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27 de dez. de 2025

Balanço geral do desafio literário de 2025

Estou com um vício de ler e escrever, especificamente no dia em que escrevo essa primeira parte aqui dessa postagem. Estou lendo um blog de literatura que é um dos meus favoritos no momento, enquanto leio, paro para tomar meu chá, observar minha mesa do escritório ao meu redor, pensar no que acabei de ler, também, nas minhas leituras em andamento, deixo meus pensamentos viajarem durante uns instantes e por fim escrevo. 

Imagem tirada da internet

Esse ciclo contínua em mais alguns instantes infinitos dessa noite. Parecem infinitos, parece que vivi mil vidas só nesses momentos meditativos. Enquanto escrevia essa introdução, estava decidindo qual livro iria continuar a ler nesse momento, se iniciaria uma nova leitura, ou pegaria mais um pouco dos que estão em andamento, mas qual deles? Todos me parecem boas opções, mas também ler algo novo parece melhor ainda...Enfim, estou lendo Morangos Mofados e extremamente encantada com esse livro complexamente delicioso. Mas hoje, não vou falar sobre ele, e sim o quanto fui extremamente desorganizada com minha leituras.

Em janeiro deste ano, postei meu desafio literário de 2025, amo desafios e sempre sou bem razoavel comigo, porém, confesso que estou decepcionada comigo mesma...coloquei apenas 12 livros para ler, para melhorar meu ritmo de leitura e me aproximar mais das minhas leituras...No entanto, eu simplesmente joguei tudo pelos ares e agora estou recolhendo o que foi jogado, não me dei conta da passagem do tempo e quando me observe, já estava sendo devorada por Cronos. Me deixei levar por circunstâncias da vida, cansaço, sono, momentos de piloto automático, correria do cotidiano e quando me dei conta, tudo já havia passado e eu estava em casa fazendo receitas de natal. Isso não significa que eu tenha lido pouco, não é isso!

Eu não li os livros DESSE desafio em específico! Como trabalho e estudo a Literatura, sempre preciso ler e muito, aliás. 

A lista era com livros de certo impacto, e com prováveis crises existências que a literatura nos dá, e infelizmente não consegui cumprir, inclusive os dois livros nessa lista que li fiz resenha e estão lincados. Como não consegui ler os livros que eu desejava, então alguns desses aqui serão colocados na lista de 2026, principalmente Querida Konbini, que estou postergando desde a Festa do livro da USP do ano passado. 

Caso você queira ler as resenhas completas basta clicar nos livros lincados, aqui vou falar bem brevemente o que achei das duas leituras. Começando por ordem: Lições de poética, de Paul Valéry

Lições de poética, é divido em três partes, são três aulas do autor dada na universidade francesa. É extremamente interessante e um exercito intelectual válido, no entanto, é uma leitura um pouco cansativa dependendo do momento que o leitor se encontrar e alguns pontos são realmente arrastadas. Acredito que por serem aulas, presencialmente deveria ter sido muito mais fluido do que a leitura em si, pois no próprio texto já vemos uma certa empolgação do autor com o tema. No geral, gostei, porém é um exercício e não é uma leitura fácil para leitores de primeira viagem.

Antes que o café esfrie, de Toshikazu Kawaguchi, é ambientado em uma pequena e quase escondida cafeteria em Tóquio chamada Funiculi Funicula. A cafeteria é conhecida por uma lenda urbana: ali, é possível viajar no tempo. Contudo, a experiência vem com regras muito rígidas, a viagem só pode ocorrer dentro do próprio café, o viajante só pode encontrar pessoas que já tenham estado ali, nada do que for feito mudará o presente, e, acima de tudo, a pessoa precisa retornar antes que o café servido esfrie.

A narrativa acompanha quatro histórias principais, cada uma centrada em personagens que desejam revisitar momentos específicos do passado: uma mulher que quer consertar sua relação amorosa, uma esposa que deseja ler uma carta do marido com Alzheimer, uma irmã buscando entender um rompimento familiar e uma mãe que nunca conheceu sua filha. Em todas essas tramas, o livro trata com muita delicadeza de temas como amor, amizade, reconciliação e perda. No geral foi uma boa leitura para passar o tempo, mas não achei um livro extraordinário, muito menos quero continuar a série. 

