6 de nov. de 2026

A biblioteca, de Lima Barreto | Um conto mais atual do que nunca

Hoje é mais um daqueles dias que volto levemente estressada, além de bem cansada do trabalho e sem vontade nenhuma de ler, escrever nem aqui nem no diário. No entanto, preciso escrever, não posso ser engolida pelo tempo, pelo cansaço e muito menos pela rotina! É triste quando deixamos de lutar por nós mesmas e pelos nossos ideais, aquilo que é nosso cerne. Dessa forma, estou aqui, escrevendo essa postagem, como forma de resistir a existência exaustiva no meio em que vivemos: o capitalismo. Enfim, vamos ao post, eu só precisava dessa introdução para desabafar mesmo!!!


Esse é o terceiro livro que leio através do aplicativo do Mec Livros, que é uma biblioteca digital gratuita criada pelo Ministério da Educação (MEC) para ampliar o acesso à leitura no Brasil. Caso você, caro leitor, não conheça, a plataforma reúne mais de 25 mil obras, entre clássicos da literatura brasileira e mundial e títulos contemporâneos, incluindo livros protegidos por direitos autorais disponíveis para empréstimo digital. Evidentemente, estou apaixonada por essa iniciativa do governo federal, e até bem orgulhosa disso, como eu disse em um post anterior, afinal, são obras diversas e de todos os gêneros literários acessível de forma gratuita!!

Bom, falando do autor, Lima Barreto, conheci sua literatura na escola, em algum momento entre o ensino fundamental e o médio, porém, apenas na faculdade dei devida atenção e tomei certo encanto pelas obras do autor, O homem que sabia javanês até hoje é um dos meus contos favoritos e tem um carinho especial no meu coração. Todavia, A biblioteca, foi uma surpresa maravilhosamente gostosa e encantadora!! A história contada é a de Fausto Carregal, o homem que herdou uma linda e abastada biblioteca com livros do pai e do avô, e queria muito que um dos filhos se interessasse por ela. 

Simplesmente é um conto genial e com uma metáfora incrível, e talvez, muito mais atual do que nunca. O enredo acompanha o protagonista, um funcionário público que, de certa forma, se sente oprimido pela herança intelectual que recebeu do avô, ou seja uma enorme biblioteca onde constam as mais importantes obras da literatura, filosofia, geometria e afins. Seu avô era um homem extremamente letrado e que passava horas lendo cada uma dessas obras, admirando e analisando-as. Conforme avançamos no conto, notamos que a pretensão dos mais antigos da família era que os descendentes seguissem o mesmo caminho, porém conforme as gerações avançam, os interesses individuais mudam e o declínio financeiro da família consomem muitos dos bens, o que acabaram por deixar a incumbência de cuidar da biblioteca e passá-la ao protagonista. Vemos que nosso 'heroi' até tentou ler os livros e entender os escritos, porém, a nova geração da família, seus filhos, não são muitos estudiosos, muito menos versado nas letras clássicas, e vemos que o interesse dos mais novos é bem incipiente. Por fim, o ele desiste de passar a tarefa da intelectualidade aos filhos e acaba notando que absolutamente nenhum dos seus filhos, também, não levava jeito para o mundo acadêmico. Considero que o conto todo é uma crítica, mas o final é extremamente significativo e um tanto iluminador!

Enfim, o leitor é agraciado tanto com minúcias narrativas, quanto na própria estilística! É um livro que se torna extremamente atual por sua crítica. Leitura sensacional!! Ainda mais nos dias atuais, observo que alguns jovens não buscam se intelectualizar, não vou generalizar, mas vejo o quão preocupante é estarmos cada vez mais preocupados em comprar, consumir ou apenas estamos lutando para sobreviver, e o resto não importa mais, pois estamos exaustos demais para ler, estudar ou contemplar a arte e a existência. Fora àqueles que podem ter o acesso à cultura, museus e afins, e infelizmente escolhe não consumir uma verdadeira cultura de qualidade...pode parecer elitista a forma como falei, mas cada vez mais textos, imagens e vídeos são feitos por IA e muitos roteiros são feitos a partir de inteligência artificial, além de tudo estar ficando terrivelmente pobre e sem profundidade, precisamos sim questionar,  procurar por mais profundidade e intelectualidade!! Nesse parágrafo pareço uma mulher velha que gosta de reclamar da juventude...enfim, quem diria que meu espírito envelheceria antes da minha própria carne!

