5 de jul. de 2026

Frankenstein, filme de Guillermo Del toro


Assisti essa obra pela primeira vez em dezembro de 2025, escrevi esse post durante uns dias e, finalmente, só nesse momento que consegui sentar e finalizá-lo. Enrolei demais para terminar ese texto, bem como para publicá-lo. Bom, vamos propriamente ao post de hoje...

Tanto o livro quanto o filme abordam as consequências das decisõe que Victor Frankenstein toma, além do princípio antiguíssimo de "não tem como voltar atrás das escolhas e caminhos que tomados". Aqui vou focar no filme e as impressões que tive, inclusive, precisei reassistir por conta das impressões que os filmes do Guillermo Del Toro causam em mim; sempre os assisto mais de uma vez para ver se os "aproveito" bem, verificar se deixei algo passar e para entender o que sinto e refletir após assistir pela segunda vez.

 

Esse é um dos meus livros favoritos da vida! Já li duas vezes em edições diferentes, e esse ano estou com o objetivo de ler mais uma vez e em uma edição diferente das anteriores, inclusive aqui no blog tem duas resenha da obra em edições diferentes: Resenha: frankenstein, de Mary Shelley, e Segunda leitura (2022). Frankenstein é uma obra intrigante, instigante e extremamente profunda escrita por uma mulher extremamente observadora e perspicaz. Tanto no livro, quanto no filme vamos acompanhar Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais empenhado em descobrir o mistério da criação e que acaba por construir uma espécie de ser humano em seu laboratório. O livro é epistolar; a introdução é feita por cartas de um personagem fora da história de Victor, um viajante/aventureiro que está fazendo uma expedição para o ártico, no filme, Victor conta sua vida para o capitão do navio que o resgata. 

Certamente, como toda obra cinematográfica inspirada em um livro, há certa adaptações, ou seja, há cenas sintetizadas, modifica personagens, cria outros, ressignifica trechos, refaz diálogos etc. Todavia, isso não significa que a mensagem geral tenha deixado de ser passada, como mencionei anteriormente, por exemplo, na obra original, a família Frankenstein é mais numerosa, e seus membros compartilham uma relação marcada pelo afeto, pela proximidade e por um genuíno sentimento de união. 

O pai exigente e emocionalmente distante criado para o filme, portanto, não é um mero detalhe da adaptação, mas um recurso narrativo que busca enfatizar as ambições de Victor e evidenciar sua completa inaptidão para assumir o papel de criador. É justamente sob essa perspectiva que a mudança mais significativa acontece: enquanto, na adaptação, Victor tenta cuidar da criatura durante seus primeiros dias de vida, no romance ele a abandona no instante em que ela abre os olhos. 

À primeira vista, essas escolhas parecem opostas; no entanto, ambas conduzem à mesma conclusão: Em nenhuma das versões Victor compreende o verdadeiro significado do ato de criar. Ele apenas coloca seu "filho" no mundo, sem refletir sobre as responsabilidades que inevitavelmente acompanham esse gesto. Seu fracasso, portanto, não reside apenas na criação da criatura, mas na incapacidade de reconhecer que dar vida a alguém implica também acolhê-la, educá-la e assumir as consequências de sua própria escolha,  algo que, tradicionalmente, esperamos encontrar na figura materna.


Esse cuidado que Victor jamais consegue oferecer à Criatura acaba sendo encontrando, ainda que de forma breve, um reflexo na figura de Elizabeth. Na adaptação cinematográfica, ela é apresentada como noiva de William, enquanto, no romance, é irmã adotiva de Victor Frankenstein (edição de 1818, também é sua prima, e me lembro bem). Se, na obra original, Elizabeth é frequentemente descrita a partir de sua doçura e pureza, o filme amplia sua personalidade e a torna igualmente inteligente, perspicaz e curiosa, não por acaso, é justamente essa combinação de sensibilidade e intelecto que desperta o interesse de Victor, há, porém, um detalhe, o qual considero mais sombrio e que torna essa escolha ainda mais significativa: Elizabeth compartilha o mesmo rosto de sua mãe. Confesso que só percebi isso depois de reassistir ao filme e descobrir que Mia Goth interpreta ambas as personagens. Certamente a decisão de escalar a mesma atriz dificilmente parece acidental muito pelo contrário, ela dialoga de maneira bastante interessante com a narrativa de Mary Shelley, na qual o luto precoce pela mãe e a idealização da figura materna atravessam toda a trajetória de Victor, influenciando não apenas a forma como ele compreende o afeto, mas também aquilo que passa a buscar nas pessoas ao seu redor.

