8 de jan. de 2026

Histórias extraordinárias, Edgar Allan Poe

 Amo que me esforço para trazer as resenhas aqui no blog e de certa forma conseguindo! Busco ler mais e melhor para aprimorar quem eu sou, a literatura é vida para mim, é como o ar que respiramos, essencial! Inclusive, uma anedota curiosa: eu reli alguns dos contos desse livro, então, além de ter lido em 2025, li também agora em 2026, e alguns dos contos famosos dessa edição, já li umas três vezes. 


Antes de começar a falar propriamente do livro, queria só deixar registrado que esse foi mais um livro adquirido através da pareceria com a livraria UNESP, lembrando que temos cupom de desconto de 15% tanto para compras física na livraria, quanto no site. 

A leitura de Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe, foi uma experiência profundamente envolvente. Nesta obra, cuja edição da Editora Unesp se destaca pelo detalhamento gráfico e editorial, inclusive essa coleção está lindíssima! Mergulhar no universo gótico é sempre profundo e me trás uma sensação de maravilhamento absurdo. Poe, um dos meus autores favoritos, demonstra uma maestria singular na construção de atmosferas densas, na qual loucura, solidão e culpa se entrelaçam com uma inquietante naturalidade. Não vou mencionar todos os contos, mas citarei um pouco de alguns dessa coletânea.

O conto que inaugura a edição é o aclamado pela crítica especializada "A Queda da Casa de Usher", nada mais icônico! Esse conto é simplesmente magnifico e extremamente arrebatador tanto pelo simbolismo da casa, o ritmo narrativo que vai se estreitando como uma espécie de espiral de loucura, o clima de decadência, doenças psicológicas e melancolia, sem falar da ambiguidade entre o real e o imaginário. Inclusive, esse conto já anuncia a essência da coletânea: o colapso da razão diante do peso do inconsciente. A decadência da casa reflete a degeneração psíquica dos personagens, num cenário em que o simbólico e o literal se fundem, sendo está uma das grandes marca da estética da literatura gótica; o autor utiliza, o que nós chamamos de  arquétipos do terror atualmente, não apenas para "assustar", mas para explorar os labirintos da mente humana, oscilando entre delírio, obsessão e uma sensibilidade com a morbidez. Esse conto é extremamente especial para mim, pois fiz um estudo e um trabalho final na faculdade à base desse  conto, o que me rendeu uma belíssima nota, 9,8.  


"Os assassinatos da rua Morgue", é um dos contos com o desfecho que pode ser considerado o mais inesperado e inusitado, achei até um pouco cómico, em certo sentido, afinal, o crime cometido por um orangotango. Aparentemente o impossível, se torna possível! Ou seja, nessa história vemos o extraordinário sendo a chave do desenvolvimento desse enredo. Aqui nós vamos ver como o desenrolar da investigação que é importante, como ajuntas os fatos e como o método analítico é extremamente importante. Esse conto possui uma "continuação", na verdade seguimos o investigador Auguste Dupin, nos contos seguintes "O mistério de Marie Roget", e "A carta roubada", ambos são intrigantes, instigantes, e se relacionam entre si. 

"Berenice" é um conto melancólico, doloroso, profundo e para mim é bem assustador! Berenice começa a padecer de uma doença desconhecida até que a única parte do seu corpo a permanecer saudável são os seus dentes, com os quais Egeu (o narrador e primo da jovem) desenvolve uma obsessão. Berenice é enterrada, e seu primo continua a contemplar seus dentes. Um dia Egeu acorda de um período de delírio sentindo-se intranquilo, ao som de gritos nos ouvidos, era o criado assustado anunciando que o túmulo de Berenice fora violado. A partir disso, teremos o restante do conto sendo mais assustador e as coisas degringolando para a loucura da obsessão humana. 

"O poço e o pêndulo"descreve a crueldade dos seres humanos uns com os outros e destrincha o medo e a desesperança no ponto de vista da morte. A história é contada em primeira pessoa por um narrador sem nome. Mas será que trata-se de algo real ou de um sonho, ou de um devaneio? Enfim, além desses contos citados, temos outros e são assustadoramente interessantes e de alguma forma "atuais" em vários questionamentos filosóficos e psicológicos da humanidade.

Como leitora fascinada pela literatura gótica, sinto nessa obra um convite ao abismo, não como algo negativo, mas como espaço de revelação. A cada conto, somos levados a cruzar fronteiras entre o racional e o irracional, entre o crime e a consciência, entre o eu e seus espectros. Com uma prosa ritmada e imagética, nós somos arrastados para zonas obscuras da existência, e é justamente ali que reside a beleza trágica e hipnótica da escrita de Poe, realmente é uma coletânea que trás embasbacamento e beleza mórbida. 

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