2 de nov. de 2026

5 livros sobre a morte| Para refletir a vida e a morte

Passamos por tanta coisa nesses últimas semanas, foi algo entre a insanidade e desespero coletivo por tantas situações sociais e políticas!! Hoje, queria escrever algo sobre a morte, sobre os deuses ou sobre o silêncio que naturalmente recai sobre o dia 2 de novembro. No entanto, hoje estou bem gripada e cansada por ter trabalhado ontem, no domingo. Dessa forma, hoje quero que seja um dia de descanso, de saúde com reverência à morte, saúdo a vida! Todos os dias a morte se faz presente em nossos caminhos, em nosso cotidiano, seja de modo metafórico ou literal, ela sempre está lá.


Nesse post trago livros com a temática: morte! Ou que de alguma forma tragam a morte seja como protagonista, personagem ou se o enredo gira em torno desse acontecimento. Aqui, terá diversas abordagens sobre a morte, e caso os livros mencionados tenham resenha, deixarei disponível!

28 de out. de 2026

What we do in the shadows? | Um filme de vampiro fora de comum


Não é nenhuma novidade que os filmes de vampiros me cativam. Há algo extremamente sedutor e encantador no mundo vampiresco, mexe não somente com meu imaginário, mas também, mexe completamente com meus desejos profundos de intelectualidade, imortalidade e liberdade sombria. Afinal, se eu tivesse a oportunidade de viver eternamente e que pudesse acumular conhecimento sobre diversas áreas do saber humano, sem dúvida nenhuma eu aproveitaria!

Comentários vampirescos aparte, hoje trago um dos meus favoritos, que certamente ocupa um lugar especial no meu ranking pessoal de filmes vampirescos, inclusive, eu reassisti essa semana. What We Do in the Shadows é um falso documentário (mockumentary) que mistura comédia e terror, escrito e dirigido por Jemaine Clement e Taika Waititi (o qual também atual como Viago). Lançado em 2014, tendo sido filmado em Wellington, na Nova Zelândia, em setembro de 2012, o longa deu origem, posteriormente, a uma série de televisão.

O filme acompanha quatro vampiros que dividem um casarão em Wellington e precisam lidar com as pequenas dificuldades da convivência doméstica. Ao longo da narrativa, somos apresentados a situações absurdas e divertidas, temperadas por momentos de gore (como uma refeição) e uma atmosfera levemente sombria, gosto também de como os clichês da mitologia vampiresca são explorados de maneira inteligente e bem-humorada, enquanto questões sociais e aspectos das relações humanas aparecem de forma orgânica, sem quebrar o ritmo de comédia e terror, um dos grandes exemplos disso é como a comunidade vampírica da cidade está organizada e como cada um encontra suas formas de se alimentar.

Um dos aspectos de que gostei muito, também, é a maneira como o filme subverte a imagem tradicional dos vampiros, ao invés de figuras sempre imponentes, misteriosas, sedutoras e aristocratas, encontramos personagens desajeitadas e bem preocupadas com questões cotidianas que para nós, meros mortais, são bem comuns também: Conseguir jantar, manter um bom relacionamento com os amigos, ir para festas, deixar a casa arrumada e etc. Ao mesmo tempo, por trás das situações cômicas, surgem temas como a solidão, a amizade e a necessidade de pertencimento, aliás a convivência entre os vampiros e a chegada de novos integrantes ao grupo revelam relações marcadas, de certa forma, por afeto, cuidado e preocupação, mesmo quando tudo parece caminhar para o completo desastre social.


Diante das câmeras, Viago (Taika Waititi), um vampiro-dândi do século XIX, relata as dificuldades diárias de conviver com Vladislav (Jemaine Clement), um antigo vampiro medieval com uma peculiar predileção pela tortura, e Deacon (Jonathan Brugh), que, antes de se tornar imortal, levava uma vida camponesa no século XIX e está longe de ser um exemplo de refinamento. Viago gostaria que a casa fosse mais organizada e agradável, mas seus companheiros resistem às tentativas de impor alguma ordem à rotina doméstica caótica, até mesmo lavar a louça suja de sangue se transforma em motivo para uma discussão acalorada, registrada integralmente pela equipe de câmeras, é extraordinariamente divertido.

