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5 de jan. de 2026

Casa velha, Machado de Assis (Edição da editora L&PM Pocket)

 Escrever essa resenha é bem interessante, pois tive uma história inusitada com esse livro. Tudo começou em uma tarde qualquer do ano de 2025, quando visitei minha irmã, que mora em outro município de São Paulo. Nessa mesma tarde acompanhei ela até seu atual serviço, uma livraria no meio de um shopping popular e movimentado da grande São Paulo. Em meio as prateleiras e estantes que fiquei zanzando, achei um cantinho destinado à editora L&PM Pocket, e vi Casa Velha do Machado de Assis, na hora eu não lembrava de ler lido esse livro, inclusive fiz um vídeo de book haul contando que não havia lido ainda...Porém, ao iniciar a leitura, me deparei com uma história que já conhecia. 


É com essa anedota que começo essa resenha, depois disso me senti um pouco boba, no entanto, é engraço que a primeira leitura foi em audiobook, e após iniciá-la, lembrei das minhas reações, lembro, inclusive, de ouvir no metrô voltando da faculdade ou do trabalho, e o tempo breve que me acompanhou...Por isso tenho a meta ambiciosa de fazer resenha de todos os livros que estou lendo, pois consigo segmentar e marcar ainda mais minhas leituras dentro de mim mesma. Odeio esquecer algumas leituras, isso me aborrece, e acredito que, apesar de audiobooks serem muito interessantes, não substituem a leitura mesmo das obras! Esse livro vai para o hall de leituras de 2025 que só consegui fazer a resenha nesse momento.


 Ora classificado como romance, ora como conto pela crítica e estudiosos, foi publicado em folhetins na revista carioca A Estação, de janeiro de 1885 a fevereiro de 1886, Casa Velha narra a história de um amor incestuoso a partir das lembranças de um padre, que faz um balanço das perdas e ganhos dessa paixão. O texto em si não tem tempo de discurso revelado; porém, o tempo de diegese se passa nos anos entre 1838 e 1839.  Por meio dessa obra, Machado de Assis sugere haver um paralelo entre as esferas públicas e privadas da vida e mostra como um drama familiar pode ser um retrato do Brasil do século XIX. 

Durante o desenrolar da história, o padre faz sua pesquisa histórica, enquanto se aproxima e faz parte da rotina da família, o cônego tornando-se grande amigo dos membros, ficando íntimo dela, inclusive. Deste modo, vê na amizade de Félix, filho da dona da casa, D. Antônia, e Lalau, que praticamente é uma agregada da casa, uma possível paixão. Ao longo da trama, descobre que sua observação estava corretíssima e os dois realmente se amavam, no entanto muitas circunstâncias se opõem a essa união. Agora, falando das personagens que se destacaram na minha leitura: Dona Antonina, é uma personagem um tanto interessante, o narrador descreve que ela governava esse ambiente familiar com discrição, brandura e justiça, irá fazer de tudo para impedir esse relacionamento por seus motivos, ela é extremamente discreta e evita que a família se envolva em escândalos, seu lema é " Uma Quintanilha não treme nunca"! 

Lalau é uma personagem que apesar de possuir uma inocência quase poética, a princípio a simpatia por ela demorou a chegar, em vários momentos parecia uma princesa de contos de fadas, porém ao longo da trama  cresce de forma extraordinária, e essa inocência é deixada para trás, substituída por maturidade. É uma personagem que mostra sua força e determinação pelas suas ações: abrir a mão de algo, aceitar outras e tomar as melhores decisões que possam proteger sua dignidade e integridade social. Machado com toda a certeza sabia muito bem escrever uma personagem feminina.

O padre é uma personagem interessante também, cheio de "poréns", moralidade, integridade, curiosidade, fé com um  espírito de santo casamenteiro. Vários momentos um pouco mais cômicos, por assim dizer, fica por conta dele, seja a forma como age em certas situações, ou a forma que conta suas lembranças. Já o Felix senti que foi um personagem muito morno, é apenas um típico filho da oligarquia, apenas um homem sem muitas ambições, nada a acrescentar, apenas um homem branco rico...E sim, essa construção foi proposital pode ter certeza, afinal, estamos falando de Machado.

