22 de jan. de 2023

Desafio literário: Rory Gilmore Book challenge para 2023

Parece que se tornou um clichê entre nós, amantes de livros e de quem faz conteúdo para internet com esse nicho, gostar de Gilmore Girls, e eu estou no meio desse balaio. Adoro a série e como ela está recheada de coisas que eu amo de mais: filmes, livros, estudos e vivencias a base de nossos gostos. 

Produzo conteúdo aqui no blog a cinco anos e durante esse período eu descobrir a série como um lugar seguro para mim, e desde então acompanho e me deixo ser influenciada por ela, inclusive, criei uma página aqui no blog (Gilmore book challenge) para acompanhar o desafio e ir marcando todos os livros lidos. Para quem não conhece, o desafio literário se propõe a ler os 340 livros citados na série, dos quais são citados pelas personagens ou lidos pelas protagonista.

Bom, caso você queira ver todos os livros que já li para o desafio até então sinta-se a vontade para visitar a página que mencionei a cima, pois nesse post vou falar dos livros que pretendo ler durante esse ano de 2023 (eu já até separei no meu caderno de leituras o desafio desse ano). Pretendo ler 12 livros , meio que a separação ficou com um livros por mês, e agora em janeiro por conta das férias, pretendo ler dois ao menos. A seguir você saberá quais livros são e um pouquinho sobre eles, não estão em ordem de preferência nem de leitura pretendida.

Inferno, Dante
Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas o Purgatório e o Paraíso. Está dividido em trinta e três cantos (uma divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao poema. A viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. 

O amante de Lady Chatterly
É uma novela escrita por D. H. Lawrence em 1928. Impresso confidencialmente em Florença em 1928, não foi impresso no Reino Unido até 1960. A publicação do livro causou um escândalo devido a suas cenas explícitas de sexo. Lawrence fez alterações significativas no manuscrito original a fim de torná-lo mais aceitável aos leitores. Foi publicado em três versões diferentes.

O processo, Franz Kafka
É um romance do escritor checo Franz Kafka, que conta a história de Josef K., que acorda certa manhã, e é processado e sujeito a longo e incompreensível processo por um crime não especificado.

A sociedade do Anel
É o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, escrita pelo professor e filólogo britânico J. R. R. Tolkien. É seguido de As Duas Torres e O Retorno do Rei. Foi publicado originalmente em 29 de julho de 1954 no Reino Unido.

Anna Karenina
É um romance do escritor russo Liev Tolstói. A história começou a ser publicada por meio da revista Ruskii Véstnik (O mensageiro russo), entre janeiro de 1875 e abril de 1877, mas seu final não chegou a ser publicado nela por motivos de desacordo entre Tolstói e e o seu editor, sobre o final do romance. Portanto, a primeira edição completa do texto apareceu em forma de livro ainda em 1877.

O sol também se levanta
O Sol também se levanta gira em torno de de um grupo de expatriados sediados em Paris, inspirado no próprio círculo de escritores e artistas frequentado por Hemingway. O grupo incluía Gertrude SteinEzra PoundPablo Picasso e F. Scott Fitzgerald representantes da geração pós-guerra, uma geração perdida que vagava por Paris sem transformar nada, mas cheia de ambição. Escrito originalmente em 1926 e publicado em 1927.

Otelo, o mouro
Uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu sub-oficial Iago. Por seus temas variados, racismo, amor, ciúmes, ódio continua dando a obra um tom recente e relevante. 

A casa dos espíritos, Isabel Allende
Primeiro e mais famoso romance da escritora chilena Isabel Allende. Foi lançado originalmente em 1982 na cidade de Buenos Aires pela Editorial SudamericanaClassificado dentro do realismo mágico, este romance histórico incorpora coisas inverossímeis e estranhas ao ordinário. Narrado desde a perspectiva de seus protagonistas, os acontecimentos da trama tratam sobre o amor, a família, a morte, os espíritos, as classes sociais, a revolução, a política, as ideologias e o fantástico.

A redoma de vidro
Único romance da poeta Sylvia Plath. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.

As virgens suicidas
Romance de estreia de 1993, do escritor norte-americano Jeffrey Eugenides. A história de ficção, que se passa em Grosse Pointe, Michigan, durante a década de 1970, centra-se na vida de cinco irmãs, as jovens Lisboa. O romance é escrito na primeira pessoa do plural a partir da perspectiva de um anônimo grupo de adolescentes que lutam para encontrar uma explicação para as mortes das jovens Lisbon.

Admirável mundo novo
Romance escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932. A história se passa em Londres no ano 2540 (632 DF - "Depois de Ford" - no livro), o romance antecipa desenvolvimentos em tecnologia reprodutivahipnopediamanipulação psicológica e condicionamento clássico, que se combinam para mudar profundamente a sociedade.

Jane Eyre, Charllote Bronte
é um romance da escritora britânica Charlotte Brontë publicado em 1847. O livro, que tinha como subtítulo uma biografia, foi lançado originalmente em Londres, pela Editora Smith, Elder & Co., Cornhill, em 16 de outubro de 1847, em 3 volumes, atualmente o romance é comercializado em um volume único. Jane Eyre foi escrito por Brontë com o pseudônimo Currer Bell.



