6 de jul. de 2022

BIENAL DO LIVRO (São Paulo) 2022

Finalmente venho a escrever sobre a tão aguardada Bienal do livro de São Paulo, adiada em 2020 por conta da pandemia do coronavírus. Como já era de se esperar há muito o que se explorar, muitas editoras com preços ótimos, outras nem tanto, há muitos lugares para tirar fotos e outras capricharam na decoração. Como sempre muita cor, luz e barulho que eu não sabia que sentia falta, apesar de no fundo ainda achar estranho. Em suma estava muito muito bom e mais maravilhoso ainda, pois eu estava com minha mãe e minha irmã, essa foi a primeira bienal delas.

Fui na bienal de 2018 não tirei nenhuma foto, mas fiz um post sobre as comprinhas, caso você queira saber quais os livros que comprei, basta clicar em Bienal de 2018.

Eu (A  própria exploradora de páginas)
 
Uma coisa que mudou em mim foi o animo para tirar fotos, gravar alguns vídeos curtos e me divertir de mais. Em 2018 fui na bienal de São Paulo (claro) e não tirei uma foto se quer!! Atualmente acho que foi a minha maior burrice, que eu deveria ter aproveitado e tudo o mais. No entanto naquela época eu estava péssima psicologicamente, estou muito feliz por ter evoluído a ponto de conseguir sorrir nas fotos e tirar várias delas! Embora no momento que estou redigindo o post eu penso que deveria ter tirado ainda mais!

Estou aprendendo que há vários e vários momentos que devemos eternizar em nossas vidas, seja uma incidência de luz na janela, seja grandes eventos, e não importa muito se estamos com os melhores sorrisos ou não...O importante é ter momentos eternizados!

Eu e minha mãe

Outra coisa que amo compartilhar é a sobre o que comprei, sei que há muitas pessoas que compram muito mais que meus 15 livros, mas para mim é muito, tanto pelo gasto financeiro que representa, tanto pela situação financeira em que o país se encontra. Sou grata de mais por ter a oportunidade de ir ao evento e poder consumir lá dentro. Enfim, vamos falar dos livros e alguns preços!

Uma foto bem tradicional aqui no blog para mostrar a totalidade das novas aquisições.

Não vou falar dos livros em ordem de compras, mas apenas vou comentando um pouco sobre os livros e os preços, espero poder ler alguns o quanto antes, pois são títulos super interessantes. Desta vez comprei nove clássicos, dois teóricos de literatura e mitologia, dois mangás e um YA.

 
Comprei mais um livro do Hemingway, "Verdade Ao amanhecer" considerado um autorretrato revelador e uma crônica dramática de seu último safári na África. Escrito em 1953, quando voltava de uma temporada no Quênia, a obra tece uma história rica em humor e beleza. Ele foi de uma promoção de 3 livros por R$ 50,00. 

Eu me apaixonei pode Camões nesse semestre por conta de Literatura Portuguesa I, meu professor fez uma análise incrível de alguns sonetos e do primeiro canto de Os Lusíadas. Não queria perder a oportunidade de comprá-los. Ambos foram da Ciranda Cultural por R$ 10,00 (Se eu não me engano).

Lya Luft, "O tempo é um rio que corre", foi o segundo livro do combo de 3 por R$ 50,00, estou ansiosa para ler por conta de algumas resenhas que li no Good Reads. Já cordialmente Cruel é um YA Dark Academia, mordi a língua quando disse que não leria mais YA's, esse ganhei da minha irmã, foi menos de R$ 40,00 reais e compramos na Harper Collins. 
Eu amo Kafka e faz muito tempo que não leio ou compro algo do autor, e "O castelo" é um dos livros não lidos ainda. Nele paguei R$ 15,00 reais (entre dez ou quinze reais). Fausto do século XX, O castelo é considerado um dos pontos mais altos da ficção universal. Na história de K., o suposto agrimensor que tenta inutilmente chegar ao castelo que vê no topo de uma colina, o termo kafkiano parece atingir sua extensão completa.

Mais outros dois grandes clássicos da literatura mundial! Drácula da editora pé da letra é a terceira edição aqui em casa, paguei R$ 15,00 reais, estou ansiosa para reler nessa edição. Jane Eyre de capa dura da Ciranda Cultural paguei R$ 25,00 reais e foi um investimento maravilhoso, estou ansiosa para ler nessa edição, além disso, agora tenho as três irmãs Bronte na minha estante.


Carmilla conta a história da primeira vampira mulher da história da literatura, bem como trás personagens lésbicas, sendo uma literatura clássica e do século XVIII, também paguei R$ 10,00. Falência é um clássico brasileiro e bem pouco falado, agora se encontra na lista da UNICAMP, com toda certeza é um livro imperdível, paguei, também R$ 10,00.  


Livros que já me entregam como estudante de letras, ambos são teóricos e tratam-se de análises e comentários sobre algo bem específico. "Conferências sobre retórica & Belas-letras" paguei R$ 15,00. Já "Mitos Clássicos" é o terceiro livro do combo de 3 por R$ 50,00 reais.