Essa edição em específico me chamou demais a atenção, pois tem o objetivo de auxiliar o leitor a penetrar na sociedade carioca do século XIX e a conhecer a mente brilhante do autor, que diga-se de passagem é um dos maiores autores da nossa literatura. Dessa forma, temos notas abundantes sobre escrita, costumes regionais, sobre a corte, região e "curiosidades" de partes bem específicas para que o leitor, ou o jovem leitor do século XXI possa entender do que se trata. Também temos disponível uma biografia do autor, uma cronologia de publicação das suas obras, um panorama cultural do Rio de Janeiro e um mapa da época em questão.  



4 de fev. de 2025

Noites de sangue e paixão, de Helena Viera

Sou totalmente influenciável em quesito de leitura com blogs de literatura ou pessoas interessantes do meio literário que sigo e acompanho. Vi uma resenha sobre esse livro no blog Uma Pandora e sua caixa, e tratei de adquirir no kindle! Amo, amo vampiros, sou obcecada por eles, tudo o que tiver no meio literário para ler sobre, lerei!!! o que tiver de filme, arte, enfim qualquer coisa, estarei consumindo!!!

Essa é mais uma leitura do comecinho de janeiro, a qual a resenha está saindo apenas agora. No entanto "antes tarde do que nunca"! Esse ano quero resenhar todos os livros que li, podendo ser grandes clássicos, teóricos ou populares, enfim, não importando o gênero literário.

Fiquei ainda mais empolgada por ser uma história sáfica e nacional, certamente tratei de ler! Meu único apontamento negativo é que a narrativa ficou um pouco genérica, até a descrição das personagens é pouco detalhada, para mim chegou a ser vago. Além disso, a "mitologia" da história não é muito desenvolvida. É um conto simples, erótico e bem divertido, ótimo para passar o tempo.

Inimigas por natureza. Amantes por vontade própria. Noites de Halloween carregam mistérios e surpresas. Foi em uma dessas noites que a enigmática e sedutora vampira Samira pôs os olhos em Moira, uma implacável caçadora. Um ano depois, os caminhos das duas mulheres se cruzam novamente. Desde então, elas dão início a uma tradição inevitável.

A vampira e a caçadora começam a se encontrar uma vez por ano, em uma noite que combina desejo proibido e tensão. O que iniciou como uma batalha de vontades rapidamente se transforma em algo mais profundo — uma paixão impossível de ignorar. Mas, com o passar dos anos e a intensidade crescente entre elas, ao longo do enredo vemos que apenas uma noite por ano não é mais o suficiente para sustentar o que sentem.

Não há muito o que falar sem dar spoiler da história. Mas fica a dica caso queira um hot sáfico e vampiresco para passar um dia de chuva sem internet e com a energia oscilando como eu fiz. 







15 de jan. de 2025

O avesso da pele, de Jeferson Tenório [30 livros antes dos 30 anos]

Comecei essa leitura por conta de uma amiga da faculdade em 2024 e só agora, em janeiro de 2025, que dei cabo de terminar, e faltava apenas os últimos capítulos. Esse livro eu tenho só a versão digital para kindle, não pretendo comprar a física. Enfim, sou apaixonada pela literatura brasileira, principalmente os clássicos e atualmente, vários lançamentos recentes e ou autores independentes tem me fisgado. Eu sempre gosto de frisar que à maneira como nós fazemos literatura é única, intensa e cheia de poeticidade, denuncia e magia. 



Esse é um livro que está no meu desafio de 30 livros, e decidir colocar ele na lista quando a leitura já estava em andamento. Consigo facilmente ver ele se tornar um clássico futuramente! Ele me fez refletir, chorar, sorrir, me identificar no papel de professora/educadora que foi largando o barco, e olha que sem  muito tempo de experiência. Tive a experiência em sala de aula, mas muito provavelmente eu não volte mais...

O avesso da pele é um romance intenso sobre identidade racial, relações sociais, violência estrutural e luta pela sobrevivência. Não é atoa que foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria de "Romance Literário".  Vamos acompanhar a história de Pedro, que, após a morte do pai, busca resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Uma forma que o filho tem de lidar com o luto e honrar a memória do pai. Com uma narrativa sensível e às vezes brutal, o autor traz luz a uma realidade de um país marcado pelo racismo estrutural, velado e escancarado, um sistema educacional falho e um denso relato sobre as complexas relações geracionais entre pais e filhos.

Temos o vislumbre da vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais em um país extremamente racista, vemos todo o processo de dor de uma vida inteira, anos de sofrimento e injustiças sociais, temos também o processo de "acerto de contas" e também de "redenção" com seu relacionamento. 


