22 de jul. de 2022

Contos novos, Mário de Andrade

Terminei essa semana esse livro, que de alguma forma ficou comigo todo esse semestre, pois fiz algumas análises na disciplina de Literatura Brasileira. Esse é um livro que fica sendo digerido durante dias em sua mente, é um livro que vai te tirar da zona de conforto, caso não esteja familiarizado com a escola modernista brasileira.

Antes de falarmos propriamente do livro, é necessário falar do movimento modernista brasileiro na literatura. A grosso modo, esse é um momento de amadurecimento da nossa literatura, com enaltecimento e valorização da própria cultura brasileira usando de inspiração as vanguardas europeias e ideias dos grandes pensadores ocidentais modernos, Kalr Max, Freud e Nietzsche. Sendo assim, a literatura modernista é caracterizada por pautas sociais, predomínio da critica, questionamento do ser e do que conhecemos do mundo.


Contos novos publicado postumamente, em 1947, e narra os relatos da maturidade artística de Mário de Andrade. Trata-se de uma coletânea de textos escritos pelo autor ao longo de sua vida, desde os primeiros momentos do Modernismo, passando pelo gênero nacionalista e pela interpretação crítica, sem perder suas características artísticas e estéticas. 

Ademais, os contos não estão ligados narrativamente, no entanto tem algo em comum que é a inquietação humana do ser, fala sobre moralidade, sexualidade, sociedade, marginalização de grupos e classes. Na sua totalidade, os contos são incríveis, tanto na forma narrativa, na ambientação e construção do personagens, quanto no desenrolar dos acontecimentos. Mesmo sendo contos, que em sua essência tem uma narrativa breve, são grandiosos, porque os personagens são interessantes, e o leitor imerge dentro da personalidade dos personagens. Mário consegue aguçar a imaginação e o envolvimento do leitor com suas obras, e em Contos Novos não é diferente. São contos para serem lidos e relidos, para serem degustados lentamente, para serem refletidos, questionados e estudados. Nos próximos parágrafos irei falar brevemente dos contos que mais me chamaram a atenção.

Em Vestida de Preto – Narrador personagem, o qual nos mostra através das suas memórias seu primeiro e único amor e a perda da inocência da infância por meio da malícia dos adultos. Através de um contexto freudiano, o protagonista discorre sobre suas dores pelo amor que sentiu em toda sua vida e como foi moldado por ele. Já em O ladrão temos um cenário coletivo no meio da madrugada. Alguém grita ladrão e a vizinhança desperta do seu sono e  começam a busca pelo ladrão. Em meio ao caos, os vizinhos vão interagindo, em tais interações o escritor usa as entrelinhas para falar sobre a moral, machismo, adultério e muito mais dos sujeitos dessa comunidade.

Ademais, em Primeiro de Maio temos novamente o tema da coletividade, mas em uma perspectiva diferente. Um narrador onisciente seletivo aproxima-se de 32, um jovem com inocência política e pertencente ao proletariado, vai aproveitar, inicialmente, o feriado, e ao terminar do dia está com suas convicções diferentes. Mostra o amadurecimento de um jovem com desilusões e visão de mundo limitada sobre o que está acontecendo no Brasil no período em que vive.

O poço fala novamente sobre questões sociais, um patrão caprichoso coloca em risco a saúde e a vida dos empregados de sua fazenda, sem ao menos se importar com o que pode acontecer a eles. Frederico Paciência já é um conto mais voltado ao interno, ao sujeito e como a sociedade não aceita o homossexual. Julga e isola na menor oportunidade de estranheza e suspeita de algo fora da normatividade. É um conto sobre o romance de dois amigos, Juca e Frederico, um pouco antes do ensino médio até o final deste, e o resultado do medo do pecado, medo do julgamento e da estrutura social. 

Por fim, o Tempo da Camisolinha o narrador conta suas memórias de infância e como este entendia o mundo, como era seus primeiros pensamentos e entendimento a respeito da vida e de como lidar com as coisas, entender as leis dos adultos e os sofrimentos do mesmo.

Para encerrar esse post, portanto, vamos falar do escritor Mário de Andrade. O qual  foi um poetacontistacronistaromancistamusicólogohistoriador de arte, crítico e fotógrafo brasileiro. Um dos fundadores do modernismo no país, ele praticamente criou a poesia brasileira moderna com a publicação de sua Pauliceia Desvairada em 1922.

18 de jul. de 2022

Coraline (livro), Neil Gaiman

Uma história que é muito mais do que imaginamos, há muito para ser lido nas entrelinhas! Escrito por ninguém menos do que Neil Gaiman, um escritor que estou me aventurando recentemente. Finalmente estou escrevendo essa resenha, a leitura foi feita a semanas atrás, no entanto eu não tive tempo, por conta do fim do semestre, para sentar e colocar meus pensamentos no "papel". Li a versão digital, então esse post rechiei de gifs do filme (que gosto muito).