 
Guerra dos mundos comprei na Editora Pé da letra também, paguei R$ 15,00 reais, e já tem muito tempo que quero lê-lo, desde que li a "Maquina do tempo", ambos livros são clássicos da ficção científica e influenciaram de mais discussões literárias posteriores, inclusive influencia a cultura pop.



Por fim, não menos importante, comprei dois mangás, SAO comprei de presente para meu namorido, assistimos ao anime juntos e foi incrível! Assistimos também Fire Force, porém não lemos aos mangás, e talvez seja mais uma coleção que farei. Ambos comprei na Panini, F.F foi R$ 29, 90, já SAO foi R$ 34, 90. Enfim, foi um excelente evento, maravilhoso, não vejo de ir no próximo, sempre me divirto e amo conhecer livros novos.


3 de jul. de 2022

Um pouco do meu saudosismo a blogs literários


Nesse momento, o qual escrevo esse post, é umas 20:48 de um sábado de julho, o primeiro sábado do mês. Minha mente está fervilhando ideias de posts para escrever e resenhas que estão na "fila" para serem escritas e devidamente publicadas. Enquanto minha mente ansiosa explode com tudo isso e um pouco mais a serem colocadas no 'papel' digital, penso no outro lado da escrita. Aqui não vou abordar teoria da escrita ficcional ou algo do gênero, mas sim, sobre a arte de escrever em blogs e como isso mudou desde os anos 2008 do meu ponto de vista! (algo um pouco mais saudosista).
 
Apesar desse espaço não exigir o rigor acadêmico, normas da ABNT ou o rigor jornalístico, sempre procuro trazer a melhor escrita que no momento sou capaz de oferecer ao leitor: A clareza dos meus pensamentos, argumentação lógica, a riqueza textual que pode ser exposta e uma série de outros fatores que me esforço a alcançar. Ao longo dos post's de um blog o leitor pode observar a evolução da escrita de um blogger, ver o rigor que ele quer transmitir as informações ou até mesmo propagar falácias. Mas o ponto que quero abordar com você, caro leitor, é outro: Os blogs tiveram um "BUM" no início dos anos 2000 e agora perder espaço para outras mídias sociais mais "divertidas" e que exigem menos do internauta. 

Embora eu seja critica com o que fazemos e consumimos na interface digital, obviamente adoro o espaço dos blogs, ora, muito já se foi feito social e politicamente nesses espaços, variados temas e pessoas se destacaram em seus meios. Estou nesse espaço desde os meus 13 anos, quando fiz meu primeiro blog, no qual entrei em contato com programação pela primeira vez, e não falava de livros ou assuntos nerds, mas treinava minha escrita e escrevia algumas fanfics (das quais não mencionarei). 

Ademais, cresci no meio digital escrevendo, decerto expondo minha opinião, expondo quem eu era ou o que eu achava quem eu era, o que lia ou gostava de escutar, ou seja, sempre fiz esse espaço de refugio. Bem, quando se é criador de conteúdo, também se é consumidor de algum(s) nicho(s), e vi vários blogs incríveis em ascensão, bem como a queda de alguns ou a migração para o youtube. Hoje, noto, e talvez você que ainda me lê, as transformações sociais nos meios digitais e quão afastados dos blogs o grande público está, o quão difícil, também, de achar pessoas que mantêm fielmente sua produção de conteúdos escritos. Nos dias atuais, nos quais as pessoas em geral não têm paciência para verem vídeos de mais de 30 segundos ou ouvirem músicas de cinco minutos, os textos como estes são deixados de lado, afinal por quê alguém vai se interessar pela escrita de uma beletrista desconhecida em um blog pouco visitado?

Esse post, portanto, é sobre um pouco de saudosismo da blogosfera, pois cresci nesse meio e vi sua mudança lenta, porém continua. Como muito do que eu consumia foi sumindo aos poucos e hoje pouquíssimos blogs continuam a produzir conteúdos de qualidade e consistentes, continuo acompanho alguns blogs que estão "vivos", no meu caso certamente blogs literários. Desse modo, bem prolixa, vejo a efemeridade no meio digital, algo que parece eterno, que nunca será apagado, mas em algum momento as palavras escritas nesses espaços não passaram de dados em um servidor velho e empoeirado esquecido pelos homens e pelas máquinas.



22 de jun. de 2022

Book tag| Tag dos 50% As melhores leituras do ano até agora

Esse ano vou responder essa tag em post no blog e ainda farei um vídeo inspirado nela, talvez essa semana. Desde o começo do blog a respondo e vivo colocando minhas impressões aqui. Além disso, ajuda muito a fazer um balanceamento das leituras até o momento.  Essa tag consiste em responder algumas perguntas sobre as leituras feitas até o meio do ano, o que mais gostamos ou não, o que mais nos marcou e afins.

Esse post não é muito complexo são respostas diretas, e não falo muito sobre os livros em si, porém, logo mais estarei postando as resenhas dos livros que não estão lincados aqui! 

