28 de mar. de 2021

Casa de bonecas, Henrik Johaqn Ibse

Finalmente trago essa resenha, que posterguei uns bons dias dessa semana, li esse livro em uma sentada de tão fluida que a peça é, além disso têm 102 páginas, é um livro curtinho. Assim como Franz Kafka, são 100 páginas muito bem aproveitadas e cheias de significado. E se o leitor reparar...Toda a semana estou postando mais e mais resenhas, além disso quero trazer mais post sobre a cultura pop, como eu fazia à uns anos atrás.

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É um drama em três atos, em que Ibsen questiona as convenções sociais do casamento. A tragédia retrata a hipocrisia e convencionalismos da sociedade do final do século XIX. Na época, mediante as tentativas de emancipação feminina, foi uma peça revolucionária, com grande repercussão entre feministas, a Europa inteira a discutiu. Houve, inclusive, censuras violentas lançadas contra a personagem principal, Nora. Com essa peça, os críticos acreditam que Ibsen abriu caminho para a tragédia, tendo o final inesperado para época.

Henrik Johaqn Ibse foi um dramaturgo norueguês, considerado um dos criadores do teatro realista moderno. Foi também poeta e diretor teatral, sendo considerado o “pai" do drama em prosa e um dos fundadores do modernismo no teatro. Entre seus maiores trabalhos destacam-se Brand; Um Inimigo do Povo; Imperador e Galileu, Casa de Bonecas entre outras obras.

Muitas de suas peças foram consideradas escandalosas, como Casa de Bonecas, na época em que foram lançadas, mediante o fato de o teatro europeu estar sujeito ao modelo determinado pela vida familiar e pela propriedade, o verniz dos bons costumes e falso moralismo. Os trabalhos de Ibsen analisavam a realidade contida por trás das convenções e costumes, o que trouxe muita inquietação para seus contemporâneos.

Com toda a certeza é uma história que vai fazer a leitora (principalmente as mulheres) se questionar sobre absolutamente tudo, mesmo que você conheça e entenda o sistema patriarcal em que viva, ainda irá perguntar-se quão verdadeiro são seus gosto, personalidade, a relação que tem com os homens do círculo social em que pertence, até mesmo o que sente em relação a você mesma e ao que te cerca. Apesar de ser um livro de fácil leitura e rápido, por conta da extrema fluidez da peça, é uma história que deixará um gosto um tanto amargo e fará o leitor reler algumas passagens ao finalizar a história.

Ademais, Nora é uma personagens que pare tão irreal no inicio da trama, contudo as coisas vão fazendo sentindo, e repentinamente a personagem se mostra altamente sóbria e concisa de que sua vida está errada e que, de certa forma, foi manipulada e sua personalidade "mutilada", uma personagem que adorei de mais ter conhecido, embora no início eu tenha torcido o nariz para a sua personalidade.

Destarte, é um livro para todos os tipos de leitores, não somente os caçadores e amantes de clássicos, e também é um excelente teatro, talvez seja até um bom começo para que ainda não se acostumou com esse estilo de texto.

23 de mar. de 2021

Canto geral, Pablo Neruda

Trago finalmente, hoje, a reseha do livro que me levou mese, me incomodou por estar tanto tempo ao lado da minha cabeceira, não é um livro fácil de ser lido, por haver tantas palavras cruas para citar a desolazção causada pelos colonizadores as americas, por tanta brutalidade e caos deixados pelos ditadores sul-americanos durante o século XX. Vamos agora embarca à uma resenha satisfatória de Canto geral de Pablo Neruda.

Canto geral foi elaborada em circunstâncias adversas, quando Neruda, perseguido, foi obrigado a transpor os Andes e refugiar-se no estrangeiro. Testemunha um grande amor ao Chile e ao seu povo e, por extensão, a todos os povos latinos-americanos, frequentes vítimas do despotismo, considerado um livro de combate e de ternura. Consiste em quinze seções, 231 poemas e mais de quinze mil versos, lançados em 1950

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Para ser sícera não sabia bem como começar essa resenha, tendo em vista os altos e baixos dessa leitura, e os diferentes impactos que esse livro me causou. Estou começando a ler escritores latinos americanos (além dos escritores brasileiros) e ao gênero poema/poesia, já que minha bookshelf estava muito defasada nesse sentido, você caro leitor pode pecerber que desde o ano passado venho me empenhando mais nesse gênero.