Enfim, esse foi mais um post para registrar esse balanço no desafio literário, espero que em 2026 eu consiga, apesar de toda loucura que a minha vida costumar ser, dar conta das metas e também de fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Sim, é um baita desafio esse (de fazer resenhas), mas isso vai me mover a estar mais presente para essa leitura, mais determinada e empolgada também.


3 de mar. de 2021

A garota das laranjas, Jostein Gaarder

 Essa semana estou tendo uma crise de identidade, estou achando tudo uma loucura: algumas coisas que estou passando, nada grave sabe? Mas coisas curiosas da vida, que é um circulo maluco e sempre estamos conectados de alguma forma. Esse momento de devaneio coincidiu com minha leitura da semana, que foi agridoce, bem melancólica e com algumas discussões filosóficas, afinal um livro do Jostein Gaarder não seria por menos.



TítuloAppelsinpiken
Autor: Jostein Gaarder
Tradutor: Maria Luísa Ringstad 
páginas: 136
Editora: Presença
Onde Comprar: Amazon


Neste livro de Jostein Gaarder,  uma carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg Roed uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, que morreu há onze anos - ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse lê-la depois, quando estivesse mais maduro.

A história que o pai conta é do tempo em que ainda era um jovem estudante de medicina: a sua busca por uma moça desconhecida, que ele vê por acaso nas ruas de Oslo, sempre carregando um saco cheio de laranjas. Apaixonado, o rapaz persegue os diversos mistérios que cercam os seus encontros fugidios com a garota das laranjas, numa aventura que culmina numa grande revelação. Alternando entre a voz de Georg e a do pai, Jostein Gaarder constrói uma narrativa pontuada com perguntas filosóficas, que tratam de temas como o amor, a morte e a grandeza do universo.

Meu primeiro contato com essa história foi no ensino fundamental, sempre chegava aos 1/3 do livro e nunca seguia com a leitura, no entanto a oportunidade de relê-lo, de certa forma, apareceu quando minha irmã o adquiriu. E o gostinho da história, lembra muito Soul, o filme mais recente da Disney e Pixa.

Apesar da história ser interessante, a narrativa oscila entre o muito fluido, repetitivo e as vezes parece andando em círculos, dando tonturas com os rodeios filosóficos e  crises existenciais, ora quando Jan Olav (pai do Georg) escreve a carta está prestes a morrer, o que é até certo ponto compreensivo, mas o irritante é quando alterna para o filho e ele continua com as mesmas "dores" filosóficos, embora seja um adolescente, Georg tem um olhar irritantemente minucioso e politicamente correto da vida. O momento do pai, por outro lado é outro, o qual ele tira diversas reflexões tristes sobre o viver e ser "retirado" a força desse plano no momento mais feliz de sua vida. Ou seja, o livro é duplamente angustiante.

Ademais, o personagem mais profundo e interessante é Olav, não somente por sua forma questionadora e um pouco mística de ver a vida. mas a forma como foi construída também cativa o leitor. A garota da laranjas, personagem chave para toda a história, é misteriosa e ensina a Olav a ver os detalhes da vida. Agora, Georg é muito chato, é um adolescente, age como um e há cenas que não demonstra maturidade suficiente para a idade, ou talvez por ser jovem demais, ainda não tenha maturidade suficiente.

Um livro agridoce, portanto, ora doce, com as fantasias e delírios de um apaixonado em busca da garota das laranjas, ora azedo, com o amargor do fim da vida, isto é, o livro discorre sobre a efemeridade da vida, o quanto absolutamente tudo é líquido e inconstante, desde nossos contratos sociais até mesmo a vida em si. Considero como um livro profundo e muito, muito melancólico, o longo tempo que passamos vivendo em comparação com os longos anos do universo, a vida que passamos com quem amamos, em como a magia do viver está em coisas simples (sim, como em Soul), nos dando conta de que é lindo viver mesmo nas horas amargas. 

26 de fev. de 2021

Dracula, Bram Stoker

 Finalmente estou retornando com mais um post, infelizmente não conseguir postar com tanta frequência que eu queria, a segunda fase da FUVEST sugou minha alma e  não tive mais tempo para absolutamente nada, e no fundo estou bem apreensiva e ansiosa com o resultado, espero ter passado! Ah, também estive reformando o quarto; bom daqui para frente espero conseguir postar com mais frequência, em cada post digo isso, eu sei. 

