9 de jan. de 2025

Me casei com uma colega para calar os meus pais, de Naoko Kodama [mangá]

Esse mangá não é tão leve quanto a capa pode sugerir, mas também não será algo pesado. A obra trata de diversos temas que engloba  do mais cotidiano a consequências de traumas de infâncias gerados pelos pais. Me senti muito conectada tanto por ser LGBT e achar diversas situações bem familiares, quanto pela forma de condução da narrativa. Vou contando mais ao longo do post sobre isso.


Desde criança, Machi seguiu o caminho traçado por seus pais em absolutamente tudo. Ao começar a trabalhar em uma empresa listada na bolsa de valores, achou que estaria livre deles, no entanto, passaram a insistir para que ela se casasse. Cansada de ser controlada, acaba arranjando um casamento de fachada com sua amiga Hana, que no passado havia se declarado a ela. Machi pareceu meio constrangida em viver ao lado dela, mas ao mesmo tempo sentia-se inesperadamente confortável, acolhida e apoiada. Nessa edição, além dos capítulos referentes à história que dá título ao mangá, ainda inclui uma one-shot “Amor anaeróbico”.

Essa obra é volume único, o que me agrada muito! Nessa temporada da minha vida estou gostando mais de livros únicos, mangás únicos...E as séries que tenho em andamento estão paradas, reconheço que algumas devo dar continuidade, outras nem tão cedo voltarei. Como gosto muito de mangás, queria começar esse ano de 2025 com algo que me acalentasse depois de um ano turbulento, mas não ruim no todo. 

Enfim, vamos à obra: acompanhamos a Machi e a Hana, duas amigas de longa data que confidenciam muito uma a outra. Ambas embarcam em uma peripécia de um casamento forjado sugerido pela Hana, já que Machi está com problemas com os pais quererem forçar diversos pretendentes. Aqui teremos o famoso clichê de casamento forjado, no qual acaba em paixão e amor. No entanto, antes desse clímax afetivo, temos várias situações que "denunciam" a sociedade japonesa e suas mazelas como homofobia, os pais ditando a vida dos filhos de maneira que os filhos perdem a própria identidade e gosto pela vida, também é abordada a solidão, sexualidade e identidade.

Machi é uma personagem quebrada, possui vários traumas de infância, abusos psicológicos sofridos de ambos os pais. O pai que joga a culpa na mãe por qualquer coisa que acontece com a filha, e mãe que desconta todo abuso que sofre do marido na filha, além da reprodução de uma educação opressora passada de geração para geração. Machi rompe esse ciclo, quando aceita esse casamento arranjado sabe que torna-se uma transgressora e que será "deserdada". A personagem tenta ser fria, distante emocionalmente, tenta não demonstra muito o que sente e foca em no seu trabalho. Com Hana ela tem apoio como nunca teve antes, além disso com a convivência diária, Machi começa a questionar sua personalidade e como quer seguir a vida ao ver de perto a forma de pensar e viver de sua amiga.


Hana é uma personagem doce, prestativa, divertida, segura de si e o que quer para a vida. Toma a liderança em diversas situações, está completamente confortável com sua sexualidade. Hana tem facilidade em fazer amigos, conseguir companhias de todo tipo, além de ser uma ótima cozinheira. Hana é apaixonada por sua amiga, e sempre está disposta a ajudar Machi! Ela vai influenciando sua amiga com sua personalidade radiante e muito madura emocionalmente. 

Gostei muito da condução da história, do crescimento emocional das personagens, principalmente da Machi, da amizade crescente e da paixão entre elas. A dinâmica da relação delas possui amor, cuidado, paciência e apoio, diversos momentos que uma defende a outra e demonstram esse amor por atos do dia a dia. Amei estar conectada com essa história, como os temas são tratados, a solidão da Machi, por exemplo, é retratada nos atos no dia a dia, alguns dos seus pensamentos, uma rotina solitária e fria, ou até mesmo como as pessoas a veem. Foi muito gostoso acompanhar essa história e sentir diversos momentos de familiaridade, e de alguma forma acolhimento. 

