25 de abr. de 2018

Resenha: O alienista, Machado de Assis

Pintura de Belmiro de Almeida Arrufos, 1887. Óleo sobre tela

A história fala sobre o Dr. Bacamarte, que era convencido de que é ótimo,  se casa com sua mulher, porque esta teria características mentais e físicas para conceber-lhe um filho, o que não ocorre e por isso ele se aprofunda em estudos, que naquela época eram pouco explorados, sobre a  loucura. Assim cria a Casa Verde, uma espécie de manicômio.

 Como todo obra machadiana, que trás crítica as sociedade do século XIX com temática da loucura, O alienista é um clássico literário sobre a psiquê. Qual é o limite entre a loucura e a sanidade? Essa é uma das questões centrais desta obra publicada originalmente como folhetim. O conto apresenta Simão Bacamarte, um estudioso que ao decorrer do conto o leitor se  questiona sobre a metodologia, a sanidade e a logica do protagonista. 

" A verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do Amarelo?"- página 27

Simão é um personagem linear bem questionável, que ao decorrer do livro  vemos claramente que ele é um personagem caricato. Enquanto os personagens secundários são tidos como pessoas normais da sociedade, para o alienista elas devem ser estudas, pois deve-se ter uma justificativa científica para alguém ser mesquinho, mentiroso, orgulhoso, corrupto ou até mesmo indecisa. 

Narrado por um observador, com uma linguagem de fácil entendimento, cheia de ironia, humor e antíteses; sendo que a obra é uma sátira ao cientificismo que esteve muito presente nas obras das últimas décadas  do século XIX. 

Ademais, algo interessante que Machado de Assis nos traz é a obsessão, o protagonista é obcecado pela ciência, um paralelo com nossos dias são pessoas obcecadas com religião, costumes, dogmas, trabalho, vícios e etc.  O livro mostra que o fanatismo por algo pode ser mais prejudicial do que imaginamos; paixões movem nossas vidas, Machado nos questiona, o quanto somos dominados por tais paixões, o quanto somos fanáticos? 

Sobre a obra 
O Alienista é uma célebre obra literária humorística do escritor brasileiro Machado de Assis. Muitos o Consideram um conto, mas a maioria dos críticos e especialistas o consideram uma novela por causa da sua estrutura narrativa. Ganhou várias  adaptações, dentre elas uma de 1970 "Azyllo muito louco," dirigido por Nelson pereira Santos. E uma adaptação literária: O Alienista Caçador de Mutantes (2010), de Natália Klein, parte da série Clássicos Fantásticos da Editora Lua de Papel. Nessa versão, a Casa Verde aprisiona vítimas de mutação, causadas pela queda de um disco voador em Itaguaí.
Uma das diversas capas do livro 

Autor: Machado de Assis
Editora: Ciranda cultural
Número de páginas: 64
Ano de publicação: 1882
Revisão: Letícia Lívia Teixeira e Fernanda Magalhães

Pontos positivos: Críticas sociais, narrativa e questionamentos sobre a obsessão.

Pontos negativos: Muito curto


Considerações finais 
Sou apaixonada pela literatura Machadiana, narrativa, linguagem, críticas sociais, humor, sátira, tudo isso e um pouco mais Machado de Assis trás em suas obras, e esse conto não é diferente, sua estrutura é fluida e fácil de ler, o personagem apesar de ser linear é intrigante, você quer ver até onde o fanatismo pode leva-lo. Sendo assim é essencial a leitura, devido  não somente ao peso cultural, mas também por toda crítica social desenvolvida com maestria na trama.

22 de abr. de 2018

Série: Rebels (Star wars)

[Imagem de divulgação 4° temporada]
Rebels é uma série de Star wars produzida em CGI pela Lucasfilm e a Lucasfilm Animation. Situada 14 anos depois de Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith e cinco anos antes de Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança, em que o Império Galático quer dominar a galáxia e caçar os últimos cavaleiros Jedi mostrando o crescimento da Aliança.

A série começa com as forças Imperiais ocupando um planeta remoto, governando com punho de ferro e oprimindo os seus habitantes. Um pequeno grupo de insurgentes decidem se revoltar contra o sistema imperial e roubam para dar aos necessitados, combatendo as intermináveis tropas de stormtroopers: os extraordinários membros da nave Ghost. 

Há principio a série tem um tom mais cômico e leve, conhecemos os personagens e suas vidas, gradativamente vemos  as consequências dos acontecimentos de A vingança do Sith,  com o passar dos episódios nos aprofundamos mais  no sofrimento da galáxia; vemos a perspectiva não de personagens famosos e conhecido pelo grande público, mas sim de uma criança, e pessoas que tiveram que  amadurecer rápido de mais para lidar com a vida sob o comando do Império. 

Kanan Jarrus (3° Temporada)



"Foi diferente para mim, Ezra. Tudo era diferente naquela época. Tudo o que resta agora é a força."




―Kanan Jarrus

A cada temporada,  os personagens mudam drasticamente, aqui não tem aquele problema que encontramos em algumas série que deixam o personagem linear. Há também, espaço para todos os protagonistas, coadjuvantes e até personagens já conhecidos da série The clone wars, que fecham seus arcos em Rebels. 

