrutiva com a esposa. 

Julius, o terapeuta, é um personagem interessante, em meio a uma crise de existencialismo, após descobrir que tem câncer de pele, ele pondera sobre seu trabalho e se fez alguma melhora significativa na vida de algum paciente, então trata de buscar os arquivos de alguns de seus pacientes que foram seu fracasso profissional, vasculhando os arquivos encontra o de Philip, o qual foi seu maior fracasso. Julius em seu desespero momentâneo liga para Philip, marca alguns encontros para conversar sobre seu tratamento de 20 anos atrás.

É um livro bem profundo, portanto, foi muito bom poder conhecer mais um filósofo alemão, sua maneira de pensar e algumas de suas influências, com uma narrativa fluida, personagens interessantes e um enredo, não obstante mirabolante, apenas pessoas normais com problemas normais, prende o leitor do começo ao fim, com diversas situações emocionantes, o crescimento do grupo é incrível e bem emocionante. Ora, é uma leitura para conhecer Schopenhauer e um pouco mais sobre relações sociais e como somos seres sociáveis e mutáveis. 

13 de fev. de 2019

Platão em 90 minutos, Paul Strathern


voltei a ler a "série 90 minutos", só que agora no seguimento filosófico, e o primeiro que escolhi foi sobre Platão. Leitura bem interessante, e levei um pouco mais que uma hora, não chegou a duas, o livro além de conter poucas páginas, tem uma leitura fluida apesar de ser bem técnico e ser basicamente uma biografia do filósofo, contudo com certas passagens que são arrastadas e densas. 

Autor: Paul Strathern
Número de páginas: 22
Editora: Zahar
ISBN: 9788571104150
Edição: PDF

Platão em 90 Minutos – Platão (428-348 a.C.) ambicionava tornar-se um lutador profissional, mas não conseguiu chegar às Olimpíadas. Tentou a sorte então como poeta trágico, mas não venceu nenhum dos grandes concursos. Como último recurso, foi visitar Sócrates. Foi amor à primeira vista – o resto, como dizem, é filosofia. Este volume apresenta essa bizarra trajetória e a obra que resultou dela.

O autor trás um livro bem didático, preciso e de certa forma técnico, contudo de maneira que o grande público entenda e as vezes de forma irônica e com um tom levemente descontraído, a vida e obra do grande filósofo Platão, registro de viagens, carreira na politica e na literatura grega, assim como sua influência e certamente, sua filosofia. 

em decorrência de suas teorias não experimentadas, o mundo

medieval que emergeria do Império Romano teria um modelo; e mais tarde os símiles de
Stalin e Hitler teriam um precedente clássico para seus feitos. Estava Platão
completamente enganado? Em sua concepção, o verdadeiro conhecimento ou a
compreensão só poderiam ser apreendidos pelo intelecto e não pelos sentidos. A mente
deve retirar-se do mundo empírico se quiser alcançar a verdade. Se Platão acreditava
seriamente nisso, é muito difícil entender por que sentiu necessidade de se envolver
com a política, em primeiro lugar.


Como não tenho uma cópia física li em PDF, esse ano estou podendo ler diversos livros, que não possuo na estante e geralmente não se encontra em todas as bibliotecas, em PDF mesmo, muitos eu li pelo celular, detesto ler pelo celular, mas foi o modo como encontrei para "passar o tempo" durante esses meses de janeiro e fevereiro em que estive ou de viagem ou em ambientes que não levei algum livro comigo. 

4 de dez. de 2018

Histórias para ler sem pressa| histórias árabes


Adoro ler histórias de diferentes partes do mundo, além de sair da mesmice que é Europa ou América, acabo conhecendo costumes de outras civilizações em séculos passado. Esse livro trata-se de uma reunião de contos árabes de diversos autores ao decorrer de séculos, passamos pela baixa idade média até a alta idade média.

13 de mar. de 2018

Star Trek Discovery: Uma discussão filosófica/social


[Contém leves Spoilers]

A tripulação da  U.S.S Discovery está perdida no chamado Universo-Espelho,  tentando desesperadamente encontrar uma maneira de voltar ao seu Universo de origem. O império terráqueo que nesse plano governa o quadrante com mão de ferro,  cruel em alto nível, capaz de cometer absurdos para manter-se no poder, não tem moral, compaixão e nenhuma virtude que vemos na frota estelar. Acho interessante discutirmos isso.. 

Atualmente, o mundo está passando por crises políticas, dificuldades financeiras e desequilíbrio social muito grande. Com governantes que querem fazer o que for para se manterem no poder, corrupção dentro da corrupção, e pessoas perdendo o senso crítico e racional nas horas que mais precisam ter. O que isso tem haver com S.T Discovery? tudo, pois podemos fazer um paralelo com o Império terráqueo.

