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10 de mar. de 2026

Fragmentos do Horror, Junji Ito | Mangás [Darkside]

Fiquei uns dias sem conseguir postar e sem, ao menos, conseguir agendar as publicações por conta do meu trabalho novo...O sistema quer nos fazer acreditar que a culpa sempre é do trabalhador por falta de organização (seja ela financeira ou no próprio cronograma da vida mesmo), no entanto o governo, ou seja uma instância a nível federal precisa abolir a escala 6X1. Escrevo esse posts momentos antes de ir trabalhar em pleno domingo!! Enfim, vamos falar do livro em si e não do sistema deprimente em que vivemos.

Em meio as idas ao trabalho e um único dia de descanso durante a semana inteira, em fevereiro comecei e terminei a coletânea de contos do mangaká que desenha e escreve histórias de terror de 1987, Junji Ito. O autor desenha o que imagina, não tem medo de adentrar aos próprios pesadelos e transpó-los  no papel com suas histórias bizarras e macabras, além de pega medos do inconsciente coletivo, inconsistências da sociedade e sentimentos estranhos e profundos e os transforma em histórias que te prende do início ao fim e muitas outras que nos fazem pensar o que está havendo e aonde o autor quer chegar. Essa edição em específica que mostro nas fotos é um presente que dei ao meu marido, peguei emprestado!!

Fragmentos do horror é uma coleção de histórias curtas, perfeitas para quem quer experimentar o que a mente tão delirante do mangaká é capaz de produzir. Ito-san oferece ao leitor nove encontros com o desconhecido: Entre as histórias da coletânea, temos uma mansão velha de madeira que gira sobre seus habitantes. Uma turma de dissecação com um assunto nada comum. Um funeral em que os mortos definitivamente não são postos para descansar. Variando do aterrorizante ao cômico, do erótico para o repugnante, essas histórias apresentam o retorno de Junji Ito há muito aguardado para o mundo do horror.


Muita gente considera um bom começo ao estranho mundo do autor, como eu já conhecia antes, não tive muitas surpresas, inclusive achei o mangá no geral muito bom e com um ritmo bem descente, alguns contos são mais fluidos do que outros, certamente, mas todos tem um elemento de estranheza, horror e sensação de pesadelo em meio ao caótico mundo criado. A sensação de ler Junji Ito é a de que você está em um pesadelo constantes, e que esse é o "normal" do mundo, achei que o autor trouxe muito a sensação de que estamos caindo em uma espiral do subconsciente e que o medo e curiosidade são as únicas sensações possíveis. 

Suave adeus, foi um dos contos mais previsíveis de toda a coletânea, não é difícil chegar a conclusão que o autor nos propõe, mas é muito interessante a condução e os verdadeiros sustos e estranhezas, no fundo também achei de certa forma tocante. O monstro de madeira realmente me colocou em um vale de estranheza gigantesco, várias vezes senti arrepios lendo o conto e estranhando, além de tudo, os traços do conto a personagem que passa se hospedar na casa é muito estranha. A mulher que sussurra foi um dos meus favoritos, esse é um conto um pouquinho mais longo do que os outros e, também, é extremamente intrigante...Se fosse desenvolvido um filme à base dele, seria muito, muito interessante!! Mitsu é uma mulher misteriosa e cuidadora de uma garotinha que não consegue organizar os próprios pensamentos, coisas extraordinárias passam acontecer na casa com o passar do tempo de seus serviços. Pássaro negro, esse foi sem dúvida um dos mais repulsivos para mim! é um história intrigante e extremamente estranha...

Enfim, apesar de não fazer uma resenha conto a conto da coletânea, achei que é um ótimo mangá de terror e muito bom para passar o tempo, além de mexer em diferentes níveis com nós leitores. Portanto, considero que o saldo final da leitura é proveitoso, além de ser um grande mangaká, junji ito, trás histórias com seus requintes de repulsa, estranheza e perplexidade.



8 de jan. de 2026

Histórias extraordinárias, Edgar Allan Poe

 Amo que me esforço para trazer as resenhas aqui no blog e de certa forma conseguindo! Busco ler mais e melhor para aprimorar quem eu sou, a literatura é vida para mim, é como o ar que respiramos, essencial! Inclusive, uma anedota curiosa: eu reli alguns dos contos desse livro, então, além de ter lido em 2025, li também agora em 2026, e alguns dos contos famosos dessa edição, já li umas três vezes. 


