10 de jul. de 2026

Recebidos acumulados [LIVRARIA UNESP]

 Por conta da rotina apertada, horas extras e afins da vida de mulher moderna e CLT que estou levando recentemente, acabei acumulando alguns dos recebidos da livraria unesp, e quem é leitor regular do blog sabe que é uma de nossas grandes parceiras! 

Eu simplesmente amei cada livro que escolhi e estou extremamente ansiosa para lê-los e escrever as resenhas de cada um por aqui! Bom, esses últimos meses foram intensos para mim, eu vivi algumas tantas vidas, pensei em desistir de mil coisas, chorei, ri, sonhei e quis me esconder do mundo! Passei por tantos altos e baixos emocionais e como sempre pontuo por aqui, a literatura é o que tem me salvado, tanto do mundo, quanto de mim mesma. Nesse sentido, vejo o quanto é fundamental ter esses momentos preciosos com os livros e poder escolher cada um deles. Enfim, vamos ao post para conhecer os livros recebidos até o momento! 

5 de jul. de 2026

Frankenstein, filme de Guillermo Del toro


Assisti essa obra pela primeira vez em dezembro de 2025, escrevi esse post durante uns dias e, finalmente, só nesse momento que consegui sentar e finalizá-lo. Enrolei demais para terminar esse texto, bem como para publicá-lo. Bom, vamos propriamente ao post de hoje...

Tanto o livro quanto o filme abordam as consequências das decisões que Victor Frankenstein toma, além do princípio antiguíssimo de "não tem como voltar atrás das escolhas e caminhos que tomados". Aqui vou focar no filme e as impressões que tive, inclusive, precisei reassistir por conta das impressões que os filmes do Guillermo Del Toro causam em mim; sempre os assisto mais de uma vez para ver se os "aproveito" bem, verificar se deixei algo passar e para entender o que sinto e refletir após assistir pela segunda vez.

 

Esse é um dos meus livros favoritos da vida! Já li duas vezes em edições diferentes, e esse ano estou com o objetivo de ler mais uma vez e em uma edição diferente das anteriores, inclusive aqui no blog tem duas resenha da obra em edições diferentes: Resenha: frankenstein, de Mary Shelley, e Segunda leitura (2022). Frankenstein é uma obra intrigante, instigante e extremamente profunda escrita por uma mulher extremamente observadora e perspicaz. Tanto no livro, quanto no filme vamos acompanhar Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais empenhado em descobrir o mistério da criação e que acaba por construir uma espécie de ser humano em seu laboratório. O livro é epistolar; a introdução é feita por cartas de um personagem fora da história de Victor, um viajante/aventureiro que está fazendo uma expedição para o ártico, no filme, Victor conta sua vida para o capitão do navio que o resgata. 

Certamente, como toda obra cinematográfica inspirada em um livro, há certa adaptações, ou seja, há cenas sintetizadas, modifica personagens, cria outros, ressignifica trechos, refaz diálogos etc. Todavia, isso não significa que a mensagem geral tenha deixado de ser passada, como mencionei anteriormente, por exemplo, na obra original, a família Frankenstein é mais numerosa, e seus membros compartilham uma relação marcada pelo afeto, pela proximidade e por um genuíno sentimento de união. 

O pai exigente e emocionalmente distante criado para o filme, portanto, não é um mero detalhe da adaptação, mas um recurso narrativo que busca enfatizar as ambições de Victor e evidenciar sua completa inaptidão para assumir o papel de criador. É justamente sob essa perspectiva que a mudança mais significativa acontece: enquanto, na adaptação, Victor tenta cuidar da criatura durante seus primeiros dias de vida, no romance ele a abandona no instante em que ela abre os olhos. 

À primeira vista, essas escolhas parecem opostas; no entanto, ambas conduzem à mesma conclusão: Em nenhuma das versões Victor compreende o verdadeiro significado do ato de criar. Ele apenas coloca seu "filho" no mundo, sem refletir sobre as responsabilidades que inevitavelmente acompanham esse gesto. Seu fracasso, portanto, não reside apenas na criação da criatura, mas na incapacidade de reconhecer que dar vida a alguém implica também acolhê-la, educá-la e assumir as consequências de sua própria escolha,  algo que, tradicionalmente, esperamos encontrar na figura materna.