Para essa postagem não ser maior do que ela se sucedeu, vou encaminhar para um parágrafo de conclusão rematando com comentários que andei lendo pela internet...Muita gente achou que o filme foi muito mais positivo do que o livro, que falto algo, que deveria ter tais elementos etc. Porém, achei que, como adaptação, e como uma adaptação gótica para o cinema atual não se perdeu a verdadeira essência do enredo e do que muito provavelmente a autora quis passar para nós leitores. Temas como maternidade, objetificação, solidão, irresponsabilidade e abandonos paternos, criação versus criador, e a própria criação é independente de seu criador e vários outros temas, ainda estão no texto, ainda estão ali para serem observados e lembrados. 

2 de jul. de 2026

Voltando do vale das sombras...

 Mais um post para falar o quanto estou morrendo de saudades de escrever e publicar algo aqui! Fiquei dois meses sem postar e parece uma eternidade, principalmente pelo fato de estar postando com bem mais constância por aqui...Há tantas coisas que estou vivendo e passando ao mesmo tempo, queria conseguir escrever mais tanto no diário (esse ano não estou escrevendo com tanta regularidade), quanto aqui e voltar a fazer a resenha e falar das minhas leituras. Estou passando por tanto caos, fins e recomeços, tantas coisas estão saindo na minha vida, e outras que necessito finalizar...é tanto para lidar o tempo todo. 

Nesse meio tempo tenho lido bem lentamente, tenho me isolado de algumas maneiras para poder sentir, digerir minhas emoções e entender o fluxo do mar de vida que vivemos, tanto no sentido público quanto privado de viver. Às vezes sinto tanto que não sei explicar exatamente os estopins para tal, ou não saberei como conduzir uma linha de raciocínio que para as pessoas seja coerente...porém, estou aqui escrevendo, mesmo um tanto a contra gosto. 

Passei longos minutos olhando a tela em branco da seção de postagem, pensei nas inúmeras postagens que estou preparando, mas nada parecia se encaixar, busquei apenas escrever devaneios tolos nesse post para desabafar. Não quero perder o costume de postar e escrever sobre as angustias da vida, mesmo que de todo as coisas não sejam tão perfeitas quanto eu busco fazê-las, ou como roteirizei em minha mente...Também, escrevo para atualizar os leitores, os quais nunca irei conhecer seus rostos, os quais talvez não me acompanhem tanto, e outros tantos que podem passar só por conta de alguma pesquisa no google e nunca mais voltar...

Caravaggio - Still Life with Fruit (circa 1603)


De todo modo, escrevo para dizer que estava no vale das sombras, que estava terrivelmente deprimida e engolida pela minha rotina exaustiva de CLT que estou me formando na universidade dos meus sonhos... Porém, estou em um emprego que não me cabe de forma alguma, o ambiente, as pessoas e suas vidinhas, e tudo em volta, não me apetecem...Me dói toda vez que não posso ser eu mesma. Basicamente, estou em um emprego para pagar as contas apenas, não um emprego que realmente tenha sido escolhido por mim, que eu tenha me preparado para exercer e algo que realmente me "complete". Eu sei que vivemos em um sistema capitalista e que precisamos trabalhar de qualquer forma e desconstruir essa ideia de completude e todos os por menores envolvidos nessa construção social sobre o trabalho e o quanto ele está atrelado a conquista e "felicidades" modernas....Enfim, quero chegar no ponto de sim, quero trabalhar novamente na minha área, pois sei que nela sou feliz e que trabalho com prazer.

16 de mar. de 2026

Recebidos de fevereiro [ Parceria Livraria UNESP]

 

Eu simplesmente amei cada livro que escolhi e estou extremamente ansiosa para lê-los e escrever as resenhas de cada um! Bom, o mês de fevereiro foi intenso para mim, eu vivi algumas tantas vidas, e dentre os acontecimentos dentro no meu micro-cosmos: como meu aniversário, faltar na primeira aula de Teoria literária na faculdade, e pensar em jogar quase tudo para o alto, fui à Livraria Unesp, parceira do Exploradora desde 2023.


Canção para ninar menino grande Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.