5 de jan. de 2026

Casa velha, Machado de Assis (Edição da editora L&PM Pocket)

 Escrever essa resenha é bem interessante, pois tive uma história inusitada com esse livro. Tudo começou em uma tarde qualquer do ano de 2025, quando visitei minha irmã, que mora em outro município de São Paulo. Nessa mesma tarde acompanhei ela até seu atual serviço, uma livraria no meio de um shopping popular e movimentado da grande São Paulo. Em meio as prateleiras e estantes que fiquei zanzando, achei um cantinho destinado à editora L&PM Pocket, e vi Casa Velha do Machado de Assis, na hora eu não lembrava de ler lido esse livro, inclusive fiz um vídeo de book haul contando que não havia lido ainda...Porém, ao iniciar a leitura, me deparei com uma história que já conhecia. 


É com essa anedota que começo essa resenha, depois disso me senti um pouco boba, no entanto, é engraço que a primeira leitura foi em audiobook, e após iniciá-la, lembrei das minhas reações, lembro, inclusive, de ouvir no metrô voltando da faculdade ou do trabalho, e o tempo breve que me acompanhou...Por isso tenho a meta ambiciosa de fazer resenha de todos os livros que estou lendo, pois consigo segmentar e marcar ainda mais minhas leituras dentro de mim mesma. Odeio esquecer algumas leituras, isso me aborrece, e acredito que, apesar de audiobooks serem muito interessantes, não substituem a leitura mesmo das obras! Esse livro vai para o hall de leituras de 2025 que só consegui fazer a resenha nesse momento.


 Ora classificado como romance, ora como conto pela crítica e estudiosos, foi publicado em folhetins na revista carioca A Estação, de janeiro de 1885 a fevereiro de 1886, Casa Velha narra a história de um amor incestuoso a partir das lembranças de um padre, que faz um balanço das perdas e ganhos dessa paixão. O texto em si não tem tempo de discurso revelado; porém, o tempo de diegese se passa nos anos entre 1838 e 1839.  Por meio dessa obra, Machado de Assis sugere haver um paralelo entre as esferas públicas e privadas da vida e mostra como um drama familiar pode ser um retrato do Brasil do século XIX. 

Durante o desenrolar da história, o padre faz sua pesquisa histórica, enquanto se aproxima e faz parte da rotina da família, o cônego tornando-se grande amigo dos membros, ficando íntimo dela, inclusive. Deste modo, vê na amizade de Félix, filho da dona da casa, D. Antônia, e Lalau, que praticamente é uma agregada da casa, uma possível paixão. Ao longo da trama, descobre que sua observação estava corretíssima e os dois realmente se amavam, no entanto muitas circunstâncias se opõem a essa união. Agora, falando das personagens que se destacaram na minha leitura: Dona Antonina, é uma personagem um tanto interessante, o narrador descreve que ela governava esse ambiente familiar com discrição, brandura e justiça, irá fazer de tudo para impedir esse relacionamento por seus motivos, ela é extremamente discreta e evita que a família se envolva em escândalos, seu lema é " Uma Quintanilha não treme nunca"! 

Lalau é uma personagem que apesar de possuir uma inocência quase poética, a princípio a simpatia por ela demorou a chegar, em vários momentos parecia uma princesa de contos de fadas, porém ao longo da trama  cresce de forma extraordinária, e essa inocência é deixada para trás, substituída por maturidade. É uma personagem que mostra sua força e determinação pelas suas ações: abrir a mão de algo, aceitar outras e tomar as melhores decisões que possam proteger sua dignidade e integridade social. Machado com toda a certeza sabia muito bem escrever uma personagem feminina.

O padre é uma personagem interessante também, cheio de "poréns", moralidade, integridade, curiosidade, fé com um  espírito de santo casamenteiro. Vários momentos um pouco mais cômicos, por assim dizer, fica por conta dele, seja a forma como age em certas situações, ou a forma que conta suas lembranças. Já o Felix senti que foi um personagem muito morno, é apenas um típico filho da oligarquia, apenas um homem sem muitas ambições, nada a acrescentar, apenas um homem branco rico...E sim, essa construção foi proposital pode ter certeza, afinal, estamos falando de Machado.

Essa edição em específico me chamou demais a atenção, pois tem o objetivo de auxiliar o leitor a penetrar na sociedade carioca do século XIX e a conhecer a mente brilhante do autor, que diga-se de passagem é um dos maiores autores da nossa literatura. Dessa forma, temos notas abundantes sobre escrita, costumes regionais, sobre a corte, região e "curiosidades" de partes bem específicas para que o leitor, ou o jovem leitor do século XXI possa entender do que se trata. Também temos disponível uma biografia do autor, uma cronologia de publicação das suas obras, um panorama cultural do Rio de Janeiro e um mapa da época em questão.  