7 de jan. de 2025

Livros de Dezembro de 2024 [Parceria livraria UNESP]

Desde março de 2023 o Exploradora de páginas tem parceria com a Livraria UNESP (livraria da própria Universidade Estadual Paulista), ela é localizada no número 108, Praça da Sé, Centro, São Paulo. É sempre com muita alegria e empolgação que trago os livros dessa parceria, poder escolher os títulos é extremamente importante para mim, pois assim tenho certeza que os lerei. Sempre estou atenta as obras que com toda certeza vai mexer com minhas estruturas e irá marcar minha vida para sempre! Sim, sou um pouco dramática com a literatura.  

Aliás, mediante essa parceria tenho lido tantos livros incríveis e marcantes que realmente é um divisor de águas nas minha vida literária. Além disso, converso bastante com o pessoal da equipe da livraria, sempre pego algum livro recomendado também. Bom, vamos ao livros do mês de dezembro!

Estou bem empolgada para essas leituras, e muito feliz com essas aquisições! Inclusive, Olhos d'água está na minha meta de leitura dos 12 livros para 2025, então aguardem pois teremos resenha muito em breve desse livro.


O livro do chá, Kakuzo Okakura

Lançado originalmente inglês, é um ensaio de Okakura Kakuzō sobre a cerimônia do chá e como ela se relaciona com os aspectos da cultura japonesa. Lançado em 1906 durante a Era Meiji, o livro é direcionado para uma audiência ocidental. Eu e meu marido somos apaixonados por chás, e gostamos da cultura japonesa, então muito provavelmente será um livro que leremos mais ou menos juntos.  



Olhos d'água, Conceição Evaristo

Em Olhos d'água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Um livro que vários dos meus amigos da faculdade de Letras já leram, não posso ficar para trás, não é? A proposito, a própria autora já foi na FFLCH dar algumas palestras, desde então tenho grande curiosidade com a escrita da Evaristo. Estou muito empolgada com essa leitura, como mencionei anteriormente, será leitura desse mês e em breve terá resenha aqui no blog. 




Oliver Twist, Charles Dickens

Oliver Twist é um romance de Charles Dickens que relata as aventuras e desventuras de um rapaz órfão. É um dos romances onde o autor trata do fenômeno da delinquência provocada pelas condições precárias da sociedade inglesa da época. Essas coleção da Editora Unesp é extremamente encantadora, muito bem trabalha e cheia de detalhes, o que me faz querer vários números, aos poucos estou adquirindo algumas edições aqui e ali. Já faz um bocado de tempo que estou querendo esse clássico, vi tantas resenhas de pessoas distintas que já me apaixonei pelo livro antes mesmo de lê-lo, além disso, amo a escrita do Dickens, é um autor que me cativa demais.







6 de jan. de 2025

RETROSPECTIVA| Livros favoritos de 2024

Não canso de observar que 2024 passou muito rápido, inclusive o mês mais eterno: janeiro. Nem deu tempo de digerir uma coisa e já começou outra, resumidamente foi bem cansativo. No entanto, a literatura é a cura e elevação da minha alma. O que houve de livros favoritos que me marcaram, principalmente na jornada de auto descoberta que comecei, é muito especial. Como bruxa, o autoconhecimento e o mergulho no meu íntimo é muito importante para minha identidade, dessa maneira uso, também, a literatura como uma de minhas ferramentas. 

A literatura me trás um refrigério enorme! Em muitos momentos da vida quero apenas me desligar, me trancar em um ambiente confortável e sumir por dias, apenas para ficar lendo os livros e deixa as palavras me tocarem e moldarem. 



Demian, Hermann Hesse 

Um dos meus favoritos talvez foi o mais marcante do ano! Esse foi meu primeiro contato com o Autor, e já me apaixonei! Demian me envolveu, me conduziu e acompanhou meu dia a dia pela agitada vida paulistana. Veio tão fundo na minha alma que mal conseguiria dizer uma passagem favorita, quis grifar quase tudo! Achei que foi um momento único a leitura desse livro para mim, foi uma catarse completa. Simplesmente achei mais que essencial para minha vida. Com toda certeza, irei reler!