O jardim das oliveiras, é uma reunião de poemas, que segundo consta, retomam temáticas já trabalhada pela autora como o conflito essencial entre luz e sombra, fé e dúvida, poesia e silêncio. Em versos  o sagrado e o cotidiano se entrelaçam, a poeta elabora uma reflexão radical sobre a origem da linguagem poética e seu papel diante do mundo, “era Deus quem doía em mim”, escreve, em um dos momentos mais cortantes da obra, segundo a crítica especializada. A poesia aqui se mostra em estado de vigília: há ecos metalinguísticos, diálogos com a própria história literária da autora, desde o nascimento de Bagagem até a comunhão mais serena com o mistério. É um livro que ouve vozes, as do povo, de Minas, do divino, da vida íntima, e as entrelaça com extrema precisão sonora, clareza lírica e uma compaixão crescente pela condição humana. Já digo de antemão que iniciei a leitura e terá, inclusive, vlog de leitura.


Os ensinamentos do filósofo grego Epicuro atraíram legiões de adeptos em todo o mundo antigo e influenciaram profundamente o pensamento europeu moderno. Thomas Hobbes, Thomas Jefferson, Karl Marx e Isaac Newton entre seus muitos outros grandes nomes e figuras notáveis foram/são admiradores do filósofo. Dentre os pensadores antigos, ele seria o verdadeiro pai de ideias e tendências filosófico-científicas, como a base materialista do marxismo, o princípio de incerteza da física quântica, a ideia de seleção natural, o problema da vontade livre, a doutrina da vida em comunidade afastada da política e, por fim e não menos importante, o repúdio à crença em castigos após a morte. Talvez ele seja o autor mais antigo no gênero do "manual de autoajuda".

Neste volume da Penguin, inclui escritos de Epicuro que sobreviveram até os dias atuais, o leitor encontrará as três cartas dedicadas aos discípulos do filósofo, bem como o conjunto de sentenças e aforismos. Além de um texto introdutório e notas que guiam o leitor pelos principais conceitos e questionamentos. Sistema filosófico de importantes desdobramentos tanto no período helenístico como no romano, o epicurismo continua extremamente atual. Caso você se interesse ainda mais pelo autor, já escrevi uma resenha completa de A carta sobre a felicidade, cuja carta foi destinada a Meneceu. Acredito que a literatura nos liberta e nos guia, e nesses tempos sombrios, necessitamos ter um lugar que nos proteja e nos fortaleça. 

10 de mar. de 2026

Fragmentos do Horror, Junji Ito | Mangás [Darkside]

Fiquei uns dias sem conseguir postar e sem, ao menos, conseguir agendar as publicações por conta do meu trabalho novo...O sistema quer nos fazer acreditar que a culpa sempre é do trabalhador por falta de organização (seja ela financeira ou no próprio cronograma da vida mesmo), no entanto o governo, ou seja uma instância a nível federal precisa abolir a escala 6X1. Escrevo esse posts momentos antes de ir trabalhar em pleno domingo!! Enfim, vamos falar do livro em si e não do sistema deprimente em que vivemos.

Em meio as idas ao trabalho e um único dia de descanso durante a semana inteira, em fevereiro comecei e terminei a coletânea de contos do mangaká que desenha e escreve histórias de terror de 1987, Junji Ito. O autor desenha o que imagina, não tem medo de adentrar aos próprios pesadelos e transpó-los  no papel com suas histórias bizarras e macabras, além de pega medos do inconsciente coletivo, inconsistências da sociedade e sentimentos estranhos e profundos e os transforma em histórias que te prende do início ao fim e muitas outras que nos fazem pensar o que está havendo e aonde o autor quer chegar. Essa edição em específica que mostro nas fotos é um presente que dei ao meu marido, peguei emprestado!!

Fragmentos do horror é uma coleção de histórias curtas, perfeitas para quem quer experimentar o que a mente tão delirante do mangaká é capaz de produzir. Ito-san oferece ao leitor nove encontros com o desconhecido: Entre as histórias da coletânea, temos uma mansão velha de madeira que gira sobre seus habitantes. Uma turma de dissecação com um assunto nada comum. Um funeral em que os mortos definitivamente não são postos para descansar. Variando do aterrorizante ao cômico, do erótico para o repugnante, essas histórias apresentam o retorno de Junji Ito há muito aguardado para o mundo do horror.