Kanan Jarrus, que foi um padawan durante as guerras clonicas, têm um amadurecimento tanto espiritual, quanto emocional muito grande, sendo uma espécie de farol para os demais personagens, sempre vendo à frente do momento presente. Vários aspectos de Kanan são impresionantes, inclusive  o mais notável é sua conexão com a força, o quanto ela aumenta da segunda para terceira temporada.  
Ezra Bridger (4° Temporada) 

Também  Ezra Bridger, que torna-se  aluno de Kanan,  tem um desenvolvimento mais drástico e visível. A história de Bridger já começa muito triste, vive nas ruas de Lothal desde os 7 anos de idade, sobrevivendo atraves de pequenos furtos e vivendo em um local abandonado. É incrível ver o amadurecimento tanto espiritual, quanto emocional, ver como ele se relaciona com os demais personagens e a importancia que ganham em sua vida.




"Eu estive nas ruas desde que eu tinha sete anos, está bem? Se eu acreditasse que meus pais estavam vivos, se eu acreditasse que eles iriam voltar e me salvar, eu nunca teria aprendido a sobreviver."  ―Ezra Bridger

Um dos destaques da série são as personagens femininas, tanto do lado dos mocinhos, quanto do lado do Império, tem ótimos desenvolvimentos, relevância na história, cada uma com sua motivações e razões. Hera Syndulla, Sabine Wren, Ahsoka tano, The seven sisterArihnda Pryce dentre outras personagens, fazem parte significativa na trama. 
Hera Syndulla 

Hera Syndulla é uma das protagonistas,  não só cativa pela sua inteligencia e destreza (e ser a melhor piloto da galáxia), mas também pelo seu altruísmo, Hera -ouso-me a dizer-  tem qualidades de um Jedi, pronta a ajudar não somente sua tribulação, que são seus amigos, mas também a galáxia ou o maior número de pessoas possíveis. Com envolvimento muito forte na vida dos personagens e tomada de decisões, sendo a  capitã da Ghost, sente-se responsável pela segurança de todos e anseia fazer parte de algo maior. 

"Se tudo que você faz é lutar por sua própria vida, então sua vida não vale nada!"―Hera Syndulla

Portanto, esses são só alguns dos personagens os quais fazem a diferença. Os episódios não são apenas uma aventura espacial, nem sempre termina com final feliz, a série mostra que pessoas estão morrendo por lutar contra o Império e também estão morrendo por "não fazer nada", trás questões sociais altamente discutíveis. Como vimos em Os últimos Jedi, são heróis mortos, que não podem ser líderes. Mostrando  o sacrificio que é feito, a perda de amigos, familiares, a perda da inocencia e da infância, percebe-se que a série é mais profunda do que parece.

 E como todo fã de Star wars gosta de ver: O treinamento Jedi,  o quanto isso aproxima o aluno do mestre, e entendemos o quão poderosos são alguns personagens queridos, assim também como o desenvolvimento desse poder.

A série é altamente recomendada para fãs de todas as idades, seja fãs mais recentes ou não. Há um somatório de coisas boas que vão desde trilha sonora (magnífica) a personagens, enredo, as cores da série, a  nuance entre partes ainda não exploradas da galáxia e o derradeiro entre a vida e a morte, momentos de alto conhecimento e meditação, exploração.  

14 de abr. de 2018

O que é Space Opera?



É um sub-gênero da ficção especulativa ou ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. Em 1941Wilson Tucker, autor do gênero, cunhou o termo de maneira pejorativa, em um artigo publicado em um fanzine e definiu "space opera" como todo tipo de ficção científica aventuresca meio esgotada e eivada de clichês.


Na atualidade é  comumente usado para significar um conto de aventura espacial com destaque em personagens ousadamente delineados, drama e especialmente, ação. Criadores das primeiras "space operas" neste sentido, foram E. E. Smith, com suas séries Skylark e Lensman; Edmond HamiltonJack Williamson; e posteriormente Leigh Brackett, conhecida como "A rainha da space opera". 



Características 
Uma "space opera" geralmente se situa no espaço exterior ou num planeta exótico e distante. Em muitos casos, para manter a história num passo acelerado, uma espaçonave pode voar distâncias quase ilimitadas num curto espaço de tempo.
Os planetas geralmente possuem atmosferas similares à da Terra, e formas de vida exóticas, os alienígenas geralmente falam inglês, algumas vezes com sotaque, ou a mesma língua do protagonista, seja qual for. As máquinas em "space operas" frequentemente incluem (além das espaçonaves), armas de raios, robôs e carros voadores, um cenário bem parecido com Coruscant de Star wars, na verdade Star wars é Space Opera.
Coruscant, planeta capital da república, posteriormente do Império galático. (Star wars)

O plano de fundo de uma "space opera" pode variar consideravelmente em plausibilidade científica. A maioria das "space operas" violam convenientemente as leis  da física postulando algum tipo de viagem mais rápida que a luz. Muitas  divergem ainda mais, e não raramente usam de  forças paranormais, magia, ou vastos poderes capazes de destruir planetas, estrelas e galáxias inteiras, e temos mais uma das características da Space Opera, a fantasia.