O livro trás uma crítica muito profunda a toda formação da america latina, ou seja, todo o processo de colonialismo, o escritor cita nomes importantes da resistência indígena contra os europeus, e também cita os principais massacres aos habitantes destas terras, e líderes responsáveis. Além disso tudo, as primeiras 200 páginas, também são dedicadas à exaltação da beleza da fauna e da flora de toda america latina, e lendas indígenas de cada região.

Para evidênciar esse fato, temos toda a segunda parte do livro, "Alturas de Macchu Picchu" o ato da  valorização das mitologias pertencentes aos povos latinos, sempre citando a fauna e a flora, destacam a beleza e sua "antiguidade". Também há o uso da sexualidade para mitos, e crencas antigas, além de destacar a efemeridade da vida, tudo isso em uma história poetica com trechos voltado as questões sociais dos povos.

Ademais, o livro não é um memorial apenas ao passado colonialista, mas também a contemporaneidade  do autor, então novamente há muitas críticas sociais as ditaduras, torturas durante essa época, a corrupção social e política, também refere-se a injustiças sofidas pelos amigos de Neruda, jornalistas, escritores e intelectuais no geral, os quais foram presos ou exilados, mas também à homenagens e exporessão de respeito e companherismo. 

Canto geral é um livro mais profundo do que essa resenha possa expressar, tendo em vista que são um pouco mais de 600 páginas de uma ótica da história, seja de séculos passados ou do século XX, o eu lírico expressa sua opinião, deixa claro o quão repugnante foi muitas situações, e nos lembra que nas aulas de história são esquecidos de mencionar o quanto o povo desta terra sofreu e sofre. 

Destarte, para fechar  todo esse conjunto de poesisas, o final é voltado para Neruda e suas relações com o mundo e sensações, até mesmo há um momento de testamento, pode-se dizer que esta obra, nitidamente, é o que ele considerava A obra prima de sua vida, pois em cada verso vê-se o quanto o escritor dedicou-se como se fosse o último. 

18 de mar. de 2021

Mulheres, autoras de grandes clássicos | Parte #1

Ao longo das semanas farei postagens aqui no blog, e não iriei citar ou reforçar os casos sobre a pandemia, eu acredito que eu e você, meu leitor(a) precisamos de momentos leves. Precisamos nos manter sãos para não enloquecer; Não esqueça: fique em casa!! Saia se for extremamente necessário.

Ah, mais uma atualização que queria fazer... No post anterior eu disse que tinha feito a segunda fase da FUVEST e o quão difícil foi...Enfim, ontem saiu o resultado, passei na primeira chamada, na posição 24 do curso de letras, concorrência escola pública (EP). Estou muito, muito feliz...mas ao mesmo tempo fico pensando no contexto que nosso país se encontra, além de diversas coisas estarem acontecendo na minha vida pessoal, não sei bem o que sentir. Talvez seja melhor não entrar nesses méritos. 

Enfim, vamos ao post.. Não é novidade para o leitor que acompanha o blog, que sou extremamente apaixonada por clássicos e dia 08 foi o dia internacional da mulher fato que "comemorei" no instagram do blog, no qual fiz um post especial com as principais autoras de clássicos, que mudaram minha experiência como leitora. Os livros resenhados aqui, vão estar lincados!

 


Clarice Lispector
É uma autora brasileira que transforma o leitor, tendo em vista que seus escritos são cheios de metáfora, escrita fluida e sensível, além de uma história que sai das páginas e cresce em nossa mente, desde muito nova leio Clarice, no entanto só depois de muito tempo que comecei a captar as nuances da literatura, e o subtexto. Um livro que recomendo a leitura é A hora da estrela. No qual Rodrigo S. M. é um escritor armador, que está escrevendo uma história que atormenta sua mente, uma história triste e amarga sobre uma jovem alagoana de 19 anos, chamada Macabéa,  Apesar de ter estudado pouco e não saber escrever direito, Macabéa faz um curso de datilógrafa, e muda-se para o Rio de Janeiro à trabalho, no qual recebe menos que o salário mínimo. Após a morte da tia, deixa de ir à igreja e passa a repartir um quarto de pensão com quatro balconistas de uma loja popular. 

Emily Bronte
Escritora de um livro único e muito influente na literatura, já li esse livro três vezes e ainda pretendo relê-lo, O morro dos ventos uivantes está comigo desde a adolescência, e na minha última leitura, em 2019 apreoveitei ainda mais a história e fiquei mais imersa nos acontecimentos.