Edições passadas: 

Book tag dos 50% 2020
Book tag dos 50% 2019
Book tag dos 50% 2018

Os livros que já têm resenha aqui no blog, já estarão devidamente lincados!


1. O(s) melhor(es) livro(s) que você leu até agora

Como sempre sou prolixa nessa resposta, pois não marco apenas um livro, e sim muitos. Não é muito diferente esse ano, pois afinal tive excelentes leituras e esse ano muito mais do que ano passado (2021)!! 

Hamlet;
Frankenstein;
A morte Anunciada;
A história secreta;
1984;
Jubilo, memória, Noviciado da paixão.

2. A melhor continuação que você leu até agora


Por incrível que pareça não li nenhuma continuação ainda, porém pretendo ler o quarto livro da série do Trono de Vidro até o final do ano. 

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito?

Nenhum, ultimamente estou com mais leituras teóricas e ficção voltada ao curso de letras. 

4. O livro mais aguardado do segundo semestre?


No momento em que escrevo esse post nenhum me vem a mente, novamente, por conta do cansaço e correria da graduação e só tendo energia para o que sou obrigada a estudar.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano?


Pisque duas vezes para morrer

É um livro nacional de micro contos de terror, porém não gostei tanto quanto achei que gostaria. Mas certamente você não deve deixá-lo de ler, não é só porque não funcionou para mim que não vai funcionar para você.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano?

 

Eu li em uma leitura conjunta com algumas amigas da faculdade e foi incrível!! Adorei ter lido, fora que foi uma delicia ler em conjunto...O começo desse ano começou melancólico, porém bom em diversos aspectos! 


7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente)


Hilda Hilst sem sombra de dúvida! Amei de mais ter lido Jubilo, memória, Noviciado da paixão, agora quero ter contato com a prosa dessa escritora incrível!

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente?


Gostei de vários personagens, mas nenhum me arrebatou a tal ponto.

9. Seu personagem favorito mais recente?


Baco (Dioniso) de As bacantes; Coraline 

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre?


Nenhum nesse semestre (finalmente)

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre?


A história secreta, Donna Tartt 

Amei ter lido durante um mês nos trajetos de ida e volta da faculdade, foi meu livro de ônibus.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora?


Não assisti filmes baseados em livros, pelo que me lembro.

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo)?


A ilha do medo (filme) Gostei de ter voltado a escrever sobre filmes aqui no blog!

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano?
Vinte mil léguas submarinas, Júlio Verne


15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Muitos, dentre eles, os mais urgentes:

Amor, verbo intransitivo;
Os noivos do inverno;
As brumas de Avalon - Livro 2: A grande Rainha;
A filha da Floresta;
Asoka Tano.

18 de jun. de 2022

A ilha do medo e a repressão do consciente

 

O que você acha pior? Viver como um monstro ou morrer como um bom homem?

Finalmente retornamos a falar de filmes aqui no Exploradora!! O cinema é parte fundamental e indispensável não somente para o entretenimento, mas também para criticarmos e analisarmos o meio em que vivemos, principalmente a realidade em que construímos e acreditamos. A ilha do medo (2010) dirigido por Martin Scorsese, nos faz questionar a realidade, pequenos sinais de que tudo o que está à volta do protagonista é questionável, inclusive seus próprios pensamentos. 

O filme conta a história do agente federal Edward "Teddy" Daniels (Leonardo DiCaprio), que está investigando uma unidade psiquiátrica em Shutter Island depois que um dos pacientes desaparece. Juntamente com seu parceiro Chuck Aule (Mark Alan Ruffalo) se depara com uma investigação misteriosa e cheia de lacunas, que a primeira vista parece jogar o protagonista em um caminho circular.

Esse não é um mero filme de investigação ao estilo Holmes, mas sim um enredo muito bem escrito e que mexe tremendamente com o psicológico, não só do protagonista, mas sim do espectador. Um filme que prende a atenção do início ao fim, cheio de contemplação e com muito recurso visual que integra a perspectiva de Teddy.


Toda a história é sobre problemas psicológicos que se desenvolveram por conta de traumas, inclusive temos a perspectiva de como a segunda guerra mundial destruiu emocional e psicologicamente o protagonista, e o pós guerra é um momento de reabilitação. O filme também trata assuntos como culpa, dor da morte, raiva, indignação com o holocausto, e a importância de tratamento psicológico logo no início que vemos o quanto não estamos bem, que detectamos comportamentos estranhos ou tristeza excessiva, tudo isso antes que algo mais trágico aconteça. 

É um filme que não entrega o que esta acontecendo logo de cara, portanto, há momentos lúdicos, outros extremamente poéticos, a fotografia está maravilhosa e completa (certamente) com maestria a narrativa. Além disso, os efeitos especiais mais "drásticos" são usados para contrastar a mente do protagonista com a realidade em sua volta, também há tons e cores que nos mostram essa dicotomia de mente e realidade. Amei cada minuto assistido e é perfeito para conhecer a direção do Scorsese! Agora me conte leitor, o que você achou desse filme quando assistiu?  