21 de jan. de 2023

Diário2023 #001 | Eu quase tive um Burnout

Eu tenho um costume de escrever quase todos os dias no meu diário pessoal, e agora quero trazer uma coisa nova para o blog que é um diário com conteúdos mais pessoais e íntimos a meu respeito, e obviamente nada muito comprometedor, gosto de escrever para mim mesma e depois lê novamente, e também pretendo deixar um pouco mais de mim na rede infinita de comunicação.

Para o primeiro episódio  escolhi escrever sobre meu esgotamento mental, físico e emocional o qual estou passando. O ano de 2022 foi bem intenso: Foi o primeiro ano ""sem"" pandemia, a vida estava tentando normalizar, uma nova rotina estava se criando e as coisas voltaram ao presencial, além de nos acostumarmos com a mobilidade urbana novamente. As loucuras de Sampa, lidar com o emocional e outras questões sérias da vida adulta, veio também (aos poucos) o lidar com não serei tão produtiva quanto estava no 100% online. Durante a pandemia aprendi a fazer  mil tarefas juntas, a ter uma rotina online e a não depender mais do presencial, no entanto o cansaço foi se acumulando. 

Ao longo do ano de 2022 veio demandas e atividades 100% presenciais, além das que ainda são online e se adaptaram a esse formato, agora havia o estresse do transito, chegar tarde em casa, levantar as 5 da manhã, cuidar da casa, casamento, compromissos religiosos, voluntariado, cursos e tudo o mais...Ao final do segundo semestre eu estava entrando em um colapso muito grande e isso se refletiu nas minhas notas.

A USP é uma universidade bem exigente e isso não é novidade, o rigor acadêmico continuou sendo cobrado e eu já não estava mais aguentando o ritmo, as exigências e tudo que eu preciso dar para os estudos. A vida acadêmica somada a vida pessoal foi um verdadeiro surto! ao longo do ano de 2022 perdi amigos, conheci novas pessoas, conheci novas fronteiras e me ajudou a ver o que quero para minha vida universitária e minha carreira profissional. Parte de mim ainda me cobra por não ter "aproveitado" o suficiente, e outra parte me diz que eu tentei dar o meu melhor naquele momento, fiquei realmente saturada com tudo.

Esse ano, ademais, pensei em novas metas, novas aventuras literárias, novas aventuras acadêmicas (inclusive quero fazer uma iniciação cientifica), mas dessa vez penso em dar o meu melhor respeitando os meus limites. Apesar de adorar uma rotina, adorar fazer mil tarefas e outras coisas mais, pretendo por limites em relações, não exceder o que posso doar de mim para outras facetas da vida e pra outras pessoas e "causas". Enfim, janeiro tem sido um mês de descanso, estou até pegando leve nas leituras para não me saturar e explodir todos meus aspectos como ser humano, e também ainda não comecei meus estudos de férias, muito menos nem fiz cursos de aprimoramento de verão da USP. 



Talvez seja obvio para as pessoas respeitarem o descanso e a si mesmas, ou talvez não. Chegamos várias e várias vezes em nossos próprios esgotamentos mais cedo ou mais tarde, e devemos ter o bom senso de parar antes que seja devastador. Hoje estou com uma rotina mais leve, porém ainda continuo muito cansada, com enxaquecas, precisando dormi mais horas, ler menos e fazer mais atividades físicas... Isso, tentar diminuir drasticamente meu ritmo, atrasa meus trabalhos na internet, meus escritos e outras áreas da minha vida, mas ás vezes precisamos diminuir o ritmo. No momento tento me recuperar e descansar minha mente, mas para mim é extremamente difícil diminuir a regularidade de escrever, ler e querer produzir outras coisas que exigem grande concentração e afins. 

Escrever me ajuda a ter um panorama da minha própria vida, e refletindo em tudo enquanto escrevo e nas conversas que tive com meu companheiro ontem, vejo que esse ano estou querendo me distanciar de certas pessoas, certos eventos e me resguardar beeeem mais, basicamente  é corta umas coisas aqui e ali para fazer o que realmente quero. Ao final desse post, creio estar bem mais leve e conseguindo deixar minha linha de raciocínio bem mais fluida.

19 de jan. de 2023

Chegamos em 2023 : A volta do Exploradora na blogosfera!!!

Demorei demais para voltar a escrever aqui novamente. Tanta coisa mudou desde a última vez que postei aqui, alias... Tanta coisa mudou desde a primeira vez que publiquei algo nesse blog! E agora me dou conta que o Exploradora de Páginas existe a anos, incialmente com o nome de "Blog de uma nerd". 

O ano de 2022 foi um ano longo, vivi mil coisas dentro dele, considero que vivi várias vidas dentro de uma só, aprendi muita coisa também, perdi amizades, ganhei novas, vivenciei novas experiências e aos pouquinhos aprendi (e na verdade estou aprendendo) a não ter medo e/ou receio de novas experiências. Para 2023 quero colecionar experiências acadêmicas, quero estar mais presente na faculdade, fazer um voluntariado, sentir e viver minha graduação em sua plenitude! Talvez nesse ano eu encare minha primeira experiência em sala de aula como professora.