No início da trama, o patriarca da família Earnshaw faz uma viagem e, ao retornar, traz consigo um pequeno órfão, que todos acham ser um cigano por sua procedência, contudo, não é revelada em hora alguma da narrativa. O órfão recebe o nome de Heathcliff. Rapidamente, toda a afeição que o patriarca lhe demonstra enciuma seu filho legítimo, Hindley, que acha que está perdendo a afeição do pai. Contudo, Catherine, a irmã de Hindley, se afeiçoa por Heathcliff. Quando o Sr. e a Sra. Earnshaw morrem, Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações. Este passa a ficar bruto e melancólico. Apesar do amor entre ele e Catherine, ela decide casar-se com Edgar Linton, por esse ter melhores condições de sustentá-la que Heathcliff.

Virginia Woolf
Absolutamente uma escritora importante e com livros que considero que não são para qualquer leitor, afinal alguns você tem que ter uma bagagem e um conhecimento prévio sobre alguns pontos como contexto história. O primeiro livro que li da autora foi Um teto todo seu, que apropósito adorei muito ter lido, e O sol e o peixe, que foi um dos mais difícies. Para esse ano ainda pretendo ler os romances, como Orlando e Mrs Dalloway.


9 de mar. de 2021

Leituras de Janeiro

 Sim, eu sei... Esse post era para ter sido postado a um mês atrás, mas como diz o ditado popular antes tarde do que nunca, afinal! Hoje tem sido um dia daqueles, estou morrendo de cólica e tentando ser produtiva, fiz o planejamento mensal, e tudo o que quero fazer nas próximas semanas, já terminei dois livros, e ainda pretendo ler um pouco mais antes de assistir um documentário, que muito provavelmente vou falar dele aqui no blog, sinto falta de falar da cultura pop e documentários em geral. 


Comecei o ano muito bem, e fiquei muito feliz, pois comparei com 2020 (apesar que eu estava trabalhando nesta época), li ao todo sete livros, dois livros a mais que o ano anterior. Bem provável que durante esses posts de leitura vou comparar com o ano passado, pois estou usando o mesmo jounal e  me divertindo bastante com isso, minha meta é sempre está melhorando de alguma forma, inclusive minha quantidade e qualidade de livros. Também estou lendo mais manga agora, estou acompanhando duas séries, happiness (terror vampirico), e 

✨Os livros com resenha aqui no blog estarão lincados

Ranger- A ordem dos arqueiros (Volume dois); 224 páginas

O pequeno príncipe, Antoine de Saint; 96 páginas

Para querer bem, Manuel Bandeira; 80 páginas

Homem-aranha Feroz (edição encadernada); 136 páginas

Drácula Bram Stoker; 580 páginas

Hegel em 90 minutosPaul Strathern, (Biografia); 37 páginas

Coletânea de poemas de Paulo Leminski, 212 páginas



5 de mar. de 2021

Coletânea de Paulo Leminski

 Desde 2019 estou lendo mais poesia, desde nacionais como é nesse caso, até contemporâneas como Rupi Kaur, ano passado li Claro enigma para o vestibular, contudo não falei dele ainda aqui no blog, talvez eu releia para fazer uma resenha. Neste post vamos falar de um escritor brasileiro muito talentoso e que deveria ser mais 're-conhecido' pelo grande público, afinal suas obras tiveram maior repercussão durante o século XX. 

 
Seleção feita por Fred Góes, compositor, dramaturgo e professor/doutor em teoria de Literatura da Faculdade de Letras da UFRJ, e Álvaro Marins, professor de Teoria Literatura e Literatura Brasileira da Escola de Letras da UniverCidade/Rio de Janeiro.

Paulo Leminski Filho teve um currículo extenso, professor, escritor, tradutor e crítico literário, nasceu em  Curitiba em  24 de agosto de 1944, e morreu em  7 de junho de 1989. Sua poesia é bastante marcante e característica, assim como Gregório de Matos com sua poesia irreverente e em certos pontos questionável (o que não se aplica a Leminski) que o consagrou como um dos primeiros poetas brasileiros. Leminski, não somente pelo jeito próprio de escrever, com trocadinhos, brincadeiras com ditados populares, influencias do haicai, mas também de abusar de gírias e palavrões, por isso fiz a comparação com Gregório de Matos (mas só no uso dos palavrões mesmo, e sua originalidade na escrita). 

Ademais, suas peculiaridades são instigantes, dão gosto de ler, além de serem bem imersivas e fluidas, tão envolventes com seu estilo e jogo de palavras e significados. A poesia concreta influenciou bastante seu estilo, além da escola modernista, afinal. Poesia concreta, caso você não saiba, caro leitore, é um tipo de poesia vanguardista, de carácter experimental, basicamente a mistura do visual, da estrutura, de acordo com a mensagem, além das palavras, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço, lembrando que sempre busca a superação do verso como unidade rítmico-formal, ou seja quebra com a métrica e toda a forma clássica.