7 de jun. de 2022

Electra, Eurípedes (clássico grego)

Quando você se torna um estudante de letras entra em contato com diversos tipos de livros e literaturas, agora, quando fazemos uma habilitação em grego antigo entramos em contato com obras que nem imaginaríamos que leríamos. Estou muito feliz por estar entrando em contato mais e mais com a literatura grega, eu digo que é o clássico do clássico, pois muito do que vemos nas obras consagradas ocidentais, e algumas orientais como as russas, encontramos muita referencia às tragédias ou a Ilíada e Odisseia de Homero.

Esse post não se tratar de uma análise da influência das obras gregas que nos restaram, trago uma resenha de Electra de Eurípedes. Uma tragédia tensa do início ao fim, e como toda tragédia exige...precisamos saber de alguns acontecimentos antes de entrar de cara no livro e ficar sem entender muita coisa, uma delas é por que Clitemnestra mata Agammenon?


A obra provavelmente foi composta em meados da década de 410 a.C, também não se sabe ao certo se foi encenada depois da tragédia de Sófocles, Medeia. Mas ela resistiu até os dias de hoje, os quais podemos desfrutar dessa obra tão inestimável. Ademais, para responder a pergunta anterior temos que recorrer a mitologia grega, o que o povo conhecia muito bem e já vinha com esse repertório para assistir as encenações naquela época tão distante. 

Em primeira instância, Electra trata-se de algo como "a vingança da vingança". A esposa de Agamenon, Clitemnestra, se vinga do marido em seu retorno da guerra de Tróia, pois este sacrificou a filha Ifigênia para a deusa Ártemis, pedindo permissão para que as tropas gregas pudessem navegar para a cidade.

Fonte: (Wikipédia) Orestes, Electra e Hermes diante da tumba de Agamemnon, do chamado 'Pintor dos Coéforos'.

Clitemnestra é ajudada por seu amante, Egisto, no assassíno de seu marido. Contudo, Electra, filha de Agamenon, em seu luto irreparável, se revolta contra sua mãe e tais atos, e como toda tragédia grega, ela planeja vingar-se dela a todo custo, e então encontramos "a vingança da vingança". O texto é bem fluido e a trama é bem interessante e envolvente, pois você vai querer descobrir o que haverá com os personagens. Nessa peça também há reecontros, excesso nos desejos, vingança, e 'sequência dominó' dos atos dos personagens. 

A tradução é bem acessível e fluida, as notas de edição e tradução são fundamentais para a compreensão da obra e entendimento de escolha de certas palavras e termos, como a prof. Dr. Teresa V. Ribeiro, responsável pela direção de tradução, fala no prefácio. Houve escolhas que priorizaram a fluidez na narrativa e o que soasse mais natural possível (de acordo com as possibilidades de tradução) para o português.

Adorei ter lido a obra, na verdade estou amando poder mergulhar mais fundo na literatura grega e estou me encantando ainda mais com as tragédias. Eu acredito que seja indispensável na vida de leitores, você entrar em contato com uma tradução mais maleável das tragédias e poder ver como elas mostram pensamentos dominantes ou não muito populares, e como, posteriormente, influenciaram  a literatura subsequente. 

7 de mai. de 2022

As vantagens de ser invisível, Stephen Chbosky

 Tanto tempo que não escrevo uma resenha nesse blog, tanto tempo que não venho para cá para fugir do mundo real e me fez uma grande falta. Às vezes penso que várias crises de ansiedade e depressão teriam sido mais ""leves"" se eu estivesse aqui, um espaço criado a muitos anos justamente para me ajudar a lidar com a vida.

Alias, o livro desse post tem a ver com ansiedade, depressão e confusão para entender a vida...Já havia escrito essa resenha na mesma semana em que tinha terminado (essa foi uma leitura de janeiro de 2022), só fiz uma revisão de texto e acrescentei outros detalhes. Espero que gostem!!! 

Já faz alguns dias que terminei esse livro, não consegui fazer uma resenha ou colocar no papel o que eu queria falar, estava digerindo ainda, reflexiva e extremamente introvertida, talvez até bem mais do que o normal. Esse mês de janeiro foi no geral bem estranho, pesado e desconcertante. Tudo o que não deveria acontecer, aconteceu! Tristeza, contendas, afastamentos e afins. Além disso, 2021 foi um ano pesado, difícil e intragável no que resultou em um começo de ano bem melancólico e desesperançoso para muita gente, inclusive eu. 

Titulo original: The Perks of Being a Wallflower
Autor: Stephen Chbosky
Número de páginas: 231 páginas
Editora: Rocco; 1ª edição (1 julho 2007)

Esse livro tem um pouco disso, um estágio melancólico, com altos picos emocionais do protagonista, e parece, em sua grande maior parte, que Charlie está indiferente ou triste. Alguns acontecimentos deixam um gosto amargo na boca, outros são inteiramente aconchegantes, sendo no geral, um ótimo livro com uma escrita poética, leve e fluida.