O autor tem uma habilidade incrível na concepção e estruturação dos personagens, além da forma de lidar com as complexidades sociais e emocionais, bem como as tragédias individuais e das relações familiares. A voz dos personagens são potentes, profundas e bem características, apesar de ser contado tudo por um narrador quase completamente "onisciente" (o filho), há vários detalhes narrativos que apenas os personagens possuem, é como se o narrador desse a voz e a vida para eles.

Essa leitura, apesar de ter sido demorada para mim por diversos motivos do cotidiano mesmo, foi excelente e maravilhosa, foi minha companheira de metrô e ônibus a caminho da faculdade, já que trabalho home office mesmo. Ela me fez parar diversas vezes e repensar o Brasil que vivemos, as dificuldades que, apesar de ler sobre, nunca vou entender completamente por ser branca. Uma angustia e desolação me pegavam, mas ao mesmo tempo a narrativa é reconfortante, extremamente poética e em vários momentos delicada estruturalmente. 

De alguma forma, apesar de ser visceral, é acolhedora! Eu fiquei embasbacada com absolutamente tudo nesse livro: a narrativa, enredo, desenrolar da trama, construção dos personagens, ambientação, as brasilidades tão únicas e características do nosso Brasil. Enfim, não teve como não me envolver, e me deixar ser levada por esse livro. Ele foi tão precioso por tanto tempo, que é até estranho me despedir dele em uma resenha. 


21 de nov. de 2021

Primeiras Estórias, Guimarães Rosa

 Esse ano passou tão rápido, parece que foi ontem que eu estava fazendo a FUVEST, mas não...Foi em janeiro, assim como já estou acabando o segundo semestre, o primeiro foi muito lindo e bem animado, o segundo tem sido muito trabalhoso, mas extremamente gratificante e menos desesperador também. Cresci tanto desde que entrei na faculdade, e tem me mudado ainda mais, para melhor!

Neste post vamos falar de Guimarães Rosa um dos meus autores favoritos e até agora não foi resenhado aqui, por um bom motivo, não havia terminado nenhum livro dele. Apesar de já ter lido alguns contos do Primeiras Estórias, é a primeira vez que termino e além disso, estudei-o durante algumas aulas de IEL II (introdução aos estudos literários II), então estou super empolgada. 

Autor: João Guimarães Rosa
Título original: Primeiras Estórias
Número de páginas: 238
Editora: Editora Nova Fronteira

Primeiras Estórias é um livro de contos publicado em 1962. Contém 21 contos que se passam, em sua maioria, em um ambiente rural não específico, espelhando situações e temas particulares e universais, que extrapolam o cotidiano, apesar de o retratar. É como o conto Amor da Clarice Lispctor, um momento de epifania, um desabrochar da mente e que em um dado momento faz com que os personagens transcendam esse cotidiano e experimentem algo que beira o sobrenatural. 

Esse livro é perfeito em cada sentença, é perfeito em cada vírgula, é magnífico em cada conto. Primeiras Estórias é uma reunião de contos, que não se ligam em enredo, mas trazem elementos semelhantes, como o real versus o mítico, um mundo transcendente, que apesar de flertar com o sobrenatural, não procura as respostas em deuses, mas nos próprios casos e epifanias. 

Trazem, também, formas breves e intensas, há, assim como em Sarapalha (conto do livro Sagarana) aspectos modernos experimentais. O conto "Nas margens da alegria", é um bom exemplo disso, contraste entre o surgimento de Brasília -que representa a modernidade- versus  a natureza, vida versus morte, alegria versus o contato com a desilusão, e tudo demonstrado por um narrador onisciente próximo ao olhar do protagonista, que é uma criança. 

Ora, os contos têm esse contraste entre alguns elementos como "Nas margens da alegria", são regionalistas, no entanto com histórias bem universais e que qualquer leitor pode se identificar. Assim também como em Amor da Clarice Lispector, que nos identificamos com o momento de epifania e despertar no meio do cotidiano, Guimarães tem uma maneira única de tocar seus leitores, nos fazendo mergulhar profundamente em seus estórias e transcender juntamente com o personagem. Ademais, vale ressaltar que cada conto tem seus próprios temas, uma "maneira" única de abordar as características comuns em cada um deles, personagens ricos e profundos mesmo para a brevidade do conto.

Como leitora, e agora como estudante de letras, portanto, considero que Primeiras Estórias é um ótimo livro introdutório para o autor, tanto para se acostumar ao regionalismo, escrita e outras formas que as obras roseanas trazem, são surpreendentemente tocantes e gostosas de serem lidas. Um conto que me arrepia toda vez que releio é "A terceira margem do rio", algo nele me deixa em um transe literário ( acontece no livro todo esse "transe literário")...É assombroso!! 