Sob este aspecto, os cenários marcianos, venusianos e lunares das histórias de Edgar Rice Burroughs seriam romances planetários (e dos mais antigos), bem como as histórias com Eric John Stark, de Leigh Brackett,  inicialmente passadas em Marte, e a tira de jornal Flash Gordon de Alex Raymond, talvez o mais conhecido do genêro.

Entre os primeiros exemplos de proto-space opera, estão Star ou de Cassiopée (1854) de Charlemagne Ischir Defontenay e Lumen(1872) de Camille FlammarionEdison's Conquest of Mars de Garrett P. Serviss (1898), The Struggle for Empire: A Story of the Year 2236 (1900)

O gênero se tornou muito popular a partir dos anos 1960 e 1970, graças a franquias como Star Trek, Perry Rhodan e Star Wars posteriormente. 

Começando com The Centauri Device de M. John Harrison em 1975, certo número de escritores, principalmente britânicos, começaram a reinventar a "space opera". Esta nova "space opera", evoluiu por volta da mesma época que o cyberpunk emergiu e foi influenciada por ele, é muito mais sombria, afasta-se do padrão de 'triunfo da humanidade' da "space opera tradicional"(referente as primeiras do genêro), envolve tecnologias mais novas e tem uma caracterização mais forte do que a antiga "space opera".
Capa da Imagination Science Fiction (abril de 1958), com uma ambientação dramática, comum nas primeiras space operas .
Alguns exemplos de Space operas na literatura 

As séries Skylark (1928–1965) e Lensman de E. E. Smith
Série da Fundação de Isaac Asimov
A série Elevação de David Brin
A série Legend of the Galactic Heroes de Yoshiki Tanaka. 


Filmes que são de  Space opera e talvez você não sabia 

Andromeda
Babylon 5
Dark Matter
Firefly
Guardians of the Galaxy (melhor exemplo )
The Expanse, série disponível na Netflix, baseada na série de livros de mesmo nome
Space Battleship Yamato
Star Trek
Star Wars



8 de abr. de 2018

Resenha: A arma de um Jedi, Uma aventura de Luke Skywalker, Jason Fry


Nesta história, que se passa entre Uma nova esperança e O império contra-ataca, Luke é atraído pela força até um planeta misterioso, onde há muito tempo existia um templo Jedi. Lá, ele continuará seu treinamento e terá de enfrentar um duelo perigoso contra um vilão jamais visto antes.

Vamos acompanhar Luke em uma missão que ao começa-la, desvia-se de seu caminho, pois a Força o chama até um planeta chamado Devaron, lembrando que Luke não tem treinamento e o pouco que teve com Ben Kenobi na Millenium Falcon  não é o suficiente, ele está buscando entende-la, buscando sua origem e mais sobre a antiga religião de seu pai (Anakin Skaywalker).

Luke é conhecido como herói da rebelião e procurado do império, sendo assim usa um nome falso  para ter acesso à floresta de Devaron em busca do antigo tempo Jedi, tendo como guia Sarco Plank, um alienígena estranho e sinistro, que apropósito não sabe das intenções do herói, que é recomeça seu treinamento com o sabre de luz e a manipulação da força.

"Boa parte do teto tinha desabado. As colunas estavam incompletas ou foram tombadas, e o chão estava coberto por folhas que tinham entrado pelas janelas quebradas." - página 112 

Luke, não está tão humorado quanto estava em Herdeiro do Jedi, nessa história ele está como mestre Yoda sempre o advertiu: Com a mente no futuro, não no agora, o personagem sempre se pega em devaneios no meio das situações que deveria estar focado no momento presente, contudo  Luke tem uma ânsia por conhecimento admirável.

Apesar de ser uma jornada para o Despertar da força, não há tanta coisa nessa história que seja tão significativa para o filme quanto diz na contra capa. Por se tratar de um livro curtíssimo para os padrões de Star wars, em certos momentos o leitor vai sentir falta de algo a mais, a história é um pouco rasa, sem sal, a aventura não foi tão significativa, Luke poderia ter treinado com as "bolinhas de combate" na falcon que ia dar no mesmo.  Em contra partida, o que o autor trabalhou bem foi as novas experiências de Skaywalker com a força as visões, sensações, pressentimentos e o seu primeiro combate com o sabre de luz. Sendo o objetivo do livro contar apenas uma pequena aventura de Luke em busca de conhecimento,  e tomar a difícil escolha entre o caminho Jedi ou a Rebelião, aqui vemos o inicio desta grande questão.