Ao decorrer dos anos esse blog continua me acompanhando e enquanto o google existir...existirá esse cantinho. Fico imaginando que o futuro da humanidade talvez seja como as distopias que leio, então haverá um momento em que esse blog e minhas memórias não estarão mais pela rede mundial, elas apenas deixarão de existir, serão apenas dados virtuais destruídos com a queda dos satélites e sem humanos ou qualquer outra raça inteligente para operá-los.

Apesar do aparente pessimismo, estou estonteamente (quase tonta) de felicidade por estar viva mais um ano! Finalmente sobrevivendo sem a sombra da morte por covid. Estou viva em mais um janeiro e conhecendo o ano de 2023 que promete muita coisa, tanto boas quanto ruins e neutras, tudo depende do ponto de vista e das realidades individuais. Mas espero o melhor para todos nós. Estou com 25 anos, muitos livros sendo lidos e sendo contatos desde 2017 mais ou menos, vivo com o amor da minha vida, estudo na melhor universidade da América Latina (USP), estou em paz comigo mesma em todos os meus aspectos "perfeitos" e "imperfeitos" (conceitos bem subjetivos).

Bom, agora vamos falar de metas! Todo ano eu gosto de estimular algumas metas bem "realistas" para mim, às vezes são só ilusões que não conseguirei cumprir até o próximo ano. Como voltei a ter um Bullet Journal nesse ano, pretendo me observar bem mais, assim como o mundo a minha volta! quero tirar mais fotos, vivenciar experiências novas, aprender coisas diferentes e poder cumprir metas comigo mesma (autocuidados e auto respeito)! Dividi minhas metas em quatro grandes áreas da minha vida: A acadêmica; pessoal; youtube e outros (coisas aleatórias).

Querido leitor(a) não sei se mais alguém além de mim lê esse blog, o qual é uma espécie de diário virtual, mas saiba que mais postagens virão e esse ano pretendo fazer bem mais resenhas e voltar a falar de ficção científica, como era a pegada inicia e objetivo principal desse blog, no entanto, antes de mais nada queria trazer esse "callback" e dar boas-vindas ao ano de 2023 como faço desde que iniciei esse pedacinho de paraíso particular.


Enfim, muito obrigada se você apoia meu trabalho seja aqui ou em outra rede.

10 de ago. de 2022

Quem é você, Alasca?, John Green

É um livro para adolescentes e  com toda certeza conversa mais com os jovens do que comigo, mas tive a curiosidade para conhecer o autor e uma de suas obras populares sendo um best-seller no Brasil e no mundo, além de ser vencedor de alguns prêmios literários estadunidenses.

Vamos entrar na vida e na mente de Miles Halter, um garoto que tem fascinação pelas últimas palavras grandes pessoas, como escritores, poetas, presidentes etc. Por se sentir entediado vivendo com os pais, ele ingressa em uma escola (uma espécie de internato), esperando encontrar novas emoções e experiências.

Não achei a história tudo isso, e sinceramente a leitura foi mais um peso por estar sendo enfadonha, eu queria terminar o quanto antes e não porque eu estava devorando e imersa na história, mas sim porque não estava me prendendo. Houve diversos momentos que eu não aguentava mais estar com esse livro, por conta disso demorei uma semana para terminar.

Os personagens são rasos, também nenhum me chamou muito a atenção, no entanto a Alasca é a personagem que mais me cativou, deu a sensação de que o autor deu um carinho e atenção maior. Em contra ponto o posicionamento da Alasca como feminista e todas as frases de efeito dela parecia extremamente artificiais e mais como algo moralizante que o livro queria passar e não como característica da personagem, não me soou com algo fluído e natural dela, mas algo extremamente artificial.

Alasca, além do mais, é uma personagem pela qual o leitor vai se interessar, ela é inteligente e muito peculiar. O narrador é em primeira pessoa, temos a visão do Miles sobre ela, e muitas vezes é extremamente idealizada. Há momentos que ele não está interessado na real Alasca e sim em suas conjecturas, e isso é trazido pelo autor, quando a própria Alasca fala para Miles que ele só está interessado na parte dela que fuma, bebe e é divertida e alto astral. Não na verdadeira Alasca, quebrada emocional e psicologicamente, bem como suas outras facetas como ser humano.

Já Miles é um personagem totalmente intragável para mim, ele é extremamente egoísta e acha que todos têm de estar sempre prontos e dispostos para ele. Outra coisa que achei estranho é o quanto Alasca é sexualizada pela visão dele (a menina nem chegou aos dezoito anos ainda), várias passagens são de revirar os olhos, mas talvez seja a dinâmica que o autor queria passar para esse personagem. Tendo em vista que são suas primeiras experiências da vida adolescente (por volta dos 15/16 anos), algumas coisas se "justificam" como o egoísmo excessivo. O resto são personagens bem opacos, e alguns até sem relevância e bem esquecíveis, infelizmente não fazem diferença na trama.

Ademais, a história é bem típica, e nada muito diferente de histórias adolescente que envolve novas escolas, amigos, cigarros, bebidas e afins… Apesar de achar muita coisa esperável e bem clichê, sei que esse livro tem relevância para os jovens, mas isso não impede de ter um olhar mais crítico sobre a obra. Há vários momentos que precisavam de profundidade e não tem, assim como mais descrições e menos infantilidade na narrativa, além de pedantes (no sentido de força algumas coisas no enredo).