2 de nov. de 2019

Livros nacionais que li até agora (2019)



Esse ano li muitos livros nacionais que gostem bastante, tive diversas surpresas, li alguns livro técnicos que não irei incluir neste post, no caso só vou considerar os de ficção. Foram leituras boas, algumas bem gostosinhas outras nem tanto. Não vou me aprofundar muito nos livros, apenas farei breves comentários sobre, não se esqueça de comentar se já leu alguns desses livros.

Escrito em algum lugar
Foi o primeiro livro do Vitor Martins que li, gostei bastante da escrita e da história, apesar de ter achado do meio para o final bem corrido, como se ele quisesse dar um desfeche logo na história, visto que é um conto, se o autor tivesse se estendido mais um pouquinho, teria sido perfeito. Esse foi meu primeiro livro LGBT e adorei bastante. Tentei ler mais outro livro do Vitor Martins, Quinze dias, não gostei e abandonei a leitura na metade, é um livro para um publico bem mais jovem do que eu.

A casa de vidro
A história de baixa fantasia misturada com romance de época se passa na Inglaterra após a primeira guerra mundial, quase para estourar a segunda, mostra uma história de amor entre um ser de outro mundo, que vive no nosso mundo como um jardineiro de uma casa pertencente a aristocracia, e uma humana linda e delicada. Apesar de ser um tanto clichê, ter personagens rasos e ter alguns problemas com o fluxo narrativo, gostei bastante da história, e gostei mais ainda da narrativa.

O guarani
Um grande clássico da nossa literatura, gostei da história, sofri em todos os momentos por Peri e sua inocência, além de ter achado que o personagem tinha uma lealdade exacerbada pelo homem branco, o qual tirou sua terra e matou sua gente. Todavia tudo o que indica é que o autor queria trazer os índios, um símbolo nacional, como o herói e patriota. Algo que me deixou bem desgostosa foi ter lido uma adaptação e não o texto na integra, o que senti falta do contato com a literatura clássica.

A terceira margem do rio
Guimarães Rosa trás uma história que beira o surreal, uma história cheia de significados e magnificência. Só esse conto eu o li uma 4 vezes neste ano, e foi algo maravilhoso que encheu minha alma.

A Cartomante
Quem segue o blog a mais tempo, sabe que adoro Machado de Assis, que adoro poder ler mais e mais de seus escritos, sendo assim, não podia perder essa oportunidade, li e reli esse conto, pois parece que sempre tem mais a ser lido. Com uma história envolvente de uma cartomante que acaba sendo um caso de polícia, com um desfecho que é propositalmente "inacabado", para surpreender o leitor e pega-lo em sua estupefação.

fiz resenha aqui no blog, foi um livro maravilhoso, surpreendente e extremamente envolvente, muito da mensagem espiritual que o autor passa eu pudi captar e levar para minha vida, esse livro é um daqueles que digo com orgulho que de certa forma me melhorou bastante.

Esses foram alguns dos livros nacionais que li esse ano, li alguns infantis também, contudo quero fazer um post específico sobre o tema, recomendando livros infantis. Quais os livros nacionais que vocês leram e adoraram?

21 de set. de 2019

Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga


Demorei muito para terminar esse livro, fiquei umas três semanas, o que empacou bastante minha lista de leituras e minha TBR, esse livro peguei emprestado da biblioteca da faculdade, apesar de ter lido 100 páginas de uma vez..as últimas 150 demorou muito para continuar, estou mega bagunçadascom a vida em si e isso está prejudicando o blog, tendo em vista que as visualizações decairão bastante.
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Esse é mais um livro clássico da literatura brasileira, e dessa vez pertencente a escola literária arcadiana. A guisa de curiosidade, o nome arcadismo é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia antiga, tida como ideal de inspiração poética.
A principal característica desta escola é a exaltação da natureza e de tudo o que lhe diz respeito. Por essa razão muitos poetas do arcadismo adotaram pseudônimos de pastores gregos ou latinos. Caracteriza-se ainda pelo recurso a esquemas rítmicos mais graciosos. É importante ter essas informações para o leitor entender a forma de escrita do autor, bem como apreciar a graciosidade da linguagem usada e suas formas poéticas

Autor: Tomás Antônio Gonzaga
Título: Marília de Dirceu 
Número de páginas: 275
Editora: Martin Clarent 
ISBN: 9788572325165