A dançarina de Izu, Yasunari Kawabata

Foi uma experiência e tanto! Esse também foi um que me encantou com a narrativa e  características inusitadas e quase fantásticas de enxergar o cotidiano. A magia da vida está nas viagens inesperadas, pessoas interessantes e um olhar atento aos detalhes e miudezas da vida. As paixões, a arte, a natureza, e cotidiano podem ser o que precisamos para renovar o desejo de viver. Primeira vez que leio algo do Kawabata, e me deixou extremamente intrigada e com vontade de ler absolutamente tudo dele.

Gente pobre, Dostoiévski

Dostô tornou-se um dos meus autores favoritos desde Noites Brancas. A narrativa nesse livro é poética, envolvente e visceral. Mais do que qualquer um somos forçados a pensar a vida, as diversas realidades russas. O autor nos coloca no cotidiano de dois personagens pobres, seus sonhos, suas dores, vergonhas e anseios nos são expostas através de uma narrativa epistolar e orgânica entre o protagonista e sua querida amiga. 

A orgia dos Duendes, Bernard Guimarães

Muito ritmado, vertiginoso, que leva o leitor a uma viagem mística cheia de magia. Adorei demais essa leitura! Cada verso foi um encanto..Claro, não deixa de ser uma leitura complexa e às vezes difícil, mas muito divertida e gostosa no fim das contas. Esse é o mesmo autor de Escrava Isaura. 

Teoria do medalhão, Machado de Assis

Conto extraordinário, profundo, preciso e atual! Os contos do Machado são espetaculares, tanto na narrativa, quanto na crítica social. No caso da teoria do medalhão, a crítica vai à sociedade e sua mediocridade e falta de profundidade. Machado é um dos meus autores favoritos, ele me envolve de modo a sempre me fazer querer ler e reler todas as obras.

Se os gatos desaparecessem do mundo, Genki kawamura  

Leitura maravilhosa, emotiva e que de certa forma trás um conforto sobre a vida e a morte. Viver sem arrependimentos é tudo o que todos nós queremos. Uma vida bem vivida, com experiências e saber que aproveitamos as oportunidades. Porém sempre temos algum arrependimento ou uma sensação de que não estamos aproveitando adequadamente. A temática sobre a morte e a preparação para ela também é muito necessária, e que trás a normalidade de que há um fim e ele chegará. Chorei? Chorei. Não muito, mas chorei. Tenho gostado muito da literatura japonesa e as surpresas que ela tem me revelado. Outro autor que conheci no ano de 2024 e foi uma grata experiência!

4 de jan. de 2025

Aqueles que queimam livros, de George Steiner


Você, caro leitor, já parou para notar o poder que a literatura e o ato de ler possuem? Caso tenha dificuldade de imaginar, observe que, ao lermos um texto, podemos ser, ou em alguns casos, somos convertidos a uma "fé", ou a uma certa ideologia que nos fará mudar completamente a perspectiva de vida, sermos mais empáticos, reforçar nossos valores ou repensar completamente em quem somos e o que queremos ser e transparecer ao mundo. "Aqueles que queimam livros" tornou-se um dos livros que me fizeram repensar tremendamente e entrou para o hall de "livros da minha jornada de autoconhecimento" do ano de 2024, por trazer tão forte o sentido da literatura na vida humana de forma geral.

Concordo com um trecho do primeiro ensaio, que na minha visão de beletrista é sublime: "Na experiência humana, não há fenomenologia mais complexa do que aquela dos encontros entre texto e percepção, ou, como observa Dante, entre as formas da linguagem que ultrapassam nosso entendimento e os níveis de compreensão em relação aos quais nossa linguagem é insuficiente [...]". 

 

"Os livros são nossa chave de acesso para nos tornarmos melhores do que somos"
Esse pequeno livro de 90 páginas recebi de presente de uma queridíssima amiga, e me fez contemplar toda a filosofia da linguagem e do texto, o quanto ele nos marca profundamente, o quanto um texto nos faz transcender nossa própria realidade, e dizer isso não é exagero. Os livros são o que me move, o que me prende a existência e que me faz ansiar pelo próximo. Esse amor me move pelas decisões cruciais da vida e como enxergo toda minha existência. Sou apenas um exemplo dentre vários leitores ao redor do mundo e como cada um encara o poder do texto, então sim, a literatura, de forma geral, nos modifica imensamente.