4 de fev. de 2025

Noites de sangue e paixão, de Helena Viera

Sou totalmente influenciável em quesito de leitura com blogs de literatura ou pessoas interessantes do meio literário que sigo e acompanho. Vi uma resenha sobre esse livro no blog Uma Pandora e sua caixa, e tratei de adquirir no kindle! Amo, amo vampiros, sou obcecada por eles, tudo o que tiver no meio literário para ler sobre, lerei!!! o que tiver de filme, arte, enfim qualquer coisa, estarei consumindo!!!

Essa é mais uma leitura do comecinho de janeiro, a qual a resenha está saindo apenas agora. No entanto "antes tarde do que nunca"! Esse ano quero resenhar todos os livros que li, podendo ser grandes clássicos, teóricos ou populares, enfim, não importando o gênero literário.

Fiquei ainda mais empolgada por ser uma história sáfica e nacional, certamente tratei de ler! Meu único apontamento negativo é que a narrativa ficou um pouco genérica, até a descrição das personagens é pouco detalhada, para mim chegou a ser vago. Além disso, a "mitologia" da história não é muito desenvolvida. É um conto simples, erótico e bem divertido, ótimo para passar o tempo.

Inimigas por natureza. Amantes por vontade própria. Noites de Halloween carregam mistérios e surpresas. Foi em uma dessas noites que a enigmática e sedutora vampira Samira pôs os olhos em Moira, uma implacável caçadora. Um ano depois, os caminhos das duas mulheres se cruzam novamente. Desde então, elas dão início a uma tradição inevitável.

A vampira e a caçadora começam a se encontrar uma vez por ano, em uma noite que combina desejo proibido e tensão. O que iniciou como uma batalha de vontades rapidamente se transforma em algo mais profundo — uma paixão impossível de ignorar. Mas, com o passar dos anos e a intensidade crescente entre elas, ao longo do enredo vemos que apenas uma noite por ano não é mais o suficiente para sustentar o que sentem.

Não há muito o que falar sem dar spoiler da história. Mas fica a dica caso queira um hot sáfico e vampiresco para passar um dia de chuva sem internet e com a energia oscilando como eu fiz. 







13 de jan. de 2025

"O invasor venusiano", de Larry Sternig, e "Depois do fim do mundo", de Lisandro do Amaral [Leituras do kindle]

O ano mal começou e estou lendo como se não houvesse o amanhã, além de estar escrevendo muito também, como se minha sanidade dependesse exclusivamente de escrever. Tem sido divertido. Estou com a sensação de que esse janeiro será longuíssimo! Parte de mim está super feliz por isso, aliás. Estou fazendo vários posts e programando eles, estou feliz com esse empenho inicial que estou tendo, espero que ele dure o ano inteiro!



Esses dois contos/livros não pertencem aos meus dois desafios literários principais, no entanto, estava com saudade de ficção científica e sai caçando pelo kindle o que ainda estava para ler, então, mais dois lidos da minha biblioteca virtual. Ambos os contos são fluidos, rápidos e interessantes, porém, não achei que foram tudo isso. Vou fazer a resenha pela ordem de leitura. 

O invasor venusiano

Leah Barrow morreria. Tar Norn, o invasor venusiano da base de pesquisas, havia jurado isso, a menos que ele fosse libertado nas suas condições. Mas liberdade para o pirata significa a morte para muitos, e era dever do Diretor Barrow detê-lo, mesmo que isso custasse a vida de sua preciosa filha. Uma luta contra o tempo para conseguir salvá-la sem fazer acordos escusos, a angustiante narrativa segue cada avanço do cronometro e o desespero dos personagens e passa muito bem a sensação de esgotamento tanto temporal, quanto emocional de todos os envolvidos. 

No geral, o enredo é bem amarrado, com um ritmo de urgência e desespero. Achei bem razoável! Um conto simples, rápido e bem old style da ficção científica. Inclusive, tive a sensação que parte da trama era bem previsível e que lembra, realmente, as séries de sci-Fi da década de 1970. De todo não é ruim, foi ótimo para passar o tempo, me entreter, mas não achei que foi algo extraordinário. No saldo final a história passa bem batida, mas fica na memória o cenário classicão de sci-fi. Nos últimos anos tenho ficado muito exigente com minhas leituras, e a forma como encaro elas tem sido ainda mais observadora e tento o máximo possível ser atenta aos detalhes.

Depois do fim do mundo

A premissa é interessante e o ritmo da narrativa até que é bom, contudo varia um pouco lá pelas tantas, e torna-se uma narrativa um pouco mais arrastada, não de modo ruim, e sim detalhada em alguns aspectos. Temáticas como a solidão, valorização da vida e da rotina, socialização são predominantes desde o início do conto. 