Não gostei da história, porém, achei a escrita do John Green bem fluida e direta com alguns pontos altos ao longo do livro. O autor se comunica muito bem com seu público, e talvez se eu tivesse lido com uns 13 anos teria gostado, além disso tem algumas reflexões sobre vida, morte, suicídio e lidando com o luto. No entanto, no momento atual que estou como leitora, achei a história super clichê, previsível e cheio de personagens e momentos "sem sal". Lembre-se, querido leitor, essa é minha opinião, não deixe de ler um livro só porque eu não gostei, sinta-se a vontade para ter suas experiências literárias.



22 de jul. de 2022

Contos novos, Mário de Andrade

Terminei essa semana esse livro, que de alguma forma ficou comigo todo esse semestre, pois fiz algumas análises na disciplina de Literatura Brasileira. Esse é um livro que fica sendo digerido durante dias em sua mente, é um livro que vai te tirar da zona de conforto, caso não esteja familiarizado com a escola modernista brasileira.

Antes de falarmos propriamente do livro, é necessário falar do movimento modernista brasileiro na literatura. A grosso modo, esse é um momento de amadurecimento da nossa literatura, com enaltecimento e valorização da própria cultura brasileira usando de inspiração as vanguardas europeias e ideias dos grandes pensadores ocidentais modernos, Kalr Max, Freud e Nietzsche. Sendo assim, a literatura modernista é caracterizada por pautas sociais, predomínio da critica, questionamento do ser e do que conhecemos do mundo.


Contos novos publicado postumamente, em 1947, e narra os relatos da maturidade artística de Mário de Andrade. Trata-se de uma coletânea de textos escritos pelo autor ao longo de sua vida, desde os primeiros momentos do Modernismo, passando pelo gênero nacionalista e pela interpretação crítica, sem perder suas características artísticas e estéticas. 

Ademais, os contos não estão ligados narrativamente, no entanto tem algo em comum que é a inquietação humana do ser, fala sobre moralidade, sexualidade, sociedade, marginalização de grupos e classes. Na sua totalidade, os contos são incríveis, tanto na forma narrativa, na ambientação e construção do personagens, quanto no desenrolar dos acontecimentos. Mesmo sendo contos, que em sua essência tem uma narrativa breve, são grandiosos, porque os personagens são interessantes, e o leitor imerge dentro da personalidade dos personagens. Mário consegue aguçar a imaginação e o envolvimento do leitor com suas obras, e em Contos Novos não é diferente. São contos para serem lidos e relidos, para serem degustados lentamente, para serem refletidos, questionados e estudados. Nos próximos parágrafos irei falar brevemente dos contos que mais me chamaram a atenção.

Em Vestida de Preto – Narrador personagem, o qual nos mostra através das suas memórias seu primeiro e único amor e a perda da inocência da infância por meio da malícia dos adultos. Através de um contexto freudiano, o protagonista discorre sobre suas dores pelo amor que sentiu em toda sua vida e como foi moldado por ele. Já em O ladrão temos um cenário coletivo no meio da madrugada. Alguém grita ladrão e a vizinhança desperta do seu sono e  começam a busca pelo ladrão. Em meio ao caos, os vizinhos vão interagindo, em tais interações o escritor usa as entrelinhas para falar sobre a moral, machismo, adultério e muito mais dos sujeitos dessa comunidade.

Ademais, em Primeiro de Maio temos novamente o tema da coletividade, mas em uma perspectiva diferente. Um narrador onisciente seletivo aproxima-se de 32, um jovem com inocência política e pertencente ao proletariado, vai aproveitar, inicialmente, o feriado, e ao terminar do dia está com suas convicções diferentes. Mostra o amadurecimento de um jovem com desilusões e visão de mundo limitada sobre o que está acontecendo no Brasil no período em que vive.

O poço fala novamente sobre questões sociais, um patrão caprichoso coloca em risco a saúde e a vida dos empregados de sua fazenda, sem ao menos se importar com o que pode acontecer a eles. Frederico Paciência já é um conto mais voltado ao interno, ao sujeito e como a sociedade não aceita o homossexual. Julga e isola na menor oportunidade de estranheza e suspeita de algo fora da normatividade. É um conto sobre o romance de dois amigos, Juca e Frederico, um pouco antes do ensino médio até o final deste, e o resultado do medo do pecado, medo do julgamento e da estrutura social. 

Por fim, o Tempo da Camisolinha o narrador conta suas memórias de infância e como este entendia o mundo, como era seus primeiros pensamentos e entendimento a respeito da vida e de como lidar com as coisas, entender as leis dos adultos e os sofrimentos do mesmo.

Para encerrar esse post, portanto, vamos falar do escritor Mário de Andrade. O qual  foi um poetacontistacronistaromancistamusicólogohistoriador de arte, crítico e fotógrafo brasileiro. Um dos fundadores do modernismo no país, ele praticamente criou a poesia brasileira moderna com a publicação de sua Pauliceia Desvairada em 1922.