"Aqueles que queimam livros, que banem e matam poetas, sabem exatamente o que fazem. Seu poder é incalculável " (página 15).

Observe em você mesmo....Quantos livros você leu e que transformaram ou te fizeram chorar, rir, sonhar, ou até mesmo que não saiu da sua mente durante dias, semanas? Os livros mudam, inclusive a forma como nos comunicamos, a forma que pensamos e nos comportamos. Talvez esse post esteja sendo um pouco redundante até então, contudo, acredito que, nesse momento, não tem outra forma que eu consiga expressar essa intrigante paixão de melhor maneira. 

Aqueles que queimam livros é um texto do professor George Steiner que nos convida a mergulhar na literatura e na leitura, observando, sempre, o poder avassalador que a escrita possui. Ler é como ver décadas, séculos de pensamentos e transformações, é deixar-se transbordar pela pura magia literária e ser transformado!

O autor usa de vários comentários e recorre a várias fontes para trazer ao leitor o olhar crítico sobre a importância do texto e a influencia textual. Inclusive, é usado o exemplos das Escrituras, cultura judaica e cristã para falar sobre as impressões textuais e o quanto elas moldam grupos sociais. Ademais, exemplos como a filosofia, literatura grega e a psicanálise são recorrentes na construção da argumentação. Um detalhe muito interessante trazido no texto é como as impressões à respeito da Torá mudaram ao longo dos séculos dentro da própria comunidade judaica e como os textos sagrados são encarados atualmente inclusive pelos principais estudiosos judeus.

O livro também trás a realidade digital para o seu discurso, como o armazenamento de dados e o avanço dos dispositivos eletrônicos afetam a produção e recepção do texto. De modo geral, essa coletânea de ensaios curtos nos fazem refletir em toda a dinâmica literária, sua existência, persistência e permanência. O quanto a história da humanidade de alguma forma está entrelaçada com a escrita e textos literários, por mais sagrados que alguns textos possam ser certos à grupos de pessoas. Sem dúvida nenhuma, portanto, o livro nos faz refletir sobre a importância da literatura e seu impacto não somente no mundo, mas em nós mesmos como indivíduos-leitores.




3 de jan. de 2025

Blade Runner - O caçador de androides | Encontrei um lugar de conforto!

O último filme assistido em 2024 foi um dos meus filmes favoritos! Assisti com o meu marido, o qual nunca tinha assistido e me senti como uma testemunha da ficção científica, pronta para ser a fangirl a erguer uma bandeira! No entanto, dessa vez eu tive muito mais contemplação e uma sensação de quentinho assistindo esse filme do que imaginei que teria, ele me trouxe conforto em meio as necessidades emocionais de encontrar esse lugar comum e acolhimento no fim de ano. 

Uma das coisas que sempre me impressionou desde criança, quando foi a primeira vez que assisti com meu pai, foi a estética. Simplesmente o ambiente, a estrutura dos prédios, os carros, equipamentos, figurino e a predominância do retrô, mesmo se tratando de algo futurístico. 

O underground das cidades é levado ao extremo durante todo o cenário e construção do longa, com o exagero nítido em cores e intensidade, que contrastam entre classes sociais, comerciais e aspectos urbanos. O neon, o brilho dos lasers, as roupas extravagantes e algumas até bem espalhafatosas, uma mistura da famosa arte noir com o futurismo... Tudo isso são características marcantes dos exageros dos anos 1980, o que particularmente gosto bastante, além do consumo desenfreado sendo entrelaçado à forma de vida. Não é atoa que esse mundo distópico pertence aos grande conglomerados empresariais tecnológicos. 

Tudo é bem marcante e distinto. A marca sombria, melancólica e filosófica dão ainda mais intensidade a narrativa. O capitalismo em sua forma mais selvagem e bruta com ruas lotadas de lixo, gente de diferentes origens tentando sobreviver, comércios, vendinhas de ruas, desigualdade social no talo, e uma cidade pulsando vida e acontecimentos em meio ao caos e disputas de poder de diferentes espécies. 