Por ser uma história que se passa no Brasil e é de um autor brasileiro, senti falta de brasilidades, coisas que são tão únicas na forma de ser e escrever brasileira. Achei, pois, o enredo tão genérico que várias vezes imaginava um cenário estadunidense e não brasileiro! Inclusive, várias características na descrição das paisagens é muito americanizada ou extremamente genérica, e quando tinha alguma descrição dos cenários brasileiros, mais parecia a visão estereotipada de um gringo do que alguém que resida nas terras tupiniquins. 

Logo de início senti a escrita muito parecida com autores americanos de ficção como o Stephen king, algo bacana, no entanto achei que o autor foi perdendo a mão em suas inspirações e influências, absorvendo muito mais dos autores estadunidenses e deixando até as característica brasileiras de lado. Além disso, algo que me incomodou foi que houve alguns "erros de continuidade", o personagem, por exemplo, descreveu 3 vezes que estava em São Paulo, sendo que apenas uma dessas vezes realmente estava, de acordo com a própria narração!!

No início, por exemplo, disse que estava em São Paulo, mas ao longo no enredo ele está, na verdade, em Curitiba, e depois vai para a Avenida Paulista, mais pra frente ele comenta que chegou em São Paulo...Bem como a temporalidade é um pouco confusa, tanto na contagem, quanto na descrição da passagem do tempo. Não possui explicações consistentes, e deixa tudo para um segundo volume, que caberia muito bem em um só! 

Enfim, essas foram minhas duas leituras de ficção cientifica da semana e foram bem razoáveis, talvez um pouco decepcionantes, mas foram boas para passar o tempo. Estou empolgada para os próximos livros das metas de leituras e das vontades aleatórias para ver o que me aguarda! 

24 de jan. de 2023

Resenha: Contos e lendas nórdicos Vol. 1

 A primeira resenha escrita nesse blog no ano de 2023, apesar de não ser o primeiro livro lido. Pensei durante um tempo (enquanto eu lia esse livro) se publicaria uma resenha aqui no blog...E no fim das contas estou aqui, redigindo esse texto em uma noite de sábado.


A obra reúne histórias dos povos antigos que habitaram o norte da Europa, região que, atualmente, é composta pelos países Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Nele, o leitor conhecerá os contos de fadas, lendas, sagas e mitos nórdicos. São histórias cheias de simbologia, cujos personagens são venerados como deuses, semideuses e heróis, e que vão proporcionar uma experiência muito agradável, seja para crianças, jovens ou adultos.

Primeiro volume – Contos e lendas A primeira parte traz contos de fadas mágicos e histórias extraordinárias de autores como Hans Christian Andersen, J. Jakobsen, Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe, que falam sobre valores como bravura, coragem, humildade e perseverança. Em suas narrativas a bondade é sempre recompensada. 

É uma leitura rápida e objetiva, os contos são um pouco maiores do que parece ser a lendas, apesar de eu ter levado desde novembro de 2022 para terminá-lo, por uma série de questões, é possível terminar em menos de uma semana. São história extremamente moralizantes, com um propósito didático de ensinar como se viver em sociedade e como respeitar as místicas envolvendo suas lendas. Todavia, com o passar dos séculos os contos envolvendo fadas, gnomos, duendes e outros seres mágicos foram cristianizados. Sim, por de trás dessas histórias de 'contos de fadas' há uma moral cristã fortissíma.

Ao longo do enredo de cada conto vemos, repetidamente, o quanto o "ser cristão" é que vai te salvar de algum apuro, pois todos se dobram ao cristianismo, e mesmo que o protagonista tome uma atitude violenta ou questionável tudo é aceitável, pois em primeiro lugar ele é cristão e em segundo, os tempos são "selvagens" e o mais civilizado é o homem cristão, independentemente do que ele faça. Dessa forma, apesar dessas histórias carregarem a essência mágica e suas raízes folclóricas, elas carregam acima de tudo modificações ocorridas ao longo dos séculos com o proposito pedagógico religioso muito forte, sem dúvida mostrando o que é esperado dos bravos homens civilizados e com uma fé "verdadeira". 

Portanto, foi uma leitura que depois que me empenhei foi rápida e breve, mesmo com o teor cristão, ainda há magia por trás, mesmo que distorcida ela ainda está ali, e também encontramos a origem de várias coisas como a origem do gosto salgado do sal ou de determinada flor que nasce próxima a um lago segundo o povo originário. Não chega a ser uma leitura que eu recomende muito, porém tem lá sua diversão e seus momentos narrativos.



Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...