Muita gente considera um bom começo ao estranho mundo do autor, como eu já conhecia antes, não tive muitas surpresas, inclusive achei o mangá no geral muito bom e com um ritmo bem descente, alguns contos são mais fluidos do que outros, certamente, mas todos tem um elemento de estranheza, horror e sensação de pesadelo em meio ao caótico mundo criado. A sensação de ler Junji Ito é a de que você está em um pesadelo constantes, e que esse é o "normal" do mundo, achei que o autor trouxe muito a sensação de que estamos caindo em uma espiral do subconsciente e que o medo e curiosidade são as únicas sensações possíveis. 

Suave adeus, foi um dos contos mais previsíveis de toda a coletânea, não é difícil chegar a conclusão que o autor nos propõe, mas é muito interessante a condução e os verdadeiros sustos e estranhezas, no fundo também achei de certa forma tocante. O monstro de madeira realmente me colocou em um vale de estranheza gigantesco, várias vezes senti arrepios lendo o conto e estranhando, além de tudo, os traços do conto a personagem que passa se hospedar na casa é muito estranha. A mulher que sussurra foi um dos meus favoritos, esse é um conto um pouquinho mais longo do que os outros e, também, é extremamente intrigante...Se fosse desenvolvido um filme à base dele, seria muito, muito interessante!! Mitsu é uma mulher misteriosa e cuidadora de uma garotinha que não consegue organizar os próprios pensamentos, coisas extraordinárias passam acontecer na casa com o passar do tempo de seus serviços. Pássaro negro, esse foi sem dúvida um dos mais repulsivos para mim! é um história intrigante e extremamente estranha...

Enfim, apesar de não fazer uma resenha conto a conto da coletânea, achei que é um ótimo mangá de terror e muito bom para passar o tempo, além de mexer em diferentes níveis com nós leitores. Portanto, considero que o saldo final da leitura é proveitoso, além de ser um grande mangaká, junji ito, trás histórias com seus requintes de repulsa, estranheza e perplexidade.



7 de mar. de 2026

Frieren e a jornada para o além, Kanehito Yamada. Vol. 1 e 2

Conheci primeiramente a música temática desse anime, "Yuusha (勇者)" Yoasobi, muito antes dele ficar tão ovacionado quanto agora. Quando assisti, eu simplesmente me encantei, foi paixão à primeira vista  logo no primeiro episódio, me senti tocada tão profundamente pelos personagens! Além disso, tanto na época quanto agora, sinto o quanto precisava mais de uma obra contemplativa, com a temática do luto e efemeridade da vida, o fato dele ser lento e extremamente "descritivo", foi o que me cativou também...Ou seja, a arte de contemplar a existência.

Trata-se de um mangá japonês escrito por Kanehito Yamada e ilustrada por Tsukasa Abe. Frieren é membro do grupo de aventureiros que derrotou o Rei Demônio e restaurou a harmonia no mundo após uma jornada de dez anos. O grupo também consiste pelo herói humano Himmel, o guerreiro anão Eisen e o sacerdote humano Heiter. Antes de partirem, eles observam os Meteoros da Era, uma chuva de meteoros que ocorre uma vez a cada cinquenta anos. Frieren concorda em se encontrar com o grupo novamente na próxima vez que os Meteoros da Era caírem. 

Cinquenta anos se passam e cada um nesse meio tempo esteve vivendo a vida da melhor forma possível que cada um considerara boa, Frieren retorna à capital e descobre que a humanidade mudou e seus antigos companheiros envelheceram, sendo que logo após uma última aventura para ver a chuva de meteoros, Himmel morre de velhice. No seu funeral, Frieren expressa culpa por não tentar aprender mais sobre ele. 


Tanto nos traços, quanto no enredo o mangá é completamente contemplativo e imersivo! a história é envolvente e os personagens são bens mais desenvolvidos nesse segundo volume, certamente, vemos o quanto o treinamento da Frieren reverbera em Fern e o quanto ela absorve os traços de sua mestra. A troca entre os personagens é bem natural e fluida, um sempre tem algo para aprender com o outro, e a Frieren é bem observadora, ao mesmo tempo que sábia, não faz questão de obter esse papel perante os demais, ou de reforça que ela é a famosa maga que derrotou o Rei Demônio. Em linhas gerais, é um mangá extremamente poderoso e tocante, principalmente se pegarmos os subtextos e temas abordados, como o luto e a contemplação. Como seguir em frente após a partida da pessoa que você mais ama? 