E onde encontrei conforto nesse filme? você pode perguntar... Encontrei em sua narrativa que busca por vida, pelo sentido dela e do desespero por ver e sentir mais. Poder sentir e viver! Encontro conforto na sua poesia, em sua loucura e sanidade. É como se o ato de reassistir a um filme de ficção científica que tanto gosto me trouxesse uma sensação não só de familiaridade, mas como se por um momento essa obra me abraçasse e tirasse sombras da minha própria melancolia e realidade naquele instante. 

Sem dúvida nenhum é uma distopia que todos lutamos para não se tornar realidade em nosso mundo! Mas como obra de ficção, ela tem uma capacidade de tocar nossos seres em busca do nosso próprio sentido de vida e de realização. Em busca de algo confortável e melhor para todos! Enfim, não queremos ruas empilhadas de lixo, ar quase irrespirável e um sistema socioeconômico que consome absolutamente tudo à sua frente, pelo contrário, queremos mais humanidade! Encontrei mais um conforto emocional nessa tarde do dia 30 de dezembro de 2024, e talvez uma forma confortável para lidar com o fim de mais um ciclo anual.

 

1 de jan. de 2025

Desafio literário: 12 livros para 2025

Feliz 2025!! Mais um desafio literário que estou me enfiando! eu amo desafios, eles me motivam, dão um gás nas leituras e particularmente levo com leveza, realmente mais como um motivador. 2024 não foi um ano fácil para ninguém, muitas coisas ficaram pelo caminho, incluindo nossas leituras e resenhas tão queridas. Uma coisa que precisamos levar para esse ano de 2025 é não negociar o inegociável! 


No dia em que escrevo esse post é véspera de ano novo, ou seja dia 31. Algo que me impressiona na vida adulta é nossa capacidade de se dividir e cumprir nossas responsabilidades de diversas formas. Claro, o blog para mim é uma cantinho de refúgio, mas como estou com foco em postar com regularidade, então estou aqui escrevendo, de certo modo como uma responsabilidade que quero cumprir comigo mesma. Desse modo, vamos aos livros...

Separei 12 livros que quero ler ao longo do ano de 2025, alguns livros estão na lista de "30 livros antes dos 30 anos", outros não. Algo que gosto de frisar é que: os livros não estão em ordem de leitura, é apenas uma lista para me guiar ao longo do ano, e dessa vez espero conseguir me dedica as leituras e resenhas desse ano! E você, caro leitor, já leu algum desses, ou gostaria de me acompanhar em uma leitura? 


Meninas, de Ludmila Utiskai;

Lady Macbeth do distrito de Mtzensk, de  Nikolai Leskov;

O grande Gatby, de F. Scott Fitzgerald;

Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo;

Querida Konbini, de Sayaka Murata;

Olhos d'água, de Conceição Evaristo;

O ensaio sobre a cegueira, de Saramago;

Lições de poética, de Paul Valéry;

O lobo da estepe, de Hermann Hesse

Pequenos Burgueses, de Górki;

O fim da infância, de Arthur C. Clarke;

Antes que o café esfrie, de Toshikazu Kawaguchi.



30 de dez. de 2024

Desafio literário para 2025: 30 livros antes dos 30

 


Estou muito empolgada com o ano de 2025, estou planejando e organizando diferentes áreas da minha vida, principalmente a literária, e estou com um objetivo de não perder tanto tempo "rolando o feed". Como fiquei desde 2023 sem postar absolutamente nada no blog, me desacostumei a fazer os posts, espero que a linguagem e a dinâmica que eu costumava escrever ainda esteja em algum lugar dentro do meu cérebro cheio de caraminholas... Então, caro leitor, peço um pouquinho de paciência, talvez eu exceda nos textos, ou talvez deixe eles curtos demais. 

Nesse ano de 2025 que entrará, para dar um gás nas leituras, me desafiar, e ainda explorar novos livros, estou com o objetivo de trazer mais desafios literários para serem cumpridos! Eu levo os desafios de forma leve, usando-os como um estimulante para mim, não um fardo. Dessa maneira, consigo me divertir e ter consistência na minha leitura!