Michael Burnham e Gabriel Lorca

Imagine uma sociedade com índices de violência altos dominasse a galaxia, pense que os lideres desse império podem ser piores que Darth Vader (Star Wars), pense que no estado atual da humanidade, que não está passando por uma de suas melhores fases, dominasse a viagem espacial, dominasse os possíveis seres inteligentes pela galáxia, e tivesse o poder de decidir deliberadamente que espécie vive ou morre. Pense: será que estamos mais perto de sermos o Império terráqueo ou A Frota estelar?

Star trek consegue sempre ir além, são 51 anos de legado mostrando como a humanidade pode evoluir, transformar-se completamente, e como a humanidade está no momento, incompreensível e impulsiva, momentos de pós-verdades, etc.. 

 No episódio 11°, que começa com a reprise do anterior, vemos que a Michael Burnham é aplaudida pela tripulação do universo espelho quando mata o comandante que estava em seu lugar. A série mostra que  a violência é algo normal e aceitável nessa sociedade, evidenciando o problema desse universo, e do pensamento de que prisioneiros devem ser torturados e assassinados friamente.

Burnham, posteriormente demonstra  o quanto está assombrada e abalada com as atitudes desse universo, então, é destacado como os valores e convicções da Frota Estelar são importante e inerentes para não só a  humanidade, mas também outras raças na galáxia tenham boa convivência e uma vida saudável em todos seus aspectos. Mostrando o problema da sociedade atual, criticando-a duramente e  destacando  o quão importante é ter respeito pela vida de espécies distintas, e compaixão até mesmo pelos inimigos.

Os episódios de 11° à 13° são muito profundos e impactantes, faz um paralelo direto com governos autoritários e ditatórios, o quanto o sofrimento físico e psicológico pode afetar o senso racional e emocional de alguém. O quão questionável é a pena de morte, o quanto podemos perder o rumo inconsciente ou conscientemente do significado de amor, compaixão, amizade, respeito, democracia, direitos, igualdade, verdade, união. O quanto precisamos ser humanos.

Uss Discovery 


12 de mar. de 2017

Representação da mulher nas HQ's (post curtinho)

Eterna princesa Leia <3

fala  Nerdaiada ☺
Esse post eu deveria ter terminado e postado ontem, contudo, só agora eu consegui terminá-lo mas, enfim, vamos ao post... ;)
    Primeiramente,  a  ideia de criar o Dia da Mulher surgiu no final do Século XIX , início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalhode direito de voto. Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin, propôs a instituição de uma celebração anual das lutas por direitos das mulheres trabalhadoras. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutavam por igualdade de direitos econômicos, sociais e trabalhistas ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

    Em suma, o dia das mulheres não é puro capitalismo para se comprar e gastar; é um movimento feminista, que serve como lembrete para os direitos das mulheres no mundo, nossa luta até nesse século o que já foi conquistado até agora e o que conquistaremos. 
    Ademais, a mulher tem um papel importante na sociedade, tendo isso em mente, podemos  observar que desda década de 1942 com a primeira HQ da mulher maravilha, que o número de personagens vilãs ou heroínas, têm aumentado exponencialmente. 
     Sua história de origem (obviamente a da mulher maravilha, kkkk) sofreu alterações algumas vezes mas, apesar das diferentes origens e dos diferentes uniformes, é possível dizer que a essência da personagem permaneceu a mesma desde sua criação. Diana, é uma mulher que tem poder politico na ilha paradisíaca Themyscira
é lindíssima, extremamente forte e não gosta de ser colocada para baixo; quando isso ocorre, ela se impõe e demonstra quem manda.
       William Moulton Marston, criador da mulher maravilha, tinha quatro filhos e duas mulheres, ambas cultas e independentes. O trio vivia sob o mesmo teto, numa relação consensual.Ele incentivava tanto o movimento sufragista quanto o feminismo,  para ele as mulheres deveriam ser tão livres e independentes quanto quisessem, e deveriam ter a opção de continuar os estudos em universidades se assim o desejassem – o que era o caso de Elizabeth, que possuía três diplomas de nível superior, era mãe e trabalhadora.

      Destarte, apenas usei o exemplo da mulher maravilha, por ser uma das  personagens de HQ's feminina mais antiga, e claro, por ela ser tão impactante contudo, temos mulheres nas HQ's, filmes etc no mundo geek, que são fortes, guerreiras, assassinas, que levam uma vida normal complicada e ainda combatem o crime e/ou são mercenárias, são loucas.. mas, são mulheres, mulheres que demonstram sua inteligencia, sensualidade, força e determinação e outras mil qualidades..
     A mulher tem muito o que conquistar, sendo na vida real ou não.. (sendo Marvel ou DC hahah), Espero que tenham gostado desse post, mesmo que curtinho.. não deixem de compartilhar e deixar sua opinião.. qual sua personagem de quadrinhos preferida?? fale mais sobre o feminismo.. e como posso melhorar meus post.. um beijo e até o próximo ;)


Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...