Quanto mais tempo passo com essa obra, mais me sinto tocada, mais me sinto abraçada e quase como se a obra tivesse sempre algo para me contar. A importância da vida e de como ela pode passar tão rápido é extraordinário, Frieren aprende isso de uma forma muito dura ao perder seu amigo, afinal ela tem uma vida extraordinariamente longeva, a passagem do tempo para ela é  totalmente diferente do que os humanos e até mesmo seu amigo anão (que também pode viver por muitos anos). 


A vida pode anunciar suas aventuras, pode ditar ritmos e afins, e algo que achei maravilhoso é o foco narrativo estar quase sempre na Frieren temos uma obra extremamente contemplativa, que olha alguns detalhes da vida, como paisagem, formas de agir...vemos o quanto a elfa é testemunha das mudanças do tempo e da evolução, o quanto para os humanos três anos parece muito, para ela não representa muita coisa, a analogia que vem em minha mente é nossa vida comparada ao tempo geológico e seus efeitos.

Enfim, cada página, cada traço, cada diálogo, cada batalha e lição são intensamente profundo e cativantes, sempre há tanto para se observar, aprender e absorver sobre o mundo! Simplesmente uma obra incrível, perfeitamente confortável que virou minha nova série de conforto. 



28 de fev. de 2026

Meu aniversário | Os 30 anos nunca esteve tão perto

 

Precisei de um tempo para digerir essa ideia. Essa ideia de que estou viva e de que posso celebrar quem eu sou e quero ser.. Talvez esse tenha sido um aniversário bem solitário ao mesmo tempo não tão solitário...No dia 12 de fevereiro, passei trabalhando, e no fim de semana, sábado, que foi minha folga, pude sair para comemorar. É tão bizarro o quanto o sistema nos prende ao trabalho e ao modo de produção capitalista: sem descanso, sem identidade, solitários e sem possibilidade de comemorar a própria existência ou de poder descansar com qualidade de vida. Ora, passei minha folga com alguns amigos, fomos em um Rage room na zona leste de São Paulo, quebramos várias coisas desde garrafas de cerveja até uma TV de algumas boas polegadas, e ao finalzinho da tarde, após passarmos uma hora por lá, fomos em um karaokê coreano na zona norte. 

Demorei para terminar de escrever esse pequeno post e demorei para postar, acho que dessa vez eu estou passando por tantas transições que não consegui processar todas, e ainda reflito em outras mais...

O que me incomoda até o momento são as horas passando tão depressa, tão intimidadora que muita vezes vemos o tempo como inimigo, mas ele é indiferente, nosso real inimigo é outro. Completei 29 anos com a sensação de ter vivido várias vidas, vários encontros e desencontros, apegos e desapegos...Tanta coisa mudou, tantos livros que eu li e ainda preciso ler, o tanto que precisei me reinventar e outras tantas vezes que precisei retornar ao ponto de partida, porém de uma forma muito diferente da anterior. Esse ano é de vários encerramentos de ciclos e começo de novos para mim, e estou precisando lidar com tanta coisa em tão pouco tempo... 

Queria escrever muito, queria apenas jogar as palavras no papel sem que elas precisassem fazer algum sentido externo, não sei por onde começar e por onde terminar. Sou muitas versões de mim mesma, ainda quero ser outras mais quantas eu sentir vontade de ser e às vezes não preciso justificar para o mundo minha existência...acredito que preciso lembrar disso, sempre!

Enfim, fevereiro é meu mês, sou aquariana com ascendente em aquário, algo que pode ser apenas um detalhe para as pessoas, no entanto, para mim é algo extraordinário. Dessa forma, quero viver da melhor forma possível!!! Tenho tanto para conhecer, para fazer, ler....Finalmente, a felicidade de estar viva cresce, mesmo que aos poucos, em mim.


7 de fev. de 2026

Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu

 Esse livro está no meu desafio de 30 livros antes dos 30 anos, e simplesmente foi uma escolha excelente! Comecei a lê-lo em dezembro de 2025 e terminei em meados de janeiro de 2026, foi uma leitura profunda, cheio de poética e momentos de introspecção. Morangos Mofados é o quarto livro de contos do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu, sendo considerado sua obra-prima pela crítica literária. Foi escrito em 1982 e aclamado como o melhor livro daquele ano pela revista Isto É. Foi um livro que me acompanhou durante um tempo, me foi uma excelente companhia, amigo e conselheiro! 