Ademais, o quarto integrante do grupo é Petyr, o mais recluso de todos, com cerca de oito mil anos de existência, ele parece já ter perdido a "energia" pela convivência, e prefere permanecer afastado, escondido em seu próprio espaço. Sua aparência remete diretamente ao imaginário dos vampiros clássicos, especialmente ao conde Orlok, de Nosferatu, a referência é particularmente interessante porque aproxima a figura tradicionalmente aterrorizante do vampiro do universo cômico e absurdo construído pelo filme. Enfim, é um filme que trás um bom momento de entretenimento, um certo encantamento que mistura elementos do terror e da comédia que trás algo único, um bom refrigério para os tempos sombrios o quais vivemos na atual conjectural político-social mundial!


19 de out. de 2026

Elevador 16, [As crônicas dos mortos] de Rodrigo de Oliveira

Finalmente trago mais uma resenha para o blog! Tenho demorado um pouquinho para concluir os textos sobre os livros que venho lendo, mas, enfim, chegou a vez de compartilhar minhas impressões sobre esta obra, que conheci por recomendação de uma amiga do trabalho. Esta é mais uma leitura que integra a série Livros recomendados por colegas de trabalho, na qual me aventuro pelas indicações que recebo e depois compartilho minhas experiências por aqui. Confesso que esta leitura me surpreendeu bastante!


16 de out. de 2026

Os 5 melhores filmes de vampiros| Parte #3

Não é novidade alguma para os leitores mais antigos que amo vampiros, no entanto por aqui nunca falei um pouquinho sobre esse ser folclórico que sobrevive se alimentando da essência vital de criaturas vivas (geralmente sob a forma de sangue). Embora entidades vampíricas tenham sido registradas em várias culturas, possivelmente em tempos tão remotos quanto a própria pré-história, o termo vampiro apenas se tornou popular no início do século XIX, após um influxo de superstições vampíricas na Europa Ocidental, geralmente vindas de áreas onde lendas sobre vampiros eram frequentes, como os Balcãs e a Europa Oriental, além disso, eles também são conhecidos por outras designações, como vrykolakas na Grécia, e strigoi na Roménia. Todavia, esse post não é um artigo para discorrer sobre a lenda e origem dos vampiros, mas sim para falar de filmes vampirescos e irresistíveis, do meu ponto de vista claro.

Há muito tempo atrás (literalmente anos atrás) eu fiz dois posts com os "melhores filmes de vampiros", você, caro leitor, pode ler a parte 1 e parte 2 antes ou depois desse post, nessas listas antigas escolhi vários filmes que são bem consagrados, e agora, trago essa terceira lista, com mais filmes, e claro, com longas mais recentes também! Caso algum deles já tenha um post aqui no blog sobre, deixarei o link disponível. Bom, vamos aos filmes...

7 de out. de 2026

Sugestão de filmes para o halloween

Finalmente o mês de setembro chegou ao fim, você, caro leitor, não tem a ideia do quanto esse mês foi extremamente longo, arrastado e no meu estado emocional atual, foi um mês dolorosamente lento e cheio de emoções que eu não queria lidar de forma alguma. Por que precisamos sentir com tanta intensidade? Me disseram que isso ficaria apenas na minha adolescência, porém continuo sendo intensamente melancólica e solitária que encontra refugio na literatura e filmes sombrios, densos, tristes e igualmente melancólicos...

Bom, durante esses mil dias de setembro, eu fiz uma listinha de filmes que quero assistir ou reassistir durante o mês de outubro para entrar no clima de Halloween, certamente a maioria são de terror e temáticas variadas envolvendo o gênero e queria compartilhar um pouquinho por aqui, também. Como eu sou ansiosa, já comecei assistir, no entanto, vi um dos filmes nesse final de semana e eu não lembrava o quão ruim era...


3 de out. de 2026

Músicas para o halloween (Spooky vibes)

Esse post é totalmente diferente do que eu já trouxe aqui! Por aqui o leitor está acostumado com filmes, séries, muitos e muitos livros, eventos e textos avulsos, no entanto, essa é a primeira vez que trago algo relacionado a música, forma artística que permeia demais minha vida e a forma que enxergo o mundo, é algo que me dá forças e gosto até mesmo pelos atos mais simples da vida.