Esse cuidado que Victor jamais consegue oferecer à Criatura acaba sendo encontrando, ainda que de forma breve, um reflexo na figura de Elizabeth. Na adaptação cinematográfica, ela é apresentada como noiva de William, enquanto, no romance, é irmã adotiva de Victor Frankenstein (edição de 1818, também é sua prima, e me lembro bem). Se, na obra original, Elizabeth é frequentemente descrita a partir de sua doçura e pureza, o filme amplia sua personalidade e a torna igualmente inteligente, perspicaz e curiosa, não por acaso, é justamente essa combinação de sensibilidade e intelecto que desperta o interesse de Victor, há, porém, um detalhe, o qual considero mais sombrio e que torna essa escolha ainda mais significativa: Elizabeth compartilha o mesmo rosto de sua mãe. Confesso que só percebi isso depois de reassistir ao filme e descobrir que Mia Goth interpreta ambas as personagens. Certamente a decisão de escalar a mesma atriz dificilmente parece acidental muito pelo contrário, ela dialoga de maneira bastante interessante com a narrativa de Mary Shelley, na qual o luto precoce pela mãe e a idealização da figura materna atravessam toda a trajetória de Victor, influenciando não apenas a forma como ele compreende o afeto, mas também aquilo que passa a buscar nas pessoas ao seu redor.

Para essa postagem não ser maior do que ela se sucedeu, vou encaminhar para um parágrafo de conclusão rematando com comentários que andei lendo pela internet...Muita gente achou que o filme foi muito mais positivo do que o livro, que falto algo, que deveria ter tais elementos etc. Porém, achei que, como adaptação, e como uma adaptação gótica para o cinema atual não se perdeu a verdadeira essência do enredo e do que muito provavelmente a autora quis passar para nós leitores. Temas como maternidade, objetificação, solidão, irresponsabilidade e abandonos paternos, criação versus criador, e a própria criação é independente de seu criador e vários outros temas, ainda estão no texto, ainda estão ali para serem observados e lembrados. 

2 de jul. de 2026

Voltando do vale das sombras...

 Mais um post para falar o quanto estou morrendo de saudades de escrever e publicar algo aqui! Fiquei dois meses sem postar e parece uma eternidade, principalmente pelo fato de estar postando com bem mais constância por aqui...Há tantas coisas que estou vivendo e passando ao mesmo tempo, queria conseguir escrever mais tanto no diário (esse ano não estou escrevendo com tanta regularidade), quanto aqui e voltar a fazer a resenha e falar das minhas leituras. Estou passando por tanto caos, fins e recomeços, tantas coisas estão saindo na minha vida, e outras que necessito finalizar...é tanto para lidar o tempo todo. 

Nesse meio tempo tenho lido bem lentamente, tenho me isolado de algumas maneiras para poder sentir, digerir minhas emoções e entender o fluxo do mar de vida que vivemos, tanto no sentido público quanto privado de viver. Às vezes sinto tanto que não sei explicar exatamente os estopins para tal, ou não saberei como conduzir uma linha de raciocínio que para as pessoas seja coerente...porém, estou aqui escrevendo, mesmo um tanto a contra gosto. 

Passei longos minutos olhando a tela em branco da seção de postagem, pensei nas inúmeras postagens que estou preparando, mas nada parecia se encaixar, busquei apenas escrever devaneios tolos nesse post para desabafar. Não quero perder o costume de postar e escrever sobre as angustias da vida, mesmo que de todo as coisas não sejam tão perfeitas quanto eu busco fazê-las, ou como roteirizei em minha mente...Também, escrevo para atualizar os leitores, os quais nunca irei conhecer seus rostos, os quais talvez não me acompanhem tanto, e outros tantos que podem passar só por conta de alguma pesquisa no google e nunca mais voltar...

Caravaggio - Still Life with Fruit (circa 1603)


De todo modo, escrevo para dizer que estava no vale das sombras, que estava terrivelmente deprimida e engolida pela minha rotina exaustiva de CLT que estou me formando na universidade dos meus sonhos... Porém, estou em um emprego que não me cabe de forma alguma, o ambiente, as pessoas e suas vidinhas, e tudo em volta, não me apetecem...Me dói toda vez que não posso ser eu mesma. Basicamente, estou em um emprego para pagar as contas apenas, não um emprego que realmente tenha sido escolhido por mim, que eu tenha me preparado para exercer e algo que realmente me "complete". Eu sei que vivemos em um sistema capitalista e que precisamos trabalhar de qualquer forma e desconstruir essa ideia de completude e todos os por menores envolvidos nessa construção social sobre o trabalho e o quanto ele está atrelado a conquista e "felicidades" modernas....Enfim, quero chegar no ponto de sim, quero trabalhar novamente na minha área, pois sei que nela sou feliz e que trabalho com prazer.

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...