No post de hoje trago, certamente, essa resenha tão especial, e antes de falarmos mais profundamente da obra devo ressaltar que tanto essa leitura quanto a presente resenha apenas aconteceu por conta da nossa parceira, a Livraria Unesp, localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. Como sempre digo por aqui, é sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim. 


4 de fev. de 2026

Senhor dos anéis: O retorno do Rei | Realizei um sonho!

Voltei a trabalhar CLT e infelizmente, por conta do último semestre da faculdade, estou em um horário bem complexo, o que me proporciona a (re)vivência de após o trabalho voltar direto para casa, sem a possibilidade de poder ir ao cinema ou outros eventos culturais noturnos, os quais gostaria muito de participar, por conta disso, não pude ir nas sessões que estavam passando no cinemark do Senhor dos anéis na quinta, sexta e consegui ir apenas no sábado com algumas amigas e meu companheiro. Foi incrível! Realizei um sonho de criança que tanto queria: poder assistir no cinema um dos meus grandes favoritos da vida!! Apesar de ter assistido apenas a versão estendida de O retorno do Rei, para mim foi mágico!! 

2 de fev. de 2026

Recebidos de janeiro [parceria Livraria UNESP]


 Desde o ano passado, depois de quase um ano de hiato, escrevo com muito regularidade, ao menos uma vez por semana publico algo, em linhas gerais tento deixar tudo registrado da melhor forma possível, porém nos últimos dias vivi tanta coisa que parece que minha postagem anterior foi a meses atrás...É bizarro a nossa percepção da passagem do tempo e como nosso corpo e mente sentem isso! Inclusive ao escolher os livros desse mês, parece que faz muito tempo atrás, janeiro sempre me deixa estranha em relação ao tempo.

31 de jan. de 2026

Série: Izombie | Para mim: pura nostalgia


No momento que estou fazendo essa postagem (06/01) ainda estou de recesso, depois de um tempo mega puxado e cansativo, finalmente um descanso merecido! Enquanto eu estava procurando alguns blogs para acompanhar também, me deparei com uma série que amava assistir e só falei dela uma vez aqui no blog por conta dos quadrinhos, Izombie. Fiquei tão nostálgica só de ler uma resenha em um blog aleatório, que precisei fazer a loucura de largar tudo e reassistir alguns episódios e ver se envelheceu bem, além de tentar encontrar aquele quentinho no coração que minha versão adolescente solitária sentia ao assistir uma jovem zombie vivendo mil aventuras.

Izombie é uma série de 2015 que narra a trajetória de uma estudante estadunidense de medicina, que se transforma em uma zumbi e arruma um emprego como legista, para ter acesso aos cérebros que precisa comer para manter sua humanidade. Não bastava ser uma zumbi, após devorar o órgão, ela ganha acesso às memórias do falecido e absorve parte da personalidade por um tempo. Seus criadores são: Rob Thomas, Diane Ruggiero. Porém, como eu mencionei anteriormente o programa é baseado em uma série de quadrinhos criada pelo roteirista Chris Roberson e pelo artista Michael Allred, publicada pelo selo Vertigo da DC Comics desde 2010.

Minha opinião vai estar muito enviesada, certamente, por conta dessa nostalgia contagiante da minha versão adolescente e que amava as séries antigas que a Netflix tinha disponível em seu catálogo. Eu adorei ter reassistido parte da primeira temporada. Assisti alguns episódios, claro, não terei tempo para assistir absolutamente tudo, afinal são 5 temporadas com 45/50minutos cada episódios e no presente momento estou lidando com um emprego novo e a finalização da minha graduação. É uma série instigante, com um texto interessante, uma proposta muito boa e com atuações incríveis, principalmente da Rose Mclver, a atriz que interpreta a protagonista, Olivia. Em vários momentos atriz consegue mimetizar a atuação do outro ator, ou seja a personalidade do falecido, o que pode render momentos cómicos, desesperadores ou divertidos por si só. Tem vários momentos engraçados, sentimentais e extremamente reflexivos que a protagonista narra ao longo do episódio, de modo geral, a primeira temporada é incrível e me agradou muito! Talvez eu continue assistindo de pouquinho aos pouquinhos ao longo do ano, vamos ver se consigo terminar até o final do ano.