"Então o que você é? Qual era a palavra que os feiticeiros usavam antes do império acabar com eles? Padawan. Isso. Então é isso o que é você: Um aluno. Um aprendiz. Mas de que adianta um aprendiz sem mestre? " página 171

Título original: The Weapon of a Jedi
Autor: Janson Fry
Inlustração: Phil Noto
Número de páginas: 199
Editora: Seguinte
Ano de publicação: 2015
Tradução: Álvaro Hattnher

Pontos positivos: Desenvolvimento espiritual e de combate de Luke ; novas criaturas              

Pontos negativos:  Acaba rápido. Final em aberto. Alguns pequenos furos.
Jéssika Pava (Azul três) e C3PO 

A aventura apesar de ser levemente rasa, é divertida e envolvente; em alguns momentos lembra os episódios da série Rebels, também de Star wars caso você não esteja familiarizado, acho que esse livro ficaria bom se fosse um episódio de alguma série.  As ilustrações são lindas e as cenas de ação são bem construídas. A diagramação e revisão estão ótimas, não encontrei nenhum erro de digitação, a edição da seguinte está toda linda, a  capa é perfeita e bem contrastada com qualquer outra capa dos livros de S.w, quatro aliens para ele e uma forte recomendação para você ler.

1 de abr. de 2018

Resenha: Perdido em marte, de Andy Weir




Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Um astronauta estadunidense, que viaja a Marte com sua equipe em 2035, mas um imprevisto acontece e gera uma confusão a qual obriga Watney a buscar técnicas para sobreviver em um planeta com condições inexistentes para vida.

Depois de uma tempestade de poeira que força sua equipe a evacuar enquanto o dava como morto, Mark encontra-se encalhado e completamente sozinho,  nem mesmo pode comunicar-se com a Nasa, para informar que ele está vivo, e mesmo que ele pudesse falar, seus suprimentos desapareceriam muito antes de um resgate poder chegar. A maquinaria danificada, o ambiente imperdoável ou o "erro humano" são muito mais propensos a matá-lo primeiro.

"Estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a terra. Todos acham que  estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.  Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento, e acabar morrendo de fome".   -Página 14


ilustração do acontecimento da página 119 
Com uma narrativa cativante, bem humorada e cheia de detalhes técnicos e apoio científico, torna o livro muito bom e rápido de ser lido, o leitor cria empatia pela situação de Watney, que resolve os problemas que encontra ao longo do tempo com ciência.

"O traje é projetado para oito horas de uso. Isso dá 250 mililitros de oxigênio líquido. Por
garantia, tem capacidade para 1 litro de O2. Mas isso é só metade da história. O resto do ar é
nitrogênio. Está ali só para acrescentar pressão. Quando o traje vaza, é preenchido com
nitrogênio. O traje tem 2 litros de N2 armazenados." - página 133

Se você é o tipo de leitor que gosta de ler uma Ficção científica com muita ciência, explicação de como e porque fazer isso ou aquilo, irá amar esse livro. Apesar de estar em uma situação nada fácil, isolado em marte, com todas as provisões limitadíssimas, e um tempo longo de espera, watney tem um bom humor, estranhamente se mantendo otimista, sendo um "escape" psicológico do personagem para enfrentar situações de estresse.

Sobre a Obra
The Martian é uma obra de ficção científica estadunidense escrita por Andy Weir e publicada em 2011 como edição de autor e em 2014 pela Crown Publishing GroupO livro foi adaptado para o cinema em outubro de 2015. The Martian foi dirigido por Ridley Scott e estrelado por Matt Damon.



Autor
Andy Weir
Editora: 
Arqueiro 
País
Estados Unidos
Género
Ficção científica
Ilustrador
Eric White
Lançamento
2011
Páginas
369


Realidade 
Viagens à Marte não é coisa nova, a muito tempo tem se especulado sobre a possibilidade de colonização do planeta vermelho. Várias agencias espaciais do mundo, vem estudando e avaliando as  condições, assim como a  NASA , Space X, entre outros. Um artigo antigo na revista planeta fala sobre o projeto Mars One, que já seduziu 202.586 pessoas de todo o mundo que se candidataram a integrar a primeira expedição para colonizar Marte. 

Considerações finais
A história é simples, temos uma ficção que não precisa salvar o mundo ou a donzela em perigo, não é invasão alienígena como em  Guerra dos mundos de H.G wells, é simplesmente o Mark watney querendo voltar para casa e pessoas trabalhando em torno disso. O jogo narrativo é incrível, ora na primeira pessoa, quando o Watney faz os diários de bordo, ora em 3° pessoa para os acontecimentos na NASA, tornando a leitura gratificante.





30 de mar. de 2018

Resenha: The Terminator, de James Cameron, Randall Frakes e W.H wisher

[Imagem via: Culture north ]

O livro 
Mais mortal que qualquer outro ser vivo! O ano e 1984… mas ele vem do Ano da Escuridão, 2029. Ele foi criado para transformar o futuro destruindo o presente. Não sente piedade, dor, medo. Nao sente nada. Ele é uma maquina mortífera programada para matar e impossível de ser parada. O Exterminador do Futuro! Um ciborgue de aparência humana, indestrutível, e enviado de 2029 para 1984 para assassinar uma garçonete, cujo filho ainda não nascido vai liderar a humanidade em uma guerra contra as maquinas, enquanto um soldado dessa mesma guerra e enviado para protege-la a todo custo. 