O livro que vamos conversar hoje é um grande clássico da literatura gótica e da língua inglesa, espero conseguir exprimir tudo o que senti e tudo o que amei nessa resenha. É um romance de horror gótico lançado em 1897, escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula. Tornou-se a mais famosa história de vampiro da literatura.

 

A história é contada em formato epistolar, cujos narradores são protagonistas do romance, e, ocasionalmente, suplementadas com recortes de jornais referentes a eventos não diretamente testemunhados. Os eventos contados no romance ocorrem em ordem cronológica e em grande parte na Inglaterra e, no começo e fim do livro, na Transilvânia . Tudo ocorre dentro do mesmo ano, entre 3 de maio e 6 de novembro. Uma nota curta situa-se no capítulo final escrita sete anos após os eventos descritos na obra.

O romance começa com Jonathan Harker, um advogado inglês recém-formado, visitando o Conde Drácula nas montanhas dos Cárpatos, na fronteira entre a Transilvânia, Bucovina e Moldávia, para prestar apoio jurídico para uma transação imobiliária supervisionada pelo empregador de Harker. No primeiro momento o jovem advogado é atraído pelos bons modos de Drácula, no entanto Harker logo percebe que é prisioneiro ali e sua vida corre perigo. 

Outros detalhes tornam o anfitrião uma personagem excêntrica, não somente pelo modo de vida e cultura "exótica", mas por circunstâncias totalmente anormais, como não ter reflexo no espelho, não é visto de dia e nunca mostra ter fome, ou ao menos comer junto com Harker. Muitos acontecimentos culminam para Harker se vê preso, sufocado e sofrer diferentes 'abusos' no castelo e entender, não somente ele, mas os demais personagem, o plano do conde, posteriormente.

Algo que acho interessante que ocorre, assim como em Quincas Borba, o livro leva o nome do personagem que menos temos o ponto de vista e compreensão, ou ao menos mais falas ao longo do enredo. Por se tratar de um livro epistolar, apesar de termos diferentes pontos de vista de outros personagens, ainda sim são limitados, particulares e bem restritivos, afinal mesmo tendo o ponto de Mina e Sr. John Seward do mesmo fato, ainda continua fechado, ainda o leitor encontra-se limitado. É quase uma narrativa "apernada", todos são ingleses e possuem quase o mesmo ponto de vista...

O que mais me surpreendeu foi a narrativa extremamente fluida, em pouco tempo me vi lendo várias e várias páginas, além disso enquanto estava longe do livro, me pegava pensando nos personagens, na história e como seria o desfecho. Sim, não importa quantos filmes sobre Drácula você tenha assistido, nenhum deles foi um "spoiler" significativo do livro, afinal a obra original sempre carrega um peso e detalhamento que não cabem no espaço de tempo do cinema. 

É um livro que não somente trás uma ótima ficção, mas é um excelente recorte da história, reflete a sociedade da época, o machismo, o patriarcado e como a mulher branca e de certo recorte social era considerada pelos homens e por ela mesma (apesar de ainda ter a visão do autor, homem branco, falando).

Ora, vale salientar aqui que é um livro de muitos e muitos anos passados, lançado no século XIX, no qual não havia os conceitos e pautas sociais como temos hoje sobre a posição da mulher, o que é ou não politicamente errado etc, tudo isso é uma discussão atual, da nossa geração, além disso é uma discussão que não quero iniciar no post, não nesse momento e neste contexto. 

Drácula carrega um legado muito importante, portanto, para a literatura no geral, bem como para a cultura pop também, depois desse livro os vampiros foram remodelados, recontados, amados e cada vez mais fazendo parte do popular e imaginário, é até hilário pensar que o que a maioria das pessoas sabem sobre vampiros saiu desse livro. Uma leitura mais que recomendada, que você, caro leitor desse singelo blog, se deleite com essa literatura. 


18 de set. de 2020

Como conservar os livros por mais tempo

 O post de hoje é especial pois a galera do Instagram sugeriu esse  'Como eu conservo meus livros', muitos querem saber o que faço, quais as dicas de limpeza e preservação que recomendo. 

Antes de começar a falar da limpeza dos livros, a melhor forma de preserva-los é seu armazenamento. Onde você guarda seus livros? Evite deixá-los em guarda-roupas e caixas de papelão, isso abafa o livro, além de haver a grande possibilidade de criar humidade e fungos, eles irão amarelar bem mais rápido, claro que levamos a qualidade do papel em conta, mas o armazenamento é fundamental para evitar isso. 