Bom, não tenho um critério especifico para os livros, mas minhas preferências foram os clássicos da literatura ou livros muito marcantes de alguma forma, então, sim, teremos literatura moderna e contemporânea também. Abaixo segue a lista dos livros, inclusive, deixarei uma página separada (na parte superior do blog) com esses livros para você, caro leitor, acompanhar todas as atualizações como as resenhas, diário de leituras e afins.  


Dona flor e seus dois maridos - Jorge Amado. 

Olhai os lírios do campo - Erico Veríssimo. 

Lady macbeth do distrito Mtsenk - Nicolai Leskov 

Otelo - Shakespere

Tempestade - Shakespere

O ensaio sobre a cegueira - José Saramago

O amante de Lady Chartterly - D. H. Lawrence

Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu

Stoner - John Edward Williams

A paixão segundo G.H - Clarice Lispector

Metarmofoses - Óvidio 

O sermão sobre a queda de Roma

Pequenos Burgueses - Górki

Viagem ao redor do meu quarto

A valise do professor - Hiromi Kawakami

O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói

Amor de perdição - Camilo Castelo Branco

O nome da Rosa - Umberto Eco

A peste -  Albert Camus 

Os ratos - Dyonelio Machado 

Lolita - Nabokov

O país das neves - Yasunari Kawabata

Querida Konbini- Sayaka Murata

O sol também se levanta - Ernest Hemingway

Madame Bouvary - Gustave Flaubert

O avesso da pele- Jeferson Tenório

Robison Crusoé - Daniel Defoe

O caçador de pipas - Khaled Hasseini 

As flores do mal - Chales Baudelaire 

28 de dez. de 2024

Saindo do hiato...

 

Faz tanto tempo que não venho aqui escrever um post!!! Tanta coisa mudou em mim e na minha vida que, caso eu escrevesse aqui no blog, daria várias páginas e posts para contar. Desde que eu entrei na faculdade tenho vivido dois anos em um, mas nesse ano de 2024 as coisas acontecerem de forma que eu não esperava, e muitas de um jeito negativo mesmo. Nunca passou pela minha cabeça deixar de vez o blog, gostaria de frisar isso para algum leitor saudoso e para mim mesma, esse espaço me acompanha desde minha adolescência, me salvou em tantos momentos!! 

Ora, as obrigações da vida adulta acabaram me sufocando, acontecimentos, graduação, saúde mental e física... e muitas vezes, simplesmente desisti de fazer absolutamente qualquer coisa e fiquei "bestando" na internet, rolando o feed do instagram ou do youtube, enquanto estava jogada no sofá ou na cama. 

Várias vezes apenas cedi ao cansaço, rotina de trabalho e faculdade, casamento, obrigações cotidianas, preguiça, solidão e emoções sufocantes...Olhando para trás me sinto bem boba, pois vejo o quanto o blog e meu diário me faziam tão bem, e me ajudavam a regular as emoções. Bem como, se eu cortar o tempo gasto com as baboseiras da internet e me focar mais em escrever, ler mais, praticar mais yoga, qualquer outra coisa que eu realmente me ligue emocionalmente, estaria bem melhor! O que me consola é que 2025 pretendo colocar tudo isso que eu disse em prática!

Esse post é para tirar as poeiras digitais desse espaço, momento em que ascendo a luz, tiro os lenções dos móveis, varro o chão, e começo a organizar as estantes. É um momento de reeditar o blog, escrever, fazer post, e mergulhar novamente nesse mundo que desde muito nova já estava fortemente ligada!

Quero ter regularidade aqui no blog, ao menos um post por semana, mesmo que ninguém (ou quase ninguém) leia, eu estarei aqui escrevendo para mim mesma e para quem quiser ainda visitar esse ponto pálido azul perdido no espaço da internet.... Mesmo que esteja em um espaço longínquo do cotidiano dos leitores, ainda estarei aqui! Enfim, estou viva e me sinto ainda mais viva com ideia de escrever aqui no blog! 



28 de fev. de 2023

Resenha: Gosick Vol. 1 e 2 (Mangás)

Essa ano uma das minhas metas é ler mais mangás, então um das primeiras séries que estou acompanhando é Gosick é uma série de light novel japonesa escrita por Kazuki Sakuraba e ilustrada por Hinata Takeda. 