O EXTERMINADOR DO FUTURO, foi lançado em 1984, e hoje um clássico da ficção cientifica, coescrito e dirigido por James Cameron , estrelando Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton e Michael Biehn.


"Quantas vezes já as ouvira? Mil, talvez? Em quantas vozes? E enquanto esbarrava nos feridos e se virava para fugir, as palavras surgiam sempre acompanhadas de outros sons atrás de você, sons que se aproximavam para matar." - página 24

Exterminador do futuro não é segredo para ninguém, pois todas as cenas de tirar o fôlego do filme estão no livro com excelentes detalhes, a diferença, fator que torna o livro excelente, é que conhecemos os pensamentos dos personagens, sentimentos, angustia, cansaço.

Podemos ver a perspectiva de Resse, o cara boa pinta que vem do futuro, é interessante a visão dele a respeito da época, considerando as pessoas fúteis, mesquinhas,  barulhentas e sem preocupações nenhuma, preocupações pequenas, ínfimas perante um soldado da resistência.  Pessoas nas ruas sorrindo, desperdiçando água e comida, um mundo surreal, diferente ao qual Resse não está acostumado, é como se fosse um paraíso utopico.

"Reese não conseguia nem começar a entender o ritmo da vida urbana pré-guerra; ele estava acostumado a uma escala de intensidade completamente diferente. Passear à vontade à luz do dia não era uma maneira de se continuar vivo no mundo dele."- página 37

Sarah é uma moça de 20 anos, como qualquer um de nós, desajeitada, que tenta equilibrar a faculdade, trabalho e vida social. Resmungona, que pensa no presente, em como vai se manter no dia seguinte. Ela não pensa em matar robôs e dar ao filho um treinamento militar para salvar a humanidade. Imagine a decepção do soldado, que deve protege-la e ajuda-la a manter a sanidade.  Não é a Sarah que ele queria/esperava.

"Desde que vira Sarah na rua, pela primeira vez Reese estava dividido entre admiração e desgosto. " -página 143

Autores: James Cameron, Randall Frakes e W.H wisher
Ano de publicação: 2015
Tradução: Dalton Caldas
Número de páginas: 200 (Na versão E-book)
Editora: Dark Side
Ler/baixar: Lê livros (PDF) 

Pontos positivos: Sarah, T-800 e mais detalhes sobre cada um 

Pontos negativos: Em algumas partes leitura lenta 

Considerações finais 
 Adorei demais o filme, quando assisti na minha infância, então gostei bastante do livro, visto que todos os acontecimentos do filme, do mesmo jeitinho, está no livro, apenas com mais detalhes. Não tem muito o que falar, a leitura flui bastante, sendo  assim é altamente recomendado, apesar de ter alguns capítulos um pouco mais lentos.



Cena do filme, [via:Tumblr]

Ufa! a Skynet ainda não tomou o controle. 

29 de mar. de 2018

Book haul do mês | #1 Tema: Star wars e Star trek

Esse mês foi uma surpresa literária atrás da outra, ajuntei todos os livros que ganhei nesse mês somado aos que comprei hoje (29/03).  Esses livros foram comprados em uma feira de livros que toda semana tem no meu município aqui em São Paulo, são muito, muito baratos. E quando as finanças estão favoráveis, abuso um pouquinho. 



O primeiro livro dessa pilha é uma doação da biblioteca pública, é uma coleção de textos literários que foram laureados com o prêmio Nobel de literatura no ano de 1923. Estou mega ansiosa para lê-lo. São grandes nomes da literatura, com grandes histórias.

Segue-se 5 livros da franquia de Star Wars, e um de Star Trek, Jornada nas estrelas como é conhecido aqui no Brasil e Portugal.

A missão do contrabandista, escrito por Greg Rucka, e A arma de um jedi, escrito por Jason Fry, ambos selo Canon, contém algumas ilustrações lindas. Custara R$ 15,00 na feira. Importante: São uma jornada para O despertar da força, eles são uma preparação e ajuda a compreender como os personagens amadureceram e mudaram depois de "O retorno de Jedi". Ah, ganhei esses.

A origem e a lenda de Obi-Wan Kenobi, escrito por Ryder Windham, selo Legends, ou seja, não faz parte do arco principal de histórias da franquia, pelo que dei uma olhadinha, há personagens já conhecidos da série animada The Clone Wars.  Uma nova esperança: A vida de  Luke Skywalker, também escrito por Windhan, e também é Legends. Ambos comprei na banca de jornal, e custaram R$ 29,90 cada.
 
Estrelas Perdidas, escrito por Claudia Gray, que já vem escrevendo alguns livros de S.w faz algum tempo. Selo Canon, isto é, está dentro da história oficial, sendo mais um livro de a Jornada para o Despertar da Força, que são uma série de livros de ambientação/explicação para a nova trilogia, alias é o "maior" livro da pilha, possui 445 páginas. Comprei na feira e foi  R$ 15,00.