"Marília de Dirceu" reúne a maior parte da breve produção literária de Tomás Antônio Gonzaga. As liras que compõem esta obra, muito além de um extravasamento amoroso, são um diálogo com os acontecimentos políticos, sociais e artísticos testemunhados pelo poeta e foram compostas, em parte, em seu período de cárcere, que antecedeu o exílio. 
Marcada pelo dualismo entre o universo imanente que é a arte e a realidade como ponto de partida, entre o presente turbulento do século XVIII e a Antiguidade clássica, "Marília de Dirceu" influenciou toda a literatura brasileira vindoura, prenunciou o Romantismo e tornou-se um dos mais importantes clássicos de nossa língua.
Os poemas são extremamente encantadores, alguns são bem sutis na crítica política, já outros o autor deixa bem claro seu posicionamento e o que ele sofreu em sua época, bem como suas influencias e posteriormente seus poemas iriam influenciar o romantismo. A maior parte o livro é bem fluido e gosto de ler, gostei bastante dos textos bem românticos as declarações de amor à Marília, e como o poeta via sua amada. Conheci o autor e suas obras através do vestibulares, e desde então tinha grande curiosidade em lê-lo, finalmente tive essa oportunidade, e parte de mim sente como se eu não tivesse aproveitado ao máximo a história por trás do romantismo e expressões elegantes.
Ademais, as liras de Marília de Dirceu exploram o tema do amor entre dois pastores de ovelhas. No decorrer da obra, o eu-lírico expressa seu amor pela pastora Marília e fala sobre suas expectativas futuras. Dentro do contexto do Arcadismo, Dirceu revela a ambição de ter uma vida simples e bucólica ao lado de sua amada. 
Parte I, Lira I
“Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
É um livro que recomendo muito, não só por seus poemas lindos e história maravilhosa, mas sim por sua carga histórica e o que ela representa na literatura nacional e como veio, posteriormente, a influenciar a escrita de diversos autores, e como até hoje é um livro atual e emblemático.

6 de jul. de 2019

O alquimista, de Paulo Coelho

Me perdoem por ficar tanto tempo sem postar aqui no blog, estou bem ativa no Good reads e um pouco no instagram, minha vida está uma bagunça de horários, leituras e outros assuntos mais pessoais, estou lendo bastante e meu ritmo de leitura está muito bom e até agora não tive uma ressaca literária. Ora esse é o primeiro livro que leio do Paulo Coelho, neste momento que estou escrevendo o post já li também Maktub, também e espero em breve poder ler Cavaleiros da Luz, mas enfim vamos à resenha.

Autor: Paulo Coelho
Número de páginas: 176
Editora: Pergaminho  
Onde comprar: Amazon
Avaliação no Good Reads!

O livro brasileiro de maior sucesso no exterior, O alquimista narra a história de um jovem pastor, Santiago, intrigado por um sonho recorrente: um tesouro oculto, guardado próximo das pirâmides do Egito. Disposto a decifrar seus sonhos, ele embarca em uma longas viagem, em que se defronta com os grandes enigmas que acompanham a humanidade desde a criação. Durante sua jornada encontra, entre outros, um alquimista, que lhe ensina a penetrar na misteriosa alma do mundo e como identificar as pistas para chegar ao tão procurado tesouro.

Santiago, um simples pastor espanhol que sonha com piramides e vê a língua secreta do mundo nos pequenos gestos, emoções e afins nas pessoas e nos animais, após conhecer misteriosamente um rei enigmático, chamado Melquisedeque e conhecer que as pessoas tem um sonho secreto que devem seguir, embarca em uma aventura sem igual e que mudará sua vida para sempre. Partindo da Espanha, desembarca no continente africano dominado pelo império islâmico, e em pouco tempo aprende a falar árabe, conhece diversas outras pessoas que de alguma forma o ajudam a chegar em seu destino, ou lhe ensinam algo importante.

Embora tenha um ar muito de auto-ajuda, o livro é mais ensinamentos mágicos/espirituais, é o tipo de livro que deixa um quentinho no coração e ajuda o leitor a desenvolver seu senso crítico em relação a si mesmo, adorei muito a leitura que foi extremamente fluida, envolvente e rápida.