Se você tem uma estante, seja comprada ou feita por você mesmo, uma boa opção é fazer com caixas de tomate ou frutas, agora é importante você escolher um local adequado da casa para colocá-la, isso inclui nada perto do sol, pois pode manchar e amarelar bem mais rápido seus livros, então evite deixar muito próximo à janelas, bem como evitar locais muito frio e paredes que retêm humidade, evitando mofo, bolor e ouros fungos que danificam, não só o livro, mas também sua saúde.

Também não deixe-os apertados na estante, nem muito encostado no fundo, tudo isso para seu livro poder "respirar", evitando estragos na lombada, corte e estragos na própria capa. É bom lembrar que quando seus livros vem no plástico, tipo um 'insulfilm', retire a embalagem, o livro não pode ficar abafado. 

Imagem: Google imagens//Ilustrativo

Agora que você aprendeu a armazenar seus livros, vamos à limpeza. Não passe lustra moveis na estante, pois demora para seca e as páginas do livro absorvem o agente, isso contribuí para humidade e amarelamento das páginas. Você pode limpar com álcool ou apenas um pano húmido para tirar o pó, deixe secar durante um tempo, reforço que deixe secar bem!

Ademais, a limpeza dos livros pode ser feita com um pincel de cerdas grossas, para tirar o pó da lombada, e um pano com álcool 70 na capa, não passe na parte interna, isso pode manchar as folhas, além de deixa húmido. Se o livro tiver a capa em veludo ou tecido passe um pano seco ou o próprio pincel para tirar o pó.

Todavia, não basta apenas você saber armazenar os livros ou limpá-los, o manuseio também é importante, evite de comer alimentos gordurosos enquanto estiver lendo, e caso você esteja no ônibus ou metrô e quiser ler, sempre utilize capinhas protetoras para não amassar a capa ou sujar o livro enquanto estiver na bolsa ou manuseando no transporte público mesmo. 

24 de mai. de 2019

A função da Academia brasileira de letras


Inspirada em post que vi no blog da Livraria Nobel, decidir pesquisar mais sobre a ABL, consequentemente quis compartilhar com vocês, fiquei mega empolgada por saber mais um pouco sobre a literatura nacional e conhecer mais um pouquinho sobre a academia. 😉 

A academia foi fundada na cidade do Rio de Janeiro pelos escritores Machado de AssisLúcio de MendonçaInglês de SousaOlavo BilacAfonso CelsoGraça AranhaMedeiros e AlbuquerqueJoaquim NabucoTeixeira de MeloVisconde de Taunay e Ruy Barbosa em 20 de julho de 1897, tendo por objetivo o cultivo da língua portuguesa e da literatura brasileira.

 É-lhe reconhecido o mérito por esforços históricos em prol da unificação do idioma, do português brasileiro e do português europeu. Nomeadamente, teve um papel importante no Acordo Ortográfico de 1945, conseguido em conjunto com a Academia das Ciências de Lisboa, assim como foi de novo interlocutora quanto ao ainda "polêmico" Acordo Ortográfico de 1990.

A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a "cultura da língua nacional", sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como "imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros.
À semelhança da Academia francesa, o cargo de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema "Ad immortalitem", e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo confrade, através do voto secreto.
Ademais, qualquer um pode se candidatar a uma vaga, basta enviar uma carta com o currículo ao presidente. No entanto, é necessário ser brasileiro e ter publicado pelo menos uma obra, em qualquer gênero literário, que seja reconhecida por sua qualidade ou valor literário.
Os interessados têm um mês para fazer a candidatura. A eleição ocorre três meses depois da vaga ser declarada aberta. É necessário fazer campanha.
Os números de cada cadeira não têm nenhuma hierarquia. Eles se referem aos primeiros 40 imortais quando da criação da Academia, em 1896, inspirada pela Academia Francesa. O primeiro presidente foi Machado de Assis. 
E esse foi o resumo de hoje, espero que tenham gostado!
Não deixe de me seguir no Good Reads, a rede social para os amantes de livros, assim você acompanha minhas leituras em tempo real.