Manter-se à margem oferece uma única e passiva perspectiva. Mas, de uma hora para outra, sempre chega o momento de encarar a vida do centro dos holofotes. Mais íntimas do que um diário, as cartas de Charlie são estranhas e únicas, hilárias e devastadoras. Não se sabe onde ele mora. Não se sabe para quem ele escreve. Tudo o que se conhece é o mundo que ele compartilha com o leitor. Estar encurralado entre o desejo de viver sua vida e fugir dela o coloca num novo caminho através de um território inexplorado. Um mundo de primeiros encontros amorosos, dramas familiares e novos amigos. Um mundo de sexo, drogas e rock’n’roll, quando o que todo mundo quer é aquela música certa que provoca o impulso perfeito para se sentir infinito. A luta entre apatia e entusiasmo marca o fim da adolescência de Charlie nesta história divertida e ao mesmo tempo instigante."

Esse livro nos deixa querendo ser tão infinitos com nossos amigos, quanto Charlie foi com os seus. O mundo dos anos 1990 parece tão distante e ao mesmo tempo tão próximo de nós, é interessante ver que os problemas sociais, emocionais e de relacionamento familiar continuam se repetindo ao longo dos anos. Todos os personagens têm alguma questão difícil ou passaram por algum apuro. Já Charlie, em diversos momentos do livro, parece que passou por diversos apuros e apenas isso, bem como sua introspecção pode levar o leitor a acreditar que ele tem bem mais do que depressão. 

Ademais, outro ponto a destacar é a escrita do autor e a sutiliza para descrever situações complexas e difíceis, além de terem uma carga emocional muito grande. É um livro sensível e que merece sua oportunidade para ser lido. Nesse momento digo que não posso falar muito mais nessa resenha, pois darei spoilers até de mais, mas algo que me assombra um pouquinho é como esse livro coincide com momentos melancólicos da vida. 

Boa leitura!!!!  

17 de fev. de 2022

O diário de Anne Frank

 Já se passaram alguns dias desde o último post e até o momento não havia postado nada nesse mês de fevereiro. É peculiar, mesmo com toda a organização que tenho, deixo o blog um pouco mais de canto, e olha que é algo imensuravelmente maravilhoso para mim: Escrever resenhas dos livros que mais amo (ou às vezes nem tanto), escrever sobre meus pensamentos, sonhos e acontecimentos, enfim o importante é estar escrevendo por aqui. Como sempre digo, preciso "arrumar" isso em minha vida, quero fazer ao menos uma postagem por semana! Enfim, sem mais essas delongas de sempre e vamos a resenha.

Arquivo pessoal

Esse é o livro que mais adiei em minha vida, quase li no início da pandemia, mas estava tão mal e com tanto medo que tive mais medo ainda de pegá-lo para ler e ficar tremendamente emocionada. Fiquei emocionada com a leitura? Claro, se trata de uma pessoa real, uma jovem incrível e cheia de sonhos. Não consegui escapar do que temia, porém não desatei a chorar como se não houvesse o amanhã. Ao decorrer da leitura fiquei dividida entre se sentir uma intrusa, uma intrometida na intimidade de Anne, afinal aquele é o diário dela, ao mesmo tempo que sente que senti uma aproximação absurda, quase como se ela fosse uma amiga me segredando sobre sua vida.

Tratei de ler esse livro na mesma semana que saiu a polêmica sobre um podcast famoso e a defesa do "direito de expressão" e da criação de um partido nazista no Brasil, ou seja só absurdos!! No calor do momento ao ler essa notícia, já sai pegando vários livros sobre a segunda guerra que tenho em casa e fui devorá-los. Dois que estão em minha biblioteca particular não havia lido e um deles era O diário de Anne Frank, o outro terá resenha também aqui no blog, espero me lembrar!

O diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em inglês pela Doubleday & Company (Estados Unidos) e Vallentine Mitchell (Reino Unido) em 1952, o que o fez receber atenção da critica e dos leitores.  Anne escreveu o diário entre 12º de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial. A obra é conhecido por narrar momentos vivenciados pelo grupo de judeus confinados em um esconderijo durante a ocupação nazista dos Países Baixos.

Não há como falar desse livro sem me vir um embargo na voz, um aperto na garganta e lágrimas nos olhos...É um dos livros de não ficção mais importante da história! É um livro mais que necessários nas escolas e nas universidades!

As edições que temos em mãos passou por uma edição da própria Anne, a qual, após o pronunciamento do membro do governo holandês, viu que poderia ter a oportunidade de publicar seu diário. Então ela troca os nomes dos outros membros que compartilhavam o complexo (ao todo eram oito pessoas contando com a família dela), bem como ela acrescenta mais algumas notas e detalha mais a vida e rotina no anexo, o qual foi seu esconderijo por dois longos anos. 