A história de Gosick acontece no ano de 1924 em uma pequena nação fictícia europeia francófona, denominada Saubure. O anime se concentra em Kazuya Kujo, o terceiro filho de um Soldado Imperial Japonês, que está estudando por intercâmbio na Academia Santa Margarida, onde as lendas urbanas e histórias de terror são um assunto comum. Ao conhecer a Victorique, uma garota linda e misteriosa que nunca aparece nas aulas e passa todo o seu tempo na biblioteca, devorando todos os livros ou resolvendo mistérios que os detetives não conseguem resolver, começa a desenvolver uma amizade com a garota que adora solucionar os casos que Kujo trás para a garota. 

Uma história bem Sherlock Holmes colegial. Acompanhamos a história de um jovem japonês no período entre guerras em um colégio de elite europeu. Ele é extremamente excluído por seus colegas por não ser branco, colocam apelidos e estereótipos e nesse meio tempo ele acusado de assassinato por ser encontrado no local do crime desmaiado. Uma colega bolsista genial que vive afastada dos outros e enfiada na biblioteca torna-se sua amiga e tenta ajudá-lo a solucionar o crime que está envolvido. O primeiro volume temos algumas respostas às investigações, porém a história é bem clichê, algumas coisas são bem jogadas na história, talvez seja porquê eu não gosto das histórias do Holmes.

Ademais, não sei se irei seguir essa série, bem provável que eu leia o próximo volume, pois é um mangá divertido, e apesar de ser clichê, é bem fluido e amei demais os traços, uma das protagonistas é toda no estilo lolita , super fofa e delicada (além de ser viciada em doce). A amizade da Victorica e do Kujo é fofa e começa a ter um desenvolvimento maior a partir do segundo volume. Enfim, é um mangá divertido e que dá para passar o tempo, mesmo não sendo um dos meus favoritos não tenho coragem de falar que é horrível, criei um laço afetivo com ele!!


 

27 de fev. de 2023

Resenha: A vegetariana, Han Kang

 Yeonghye deixa de comer carne depois de uma série de pesadelos aterrorizantes, mas não somente isso, ela fica cada vez mais distante emocional e psicologicamente de todos a sua volta, inclusive seu marido, e certamente isso impacta sua relação com todos os membros da família. Todos a julgam por não comer carne, e muito menos cozinhar para seu marido, ao longo do enredo vemos o quanto a mulher é subjugada pela sociedade às vontades do patriarcado, o quanto a relação da comida é também uma identidade nacional e social!


Foi uma leitura extremamente envolvente, que me prendeu do inicio ao fim, além disso me fez ficar o dia todo lendo, o que me fez terminá-lo em uma tarde. No início da história temos a narrativa sendo contada pelo marido de Yeonghye, intercalada com alguns pensamentos da protagonista. Em todo o momento o marido demonstra ser egoísta, preocupa-se apenas em como sua esposa deveria ser uma boa dona de casa, o quanto ela deveria cozinhar para ele e se apresentar perante a sociedade. O mais assustador é que ele não demonstra nenhum sinal de empatia pela própria esposa, apenas transborda a preocupação do quanto ela deve estar disponível, desse modo vemos um exemplo do quanto é exposto a condição da mulher perante a sociedade sul coreana e mesmo sendo um país moderno, o quanto está preso em dogmas patriarcais.

Outrossim, tal condição é reforçada quando há uma mobilização da família que preocupa-se, em primeira instância, fazer com que Yeonghye cozinhe carne ao menos para o seu marido, para posteriormente demonstrarem uma "preocupação" estranha em fazer com que ela coma carne, como se fosse o fim do mundo não comer, ou como isso a deixava "menos" coreano por causa disso.

 A primeira parte do livro apresenta alguns personagens e como eles reagem a Yeonghye, julgam-na pela dieta vegetariana e recorrem a várias falas "clichês" de quem come carne e não conhece absolutamente nada sobre uma dieta baseada em vegetais, além de alguns atos extremamente violentos. 

