Esse livro me prendeu do inicio ao fim, não queria parar de ler, além da história ser envolvente e interessante , a narrativa é extremamente fluida. A resenha de hoje é de uma obra originalmente publicada em 1898, é uma novela de fantasma escrita por Henry James. Devido a seu conteúdo ambíguo, tornou-se um texto frequentado pelos acadêmicos que aderiram ao New Criticism.
O livro possui uma história dentro da história, temos um primeiro narrador que está com amigos em uma época fria, contando uma história de terror, ele lê o manuscrito de uma mulher que transcreveu os horrores que ela viveu como preceptora de certa família, a quarenta anos atrás. Narrado em primeira pessoa por uma protagonista inominável, que vai trabalhar como preceptora para a propriedade me Bly, que é localiza nos arredores de Londres. Seu patrão é tio e tutor de duas crianças, Flora e Miles, cujos pais morreram na Índia. Mas, a narrativa começa a ficar mais densa quando a jovem percebe duas aparições, atribuídas a antigos criados já mortos, assombram a casa e influenciam as crianças.
Título original: The turn of the Screw
Autor: Henry James
Número de páginas: 165
Tradução: Breno Silvera
Editora: Abril editora
Onde comprar: A outra volta do parafuso
"[...] Uma outra volta do parafuso da virtude humana comum. Nenhuma outra tentativa, no entanto, exigia mais tato do que aquela se suprir, a gente só, toda a natureza. [...]"-Página 273
O interessante dessa obra é o seu caráter de possui diversas interpretações, geralmente excludentes, desde a possibilidade de se tratar de representação sexual, loucura por parte da protagonista ou apenas uma história fantasmagórica mesmo. Muitos críticos tentaram determinar a exata natureza do mal insinuado na história.
O leitor deleita-se nessa obra, tanto pela construção e desenvolvimento psicológico das personagens, quanto pelo cenário da literatura gótica. Esse é o tipo de obra que deve-se degustar, ler sem pressa de chegar ao final, para entender tanto o enredo que vai deixando muitos mistérios em abertos, quanto pelas sensações que o autor quer transmitir ao leitor.
Esse é um dos pontos altos de A outra volta do parafuso, a construção não somente estrutural, mas também a sensação de horror sem de fato descreve-lo em ações ou falas das personagens, apenas descrevendo a aversão, ou atos que iam de encontro com a sociedade inglesa e que são impronunciáveis de tão perplexa que as personagens ficavam. Algo que vai chamar a atenção do leitor, também, é como os pensamentos de uma sociedade altamente patriarcal estavam enraizados na protagonista, como em diversas passagens ela se auto menosprezava por ser mulher.
A narrativa não é tão concreta nos fatos, haja vista que é narrado em primeira pessoa temos somente um ponto de vista dos acontecimentos, o autor brinca com essa incerteza e deixa o enredo cheio de dúvidas, deixando possíveis pistas nas entrelinhas, não sabemos ao certo o que realmente levou para se desfechar com o final trágico, encerando-se a história com mais dúvidas do que respostas. Do meu ponto de vista trata-se de distúrbios psicológicos e emocionais por parte da protagonista que levou ao final, assim como algumas atitudes questionáveis da protagonista.


