Bom, vamos do princípio, os relatos do diário começam quando ela tem 13 anos, no dia 14 de julho de 1942, são relatos sobre sua vida na escola, amigos e um pouco sobre sua rotina de estudante. Vemos, como pano de fundo, os nazistas e a segregação judaica acontecendo ao seu arredor. Após alguns dias, ela e sua família precisam se esconder, com isso os relatos são sobre sua fuga e, posteriormente, sobre sua vida no anexo. Algo que dilacerou minha alma, é como parte dela tinha esperança no fim da guerra, o quanto ela tinha planos de se tornar jornalista e escritora, como eram seus estudos e leituras mesmo escondida dos seus algozes. Somos embalados por Anna e suas confeições, sua vida, angustia e sua personalidade. Com toda certeza ela seria minha melhor amiga, foi assim como me sentir durante toda a leitura! É um livro forte, um livro que te destruirá em certos sentido, é um livro que é necessário para a história da humanidade!

Para mais informações sobre O diário e alguns fatos sobre a família pela BBC News Clique aqui !




31 de jan. de 2022

TODAS as leituras de Janeiro 2022

Já faz um tempo que não trago esse tipo de postagem, um resumo literário do meu mês, e vou contar que o saldo foi bem mais interessante e mais variado do que eu esperava, levando em conta que fiquei doente. Não quis preocupar meus amigos e alguns parentes, sendo assim não mencionei muito como eu estava, mas confesso que foi terrível, até fiquei de cama. Enfim, não vamos começar esse post com notícia ruim, eu estou bem melhor agora, só preciso voltar a minha rotina e arrumar meu sono (Estou dormindo muito tarde e isso me faz um mal danado).


Voltando a falar das leituras, considero, novamente, que comecei muito bem o ano, consegui ler no total de 7 leituras, quase 8 se eu tivesse terminado os contos de H.PLovecraft, mas infelizmente não consegui. Ano passado no mesmo mês havia lido 7 livros também, fiquei feliz ao comparar as leituras e ver que não mudei minha marque, consegui manter e ver que os gêneros não estavam tão discrepantes do que estou acostumada. Caso você queira ler também sobre minhas leituras de Janeiro de 2021, é só clicar aqui!

✔Caso tenha resenha disponível no blog, vai estar lincado!

A missa do galo, Machado de Assis - 8 páginas
Memórias de um sargento de milícias, Manuel antonio de Almeida - 257 páginas
Pauliceia desvairada. Mario de Andrade - 92 páginas
As vantagens de ser invisível, Stephen Chbosky - 288 páginas
O amanhã não está a venda - 28 páginas 
Crônica de uma morte anunciada - 57 páginas

Sobre as leituras, eu fiquei feliz de ter alternado os gêneros, estou tendo com o costume de ler mais poema, principalmente por causa da graduação. Só notei que precisava ter contato com poemas, quando percebi que conhecia muito pouco a respeito e não havia muitos livros lidos do gênero. Desde então, comecei a adquirir mais livros, e atualmente poemas são tema dos meus estudos na faculdade de letras, não há escapatória para mim.

Enfim, para um começo de ano altamente reflexivo, um tanto solitário, apesar de estar cercada de pessoas, esse dois anos de isolamento tem sido bem difíceis de serem engolidos a seco, tanta coisa aconteceu, e sinto que me fragmentei ainda mais. O que mais tem me ajudado é focar na literatura e deixá-la me salvar. Ah, essa semana iriei disponibilizar algumas resenhas dos livros lidos em janeiro, fique atento ao canal!

14 de jan. de 2022

Frankenstein ou o prometeu moderno, Mary Shelley (2° leitura)

 Não pensei que releria Frankenstein tão cedo. Alias eu li esse livro porque estou em um clube de leitura, o qual lemos todos os livros mencionados na série Gilmore Girls com duas amigas da USP. A primeira vez que li foi em 2019, quando  eu estava na primeira faculdade (eu desisti dessa graduação, lembra?), e me fez mergulhar profundamente na história, algo que não foi diferente dessa vez. Caso você queira ler a resenha de 2019 é só clicar aqui!


É narrada a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais empenhado em descobrir o mistério da criação e que acaba por construir um ser humano - ou seria um monstro?- em seu laboratório. Livro é epistolar; a introdução é feita por cartas de um personagem fora da história de Victor. Um viajante/aventureiro que está indo para o ártico (naquela época, século XIX, era comum haver expedições para essa região, pois permeava tanto o imaginativo quanto despertava a curiosidade). Em um dado momento no início do livro esse personagem, R. Walton, se encontra com Victor, e então conhecemos a história dele. Partimos de flashs da infância do protagonista, seu ingresso na universidade até a criação da criatura, que é tão desprezada que não tem nome, até o momento de sua caçada, que seria o encontro de Victor e de Robert Walton.
[...] “Um ser humano perfeito deve sempre preservar uma mente calma e pacífica e jamais permitir que a paixão ou um desejo transitório pertube sua tranquilidade. p.81-82

Como na minha primeira leitura, continuo vendo que é um livro que fala muito sobre as aparências, o que é aceitável perante a sociedade ou não, tratando-se da natureza humana tanto sua capacidade de fazer coisas boas, quanto ruins. Outrossim, algo que ficou bem mais evidente é a sobre a influência da sociedade, uma criatura nasce neutra, não necessariamente ruim ou necessariamente boa, contudo a sociedade que vai corrompe-la, vê-se que tem uma linha filosófica dominada por Rousseau. 