Não é só de Star wars que vivo, também sou mega apaixonada por Star Trek, e não poderia faltar esse livro na minha vida, ele é o guia da saga, só dei uma leitura rasa,  trás curiosidades, detalhes sobre as filmagens, como foi criado isso e aquilo. Acredito que é um livro indispensável para velhos e novos Trekkers. Esse livro é mais do meu pai do que meu, é uma partilha entre nós, e acho que custou R$ 25,00 (também é da feira de livros) 

 
 E por último,  a HQ do Tocha Humana, não é sobre sua origem, mas sobre alguns conflitos, e outras histórias, com roteiro de Mike Carey e traços de Patrick Berkenkotter. Pretendo ler essa semana mesmo, e talvez fazer uma resenha. Custou R$ 20,00 

 

Esse é o Finn, também conhecido como FN-2187. Ganhei de presente do meu pai no começo desse mês, mais um bonito para minha coleção incipiente. Sei que não é livro, mas queria compartilhar. O que achei incrível é alguns detalhes sutis, como as veias na mão dele, a camisa amassada, por exemplo. 

Bom, esses foram meus livros do mês de março, não havia planejado a compra de alguns, mas eles vieram <3 e sou muito grata por isso. Se vocês gostaram desse tipo de post deixe nos comentários, assim vou saber se futuramente poderei postar mais desse tipo. Não deixe de me contar se já leu algum ou qual pretende ler.  

20 de mar. de 2018

Resenha: Aniquilação (Comando sul), de Jeff Vandermeer



"A beleza de tudo também, e , não quando passamos a ver beleza na desolação, algo muda dentro de nós. A desolação tenta nos colonizar."- página 8

Aniquilação, o primeiro livro da trilogia Comando Sul, apresenta um grupo de quatro mulheres enviadas para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição ao local, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não se contaminarem. Uma missão mortal, visto que todas as expedições anteriores tiveram resultados assustadores, como suicídios em massa, tiroteios descontrolados e casos de mudança de personalidade súbita seguidos de morte por câncer. 

Sem as personagens  terem nomes segue-se a narrativa em primeira pessoa, feito por uma bióloga, que nos conta sobre a 12° expedição à área X, um local estranho que supostamente teria acontecido um desastre ambiental a alguns anos antes dos acontecimentos da história.  A bióloga junto com uma antropóloga, uma psicologa, que é chefe da expedição e uma topógrafa, entram na área x, após um intenso condicionamento e treinamento, desde sobrevivência a como proceder caso de emergência.

"não eramos nem o que tínhamos sido antes nem aquilo em nos tornaríamos ao chegar ao nosso destino." - página 15


 Temos todos os fatos de maneira parcial, de um único ponto de vista e personagens extremamente lineares, a Bióloga tem suas razões para adentrar na área X, que ao longo do diário de campo ficamos sabendo, assim como conhecemos um pouco sobre a  missão, ou que se acha que é a missão, outra coisas que não sabemos, qual o real proposito do  Comando sul continuar mandando expedições para lá?  Respostas no próximo livro, talvez.

Nada sai  como esperado, as coisas começam a ruir, como o próprio nome do livro nos sugere. Em certos trechos é fácil de duvidar da capacidade psicológica  das personagens do grupo, e revirar os olhos com tanto estereótipo de 'mulher-cientista'.  

Esse livro dos deixa com mais dúvidas do que respostas, tem muitas lacunas na história, o velho "como e por quê" são incessantes. Acho legal pensar que você é um membro da 13°expedição  e encontrou o diário de campo, em fragmentos, com as conjecturas de uma bióloga a despeito desse lugar misterioso, só assim para engolir em seco as lacunas. 

" Os detalhes específicos registrados nos diários podem contar histórias de heroísmo ou covardia, de decisões certas ou erradas, mas no fim apenas uma espécie  de inevitabilidade ". -Página 109


Qual a origem da área X, por quê acontece modificações desenfreadas nessa região? o que aconteceu com as expedições anteriores? por quê os sobreviventes morrem de câncer? o que de fato está acontecendo lá? são alíens? humanos podem virar golfinhos? não sabemos, talvez isso seja respondido no segundo livro. Contudo, o primeiro, é uma grande lacuna. 

Sobre a obra 

É o primeiro de uma série de três livros chamados de Trilogia Southern Reach . O livro descreve uma equipe de quatro mulheres, uma bióloga, uma antropóloga, uma psicóloga e uma agrimensor (topóloga), que entraram em uma área conhecida como Área X. A área é abandonada e cortada do resto da civilização. Um filme baseado no livro, estrelado por Natalie Portman (conhecida pelo papel de rainha Amidala em Star Wars) , foi lançado pela Paramount Pictures e Netflix em 23 de fevereiro de 2018 (lançamento mundial). 

Título original: Annihilation
Trilogia do Comando Sul
Autor: Jeff Vandermeer 
Editora: Intrínseca 
Ano de publicação:Fevereiro de 2014
Número de páginas: 139 (minha edição de E-book)
Tradução: Braulio Tavares 
Ler/Baixar: Lê livros! 

Pontos positivos:  Bióloga, protagonistas femininas e a área X
Pontos negativos: Cheio de lacunas, personagens com muito esteriótipos, tudo muito vago. 