Destarte, esse foi meu primeiro contato com o autor e já amei a escrita e a maneira de abordagem e a forma que é transmitida, inclusive temáticas cotidianas como "Por um lindésimo de segundo", ou um pouco mais filosóficas com "O mínimo do máximo".

"A nós, gente só foi dada

essa maldita capacidade,

transformar amor em nada."


A baixo deixo uma entrevista do autor, caso você queira assistir, para conhecê-lo ainda mais, e sua visão a respeito da literatura, contudo, não deixe de ler o livro e se aventurar por águas desconhecidas.

3 de mar. de 2021

A garota das laranjas, Jostein Gaarder

 Essa semana estou tendo uma crise de identidade, estou achando tudo uma loucura: algumas coisas que estou passando, nada grave sabe? Mas coisas curiosas da vida, que é um circulo maluco e sempre estamos conectados de alguma forma. Esse momento de devaneio coincidiu com minha leitura da semana, que foi agridoce, bem melancólica e com algumas discussões filosóficas, afinal um livro do Jostein Gaarder não seria por menos.



TítuloAppelsinpiken
Autor: Jostein Gaarder
Tradutor: Maria Luísa Ringstad 
páginas: 136
Editora: Presença
Onde Comprar: Amazon


Neste livro de Jostein Gaarder,  uma carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg Roed uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, que morreu há onze anos - ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse lê-la depois, quando estivesse mais maduro.

A história que o pai conta é do tempo em que ainda era um jovem estudante de medicina: a sua busca por uma moça desconhecida, que ele vê por acaso nas ruas de Oslo, sempre carregando um saco cheio de laranjas. Apaixonado, o rapaz persegue os diversos mistérios que cercam os seus encontros fugidios com a garota das laranjas, numa aventura que culmina numa grande revelação. Alternando entre a voz de Georg e a do pai, Jostein Gaarder constrói uma narrativa pontuada com perguntas filosóficas, que tratam de temas como o amor, a morte e a grandeza do universo.

Meu primeiro contato com essa história foi no ensino fundamental, sempre chegava aos 1/3 do livro e nunca seguia com a leitura, no entanto a oportunidade de relê-lo, de certa forma, apareceu quando minha irmã o adquiriu. E o gostinho da história, lembra muito Soul, o filme mais recente da Disney e Pixa.

Apesar da história ser interessante, a narrativa oscila entre o muito fluido, repetitivo e as vezes parece andando em círculos, dando tonturas com os rodeios filosóficos e  crises existenciais, ora quando Jan Olav (pai do Georg) escreve a carta está prestes a morrer, o que é até certo ponto compreensivo, mas o irritante é quando alterna para o filho e ele continua com as mesmas "dores" filosóficos, embora seja um adolescente, Georg tem um olhar irritantemente minucioso e politicamente correto da vida. O momento do pai, por outro lado é outro, o qual ele tira diversas reflexões tristes sobre o viver e ser "retirado" a força desse plano no momento mais feliz de sua vida. Ou seja, o livro é duplamente angustiante.

Ademais, o personagem mais profundo e interessante é Olav, não somente por sua forma questionadora e um pouco mística de ver a vida. mas a forma como foi construída também cativa o leitor. A garota da laranjas, personagem chave para toda a história, é misteriosa e ensina a Olav a ver os detalhes da vida. Agora, Georg é muito chato, é um adolescente, age como um e há cenas que não demonstra maturidade suficiente para a idade, ou talvez por ser jovem demais, ainda não tenha maturidade suficiente.

Um livro agridoce, portanto, ora doce, com as fantasias e delírios de um apaixonado em busca da garota das laranjas, ora azedo, com o amargor do fim da vida, isto é, o livro discorre sobre a efemeridade da vida, o quanto absolutamente tudo é líquido e inconstante, desde nossos contratos sociais até mesmo a vida em si. Considero como um livro profundo e muito, muito melancólico, o longo tempo que passamos vivendo em comparação com os longos anos do universo, a vida que passamos com quem amamos, em como a magia do viver está em coisas simples (sim, como em Soul), nos dando conta de que é lindo viver mesmo nas horas amargas. 

Leia esse post!

Não pise no meu vazio, Ana Suy

Essa foi mais uma leitura terminada nesse mês de março, a qual me fez bem no geral! O livro possui, em muitos poemas, uma metalinguagem sobr...