31 de mar. de 2019

#Projetoliteratura | Barroco


Imagem créditos\\ Google imagens

Surgiu na Itália, por volta do século XVI e, posteriormente, espalhando-se pela Europa e pelo mundo, o barroco foi um estilo de movimento artístico. Influenciando primeiramente as artes plásticas,  também teve forte tendência na literatura, na arquitetura, na música e no teatro. Sendo que essa influência duraria até o começo século XVIII, sendo seu apogeu no século XVII.

O Barroco corresponde a um período de grande turbulência político-econômica, social, e principalmente religiosa. A incerteza e a crise tomam conta da vida portuguesa. Fatos importantes como: o término do Ciclo das Grandes Navegações, a Reforma Protestante, liderada Lutero na Alemanha, e Calvino na França e o Movimento Católico de Contra-Reforma, marcam o contexto histórico do período e colaboram com a criação do "Mito  Sebastianismo".

Crença segundo a qual D. Sebastião, rei de Portugal, aquele que falamos no post anterior, sobre o quinhentismo, teria sido homenageado por  Camões  em Os Lusíadas, não havia morrido, em 1578, na Batalha de Alcácer Quibir, mas que estava apenas "encoberto" e que voltaria para transformar Portugal no Quinto Império de que falam as Escrituras Sagradas.
O êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini

Fruto da contra reforma, refletindo o dilema da época expressa as condições e o conflito espiritual do homem, tendo suas
 características a dualidade, pessimismo, paradoxos, desequilíbrio e antíteses. É interessante notar alguns textos, como do escritor Gregório de Mattos, a dualidade encontrada, a preocupação com viver os prazeres da carne e a busca por redenção celestial. 

Soneto

Discreta, e formosíssima, a Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh não guardes, que a madura idade,
Te converta em flor, essa beleza, 
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. 

- Gregório de Mattos; Lizongea outra vez....


O barroco tem o culto do contraste, isto é, o dualismo entre o bem e o mal, deus e o diabo, o céu e a terra, pureza e pecado, a alegria e a tristeza, etc. Assim como a consciência da transitoriedade da vida, a ideia de que o tempo tudo consome, ou leva consigo, que tudo está indo rumo à morte, como podemos notar no soneto de Gregório de Mattos acima. 

Dentre os autores portugueses conhecidos estão D. Francisco Manuel de Melo, padre Manuel Bernardes, Antônio José da Silva - o judeu, e por fim Sóror Mariana Alconforado. Ademais, o poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, publicado em 1601, apesar de considerado um documento de pouco valor literário, é indicado como o início do Barroco na Literatura Brasileira. 

Espero que tenha gostado desse post, um resumo sobre essa escola literária tão dualista e interessante para ser estudada, espero ter deixado menos complicado e mais fácil de se admirar a literatura. 

Veja os posts anteriores do projeto literatura

9 de mar. de 2019

#projetoliteratura | Quinhentismo

Créditos imagem: Tumblr
No post de hoje vamos falar de literatura de informação, a primeira manifestação literária no Brasil. O quinhentismo, é a denominação genérica de todas as manifestações literárias ocorridas no Brasil durante o século XVI, quando os portugueses chegaram à costa brasileira, embora a primeira carta escrita em solo brasileiro por Pero Vaz fosse escrita por um europeu, ainda sim é considerada  parte da literatura nacional.

A literatura informativa, também ficou conhecida como literatura dos viajantes ou literatura dos cronistas, consiste em relatórios, documentos e cartas que empenham-se em relatar a fauna, flora e habitantes da nova terra. O quinhentismo, ocorreu paralelo ao classicismo, reúne relatos de viagem, com a finalidade informativas e característica extremamente descritivas, sendo que a carta de Pero V. de caminha, escrita ao rei D. Manuel, além de ser o registro de nascimento do Brasil, é também o nascimento da literatura brasileira, sendo que nela observamos os equívocos e as intenções do colonizador. 

As características do quinhentismo, são:  
  • Crônicas de viagens
  • Textos descritivos e informativos
  • Conquista material e espiritual
  • Linguagem simples
  • Utilização de adjetivos
Nos vários relatos portugueses descreviam o novo mundo como um paraíso, enfatizando-se o nativismo, posteriormente essa literatura influenciou escritores como Gonçalves Dias, José de Alencar, Gonçalves de Magalhães e outros escritores do romantismo, onde em uma de suas fases o indianismo era uma característica.

A literatura jesuíta também faz parte do quinhentismo, sendo que a ideia central era obter mais fiéis para a igreja católica, uma vez que na Europa vinha sofrendo cada vez mais com a Reforma Protestante, tudo isso estava ocorrendo durante o ano de 1517.

