Assisti essa obra pela primeira vez em dezembro de 2025, escrevi esse post durante uns dias e, finalmente, só nesse momento que consegui sentar e finalizá-lo. Enrolei demais para terminar ese texto, bem como para publicá-lo. Bom, vamos propriamente ao post de hoje...
Tanto o livro quanto o filme abordam as consequências das decisõe que Victor Frankenstein toma, além do princípio antiguíssimo de "não tem como voltar atrás das escolhas e caminhos que tomados". Aqui vou focar no filme e as impressões que tive, inclusive, precisei reassistir por conta das impressões que os filmes do Guillermo Del Toro causam em mim; sempre os assisto mais de uma vez para ver se os "aproveito" bem, verificar se deixei algo passar e para entender o que sinto e refletir após assistir pela segunda vez.
Certamente, como toda obra cinematográfica inspirada em um livro, há certa adaptações, ou seja, há cenas sintetizadas, modifica personagens, cria outros, ressignifica trechos, refaz diálogos etc. Todavia, isso não significa que a mensagem geral tenha deixado de ser passada, como mencionei anteriormente, por exemplo, na obra original, a família Frankenstein é mais numerosa, e seus membros compartilham uma relação marcada pelo afeto, pela proximidade e por um genuíno sentimento de união.
O pai exigente e emocionalmente distante criado para o filme, portanto, não é um mero detalhe da adaptação, mas um recurso narrativo que busca enfatizar as ambições de Victor e evidenciar sua completa inaptidão para assumir o papel de criador. É justamente sob essa perspectiva que a mudança mais significativa acontece: enquanto, na adaptação, Victor tenta cuidar da criatura durante seus primeiros dias de vida, no romance ele a abandona no instante em que ela abre os olhos.
À primeira vista, essas escolhas parecem opostas; no entanto, ambas conduzem à mesma conclusão: Em nenhuma das versões Victor compreende o verdadeiro significado do ato de criar. Ele apenas coloca seu "filho" no mundo, sem refletir sobre as responsabilidades que inevitavelmente acompanham esse gesto. Seu fracasso, portanto, não reside apenas na criação da criatura, mas na incapacidade de reconhecer que dar vida a alguém implica também acolhê-la, educá-la e assumir as consequências de sua própria escolha, algo que, tradicionalmente, esperamos encontrar na figura materna.
Esse cuidado que Victor jamais consegue oferecer à Criatura acaba sendo encontrando, ainda que de forma breve, um reflexo na figura de Elizabeth. Na adaptação cinematográfica, ela é apresentada como noiva de William, enquanto, no romance, é irmã adotiva de Victor Frankenstein (edição de 1818, também é sua prima, e me lembro bem). Se, na obra original, Elizabeth é frequentemente descrita a partir de sua doçura e pureza, o filme amplia sua personalidade e a torna igualmente inteligente, perspicaz e curiosa, não por acaso, é justamente essa combinação de sensibilidade e intelecto que desperta o interesse de Victor, há, porém, um detalhe, o qual considero mais sombrio e que torna essa escolha ainda mais significativa: Elizabeth compartilha o mesmo rosto de sua mãe. Confesso que só percebi isso depois de reassistir ao filme e descobrir que Mia Goth interpreta ambas as personagens. Certamente a decisão de escalar a mesma atriz dificilmente parece acidental muito pelo contrário, ela dialoga de maneira bastante interessante com a narrativa de Mary Shelley, na qual o luto precoce pela mãe e a idealização da figura materna atravessam toda a trajetória de Victor, influenciando não apenas a forma como ele compreende o afeto, mas também aquilo que passa a buscar nas pessoas ao seu redor.
Para essa postagem não ser maior do que ela se sucedeu, vou encaminhar para um parágrafo de conclusão rematando com comentários que andei lendo pela internet...Muita gente achou que o filme foi muito mais positivo do que o livro, que falto algo, que deveria ter tais elementos etc. Porém, achei que, como adaptação, e como uma adaptação gótica para o cinema atual não se perdeu a verdadeira essência do enredo e do que muito provavelmente a autora quis passar para nós leitores. Temas como maternidade, objetificação, solidão, irresponsabilidade e abandonos paternos, criação versus criador, e a própria criação é independente de seu criador e vários outros temas, ainda estão no texto, ainda estão ali para serem observados e lembrados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários é um lugar de troca de experiências, pensamentos e opiniões!
Momento em que algo nos tocou e agora queremos compartilhar nossas emoções.