22 de jan. de 2026

Vampira humanista procura suicida voluntário

Acho curioso o quanto buscamos desesperadamente por conforto, por algo que nos traga a sensação de pertencimento e identidade. Eu, por exemplo, mesmo em meio ao caos estou separando um tempo para esse momento sagrado de ler e escrever por aqui, estou em uma fase de recuperação da minha saúde mental e tenho a necessidade de estar envolta de conforto/lugar seguro.

Enfim, entre os meus anseios e paixões, estava precisando de uma dose vampiresca, o que se traduz por conforto na minha perspectiva, ou seja, um bom filme com a temática de vampiros. Após assistir Salem's lot e não ter gostado em quase nada do longa, Vampira humanista procura suicida voluntário foi o que eu precisava. 

Gosto de filmes de vampiros com uma trama envolvente e que trás a paixão, a contemplação, a arte, a sedução por algo/alguém, o dilema de ser imortal e o preço que se paga por isso. Ou seja, quando tratamos a temática "vampiros" temos muitas possibilidades temáticas e narrativas. No post de hoje vamos tratar desse filme extremamente encantador e que beira a contemplação e possui alguns takes longos e com toda sua fotografia sombria, mas não deixa de ser convidativa e reconfortante em alguns momentos. 



Dirigido por Ariane Louis-Seize, acompanhamos uma jovem vampira que possui um problema muito pior do que os demais integrantes da sua espécie: uma sensibilidade aguçada que a impede de matar alguém. Cada vez mais desesperados com a situação, seus pais resolvem cortar o seu suprimento de sangue, assim colocando a vida de Sasha (Sara Montpetit) por um triz. No entanto, ao conhecer Paul (Félix-Antoine Bénard), suas perspectivas sobre vida e morte humanas, mudam. O garoto, solitário e com tendências suicidas, está disposto a doar sua vida para salvar a da vampira, mas o pacto entre os dois vira uma importante missão de realizar os últimos desejos de Paul antes do amanhecer chegar. 

Não há grandes complexidades abordadas no longa, mas trata temas interessantes e que com o olhar um pouco mais atento vamos observar um enredo mais profundo do que crises de pertencimento no ambiente dos personagens, seja Sasha não sentindo que se encaixa bem em sua família e na vida de vampira, e Paul um adolescente francês que não pertence a nenhum grupo da escola, do trabalho e nem possui amigos ou parentes mais próximos além da mãe. 

Sasha não se importa, necessariamente, com o ato de beber sangue, mas sim em matar um ser humano, no caso ela se preocupa com a ética da sua comida. Ao longo da trama ela mesma vai entender como "funciona" a morte para os humanos e como alguns buscam a morte (sem sofrimento), mas a buscam de qualquer forma, não importa o gênero, idade ou quais quer outras características...Ela descobre que a morte é muito bem-vinda para muitos humanos. O longa trata o tempo todo sobre o viver ou não. A relação dela com a família e principalmente com o pai são bem construídos e logo nas primeiras cenas conseguimos "sentir" a sinergia dos personagens e suas conexões, há muitos detalhes na atuação e a forma como tudo é conduzido. 


A prima da vampira também possui uma relação bem interessante, e a forma como vê e auxilia a prima em sua jornada vampiresca. Apesar dela ser bem expressiva, a forma como demonstra certos "sentimentos" possui um tom de não-saber-expressá-los-direito. Paul também é bem interessante, ele não aguenta mais viver a vida que está vivendo, porém não sabe como modificar ou lidar com isso, então a solução que ele busca é o suicídio, afinal em sua perspectiva a sua vida é extremamente miserável social e emocionalmente. Inclusive, as expressões e linguagem corporal dele são bem parecidas com a de Sasha,  é muito gosto ver a forma como possuem harmonia, como funcionam muito bem em conjunto e como ele traze conforto para ela.

O longa trás temas como ética, aceitação, busca pela própria identidade, o quanto para muitos o suicídio por ser visto como uma opção quando não há satisfação nenhuma em viver ou quanto há falta de conexão com a vida (algo que nos prenda à ela), além claro da contemplação, e a própria temática do suicídio. Antes que alguém moralizante possa falar algo, o filme não incentiva a desviver, mas a tratar da temática, a observar que há pessoas insatisfeitas e desesperadas por uma solução e também pessoas doentes emocionalmente que buscam por ajuda. Em suma, estava procurando um filme que me trouxesse conforto e abordasse o tema vampiros e essa obra conseguiu suprir essa necessidade. 

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...