 Ademais, um dos escritores significativos para essa escola foi o padre José de Anchieta que escreveu cartas, sermões, poesias e peças teatrais, tanto em português, quanto em tupi e latim, sendo suas obras sempre com um caráter missionário. 



Leia mais sobre essa escola literária.. 
Padre Anchieta
Literatura de catequese
Carta ao El-rei Dom manuel

27 de fev. de 2019

#projetoliteratura | Classicismo

Créditos imagem\\ 
Antes de começar o post gostaria de pedir desculpas para vocês, que até me mandaram mensagem pelo insta sobre esse projeto, sábado eu havia esquecido de posta-lo e só tive tempo hoje; mas enfim..vamos a essa escola literária maravilhosa!
O objetivo do classicismo é a valorização dos grandes clássicos, valorização da cultura greco-romana, enriquecendo a literatura com palavras latinas, tendo em vista o antropocentrismo, o hedonismo, isto é a busca pela satisfação dos prazeres. O classicismo visa a perfeição, um padrão estético e um rigor  na escrita quanto a métrica, a rima e expressão de pensamentos, usando-se de personagens da mitologia grega para simbolização de sentimentos. Justamente pela valorização de escritores considerados clássicos que essa escola literária chama-se de classicismo.


Os autores do século XVI que se inspiravam nos escritores clássicos como Homero, Sófocles, Ésquilo, Aristóteles ou os latinos como Cícero, Virgílio e Ovídio,  retomam a ideia de que a base literária deve-se  na razão, que controla a expressão das emoções. Os versos, por exemplo, deixam de ser escritos em redondilhas, que são cinco ou sete sílabas poéticas, e passam a ser escritos em decassílabos, ou seja dez sílabas poéticas, consequentemente introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.


"E faz este natural amor, que tanto se preza,suba da sombra ao real,da particular beleza, para a beleza geral" -Luiz v. de Camões 

Outra grande característica é o platonismo, ou amor platônico, como o próprio nome sugere origina-se do filósofo grego Platão, tal amor trata-se da elevação em direção à beleza que ultrapassa o indivíduo e os prazeres dos sentidos. Ao lermos o trecho de Camões acima, notamos essa influência de Platão nos textos do autor. Em alguns textos da época também há o neoplatonismo, que é a mistura do amor sensual e do platônico.

Ademais, é interessantíssimo destacar o momento histórico pelo qual essa escola literária passou, haja vista a Europa preparava-se para a grande transformação politica, econômica e cultural que atingiu sua plenitude nos séculos XV e XVI, tal movimento é conhecido como Renascimento. Caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma evolução em relação às estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciênciasChamou-se Renascimento em virtude da intensa revalorização das referências da Antiguidade Clássica, sendo que o classicismo estendeu-se aos séculos XVI a meados do século XVIII.
ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE
"Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repousa lá no Céu eternamente, E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento Etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente, Que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te Algũa cousa a dor que me ficou Da mágoa, sem remédio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, Que tão cedo de cá me leve a ver-te, Quão cedo de meus olhos te levou."
Um dos escritores mais importantes da língua portuguesa durante o classicismo sem dúvida foi o português  Luiz V. de Camões, sendo que sua obra foi dividida em dramático, épico e lirico, sendo sua obra mais celebre Os lusíadas, que em breve terá resenha aqui no blog.   

Leia mais sobre o classicismo 

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Post anteriores:


16 de fev. de 2019

#Projetoliteratura | Humanismo

Crédito imagem|| Tumblr
Compre livros da Jane Austen aqui!

Para introduzirmos a escola literária, vamos entender o que é Humanismo, trata-se de uma filosofia moral, a qual coloca os humanos como principais numa escala de importância, isto é no centro do mundo. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade.

Na literatura, o humanismo representou o período de transição entre o Trovadorismo e o Classicismo, bem como da Idade Média para a Idade Moderna. Surgiu no final do século XV e caracterizou o século XVI, é interessante lembrar que através do humanismo que surge o Renascimento. Sendo que as principais características dessa escola são o antropocentrismo, a racionalidade, uma busca por beleza e perfeição, valorização do corpo humano no caso da arte e escultura. 