18 de jul. de 2022

Coraline (livro), Neil Gaiman

Uma história que é muito mais do que imaginamos, há muito para ser lido nas entrelinhas! Escrito por ninguém menos do que Neil Gaiman, um escritor que estou me aventurando recentemente. Finalmente estou escrevendo essa resenha, a leitura foi feita a semanas atrás, no entanto eu não tive tempo, por conta do fim do semestre, para sentar e colocar meus pensamentos no "papel". Li a versão digital, então esse post rechiei de gifs do filme (que gosto muito).


Coraline é uma novela de terror com um narrador onisciente aproximado ao ponto de vista de Coraline, uma criança curiosa e negligenciada pelos pais. Logo no início da trama a família se muda para um novo apartamento próximo a uma floresta. Em meio a adaptação ao novo local, o distanciamento entre Coraline e seus pais fica cada vez mais evidente, sempre estão trabalhando ou ocupados de mais para dar atenção à menina. Ao adentrar mais na história detalhes surrealistas tomam forma e a vida da protagonista e de todos a sua volta corre perigo.

Finalmente li Coraline, sendo está minha segunda incursão pelos escritos do Neil Gaiman, gostei muito da leitura, sempre há mais para se ver nas entrelinhas, também há diversos detalhes que enriquecem a história e entendemos o que leva cada situação, o relacionamento dos pais com a protagonista, por exemplo. Eles sempre parecem cansados, sempre estão trabalhando. Notamos que a situação financeira deles não é muito boa, ao ser descrito, pelo olhar de Coraline, que a comida congelada era pouca ou havia pouco o que consumir na casa, ou o que havia era sempre as mesma coisas (algo que parece ser barato).

Sendo assim, outro mundo é apresentado com uma riqueza de cores, comida, atenção, brinquedos variados e tudo o que a jovem não tem no seu mundo, mas gostaria de ter. Uma comparação com a animação que me chama atenção é, principalmente, o uso das cores. Tons em amarelo para o outro mundo e tons azulados e/ou cinza para o mundo da protagonista. Elementos surreais criam vida e dá ao enredo a urgência, desespero e perigo que o ser aracnídeo representa para o mundo da jovem.

É uma história, portanto, que me deu a sensação de que está conectada com algo há mais, e sempre que eu for ler vou encontrar um novo detalhe, que passou despercebido por mim inicialmente. Ao longo da leitura eu ficava comparando com a animação, e por vezes imaginava tal estética para dar vida a história, já que foi meu primeiro contato. Com toda certeza vou ler muito mais o autor!

6 de jul. de 2022

BIENAL DO LIVRO (São Paulo) 2022

Finalmente venho a escrever sobre a tão aguardada Bienal do livro de São Paulo, adiada em 2020 por conta da pandemia do coronavírus. Como já era de se esperar há muito o que se explorar, muitas editoras com preços ótimos, outras nem tanto, há muitos lugares para tirar fotos e outras capricharam na decoração. Como sempre muita cor, luz e barulho que eu não sabia que sentia falta, apesar de no fundo ainda achar estranho. Em suma estava muito muito bom e mais maravilhoso ainda, pois eu estava com minha mãe e minha irmã, essa foi a primeira bienal delas.

Fui na bienal de 2018 não tirei nenhuma foto, mas fiz um post sobre as comprinhas, caso você queira saber quais os livros que comprei, basta clicar em Bienal de 2018.

Eu (A  própria exploradora de páginas)
 
Uma coisa que mudou em mim foi o animo para tirar fotos, gravar alguns vídeos curtos e me divertir de mais. Em 2018 fui na bienal de São Paulo (claro) e não tirei uma foto se quer!! Atualmente acho que foi a minha maior burrice, que eu deveria ter aproveitado e tudo o mais. No entanto naquela época eu estava péssima psicologicamente, estou muito feliz por ter evoluído a ponto de conseguir sorrir nas fotos e tirar várias delas! Embora no momento que estou redigindo o post eu penso que deveria ter tirado ainda mais!

Estou aprendendo que há vários e vários momentos que devemos eternizar em nossas vidas, seja uma incidência de luz na janela, seja grandes eventos, e não importa muito se estamos com os melhores sorrisos ou não...O importante é ter momentos eternizados!

Eu e minha mãe

Outra coisa que amo compartilhar é a sobre o que comprei, sei que há muitas pessoas que compram muito mais que meus 15 livros, mas para mim é muito, tanto pelo gasto financeiro que representa, tanto pela situação financeira em que o país se encontra. Sou grata de mais por ter a oportunidade de ir ao evento e poder consumir lá dentro. Enfim, vamos falar dos livros e alguns preços!

Uma foto bem tradicional aqui no blog para mostrar a totalidade das novas aquisições.

Não vou falar dos livros em ordem de compras, mas apenas vou comentando um pouco sobre os livros e os preços, espero poder ler alguns o quanto antes, pois são títulos super interessantes. Desta vez comprei nove clássicos, dois teóricos de literatura e mitologia, dois mangás e um YA.

 
Comprei mais um livro do Hemingway, "Verdade Ao amanhecer" considerado um autorretrato revelador e uma crônica dramática de seu último safári na África. Escrito em 1953, quando voltava de uma temporada no Quênia, a obra tece uma história rica em humor e beleza. Ele foi de uma promoção de 3 livros por R$ 50,00. 

