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2 de abr. de 2025

Gente pobre, Fiodor Dostoiévski

Comecei a ler Dostoievski por Noites Brancas, e desde então tenho me aventurado em diversos livros e contos. Até mesmo algumas disciplinas que cursei na faculdade em anos anteriores me ajudaram a embarca nos grandes clássicos russos e entender o quão grande são. Não somente isso, eles têm me conectado com dois extremos: Uma parte profundamente íntima minha, e o segundo: me conectado com o outro lado do mundo em épocas diferentes. Sem dúvida nenhuma, ler é viajar no tempo! 

Fiodor Dostoiévski

Esse livro eu li em 2024, porém precisei dar uma relida para fazer essa resenha esse ano de 2025, e ler de forma um pouco menos despretensiosa, já que fiz análise dele durante parte do 1º semestre daquele ano. 

Antes de sua prisão, Dostoiévski deu vida a este romance em uma era em que a Escola literária Naturalista florescia na Rússia do século XIX. Com olhar aguçado e alma inquieta, ele mergulhou nos becos sombrios de São Petersburgo, desvendando a miséria e o desespero que habitavam os subúrbios da cidade, onde a esperança se dissolvia como névoa ao amanhecer.

"E depois a gente rica não gosta de ouvir os pobres se queixando da sua má sorte – dizem que incomodam, que são impertinentes! A pobreza é sempre impertinente mesmo – talvez porque seus gemidos famintos lhes perturbem o sono!"

Esse é o romance de estreia de Dostoiévski, publicado em 1846, foi imediatamente aclamado pelo público, fazendo o autor um escritor consagrado. Por meio da troca de cartas entre um funcionário público de menor cargo de uma repartição de Petersburgo e sua vizinha, uma jovem órfã injustiçada, o autor explora a fundo as variações de tom e tratamento, de saltos e encadeamentos na ação, para criar um texto comovente e, no dizer de Boris Schnaiderman, "marcado pela consciência da injustiça social".

Os personagens vivem uma situação financeira difícil e raramente se encontram, mesmo morando na mesma vila, mas tentam se apoiar mutualmente na medida do possível. Trocam cartas constantemente, e detalham seus pontos de vista, uma mulher pobre e um homem pobre. As cartas vão revelando aos poucos o passado e o presente dos protagonistas. São revelados seus pensamentos mais ínfimos, suas angustias, as pequenas alegrias e seus desejos mais simples.

Ao lermos temos uma rápida empatia por ambos, é difícil não se identificar com os dramas e preocupações financeiras, mesmo que estejamos em um Brasil de 2025 com diferentes realidades em contraste com uma Rússia antes da revolução. É um livro dilacerante, inquietante, e logo de cara já vemos alguns recursos estilísticos e detalhamento que, para um romance de estreia, é de se impressionar. 

O livro possui um tom muito melancólico e dramático, nos mostra a face humana mais desesperada em contraste com a mais abastada, toca no âmago e grita por justiça social. Ler Dostoievski é mergulhar na leitura, ir a fundo na humanidade e se ver, de alguma maneira bem louca, olhando um espelho e vendo parte de si mesmo. 

É uma obra que merece ser lida e relida, é uma obra que arrebata nossa consciência, enquanto uns desfrutam a vida e gozam dela, outros estão em estado de desespero em busca do básico para viver, moradia digna, salário descente que dê para comprar roupas, se alimentar e possuir o mínimo de lazer com um livro. Inclusive, o que vejo nos trabalhos do autor russo é essa paixão pela literatura, ela sempre está lá, de alguma forma ele vai trazer no subtexto. Seja um personagem com estantes repletas, outro que menciona algo, enfim...de alguma maneira está lá. 

Não tem como não se emocionar profundamente com o relato das roupas e botas furadas, a cena do botão da camisa caindo e o protagonista fazendo de tudo para pegar, o quanto esse botão é importante. A descrição dos sentimentos de andar mal vestido por não ter dinheiro suficiente para comprar roupas novas é dilacerante...Enfim, é um livro poética e melancolicamente dilacerante.