Os personagens são bem interessantes, alguns são bem pouco desenvolvidos, até mesmo o protagonista deixa a desejar em alguns aspectos, mas é interessante ver seu crescimento e persistência em relação ao seu sonho. Ora, o livro aborta temas como autodescoberta, realizações e foco nos objetivos, assim como aborta o mundo mágico, lendas e como sua magia é trazida para nosso mundo. Ademais, uma das partes que achei bem interessante é que em determinada altura do livro uma das discussões é que muitas pessoas não atingem as expectativas sobre a vida e seus acontecimentos ficam desgostosas e reclamonas, assim como há muitas que se acomodam, vale destacar que essas e outras críticas estão nas entrelinhas e dão uma riqueza ainda maior ao livro. Estou ansiosa para ler mais livros do Paulo Coelho, que considerei como uma leitura, além de motivacional, um tanto espiritual.


27 de mar. de 2019

Esquadrão das drags, Roseli Tardelli & Fernanda Teixeira

 
Depois de um hiato de quase duas semanas, voltei com uma resenha especial, e que já digo de antemão que é um livro com uma escrita incrivelmente fluida e de certa forma poética, leitura de um dia ou menos de tão imersivo. 

Com o intuito de registrar o importante trabalho do quarteto, a jornalista, produtora cultural e ativista do movimento de Aids, Roseli Tardelli, editora-executiva da Agência de Notícias da Aids, idealizou o livro, inscreveu o projeto no Proac e convidou a jornalista Fernanda Teixeira para escrever. Juntas, saíram a campo para acompanhar o Esquadrão das Drags. Os depoimentos foram colhidos, ainda, em clima informal, durante almoços, cafezinhos e lanches, na casa  de Roseli.

O Esquadrão das drags conta  a biografia de quatro drags maravilhosas, Dindry Buck, Send buck, sissi Girl e Nyna Ca$h, como eram suas vidas antes de serem drags, como conheceram esse mundo e  o processo de criação de suas personagens. Além de mostrar o trabalho do Esquadrão das drags, que fazem campanhas de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, com foco no HIV e Aids, também ressalta o quanto é importante se prevenir. 

Título original: Esquadrão das Drags
Entrevistas: Roseli Tardelli
Texto: Fernanda Teixeira 
Número de páginas: 130
Livro publicado pelo Proac SP (Lei de incentivo à cultura do estado de São Paulo), secretaria de cultura e economia criativa de São Paulo.

Com histórias comoventes e motivadoras das extraordinárias integrantes, que ajudam a conscientizar os jovens, sobre noções básicas de cidadania, prevenção, papel de cidadão, direitos e deveres, o perigo de agressões por parte de homofóbicos, autoaceitação, sexualidade e muito mais. Nos é apresentado o trabalho de prevenção do esquadrão, com destaque na influência que transformaram a vida de muitos jovens.

Ademais, algo importantíssimo foi demonstrar o contraste de visão entre gerações sobre a Aids, o quanto a geração anterior se prevenia e tinham até medo de uma possível infecção, tendo em vista os casos de mortes tanto de seus ídolos, como Cazuza, freddie mercury, e até mesmo de amigos e parentes próximos; vale lembrar que ocorreu na década de 1980 o surto de HIV, e que na época não tinha-se um avanço médico como hoje. Atualmente, uma pessoa com HIV tem vários meios de evitar que a doença se manifeste de forma agressiva e até mesmo ter uma vida relativamente mais prolongada, todavia é difícil e caro viver com HIV e manter uma qualidade de vida mínima. 
O livro é separado em 14 capítulos, impresso em papel Cuchê fosco, as páginas são brancas e a fonte é média, tanto a diagramação, imagens e a qualidade física do livro estão maravilhosas, não encontrei nenhum erro de impressão, também possuí introdução e uma página de agradecimentos.

Destarte, é uma leitura imersiva, e extremamente fluida, possuí fotos do Esquadrão em diversos eventos e cheio de informatividade para o leitor, desde endereços úteis para a comunidade LGBT, um glossário das gírias, e a última parte do livro contém links sobre o Esquadrão das drags, assim como informações sobre HIV e Aids. Esse livro tornou-se um dos meus favoritos na minha estante e com toda certeza é recomendado à você, leitor, que irá se emocionar com histórias tão sensíveis. 

Leia mais sobre..
Conheça mais o livro
Conheça sobre a Agência de Notícias da Aids
Conheça mais o Esquadrão
Superinteressante '25 anos de Aids'

2 de fev. de 2019

Noite na taverna, Alvares de Azevedo

Esse livro foi uma das últimas leituras de 2018, havia feito uma pequena resenha dele no instagram e prometido à vocês que postaria uma resenha...e demorei até agora para posta-la, já vos peço de antemão minhas sinceras desculpas. Adoro clássicos literários, e claro não que não poderia deixar de ler clássicos nacionais.