O marco inicial do humanismo literário português foi a nomeação de Fernão Lopes para cronista-mor da Torre do Tombo, em 1418, sendo o maior representante da prosa historiográfica humanista, além de fundador da historiografia portuguesa. De suas obras destacam-se Crônica de El-Rei D. Pedro I, Crônica de El-Rei D. Fernando, Crônica de El-Rei D. João I.

Nesse período, destacam-se as prosas doutrinárias ou ensinanças, que tinham um carácter didático e eram dirigidas à nobreza. Já as poesias, que eram cultivadas por fidalgos, utilizavam o verso de sete e de cinco silabas, respectivamente a redondilha maior e menorO movimento com foco na prosa, poesia e teatro, terminou com a chegada do poeta Sá de Miranda da Itália em 1527. Isso porque ele trouxe inspirações literárias baseadas na nova medida chamada de “dolce stil nuevo”.

Ademais, a poesia palaciana, ao contrário da trovadoresca, que estava associada à musica e era cantada ou bailada, foi elaborada para ser lida e recitada nas cortes, cultivada pelos fidalgos, sem abandonar, todavia, temas comuns aos trovadores medievais: o sofrimento amoroso, a súplica triste e apaixonada e a sátira. 


Entre os autores dessa poesia palaciana, reunida no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, destacam-se Sá de MirandaBernardim RibeiroJorge de AguiarJoão Roiz de Castel-Branco, Aires Teles, Gil Vicente,  entre outros.

Livros recomendados:

O Auto da barca do inferno, de Gil vicente
Soneto:O Sol é grande, caem co'a calma as aves, de Sá de miranda



Cantiga sua partindo-se
Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d'esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
( João R. de Castelo branco) - Fonte

Leia mais sobre
Prosa historiográfica 
Humanismo (artigo em inglês)
Humanismo literário
Livro didático: Português maia, volume único. Páginas:142 a 147

9 de fev. de 2019

#Projetoliteratura | Trovadorismo

Estou mega feliz por finalmente tirar esse projeto do papel e coloca-lo em prática. Basicamente o  Projeto literatura será postado uma vez por semana, consiste em posts resumidos de diversas escola literárias e, caso seja viável para mim, com resenha especiais ao longo da semana de algum(s) livro(s) que se enquadre nessa escola. Será um deleite divulgar mais e mais sobre a literatura.
Créditos imagem|| Tumblr

Vamos começar com a primeira escola literária da língua portuguesa, trovadorismo. Tal movimento literário e poético surgiu na Idade Média no século XI. O  centro irradiador do trovadorismo foi o norte de Portugal e a Galiza, sendo seu apogeu no século XII e XII. Haja vista, as cantigas são os principais registros da época, tradicionalmente divididas em cantigas de amor, o eu-lirico é masculino, e remete a sentimento de dor, magoa por amar uma mulher inacessível, cantiga de amigo, apesar de ser escrito por homens, o eu-lirico é feminino, o objeto de desejo é o masculino, e tal cantiga remete a sentimentos de saudade e amor, e a cantiga de escárnio e maldizer, referem-se, basicamente, a ataques indireto e direto à pessoas da corte e/ou aos costumes da época, respectivamente.  

Ademais, trovadores eram aqueles que compunham as poesias e as melodias que as acompanhavam, e cantigas são as poesias cantadas. A designação "trovador" aplicava-se aos autores de origem nobre, sendo que os autores de origem vilã tinham o nome de jogral, e  o segrel era um trovador profissional, um fidalgo decaídoJá o menestrel era um músico  ligado a uma corte, que era pago para para recitar e tocar as cantigas.

As origens dessa escola literária deram-se na Occitânia, de onde se espalhou por praticamente toda a Europa. Apesar disso, a lírica medieval galego-português possuiu características próprias, uma grande produtividade e um número considerável de autores conservados. 

Destarte, são admitidas quatro teses fundamentais para explicar a origem do trovadorismo: a tese arábica, que considera a cultura arábica como sua velha raiz; a tese folclórica, que a julga criada pelo próprio povo; a tese médio-latinista, segundo a qual essa poesia teria origem na literatura latina produzida durante a Idade Média; e, por fim, a tese litúrgica, que a considera fruto da poesia litúrgico-cristã elaborada na mesma época. A mentalidade da época baseada no teocentrismo serviu como base para a estrutura da cantiga de amigo, em que o amor espiritual e inatingível é retratado, tendo em vista que a idade média foi regida pela igreja católica.  



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