Desde que comprei meu kindle ano passado tenho lido bastante nele, inclusive comprando clássicos a preços irrisórios, isso tem me motivado muito a lê-los ainda mais! Eu que fui sempre a defensora dos livros físicos tenho encontrado paz no digital também. 


27 de jan. de 2025

Noites brancas, Fiódor Dostoiévski

Essa resenha está sendo escrita graças à livraria UNESP, parceira do Exploradora de páginas desde 2023! E hoje trago uma obra incrível! Esse foi meu primeiro livro lido do Dostô e já me apaixonei. Atualmente já deslanchei a ler outros tantos, os quais ainda não possuem resenha disponíveis, pretendo fazê-las futuramente. 

Antes de fazer esse post ouvi o podcast do G1 sobre a diminuição de leitores no Brasil, isso me preocupa muito, as pessoas estão cada vez mais fáceis de manobrar como massa, e não se dão conta. Quando ouço noticias como essa, só consigo pensar que estamos mais próximos da distopia de fahrenheit 451, escrita por Ray Bradbury, uma população viciada em tecnologia e distante do livros. 

Isso me absurda! Pois, pego um livro como Noites Brancas e sinto meu espírito sendo preenchido, e acho tão difícil compreender como as pessoas estão tão avessas a literatura, mesmo levando em conta todo o contexto social e econômico. A leitura me satisfaz, se eu não estiver lendo não me sinto viva! E para você, caro leitor (a), como a literatura se enquadra na sua vida? Enfim, vamos ao post...


Dostoiévski escreveu Noites Brancas em 1848, em São Petersburgo, aos vinte anos de idade. A novela foi publicada no mesmo ano na revista mensal Otietchéstvenii Zapíski [Anais da pátria]. Em uma São Petersburgo do século XIX. Um jovem homem solitário vaga pela cidade noite adentro, deixando que o sentimento de cada rua, esquina ou calçada o penetre. Durante a caminhada, avista uma mulher aos prantos encostada no parapeito de um canal. Ao acudi-la, tem início um diálogo fadado a se dissipar como a tênue claridade das noites de verão na Rússia.

Quanto mais o anônimo narrador se aproxima da jovem Nástienka, mais parece se distanciar de sua melancólica vida anterior. Em quatro encontros, no entanto, a crescente intimidade dos dois personagens chega a um inesperado desfecho, quando a última noite por fim termina. Aliás, essas noites brancas são um evento meteorológico, o qual as noites são quase um eterno crepúsculo (entardecer), são clarinhas. 

A novela de 1848, tida como uma das obras-primas de Dostoiévski no gênero breve, é acompanhada neste volume da Pengui Companhia pelo conto "Polzunkov", escrito no mesmo ano, que mostra uma faceta mais caricata de um dos maiores autores da literatura russa. A tradução direta do russo, apresentação e notas ficou ao encargo de Rubens Figeiredo. 
"Era uma noite maravilhosa, caro leitor, uma noite como só pode existir, talvez, quando somos jovens. O céu estava tão estrelado, tão luminoso, que, depois de olhar para ele, era impossível não perguntarmos a nós mesmos se debaixo de um céu assim, podiam viver pessoas mal-humoradas e caprichosas."

Nosso narrador personagem é extremamente emotivo, é observador, melancólico, e como ele próprio se chama, um sonhador. Isto é, mergulha em si mesmo e na paisagem a sua volta, imagina histórias dos transeuntes e tudo o que vê ao seu redor. Particularmente, vejo ele muito como um romântico inveterado (ele é quase um retrato de um personagem da fase ultra-romântico do Romantismo). 

É um texto muito poético e fluido! Os personagens são bem típicos do romantismo, inclusive a forma da narrativa, construção dos cenários, a importância da natureza para o enredo e como tudo isso dialoga para o desenvolvimento dos personagens e da história. É um livro que me acompanhou durante três dias, simplesmente não queria larga de tão gostosa que estava a narrativa. Foi meu primeiro livro lido do autor, e como havia dito anteriormente, me apaixonei pela sua escrita, e desde então tenho lido muito sua produção literária. No ano de 2024 li Gente pobre, A dócil e O sonho de um homem ridículo, já nesse ano de 2025 estou com planos de ler outros livros do autor, aproveitar que ganhei de amigos! 

