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15 de jan. de 2025

O avesso da pele, de Jeferson Tenório [30 livros antes dos 30 anos]

Comecei essa leitura por conta de uma amiga da faculdade em 2024 e só agora, em janeiro de 2025, que dei cabo de terminar, e faltava apenas os últimos capítulos. Esse livro eu tenho só a versão digital para kindle, não pretendo comprar a física. Enfim, sou apaixonada pela literatura brasileira, principalmente os clássicos e atualmente, vários lançamentos recentes e ou autores independentes tem me fisgado. Eu sempre gosto de frisar que à maneira como nós fazemos literatura é única, intensa e cheia de poeticidade, denuncia e magia. 



Esse é um livro que está no meu desafio de 30 livros, e decidir colocar ele na lista quando a leitura já estava em andamento. Consigo facilmente ver ele se tornar um clássico futuramente! Ele me fez refletir, chorar, sorrir, me identificar no papel de professora/educadora que foi largando o barco, e olha que sem  muito tempo de experiência. Tive a experiência em sala de aula, mas muito provavelmente eu não volte mais...

O avesso da pele é um romance intenso sobre identidade racial, relações sociais, violência estrutural e luta pela sobrevivência. Não é atoa que foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria de "Romance Literário".  Vamos acompanhar a história de Pedro, que, após a morte do pai, busca resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Uma forma que o filho tem de lidar com o luto e honrar a memória do pai. Com uma narrativa sensível e às vezes brutal, o autor traz luz a uma realidade de um país marcado pelo racismo estrutural, velado e escancarado, um sistema educacional falho e um denso relato sobre as complexas relações geracionais entre pais e filhos.

Temos o vislumbre da vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais em um país extremamente racista, vemos todo o processo de dor de uma vida inteira, anos de sofrimento e injustiças sociais, temos também o processo de "acerto de contas" e também de "redenção" com seu relacionamento. 


O autor tem uma habilidade incrível na concepção e estruturação dos personagens, além da forma de lidar com as complexidades sociais e emocionais, bem como as tragédias individuais e das relações familiares. A voz dos personagens são potentes, profundas e bem características, apesar de ser contado tudo por um narrador quase completamente "onisciente" (o filho), há vários detalhes narrativos que apenas os personagens possuem, é como se o narrador desse a voz e a vida para eles.

Essa leitura, apesar de ter sido demorada para mim por diversos motivos do cotidiano mesmo, foi excelente e maravilhosa, foi minha companheira de metrô e ônibus a caminho da faculdade, já que trabalho home office mesmo. Ela me fez parar diversas vezes e repensar o Brasil que vivemos, as dificuldades que, apesar de ler sobre, nunca vou entender completamente por ser branca. Uma angustia e desolação me pegavam, mas ao mesmo tempo a narrativa é reconfortante, extremamente poética e em vários momentos delicada estruturalmente. 

De alguma forma, apesar de ser visceral, é acolhedora! Eu fiquei embasbacada com absolutamente tudo nesse livro: a narrativa, enredo, desenrolar da trama, construção dos personagens, ambientação, as brasilidades tão únicas e características do nosso Brasil. Enfim, não teve como não me envolver, e me deixar ser levada por esse livro. Ele foi tão precioso por tanto tempo, que é até estranho me despedir dele em uma resenha. 


Leia esse post!

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