31 de ago. de 2018

A hora da estrela, Clarice Lispector

Esse mês teria apenas resenhas de clássicos, contudo além de que estive me "adaptando" a um novo curso técnico, tive uma ressaca literária após a releitura de algumas obras de Shakespeare e infelizmente não consegui atingir minha meta mensal,  consequentemente no mês de Setembro irá se estender a meta dos clássicos. Sem mais delongas.. vamos à resenha.


3 de jul. de 2018

Resenha: Guerra justa, Carlos Orsi (Nacional)



Abalada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento.

25 de abr. de 2018

Resenha: O alienista, Machado de Assis

Pintura de Belmiro de Almeida Arrufos, 1887. Óleo sobre tela

A história fala sobre o Dr. Bacamarte, que era convencido de que é ótimo,  se casa com sua mulher, porque esta teria características mentais e físicas para conceber-lhe um filho, o que não ocorre e por isso ele se aprofunda em estudos, que naquela época eram pouco explorados, sobre a  loucura. Assim cria a Casa Verde, uma espécie de manicômio.

 Como todo obra machadiana, que trás crítica as sociedade do século XIX com temática da loucura, O alienista é um clássico literário sobre a psiquê. Qual é o limite entre a loucura e a sanidade? Essa é uma das questões centrais desta obra publicada originalmente como folhetim. O conto apresenta Simão Bacamarte, um estudioso que ao decorrer do conto o leitor se  questiona sobre a metodologia, a sanidade e a logica do protagonista. 

" A verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do Amarelo?"- página 27

Simão é um personagem linear bem questionável, que ao decorrer do livro  vemos claramente que ele é um personagem caricato. Enquanto os personagens secundários são tidos como pessoas normais da sociedade, para o alienista elas devem ser estudas, pois deve-se ter uma justificativa científica para alguém ser mesquinho, mentiroso, orgulhoso, corrupto ou até mesmo indecisa. 

Narrado por um observador, com uma linguagem de fácil entendimento, cheia de ironia, humor e antíteses; sendo que a obra é uma sátira ao cientificismo que esteve muito presente nas obras das últimas décadas  do século XIX. 

Ademais, algo interessante que Machado de Assis nos traz é a obsessão, o protagonista é obcecado pela ciência, um paralelo com nossos dias são pessoas obcecadas com religião, costumes, dogmas, trabalho, vícios e etc.  O livro mostra que o fanatismo por algo pode ser mais prejudicial do que imaginamos; paixões movem nossas vidas, Machado nos questiona, o quanto somos dominados por tais paixões, o quanto somos fanáticos? 

Sobre a obra 
O Alienista é uma célebre obra literária humorística do escritor brasileiro Machado de Assis. Muitos o Consideram um conto, mas a maioria dos críticos e especialistas o consideram uma novela por causa da sua estrutura narrativa. Ganhou várias  adaptações, dentre elas uma de 1970 "Azyllo muito louco," dirigido por Nelson pereira Santos. E uma adaptação literária: O Alienista Caçador de Mutantes (2010), de Natália Klein, parte da série Clássicos Fantásticos da Editora Lua de Papel. Nessa versão, a Casa Verde aprisiona vítimas de mutação, causadas pela queda de um disco voador em Itaguaí.
Uma das diversas capas do livro 

Autor: Machado de Assis
Editora: Ciranda cultural
Número de páginas: 64
Ano de publicação: 1882
Revisão: Letícia Lívia Teixeira e Fernanda Magalhães

Pontos positivos: Críticas sociais, narrativa e questionamentos sobre a obsessão.

Pontos negativos: Muito curto


Considerações finais 
Sou apaixonada pela literatura Machadiana, narrativa, linguagem, críticas sociais, humor, sátira, tudo isso e um pouco mais Machado de Assis trás em suas obras, e esse conto não é diferente, sua estrutura é fluida e fácil de ler, o personagem apesar de ser linear é intrigante, você quer ver até onde o fanatismo pode leva-lo. Sendo assim é essencial a leitura, devido  não somente ao peso cultural, mas também por toda crítica social desenvolvida com maestria na trama.