Abaixo, vou deixar a resenha que postei no ano de 2023 sobre a leitura de Noites Brancas. No vídeo falo um pouco mais do autor e sua biografia, e uma introdução à Noite Brancas. 





6 de jan. de 2025

RETROSPECTIVA| Livros favoritos de 2024

Não canso de observar que 2024 passou muito rápido, inclusive o mês mais eterno: janeiro. Nem deu tempo de digerir uma coisa e já começou outra, resumidamente foi bem cansativo. No entanto, a literatura é a cura e elevação da minha alma. O que houve de livros favoritos que me marcaram, principalmente na jornada de auto descoberta que comecei, é muito especial. Como bruxa, o autoconhecimento e o mergulho no meu íntimo é muito importante para minha identidade, dessa maneira uso, também, a literatura como uma de minhas ferramentas. 

A literatura me trás um refrigério enorme! Em muitos momentos da vida quero apenas me desligar, me trancar em um ambiente confortável e sumir por dias, apenas para ficar lendo os livros e deixa as palavras me tocarem e moldarem. 



Demian, Hermann Hesse 

Um dos meus favoritos talvez foi o mais marcante do ano! Esse foi meu primeiro contato com o Autor, e já me apaixonei! Demian me envolveu, me conduziu e acompanhou meu dia a dia pela agitada vida paulistana. Veio tão fundo na minha alma que mal conseguiria dizer uma passagem favorita, quis grifar quase tudo! Achei que foi um momento único a leitura desse livro para mim, foi uma catarse completa. Simplesmente achei mais que essencial para minha vida. Com toda certeza, irei reler!

A dançarina de Izu, Yasunari Kawabata

Foi uma experiência e tanto! Esse também foi um que me encantou com a narrativa e  características inusitadas e quase fantásticas de enxergar o cotidiano. A magia da vida está nas viagens inesperadas, pessoas interessantes e um olhar atento aos detalhes e miudezas da vida. As paixões, a arte, a natureza, e cotidiano podem ser o que precisamos para renovar o desejo de viver. Primeira vez que leio algo do Kawabata, e me deixou extremamente intrigada e com vontade de ler absolutamente tudo dele.

Gente pobre, Dostoiévski

Dostô tornou-se um dos meus autores favoritos desde Noites Brancas. A narrativa nesse livro é poética, envolvente e visceral. Mais do que qualquer um somos forçados a pensar a vida, as diversas realidades russas. O autor nos coloca no cotidiano de dois personagens pobres, seus sonhos, suas dores, vergonhas e anseios nos são expostas através de uma narrativa epistolar e orgânica entre o protagonista e sua querida amiga. 

A orgia dos Duendes, Bernard Guimarães

Muito ritmado, vertiginoso, que leva o leitor a uma viagem mística cheia de magia. Adorei demais essa leitura! Cada verso foi um encanto..Claro, não deixa de ser uma leitura complexa e às vezes difícil, mas muito divertida e gostosa no fim das contas. Esse é o mesmo autor de Escrava Isaura. 

Teoria do medalhão, Machado de Assis

Conto extraordinário, profundo, preciso e atual! Os contos do Machado são espetaculares, tanto na narrativa, quanto na crítica social. No caso da teoria do medalhão, a crítica vai à sociedade e sua mediocridade e falta de profundidade. Machado é um dos meus autores favoritos, ele me envolve de modo a sempre me fazer querer ler e reler todas as obras.

Se os gatos desaparecessem do mundo, Genki kawamura  

Leitura maravilhosa, emotiva e que de certa forma trás um conforto sobre a vida e a morte. Viver sem arrependimentos é tudo o que todos nós queremos. Uma vida bem vivida, com experiências e saber que aproveitamos as oportunidades. Porém sempre temos algum arrependimento ou uma sensação de que não estamos aproveitando adequadamente. A temática sobre a morte e a preparação para ela também é muito necessária, e que trás a normalidade de que há um fim e ele chegará. Chorei? Chorei. Não muito, mas chorei. Tenho gostado muito da literatura japonesa e as surpresas que ela tem me revelado. Outro autor que conheci no ano de 2024 e foi uma grata experiência!

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...