Hoje é mais um daqueles dias que volto levemente estressada, além de bem cansada do trabalho e sem vontade nenhuma de ler, escrever nem aqui nem no diário. No entanto, preciso escrever, não posso ser engolida pelo tempo, pelo cansaço e muito menos pela rotina! É triste quando deixamos de lutar por nós mesmas e pelos nossos ideais, aquilo que é nosso cerne. Dessa forma, estou aqui, escrevendo essa postagem, como forma de resistir a existência exaustiva no meio em que vivemos: o capitalismo. Enfim, vamos ao post, eu só precisava dessa introdução para desabafar mesmo!!!
Esse é o terceiro livro que leio através do aplicativo do Mec Livros, que é uma biblioteca digital gratuita criada pelo Ministério da Educação (MEC) para ampliar o acesso à leitura no Brasil. Caso você, caro leitor, não conheça, a plataforma reúne mais de 25 mil obras, entre clássicos da literatura brasileira e mundial e títulos contemporâneos, incluindo livros protegidos por direitos autorais disponíveis para empréstimo digital. Evidentemente, estou apaixonada por essa iniciativa do governo federal, e até bem orgulhosa disso, como eu disse em um post anterior, afinal, são obras diversas e de todos os gêneros literários acessível de forma gratuita!!
Bom, falando do autor, Lima Barreto, conheci sua literatura na escola, em algum momento entre o ensino fundamental e o médio, porém, apenas na faculdade dei devida atenção e tomei certo encanto pelas obras do autor, O homem que sabia javanês até hoje é um dos meus contos favoritos e tem um carinho especial no meu coração. Todavia, A biblioteca, foi uma surpresa maravilhosamente gostosa e encantadora!! A história contada é a de Fausto Carregal, o homem que herdou uma linda e abastada biblioteca com livros do pai e do avô, e queria muito que um dos filhos se interessasse por ela.
Simplesmente é um conto genial e com uma metáfora incrível, e talvez, muito mais atual do que nunca. O enredo acompanha o protagonista, um funcionário público que, de certa forma, se sente oprimido pela herança intelectual que recebeu do avô, ou seja uma enorme biblioteca onde constam as mais importantes obras da literatura, filosofia, geometria e afins. Seu avô era um homem extremamente letrado e que passava horas lendo cada uma dessas obras, admirando e analisando-as. Conforme avançamos no conto, notamos que a pretensão dos mais antigos da família era que os descendentes seguissem o mesmo caminho, porém conforme as gerações avançam, os interesses individuais mudam e o declínio financeiro da família consomem muitos dos bens, o que acabaram por deixar a incumbência de cuidar da biblioteca e passá-la ao protagonista. Vemos que nosso 'heroi' até tentou ler os livros e entender os escritos, porém, a nova geração da família, seus filhos, não são muitos estudiosos, muito menos versado nas letras clássicas, e vemos que o interesse dos mais novos é bem incipiente. Por fim, o ele desiste de passar a tarefa da intelectualidade aos filhos e acaba notando que absolutamente nenhum dos seus filhos, também, não levava jeito para o mundo acadêmico. Considero que o conto todo é uma crítica, mas o final é extremamente significativo e um tanto iluminador!
Enfim, o leitor é agraciado tanto com minúcias narrativas, quanto na própria estilística! É um livro que se torna extremamente atual por sua crítica. Leitura sensacional!! Ainda mais nos dias atuais, observo que alguns jovens não buscam se intelectualizar, não vou generalizar, mas vejo o quão preocupante é estarmos cada vez mais preocupados em comprar, consumir ou apenas estamos lutando para sobreviver, e o resto não importa mais, pois estamos exaustos demais para ler, estudar ou contemplar a arte e a existência. Fora àqueles que podem ter o acesso à cultura, museus e afins, e infelizmente escolhe não consumir uma verdadeira cultura de qualidade...pode parecer elitista a forma como falei, mas cada vez mais textos, imagens e vídeos são feitos por IA e muitos roteiros são feitos a partir de inteligência artificial, além de tudo estar ficando terrivelmente pobre e sem profundidade, precisamos sim questionar, procurar por mais profundidade e intelectualidade!! Nesse parágrafo pareço uma mulher velha que gosta de reclamar da juventude...enfim, quem diria que meu espírito envelheceria antes da minha própria carne!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários é um lugar de troca de experiências, pensamentos e opiniões!
Momento em que algo nos tocou e agora queremos compartilhar nossas emoções.