Eu me apaixonei pode Camões nesse semestre por conta de Literatura Portuguesa I, meu professor fez uma análise incrível de alguns sonetos e do primeiro canto de Os Lusíadas. Não queria perder a oportunidade de comprá-los. Ambos foram da Ciranda Cultural por R$ 10,00 (Se eu não me engano).

Lya Luft, "O tempo é um rio que corre", foi o segundo livro do combo de 3 por R$ 50,00, estou ansiosa para ler por conta de algumas resenhas que li no Good Reads. Já cordialmente Cruel é um YA Dark Academia, mordi a língua quando disse que não leria mais YA's, esse ganhei da minha irmã, foi menos de R$ 40,00 reais e compramos na Harper Collins. 
Eu amo Kafka e faz muito tempo que não leio ou compro algo do autor, e "O castelo" é um dos livros não lidos ainda. Nele paguei R$ 15,00 reais (entre dez ou quinze reais). Fausto do século XX, O castelo é considerado um dos pontos mais altos da ficção universal. Na história de K., o suposto agrimensor que tenta inutilmente chegar ao castelo que vê no topo de uma colina, o termo kafkiano parece atingir sua extensão completa.

Mais outros dois grandes clássicos da literatura mundial! Drácula da editora pé da letra é a terceira edição aqui em casa, paguei R$ 15,00 reais, estou ansiosa para reler nessa edição. Jane Eyre de capa dura da Ciranda Cultural paguei R$ 25,00 reais e foi um investimento maravilhoso, estou ansiosa para ler nessa edição, além disso, agora tenho as três irmãs Bronte na minha estante.


Carmilla conta a história da primeira vampira mulher da história da literatura, bem como trás personagens lésbicas, sendo uma literatura clássica e do século XVIII, também paguei R$ 10,00. Falência é um clássico brasileiro e bem pouco falado, agora se encontra na lista da UNICAMP, com toda certeza é um livro imperdível, paguei, também R$ 10,00.  


Livros que já me entregam como estudante de letras, ambos são teóricos e tratam-se de análises e comentários sobre algo bem específico. "Conferências sobre retórica & Belas-letras" paguei R$ 15,00. Já "Mitos Clássicos" é o terceiro livro do combo de 3 por R$ 50,00 reais.

 
Guerra dos mundos comprei na Editora Pé da letra também, paguei R$ 15,00 reais, e já tem muito tempo que quero lê-lo, desde que li a "Maquina do tempo", ambos livros são clássicos da ficção científica e influenciaram de mais discussões literárias posteriores, inclusive influencia a cultura pop.



Por fim, não menos importante, comprei dois mangás, SAO comprei de presente para meu namorido, assistimos ao anime juntos e foi incrível! Assistimos também Fire Force, porém não lemos aos mangás, e talvez seja mais uma coleção que farei. Ambos comprei na Panini, F.F foi R$ 29, 90, já SAO foi R$ 34, 90. Enfim, foi um excelente evento, maravilhoso, não vejo de ir no próximo, sempre me divirto e amo conhecer livros novos.


3 de jul. de 2022

Um pouco do meu saudosismo a blogs literários


Nesse momento, o qual escrevo esse post, é umas 20:48 de um sábado de julho, o primeiro sábado do mês. Minha mente está fervilhando ideias de posts para escrever e resenhas que estão na "fila" para serem escritas e devidamente publicadas. Enquanto minha mente ansiosa explode com tudo isso e um pouco mais a serem colocadas no 'papel' digital, penso no outro lado da escrita. Aqui não vou abordar teoria da escrita ficcional ou algo do gênero, mas sim, sobre a arte de escrever em blogs e como isso mudou desde os anos 2008 do meu ponto de vista! (algo um pouco mais saudosista).
 
Apesar desse espaço não exigir o rigor acadêmico, normas da ABNT ou o rigor jornalístico, sempre procuro trazer a melhor escrita que no momento sou capaz de oferecer ao leitor: A clareza dos meus pensamentos, argumentação lógica, a riqueza textual que pode ser exposta e uma série de outros fatores que me esforço a alcançar. Ao longo dos post's de um blog o leitor pode observar a evolução da escrita de um blogger, ver o rigor que ele quer transmitir as informações ou até mesmo propagar falácias. Mas o ponto que quero abordar com você, caro leitor, é outro: Os blogs tiveram um "BUM" no início dos anos 2000 e agora perder espaço para outras mídias sociais mais "divertidas" e que exigem menos do internauta. 

Embora eu seja critica com o que fazemos e consumimos na interface digital, obviamente adoro o espaço dos blogs, ora, muito já se foi feito social e politicamente nesses espaços, variados temas e pessoas se destacaram em seus meios. Estou nesse espaço desde os meus 13 anos, quando fiz meu primeiro blog, no qual entrei em contato com programação pela primeira vez, e não falava de livros ou assuntos nerds, mas treinava minha escrita e escrevia algumas fanfics (das quais não mencionarei). 