Jeff Vandermeer [Via: Momentum saga]

Considerações finais
Esse livro não é de agrado unânime, acredito que quem gosta de ficção científica com pinceladas de Lovecraft, suspense e toques de paranoia e não se importa com lacunas, vai gostar. O autor priorizou  o ambiente, o "clima" de estar na área X, a paranoia de perseguição, e a psicologia da protagonista, que há momentos que você duvida de sua sanidade e em outros acha que tudo é real.

Facilmente o leitor é capaz de fazer perguntas e não parar mais, eu por exemplo,  parei de contar quando deu 25 perguntas  relevantes à história e que não são respondidas no livro. Sei que a resenha parece meio vaga,  assim como o livro.

O livro tem uma proposta boa, porém.. existe muitas lacunas, a bióloga tenta fazer uma investigação com alguns acontecimentos que não leva a lugar nenhum e consequentemente  não obtemos respostas, o ponto forte desse livro, além da bióloga, que apesar de ser a cientista "Mr. esteriótipo" é o que te prende ao livro. Por isso três alíens. fofos.


16 de mar. de 2018

Resenha: Yargo, Jacqueline Susann


Uma jovem da Terra é sequestrada por seres provenientes de Yargo, planeta avançadíssimo, pertencente a outro sistema solar e habitado por um povo intelectualmente muito elevado. Porém o visado no sequestro fora, realmente, um grande cientista a quem os yargonianos pretendiam transmitir informações vitais para a sobrevivência da Terra, e ao verificarem o engano acharam que seria perigoso devolver a jovem ao seu planeta pelos conhecimentos que ela agora possuía de Yargo.

Janet Cooper é uma jovem adulta não muito inteligente -mas tem boas discussões filosóficas e sociais ao longo do livro-   Apesar de estar noiva do cara mais perfeitinho, diga-se de passagem que é um idiota e irritante,Janet não está feliz e,  ela tenta recriar a magia do passado a fim de sentir um pouco de alegria. Para tanto ela vai a praia de Avalon, onde passara momentos alegres na infância e, logo percebe seu fracasso e sua infelicidade, então a história mais atraente começa, ela é abduzida.

"Mas, eu também era humana, com emoções humanas. Não apenas um "elemento do sexo feminino", mas um mulher de verdade, que não podia ser afastada do seu mundo e das pessoas que amava sem nem mais nem menos. E, sendo um mulher com emoções em frangalhos, fiz o que faria qualquer mulher sensata: desabei no divã e desatei a chorar."    -Página 56
     
Janet é levada para Yargo por engano, pois pensaram que estavam capturando um famoso cientista. O planeta
onde seus abitantes não sentem emoção alguma, apenas a lógica rege suas vidas, até mesmo os nascimentos não são realizados por mulheres, que com um auxilio de uma pílula retira o feto, quatro meses depois em uma espécie de "ovo", a mãe leva-o para o "banco" de reprodução e não precisa mais vê-lo. As crianças são treinadas nas ciências, como se fosse a escola de Vulcano, por exemplo; posteriormente, seguem áreas que mais desejarem, seja humanas, exatas, exploração, teatro, etc.

O contexto histórico do  livro é de 1970, ou seja, período de guerra fria, corrida armamentista, pós-bomba nuclear e recém bomba de hidrogênio. Então, obviamente traz discussões sociais, críticas à todos governos, e inclusive à sociedade estagnada da época, e até mesmo a  visão de matrimonio. Enquanto Janet, que representa toda a humanidade e seu sentimentalismo e crença em deus, Sanau, uma yargoiana, é toda lógica e pura ciência, demonstrando um grande contraste entre as mulheres,  cultural e intelectualmente, a escritora foi ao pé da letra, quando criou um mundo sem emoções, inclusive dor física "não deve ser sentida", pois trata-se de uma emoção.

"Eu tinha que dar a mão a palmatória. Eu ficava imaginando métodos de cowboy e índio para fugir, ou falava em suicídio, mas aquela mulher lutava com o cérebro e astúcia até o fim". - Página 134

Trazendo discussões dos mais simples fatos da vida, em como a sociedade valoriza o imediatismo, o dinheiro fácil, até mesmo a maternidade é bem discutida, desde a mulher querer ter filhos a forma  de cria-los,  até a falta de afeto na vida, ou excesso dele. Enfim, tem muitas coisas nas entrelinhas.

Há momentos extremamente angustiantes na narrativa, inclusive uma tentaria de estupro, todavia, a momentos de alívio cômico oferecido pela protagonista e suas situações inusitadas, deixando a narrativa cativante e muito fluente.

Esse livro é excelente para quem está começando na ficção científica, pois tem explicações nada complicadas com base na  ciência da década de 1970, alias, naquela época havia grande especulações sobre Vênus, um dos planetas explorados no enredo, devido as suas densas nuvens e que outrora não fora explorado, imaginava-se que haveria um ambiente favorável a vida, com pântanos e formas de vidas primitivas.
Para quem assistiu Cosmos com Carl Sagan, pois ele explica sobre essas especulações sobre Vênus, que remontam antes da década de 1970, vai ficar muito mais fácil de entender as explicações sem torcer o nariz, pois para época parecia coerente, e claro não pudia faltar clichês da ficção científica.