Claro que, nesse post, vou apensas sugerir algumas faixas variadas, obviamente de acordo com meu gosto musical, alías, caso você também seja uma pessoa solitária, recomendo duas playlists do Spotify para você, caro leitor, a do filme Rainha dos Condenados, e Amantes Eternos, caso você deseja uma pegada sombria e sexy ao mesmo tempo. Mas de forma geral, para cada festa de halloween vai do seu gosto pessoal, inclusive, caso queira compartilhar sua playlist comigo, vou amar ler seu comentário.

1 de out. de 2026

Livros para ler durante o mês de outubro [Halloween]


Leitores mais antigos do blog já estão acostumados com as postagens especiais de halloween que faço durante o mês de outubro, sou perdidamente apaixonada por essa data e toda sua atmosfera, é minha festividade favorita do ano seguido pelo Yule. Isso posto, posso indicar postagens antigas para você ler logo após essa aqui: Sugestão de Filmes para o Halloween (2017), 5 Livros para ser ler no Halloween(2018), Recomendando livros para ler no Halloween (2025). 

Esse ano teremos muitos posts com essa temática: desde filmes, músicas, livros e muito mais!! algo que a tempos queria fazer e, finalmente, vou consegui concretizar esse especial! Hoje, falaremos sobre livros para ler durante o mês de outubro, claro que trago gêneros variados para todos os gostos. Caso, caro leitor, queira comparar com a minha lista de 2025, você verá livros bem variados também e "exclusivos" de cada lista, não gosto de repetir recomendações, principalmente de livros, afinal, tenho um bom repertório e gosto de compartilhá-lo.

27 de set. de 2026

O país de João, María Teresa Andruetto

Esse ano tem sido estranhamente confuso, passou rápido ao mesmo tempo que nem tão rápido assim...Um ano bem esquisito, ao qual não consigo colocar os pensamentos em ordem, digo da forma que eu estava acostumada, tenho sentido muitas emoções ao mesmo tempo, passado por sensações complexas e experimentado mil e uma coisas...

Introduzo este post dessa forma porque é justamente assim que tenho passado os meus dias: Fiquei mais offline, um pouco distante tanto do canal quanto daqui do blog, porque, durante algum tempo, o simples ato de viver parecia acontecer em um mar revolto. Havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e confesso que nem sempre consegui encontrar espaço para transformar tudo isso em palavras, tanto aqui no blog quanto, até mesmo no meu próprio diário. De qualquer forma, e para todos os efeitos, necessito  escrever, bloggar, talvez seja essa uma das poucas coisas que continuam fazendo sentido para mim em meio à confusão de viver... Bom até o fim dos tempos (diga-se a internet), estarei aqui blogando.





23 de ago. de 2026

O meu café esfriou e eu lembrei da gente, Lucas Lopes

Faz alguns dias que não posto, estou falhando na frequência, mas aconteceu tanta coisa desde a última postagem, que precisarei escrever um post só para isso, escrever para me encontrar em meio aos emaranhados de pensamentos e fluxo de consciência interno, no entanto o post de hoje vai ser uma resenha de um dos livros finalizados recentemente. 

Acredito que irei fazer uma "série" de postagens que será "Livros que meus colegas de trabalho me recomendaram", adoro poder conversar sobre literatura, leituras atuais e como tocam nossos corações e almas, assim sendo, recentemente me recomendaram alguns livros. Há alguns dias atrás um colega me emprestou esse livro e em cerca de pouquíssimos dias eu já havia terminado, ainda assim alguns poemas permaneceram comigo e me fizeram refletir, não de forma emocional, mas sim na técnica usada para construí-los. 

9 de ago. de 2026

A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata

Há algum tempo, tenho me aventurado pela literatura japonesa para além dos mangás e, nessa jornada, cheguei a um de seus grandes nomes: Yasunari Kawabata, considerado um dos principais representantes da literatura japonesa do século XX, Kawabata recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968. Comecei a leitura deste livro há algum tempo e, mais tempo ainda faz que o terminei, tempo suficiente para, é claro, esquecer de publicar a resenha aqui no blog. Mas, como sempre dizemos, antes tarde do que nunca, e mesmo agora, não sei o que realmente sentir com essa leitura, fiquei bem dividida e vou explicar ao longo dessa postagem o porquê.



Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...