Ademais, cresci no meio digital escrevendo, decerto expondo minha opinião, expondo quem eu era ou o que eu achava quem eu era, o que lia ou gostava de escutar, ou seja, sempre fiz esse espaço de refugio. Bem, quando se é criador de conteúdo, também se é consumidor de algum(s) nicho(s), e vi vários blogs incríveis em ascensão, bem como a queda de alguns ou a migração para o youtube. Hoje, noto, e talvez você que ainda me lê, as transformações sociais nos meios digitais e quão afastados dos blogs o grande público está, o quão difícil, também, de achar pessoas que mantêm fielmente sua produção de conteúdos escritos. Nos dias atuais, nos quais as pessoas em geral não têm paciência para verem vídeos de mais de 30 segundos ou ouvirem músicas de cinco minutos, os textos como estes são deixados de lado, afinal por quê alguém vai se interessar pela escrita de uma beletrista desconhecida em um blog pouco visitado?

Esse post, portanto, é sobre um pouco de saudosismo da blogosfera, pois cresci nesse meio e vi sua mudança lenta, porém continua. Como muito do que eu consumia foi sumindo aos poucos e hoje pouquíssimos blogs continuam a produzir conteúdos de qualidade e consistentes, continuo acompanho alguns blogs que estão "vivos", no meu caso certamente blogs literários. Desse modo, bem prolixa, vejo a efemeridade no meio digital, algo que parece eterno, que nunca será apagado, mas em algum momento as palavras escritas nesses espaços não passaram de dados em um servidor velho e empoeirado esquecido pelos homens e pelas máquinas.



22 de jun. de 2022

Book tag| Tag dos 50% As melhores leituras do ano até agora

Esse ano vou responder essa tag em post no blog e ainda farei um vídeo inspirado nela, talvez essa semana. Desde o começo do blog a respondo e vivo colocando minhas impressões aqui. Além disso, ajuda muito a fazer um balanceamento das leituras até o momento.  Essa tag consiste em responder algumas perguntas sobre as leituras feitas até o meio do ano, o que mais gostamos ou não, o que mais nos marcou e afins.

Esse post não é muito complexo são respostas diretas, e não falo muito sobre os livros em si, porém, logo mais estarei postando as resenhas dos livros que não estão lincados aqui! 

Edições passadas: 

Book tag dos 50% 2020
Book tag dos 50% 2019
Book tag dos 50% 2018

Os livros que já têm resenha aqui no blog, já estarão devidamente lincados!


1. O(s) melhor(es) livro(s) que você leu até agora

Como sempre sou prolixa nessa resposta, pois não marco apenas um livro, e sim muitos. Não é muito diferente esse ano, pois afinal tive excelentes leituras e esse ano muito mais do que ano passado (2021)!! 

Hamlet;
Frankenstein;
A morte Anunciada;
A história secreta;
1984;
Jubilo, memória, Noviciado da paixão.

2. A melhor continuação que você leu até agora


Por incrível que pareça não li nenhuma continuação ainda, porém pretendo ler o quarto livro da série do Trono de Vidro até o final do ano. 

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito?

Nenhum, ultimamente estou com mais leituras teóricas e ficção voltada ao curso de letras. 

4. O livro mais aguardado do segundo semestre?


No momento em que escrevo esse post nenhum me vem a mente, novamente, por conta do cansaço e correria da graduação e só tendo energia para o que sou obrigada a estudar.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano?


Pisque duas vezes para morrer

É um livro nacional de micro contos de terror, porém não gostei tanto quanto achei que gostaria. Mas certamente você não deve deixá-lo de ler, não é só porque não funcionou para mim que não vai funcionar para você.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano?

 

Eu li em uma leitura conjunta com algumas amigas da faculdade e foi incrível!! Adorei ter lido, fora que foi uma delicia ler em conjunto...O começo desse ano começou melancólico, porém bom em diversos aspectos! 


7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente)


Hilda Hilst sem sombra de dúvida! Amei de mais ter lido Jubilo, memória, Noviciado da paixão, agora quero ter contato com a prosa dessa escritora incrível!

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente?


Gostei de vários personagens, mas nenhum me arrebatou a tal ponto.

9. Seu personagem favorito mais recente?


Baco (Dioniso) de As bacantes; Coraline 

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre?


Nenhum nesse semestre (finalmente)

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre?


A história secreta, Donna Tartt 

Amei ter lido durante um mês nos trajetos de ida e volta da faculdade, foi meu livro de ônibus.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora?


Não assisti filmes baseados em livros, pelo que me lembro.

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo)?


A ilha do medo (filme) Gostei de ter voltado a escrever sobre filmes aqui no blog!

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano?
Vinte mil léguas submarinas, Júlio Verne


15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Muitos, dentre eles, os mais urgentes:

Amor, verbo intransitivo;
Os noivos do inverno;
As brumas de Avalon - Livro 2: A grande Rainha;
A filha da Floresta;
Asoka Tano.

18 de jun. de 2022

A ilha do medo e a repressão do consciente

 

O que você acha pior? Viver como um monstro ou morrer como um bom homem?