Além de  ser classificado como FC, também é como romance, porém, algum envolvimento amoroso da protagonista só acontece ao final do livro, isto é, o enfoque não é o romance entre uma humana e um alienígena, mas sim os acontecimentos derradeiros e como a Janet lida com eles. Se a emoção é realmente de alguma valia para vida e seus acontecimentos, e as consequências de seus excessos ou falta.
Jacqueline Susann 

Fora da ficção..  
As condições extremas de Vênus - temperaturas estável da superfície de  475 ℃, pressão atmosférica 9,2 Mpa e tempestades de ácido sulfúrico - fizeram com que as sondas não sobrevivessem por muito tempo.  Venera 7 ( do programa Venera, enviada pela URSS). Foi a primeira sonda desenhada para resistir às extremas condições de Vênus e a realizar um pouso controlado no planeta. Alcançou Vênus em 15 de dezembro de 1970 e pousou no planeta no mesmo dia. Enviou informações à Terra por 23 minutos antes de ser destruída pela  pressão do planeta. O radar da Venera 7 detectou ventos de 2,5 m/s (metros por segundo). Foi o primeiro artefato humano a pousar suavemente em outro planeta e conseguir transmitir informações durante certo tempo. 
A Venera 8 pousou em Vênus em 22 de julho de 1972 sobrevivendo por 50 minutos.

Pontos positivos: Sanau, abdução, Yargoianos e sua cultura bem explorada                                                     

Pontos negativos:  Enredo um pouco lento no inicio, relevância demasiada as emoções, fundo religioso. 

Título: Yargo
Autora: Jacqueline Susann
Número de páginas: 237
Ano de publicação (Brasil): 1979
Editora:Círculo do Livro
Tradução:Isabel Paquet de Araripe
Ler/Baixar: Lê livros


13 de mar. de 2018

Star Trek Discovery: Uma discussão filosófica/social


[Contém leves Spoilers]

A tripulação da  U.S.S Discovery está perdida no chamado Universo-Espelho,  tentando desesperadamente encontrar uma maneira de voltar ao seu Universo de origem. O império terráqueo que nesse plano governa o quadrante com mão de ferro,  cruel em alto nível, capaz de cometer absurdos para manter-se no poder, não tem moral, compaixão e nenhuma virtude que vemos na frota estelar. Acho interessante discutirmos isso.. 

Atualmente, o mundo está passando por crises políticas, dificuldades financeiras e desequilíbrio social muito grande. Com governantes que querem fazer o que for para se manterem no poder, corrupção dentro da corrupção, e pessoas perdendo o senso crítico e racional nas horas que mais precisam ter. O que isso tem haver com S.T Discovery? tudo, pois podemos fazer um paralelo com o Império terráqueo.

Michael Burnham e Gabriel Lorca

Imagine uma sociedade com índices de violência altos dominasse a galaxia, pense que os lideres desse império podem ser piores que Darth Vader (Star Wars), pense que no estado atual da humanidade, que não está passando por uma de suas melhores fases, dominasse a viagem espacial, dominasse os possíveis seres inteligentes pela galáxia, e tivesse o poder de decidir deliberadamente que espécie vive ou morre. Pense: será que estamos mais perto de sermos o Império terráqueo ou A Frota estelar?

Star trek consegue sempre ir além, são 51 anos de legado mostrando como a humanidade pode evoluir, transformar-se completamente, e como a humanidade está no momento, incompreensível e impulsiva, momentos de pós-verdades, etc.. 

 No episódio 11°, que começa com a reprise do anterior, vemos que a Michael Burnham é aplaudida pela tripulação do universo espelho quando mata o comandante que estava em seu lugar. A série mostra que  a violência é algo normal e aceitável nessa sociedade, evidenciando o problema desse universo, e do pensamento de que prisioneiros devem ser torturados e assassinados friamente.

Burnham, posteriormente demonstra  o quanto está assombrada e abalada com as atitudes desse universo, então, é destacado como os valores e convicções da Frota Estelar são importante e inerentes para não só a  humanidade, mas também outras raças na galáxia tenham boa convivência e uma vida saudável em todos seus aspectos. Mostrando o problema da sociedade atual, criticando-a duramente e  destacando  o quão importante é ter respeito pela vida de espécies distintas, e compaixão até mesmo pelos inimigos.

Os episódios de 11° à 13° são muito profundos e impactantes, faz um paralelo direto com governos autoritários e ditatórios, o quanto o sofrimento físico e psicológico pode afetar o senso racional e emocional de alguém. O quão questionável é a pena de morte, o quanto podemos perder o rumo inconsciente ou conscientemente do significado de amor, compaixão, amizade, respeito, democracia, direitos, igualdade, verdade, união. O quanto precisamos ser humanos.

Uss Discovery 


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RECEBIDOS DE NOVEMBRO| livraria UNESP

 Cada livro que escolho sempre é bem pensado, sempre são livros que estou com muita vontade de ler, certamente são aqueles que sei o quanto ...