Outro tema, que já tinha observado na primeira leitura, é o trato da solidão. A solidão é uma temática recorrente, além de ser retratada em diversos personagens. Primeiro em Robert Walton, que carece de um amigo, depois no próprio Victor Frankenstein, e chegamos no ápice com a criatura. Diversas vezes a criatura, quando vai narrar, destaca o quão só ela está, o quanto ela não faz parte do mundo humano. Nesse sentindo, ao observar a complexidade da criatura, o leitor se depara com diversos outros subtemas, como a não aceitação, importância da aparência física, status sociais, a situação de pessoas de rua e quão invisíveis elas são (esse paralelo pode ser feito quando a Criatura encontra-se morando na floresta e próximo à outros chalés também). Algumas passagens e diálogos me lembraram um pouco do estoicismo, escola filosófica grega que prega o equilíbrio entre nossos desejos, e formas como vemos o mundo. Tal equilíbrio polpa o ser humano de sofrimentos e dores, o controle dos desejos descontrolados resulta em uma vida satisfatória, algo que permeia o livro todo.  Sêneca e Epiteto, grandes nomes que representam essa filosofia – enfatizaram que, porque "a virtude é suficiente para a felicidade", um sábio era imune ao infortúnio. 
[...] “Você acha, Victor -disse ele- que também não sofro? Nínguem poderia amar uma criança mais do que eu amava seu irmão. -As lágrimas vieram aos seus olhos enquanto ele falava.-Mas é um dever dos sobreviventes evitar que não apenas a infelicidade dos demais aumente com uma aparencia de tristeza imoderada, mas também a de nós mesmos. A tristeza excessiva impede nosso crescimento, o prazer e até mesmo as funções diárias, sem as quais nenhuma pessoa é adequada para a sociedade. p.132
Os personagens são memoráveis, seja negativa ou positivamente, portanto, como o protagonista, Victor, que tem uma personalidade egoísta, mesquinha e mimada. Em sua narrativa, que remete ao romance de formação, destaca o quanto foi bajulado quando criança e o quanto a vida de seus pais dependia da felicidade dele; Destacando-se como um "personagem negativo", em contraste com sua futura esposa, a qual é lembrada pela doçura, justiça e fé na humanidade. Enfim, um livro que traz diversas questões consigo, não somente "criador X criatura", ou "certo X errado", pois há momentos que não são tão certos ou tão errados, mas há suas consequências. 



  

4 de jan. de 2022

Já pensou o quanto é estranho 2022?

 


Feliz ano novo leitores!!!!! Faz tanto tempo que não escrevo aqui, sempre morro de saudades, finalmente estou de férias, poderei escrever bem mais ativamente, além disso, tenho planos para os conteúdos publicados no youtube, quero trazer muitas novidades e espalhar o amor à vida acadêmica e a literatura. Uma  postagem para 2022 finalmente chegou, não que eu estava me preparando...Mas é muito estranho estar em 2022.

Convenhamos, querido leitor, nunca pensei que chegaria, enfim, a 2022. Também nunca pensei no fato de escrever no canto superior direito do caderno a data com 2022; Quando eu era criança isso parecia impossível para mim, afinal, não pensava muito nas datas até chegar de fato a escrevê-las no papel e talvez pensasse no fundo que não viveria até tanto, pois na minha cabeça de criança já era muita coisa 2022. 

Agora estou em 2022 e não tem como fugir das minhas angustias de criança. Começou o ano e estou com aquele pique clichê de resolver o que não está me agradando, de pintar aquela parede manchada de mofo do meu quarto; pensando também em viver de internet (não me adaptei ao mundo tradicional); fazer mais exercícios físicos, caminhar, correr, amar, ler mais, escrever mais e mais e mais e mais e mais...Sempre mais!

Ora, quando chego em um "ano novo" continuo com meus medos de quando era pequenina e também com minhas incertezas de quando eu era adolescente. Talvez, lá no fundo sabemos que ainda somos os mesmo. Antes do café da manhã, quando retornamos dos nossos sonhos ou pesadelos, voltamos a realidade que temos que aceitar. Já eu, antes do meu café da manhã, preciso acomodar todas as Jessys que existem em mim e depois me acostumar com o 2022. Sim, estou cismada, cabreira, escabreada, reflexiva, com a pulga atrás da orelhas e todas aquelas outras coisas que são, em algum grau, sinônimos de "rapaz-estou-em-2022".  Você por acaso se lembra do setembro de 2001 ou do Setembro de 2003? Não faz tempo? Pois é, faz, mas ao mesmo tempo passou como um flesh! Contudo, ao mesmo tempo em que tento me lembrar de 2019 ou de  2020....Parece que foram a anos distantes (mais distantes do que Setembro de 2003). Distantíssimos. Anos que foram uma vida passada, uma vida de há muito, muito esquecida, confusa, deixada em um canto para tentar entender o que houve ou (talvez) nem tentar.

