7 de fev. de 2026

Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu

 Esse livro está no meu desafio de 30 livros antes dos 30 anos, e simplesmente foi uma escolha excelente! Comecei a lê-lo em dezembro de 2025 e terminei em meados de janeiro de 2026, foi uma leitura profunda, cheio de poética e momentos de introspecção. Morangos Mofados é o quarto livro de contos do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu, sendo considerado sua obra-prima pela crítica literária. Foi escrito em 1982 e aclamado como o melhor livro daquele ano pela revista Isto É. Foi um livro que me acompanhou durante um tempo, me foi uma excelente companhia, amigo e conselheiro! 

No post de hoje trago, certamente, essa resenha tão especial, e antes de falarmos mais profundamente da obra devo ressaltar que tanto essa leitura quanto a presente resenha apenas aconteceu por conta da nossa parceira, a Livraria Unesp, localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. Como sempre digo por aqui, é sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim. 


Caio Fernando Abreu faz transbordar de cada página a angústia, o desassossego e o estilo confessional que o consolidaram como uma das vozes mais combativas e radicais de sua época. A prosa visceral dos dezoito contos de Morangos mofados, potencializada pela hesitação coletiva de um país que vislumbrava a redemocratização ante a falência incipiente do regime militar, traduziu as inconstâncias humanas mais profundas e continua, ainda hoje, arrebatando leitores de todas as gerações. Para José Castello, que assina o posfácio desta edição, embora seja um livro de narrativas curtas, “a obra mantém uma férrea unidade, em torno da coragem de se despir, da fidelidade aos sentimentos mais íntimos e mesmo os mais terríveis, e ainda à dificuldade de ser”.

Morangos Mofados é uma reunião de contos do autor e jornalista Caio Fernando Abreu, que se divide em três partes: O mofo, Os morangos e Os Morangos mofados. O próprio título é uma metáfora, a beleza e juventude deterioradas internamente (o mofo). Se observamos a época em que foi escrito e publicada essa obra, vamos entender essa metáfora: 1982 pós ditadura militar aqui no Brasil e começo da pandemia de HIV, ainda a censura era constante e a incerteza do futuro por conta da guerra fria permeavam o imaginário coletivo, eram sombras constantes na mente de cada cidadão.

A Incerteza do futuro e as cicatrizes sociais guiam nossa leitura, não somente isso, as relações interpessoais, o medo, a ânsia de viver se entrelaçam nas histórias dos personagens com uma escrita poética e profunda que dilacera o coração do leitor! É um livro marcante, único e cheio de significados, cada conto é único e tem seus destaques...Cada conto está costurado pela temática avassaladora de incerteza, medo e ânsia pela vida e liberdade, a busca por uma identidade que está atrelada ao todo (social) e cada um trás uma intensidade e identidade únicas e que insistem em ficar na mente, mesmo após um tempo de leitura. Levei um tempinho para terminá-lo, e mais um tempinho para digerir e ainda tenho a sensação de que precisarei reler esse livro, que ainda ele não me disse tudo o que precisa ser dito.


Vou falar brevemente sobre alguns contos que me marcaram, claro não conseguirei abranger toda a magnitude literária de cada um, apenas vou citar pontos altos em minha leitura para incentivar você, leitor, a considerar dar uma chance à esse livro. Em Os sobreviventes, temos um conto incrivelmente fluido, com um diálogo que transpassa as páginas e chega até nós leitores e nos conecta com as dores sociais e ânsias econômicos e como a percepção da passagem do tempo pode ser alterada quando estamos mergulhados na rotina do trabalho. Em O dia em que Urano entrou em Escorpião, sentimos o quanto precisamos um dos outros, o quanto termos amigos/pessoas que possam nos apoiar nos momentos de surtos súbitos e mal-estar gerado pelo sistema é importante. 

Pela passagem de uma grande dor, trás a dor dos distanciamentos e amores sufocados, e a persistente esperança que fica em nossos corações após uma mudança intensa em um relacionamento em que antes era íntimo. Já a parte dos morangos trás contos de transformações, sentimentos agridoces, vivências e desespero por sentir a vida fluir nas veias, Sargento Garcia seja um grande exemplo disso! Cada conto sendo intenso em viver e ao mesmo tempo, carregando um medo oculto, um medo de algo que está por vir ou que tem a sensação de estar oculto. Os morangos mofados, que trás um conto com o mesmo nome é a mistura das duas partes, inclusive tem um andamento literário que segue andamentos musicais, é muito interessante! Além disso, esse conto trás o medo da guerra fria, a solidão, a dureza e um lado não tão bonito do ser humano, misturado com a fome de viver, a dor do futuro incerto e o medo constante de uma guerra nuclear. Enfim, é um livro extraordinário! 

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