8 de fev. de 2018

Resenha: O cubo das eras - Alec Silva (Nacional)


 Da esquerda para direita: Miguel, Alan e Flávia

No futuro, a raça humana alcançou o ápice de sua ganância, forjando uma imortalidade inexistente e lidando com uma força cósmica oriunda do Criador; após séculos de inúmeras conquistas de mundos e desenvolvimento de uma tecnologia que transcende a magia, um impiedoso general trama assassinar o Criador e definir novos rumos para a Criação.

 Vamos acompanhar as aventuras fantásticas de três jovens baianos  pelo  espaço-tempo, a parti de uma situação extraordinária: a queda de uma nave em uma cidade pacata do oeste baiano. Tomando decisões difíceis e filosóficas em diversas situações amedrontadoras, os protagonistas se deparam com um futuro onde a espécie humana chegou ao nível de crueldade e ambição exacerbados, colonizando planetas, escravizando raças alienígenas, consumindo recursos naturais por onde passam até serem esgotados.

Transcendendo ora a FC, ora a fantasia, pincelando momentos de horror cósmico, o escritor tenta passar suas ideias sobre religião, natureza humana e algo mais, como o próprio diz no prefácio. Esse é o tipo de leitura que lhe fará pensar em diversas questões filosóficas, com diversas referências a literatura e algumas na cultura pop.

 A filosofia do livro me fez lembrar do episódio 11° ( The wolf inside ) de Star Trek: Discovery, sobre o império da humanidade. Na série, nos deparamos com uma realidade paralela em que não existe a Frota estelar, mas sim um império totalitário e opressor regido pela humanidade, que usa de métodos de tortura como parte do aprisionamento, morte aos opositores, escravidão, e todo o lado ruim da humanidade, e a ladainha de raça superior (talvez esse episódio seja uma analogia ao nazismo).

O livro trás a mesma premissa, mostrando o quanto a humanidade governa de maneira corrupta e asquerosa, com tamanha tecnologia e o domínio da magia. O quanto a humanidade é corruptível ? questão que ao longo do livro o personagem Alan responde, sendo o protagonista e responsável por um artefato alienígena que dá o poder de deus, que ao longo do livro vai se transformando, deixando o poder lhe possuir.

Todavia, o autor pecou um pouco na única personagem feminina, transformando-a em um "PdM" (personagem não essencial que o mestre do jogo de RPG controla). Flávia é a típica personagem feminina que só está ali para acompanhar o "herói" do enredo, ser a namorada, chorar e  não acrescenta nada na história, passando despercebida e sendo indispensável. No final ela tenta fazer algo, coisa que não faz diferença.

Os heróis Miguel e Alan, são explorados, contudo pouca atenção para o Miguel, que tornou-se o personagem que mais gostei, sendo ele  e (principalmente) Flávia os que  têm um senso de humanidade e compaixão muito grandes, chamando a atenção do leitor.

Encontrei alguns erros de digitação e de português, algo que atrapalhou  a compreensão de duas a três frases na leitura, fora isso o leitor não terá problemas com a diagramação e o resto da leitura.

Título original: O cubo das eras
Autor: Alec Silva
Editora: Ex! editora
Páginas: 128

Sobre o autor 
 Alec Silva organizou a coletânea de textos e imagens “Fragmentos”, publicada em junho de 2015, com autores de Luís Eduardo Magalhães, cidade em que reside, e participa do projeto Primórdios do Fantástico Brasileiro, que resgata os primeiros trabalhos de literatura fantástica no Brasil, além de divulgar autores menos conhecidos, com distribuição de e-books de obras esquecidas ou sem edições comentadas.

Pontos positivos: Viagens temporais, diversos mundos, mistura de ficção científica com fantasia, varias criaturas, livro nacional, coerência na trama e na ficção.

Pontos negativos: personagem feminina irrelevante, Miguel pouco explorado, alguns erros na revisão e  pontos religiosos.

 
 "Minha vida toda eu acreditei em um deus bondoso e presente - disse ela incapaz de conter o choro- e hoje descubro que ele talvez nem saiba de nossa existência".
                                                                                    -Página 74






31 de jul. de 2017

Resenha: O cortiço de Aluísio Azevedo

Uma das diversas capas :)
Fala nerds.. Peço milhões de desculpas pela demora das postagens, estou com uma montoeira de livros para ler, matérias do vestibular para estudar, meu pc que está com problemas; enfim.. uma loucura que não estou sabendo administrar. Mas.. vida que segue. Adoro ler resenhas, adoro ler livros, e um dos livros que terminei essa semana e demorou foi O cortiço.

Leia esse post!

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 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...