Enfim, já pensou o quão estranho é 2022? Eu pensei tanta coisa que já nem penso mais, penso que tanto há para guardar e descartar e renovar e esbanjar e tantos "e" quanto for possível. Tudo é tão efêmero quando se trata de 2022...Ainda acredito que é um sonho; Fui dormi quando criança e agora estou preso nele..2022. Um ano que está começando, cheio de promessas, enganos, desenganos, morte e vida, começo e fim, um ano que se não cabe e nem vai caber, foge e não foge...Talvez leitor...Tudo isso que você leu não passe de um sonho, de um delírio,  momento de sua distração. Você se sentou, tomou seu café, talvez outra bebida de seu agrado, passou pelas notícias, umas amargas, outras neutras, umas poucas que lhe trouxe curiosidade e uma que o fez se arrepender de ler o "jornal". Foi ler algo a mais relacionado ao seu nicho e de repente aqui! PUM! Um texto sobre 2022 que não faz sentindo, já que a Jessy que escreveu é aquela menina que tem medo de 2022, ou que não compreende exatamente o que é viver em 2022. Pode ser que 2022 ensine essa menina a não ter medo de 2022 ou pode ser que tudo não passe de um delírio, um momento de sua distração, caro leitor. 


21 de nov. de 2021

Primeiras Estórias, Guimarães Rosa

 Esse ano passou tão rápido, parece que foi ontem que eu estava fazendo a FUVEST, mas não...Foi em janeiro, assim como já estou acabando o segundo semestre, o primeiro foi muito lindo e bem animado, o segundo tem sido muito trabalhoso, mas extremamente gratificante e menos desesperador também. Cresci tanto desde que entrei na faculdade, e tem me mudado ainda mais, para melhor!

Neste post vamos falar de Guimarães Rosa um dos meus autores favoritos e até agora não foi resenhado aqui, por um bom motivo, não havia terminado nenhum livro dele. Apesar de já ter lido alguns contos do Primeiras Estórias, é a primeira vez que termino e além disso, estudei-o durante algumas aulas de IEL II (introdução aos estudos literários II), então estou super empolgada. 

Autor: João Guimarães Rosa
Título original: Primeiras Estórias
Número de páginas: 238
Editora: Editora Nova Fronteira

Primeiras Estórias é um livro de contos publicado em 1962. Contém 21 contos que se passam, em sua maioria, em um ambiente rural não específico, espelhando situações e temas particulares e universais, que extrapolam o cotidiano, apesar de o retratar. É como o conto Amor da Clarice Lispctor, um momento de epifania, um desabrochar da mente e que em um dado momento faz com que os personagens transcendam esse cotidiano e experimentem algo que beira o sobrenatural. 

Esse livro é perfeito em cada sentença, é perfeito em cada vírgula, é magnífico em cada conto. Primeiras Estórias é uma reunião de contos, que não se ligam em enredo, mas trazem elementos semelhantes, como o real versus o mítico, um mundo transcendente, que apesar de flertar com o sobrenatural, não procura as respostas em deuses, mas nos próprios casos e epifanias. 

Trazem, também, formas breves e intensas, há, assim como em Sarapalha (conto do livro Sagarana) aspectos modernos experimentais. O conto "Nas margens da alegria", é um bom exemplo disso, contraste entre o surgimento de Brasília -que representa a modernidade- versus  a natureza, vida versus morte, alegria versus o contato com a desilusão, e tudo demonstrado por um narrador onisciente próximo ao olhar do protagonista, que é uma criança. 

Ora, os contos têm esse contraste entre alguns elementos como "Nas margens da alegria", são regionalistas, no entanto com histórias bem universais e que qualquer leitor pode se identificar. Assim também como em Amor da Clarice Lispector, que nos identificamos com o momento de epifania e despertar no meio do cotidiano, Guimarães tem uma maneira única de tocar seus leitores, nos fazendo mergulhar profundamente em seus estórias e transcender juntamente com o personagem. Ademais, vale ressaltar que cada conto tem seus próprios temas, uma "maneira" única de abordar as características comuns em cada um deles, personagens ricos e profundos mesmo para a brevidade do conto.

Como leitora, e agora como estudante de letras, portanto, considero que Primeiras Estórias é um ótimo livro introdutório para o autor, tanto para se acostumar ao regionalismo, escrita e outras formas que as obras roseanas trazem, são surpreendentemente tocantes e gostosas de serem lidas. Um conto que me arrepia toda vez que releio é "A terceira margem do rio", algo nele me deixa em um transe literário ( acontece no livro todo esse "transe literário")...É assombroso!! 

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...