Finalmente retornamos a falar de filmes aqui no Exploradora!! O cinema é parte fundamental e indispensável não somente para o entretenimento, mas também para criticarmos e analisarmos o meio em que vivemos, principalmente a realidade em que construímos e acreditamos. A ilha do medo (2010) dirigido por Martin Scorsese, nos faz questionar a realidade, pequenos sinais de que tudo o que está à volta do protagonista é questionável, inclusive seus próprios pensamentos. 

O filme conta a história do agente federal Edward "Teddy" Daniels (Leonardo DiCaprio), que está investigando uma unidade psiquiátrica em Shutter Island depois que um dos pacientes desaparece. Juntamente com seu parceiro Chuck Aule (Mark Alan Ruffalo) se depara com uma investigação misteriosa e cheia de lacunas, que a primeira vista parece jogar o protagonista em um caminho circular.

Esse não é um mero filme de investigação ao estilo Holmes, mas sim um enredo muito bem escrito e que mexe tremendamente com o psicológico, não só do protagonista, mas sim do espectador. Um filme que prende a atenção do início ao fim, cheio de contemplação e com muito recurso visual que integra a perspectiva de Teddy.


Toda a história é sobre problemas psicológicos que se desenvolveram por conta de traumas, inclusive temos a perspectiva de como a segunda guerra mundial destruiu emocional e psicologicamente o protagonista, e o pós guerra é um momento de reabilitação. O filme também trata assuntos como culpa, dor da morte, raiva, indignação com o holocausto, e a importância de tratamento psicológico logo no início que vemos o quanto não estamos bem, que detectamos comportamentos estranhos ou tristeza excessiva, tudo isso antes que algo mais trágico aconteça. 

É um filme que não entrega o que esta acontecendo logo de cara, portanto, há momentos lúdicos, outros extremamente poéticos, a fotografia está maravilhosa e completa (certamente) com maestria a narrativa. Além disso, os efeitos especiais mais "drásticos" são usados para contrastar a mente do protagonista com a realidade em sua volta, também há tons e cores que nos mostram essa dicotomia de mente e realidade. Amei cada minuto assistido e é perfeito para conhecer a direção do Scorsese! Agora me conte leitor, o que você achou desse filme quando assistiu?  

7 de jun. de 2022

Electra, Eurípedes (clássico grego)

Quando você se torna um estudante de letras entra em contato com diversos tipos de livros e literaturas, agora, quando fazemos uma habilitação em grego antigo entramos em contato com obras que nem imaginaríamos que leríamos. Estou muito feliz por estar entrando em contato mais e mais com a literatura grega, eu digo que é o clássico do clássico, pois muito do que vemos nas obras consagradas ocidentais, e algumas orientais como as russas, encontramos muita referencia às tragédias ou a Ilíada e Odisseia de Homero.

Esse post não se tratar de uma análise da influência das obras gregas que nos restaram, trago uma resenha de Electra de Eurípedes. Uma tragédia tensa do início ao fim, e como toda tragédia exige...precisamos saber de alguns acontecimentos antes de entrar de cara no livro e ficar sem entender muita coisa, uma delas é por que Clitemnestra mata Agammenon?


A obra provavelmente foi composta em meados da década de 410 a.C, também não se sabe ao certo se foi encenada depois da tragédia de Sófocles, Medeia. Mas ela resistiu até os dias de hoje, os quais podemos desfrutar dessa obra tão inestimável. Ademais, para responder a pergunta anterior temos que recorrer a mitologia grega, o que o povo conhecia muito bem e já vinha com esse repertório para assistir as encenações naquela época tão distante. 

Em primeira instância, Electra trata-se de algo como "a vingança da vingança". A esposa de Agamenon, Clitemnestra, se vinga do marido em seu retorno da guerra de Tróia, pois este sacrificou a filha Ifigênia para a deusa Ártemis, pedindo permissão para que as tropas gregas pudessem navegar para a cidade.

Fonte: (Wikipédia) Orestes, Electra e Hermes diante da tumba de Agamemnon, do chamado 'Pintor dos Coéforos'.

Clitemnestra é ajudada por seu amante, Egisto, no assassíno de seu marido. Contudo, Electra, filha de Agamenon, em seu luto irreparável, se revolta contra sua mãe e tais atos, e como toda tragédia grega, ela planeja vingar-se dela a todo custo, e então encontramos "a vingança da vingança". O texto é bem fluido e a trama é bem interessante e envolvente, pois você vai querer descobrir o que haverá com os personagens. Nessa peça também há reecontros, excesso nos desejos, vingança, e 'sequência dominó' dos atos dos personagens. 

A tradução é bem acessível e fluida, as notas de edição e tradução são fundamentais para a compreensão da obra e entendimento de escolha de certas palavras e termos, como a prof. Dr. Teresa V. Ribeiro, responsável pela direção de tradução, fala no prefácio. Houve escolhas que priorizaram a fluidez na narrativa e o que soasse mais natural possível (de acordo com as possibilidades de tradução) para o português.

Adorei ter lido a obra, na verdade estou amando poder mergulhar mais fundo na literatura grega e estou me encantando ainda mais com as tragédias. Eu acredito que seja indispensável na vida de leitores, você entrar em contato com uma tradução mais maleável das tragédias e poder ver como elas mostram pensamentos dominantes ou não muito populares, e como, posteriormente, influenciaram  a literatura subsequente. 

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...