"Gritos e choros se sobrepõem e ficam encravados aqui. É por causa da carne. Comi carne demais. Todas essas vidas estão entaladas aqui." página 50

Ao todo o livro é dividido em três partes: A vegetariana; A mancha mongólica e por fim Árvores em chamas. A narração da primeira é pelo marido, e as outras duas são narradas e em terceira pessoa, todas as partes têm um foco narrativo em alguém próximo a Yeonghye e toda a narrativa, então, é "contaminada" por esse ponto de vista alheio sobre a situação da vegetariana.  Salvo os fragmentos de pensamento dela, não temos um contato mais direto com a personagem, um recurso impressionante para falar sobre o lugar que ela se encontra não tendo direito sobre sua vida nem sobre seu corpo, exceto os pensamentos.

Há diversos elementos, ademais, substanciais na narrativa e que enriquecem demais a obra, como a alimentação está ligada as relações interpessoais da personagem, isso fica evidente desde o inicio, conforme o marido descreve o relacionamento deles e como o ser vegetariana impactou a dinâmica do casal, posteriormente o da sociedade e família.

Não se engane, portanto, com o título achando que trata-se 'apenas' do vegetarianismo abrupto da personagem, há muito, muito mais (mesmo) a ser lido nessas páginas, é sobre a sociedade, saúde mental, o fio entre sanidade e insanidade, é sobre patriarcado, é sobre dominação de corpos, são relações quebradas que se obrigaram a permanecer juntas, é ato de ser humano. Com toda certeza um livro que me emocionou, me tocou de uma forma muito grande, sem dúvida foi uma das melhores leituras de fevereiro e um dos favoritos do ano!

23 de fev. de 2023

DIÁRIO2023 | Meu aniversário: Aquariana com ascendente em aquário

 

Haruhi Suzumiya


O tempo voa.. como sempre dizemos e quase incansavelmente! A vida passa tão rápido, por isso devemos nos dedicar a ela ao máximo, há coisas que merecem mais energia, outras nem tanto e podem ser deixadas de lado. Eu pensei muito sobre como gostaria de levar a vida nesse ano e como estou levando atualmente, o que gostaria de manter e mudar, e.... alerta de spoiler, quero mudar muita coisa.

Estou me dedicando a escrita do meu diário, quase todos os dias eu escrevo, não deixo intervalos muito grande entre o relato dos dias. Estou muito feliz, pois considero que estou fazendo uma boa quantidade de postagens tanto aqui no blog, tanto lá no canal comparando com o ano anterior.
 
Sobre literatura, estou com um caderno de leituras agora, tenho algumas metinhas também, inclusive continuo com a meta de 50 livros ao ano; e para a organização da minha vida no geral estou usando um planner. No quesito saúde estou aos pouquinhos voltando a fazer yoga, além de estar comendo mais comidinhas veganas, enfim, estou mudando muita coisa e muitos hábitos, principalmente porque fiquei bem doente semestre passado.

Estou atualmente passando por uma transição de estilo, estou finalmente me jogando na moda japonesa Kawaii que tanto aprecio, sim sou uma kawaii!! mas por muito tempo não consegui assumir essa moda, tive medo de muitas coisas, fora que desde adolescente as pessoas me enchiam o saco por usar rosa ou laços... com o tempo fui deixando de ser quem eu sou e a roupa para mim é parte fundamental de quem sou. Durante muito tempo senti que parte de mim estava sendo excluída do 'existir', sendo assim, esse ano estou decidida a renovar meu guarda-roupa, a me renovar e abraçar quem eu sou em todos meus aspectos!

Meu aniversário passei na Liberdade, comprei várias coisinhas, foi na segunda semana de fevereiro, compre algumas roupinhas kawaii, comi comidinhas japonesas com meu companheiro, tomamos sorve e passeamos pela Liberdade, foi encantador!

Enfim, esse é um resumão do meu aniversário e o quanto estive pensando em viver a maneira que sempre quis! Não importa quantos anos tenhamos, podemos nos descobrir com 20, 30, 40 anos.. o importante é viver de forma que possamos ser nós mesmos, que possamos nos divertir, estarmos confortáveis com quem somos!

Leia esse post!

RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...