Coraline é uma novela de terror com um narrador onisciente aproximado ao ponto de vista de Coraline, uma criança curiosa e negligenciada pelos pais. Logo no início da trama a família se muda para um novo apartamento próximo a uma floresta. Em meio a adaptação ao novo local, o distanciamento entre Coraline e seus pais fica cada vez mais evidente, sempre estão trabalhando ou ocupados de mais para dar atenção à menina. Ao adentrar mais na história detalhes surrealistas tomam forma e a vida da protagonista e de todos a sua volta corre perigo.

Finalmente li Coraline, sendo está minha segunda incursão pelos escritos do Neil Gaiman, gostei muito da leitura, sempre há mais para se ver nas entrelinhas, também há diversos detalhes que enriquecem a história e entendemos o que leva cada situação, o relacionamento dos pais com a protagonista, por exemplo. Eles sempre parecem cansados, sempre estão trabalhando. Notamos que a situação financeira deles não é muito boa, ao ser descrito, pelo olhar de Coraline, que a comida congelada era pouca ou havia pouco o que consumir na casa, ou o que havia era sempre as mesma coisas (algo que parece ser barato).

Sendo assim, outro mundo é apresentado com uma riqueza de cores, comida, atenção, brinquedos variados e tudo o que a jovem não tem no seu mundo, mas gostaria de ter. Uma comparação com a animação que me chama atenção é, principalmente, o uso das cores. Tons em amarelo para o outro mundo e tons azulados e/ou cinza para o mundo da protagonista. Elementos surreais criam vida e dá ao enredo a urgência, desespero e perigo que o ser aracnídeo representa para o mundo da jovem.

É uma história, portanto, que me deu a sensação de que está conectada com algo há mais, e sempre que eu for ler vou encontrar um novo detalhe, que passou despercebido por mim inicialmente. Ao longo da leitura eu ficava comparando com a animação, e por vezes imaginava tal estética para dar vida a história, já que foi meu primeiro contato. Com toda certeza vou ler muito mais o autor!

6 de jul. de 2022

BIENAL DO LIVRO (São Paulo) 2022

Finalmente venho a escrever sobre a tão aguardada Bienal do livro de São Paulo, adiada em 2020 por conta da pandemia do coronavírus. Como já era de se esperar há muito o que se explorar, muitas editoras com preços ótimos, outras nem tanto, há muitos lugares para tirar fotos e outras capricharam na decoração. Como sempre muita cor, luz e barulho que eu não sabia que sentia falta, apesar de no fundo ainda achar estranho. Em suma estava muito muito bom e mais maravilhoso ainda, pois eu estava com minha mãe e minha irmã, essa foi a primeira bienal delas.

Fui na bienal de 2018 não tirei nenhuma foto, mas fiz um post sobre as comprinhas, caso você queira saber quais os livros que comprei, basta clicar em Bienal de 2018.

Eu (A  própria exploradora de páginas)
 
Uma coisa que mudou em mim foi o animo para tirar fotos, gravar alguns vídeos curtos e me divertir de mais. Em 2018 fui na bienal de São Paulo (claro) e não tirei uma foto se quer!! Atualmente acho que foi a minha maior burrice, que eu deveria ter aproveitado e tudo o mais. No entanto naquela época eu estava péssima psicologicamente, estou muito feliz por ter evoluído a ponto de conseguir sorrir nas fotos e tirar várias delas! Embora no momento que estou redigindo o post eu penso que deveria ter tirado ainda mais!

Estou aprendendo que há vários e vários momentos que devemos eternizar em nossas vidas, seja uma incidência de luz na janela, seja grandes eventos, e não importa muito se estamos com os melhores sorrisos ou não...O importante é ter momentos eternizados!

Eu e minha mãe

Outra coisa que amo compartilhar é a sobre o que comprei, sei que há muitas pessoas que compram muito mais que meus 15 livros, mas para mim é muito, tanto pelo gasto financeiro que representa, tanto pela situação financeira em que o país se encontra. Sou grata de mais por ter a oportunidade de ir ao evento e poder consumir lá dentro. Enfim, vamos falar dos livros e alguns preços!

Uma foto bem tradicional aqui no blog para mostrar a totalidade das novas aquisições.

Não vou falar dos livros em ordem de compras, mas apenas vou comentando um pouco sobre os livros e os preços, espero poder ler alguns o quanto antes, pois são títulos super interessantes. Desta vez comprei nove clássicos, dois teóricos de literatura e mitologia, dois mangás e um YA.

 
Comprei mais um livro do Hemingway, "Verdade Ao amanhecer" considerado um autorretrato revelador e uma crônica dramática de seu último safári na África. Escrito em 1953, quando voltava de uma temporada no Quênia, a obra tece uma história rica em humor e beleza. Ele foi de uma promoção de 3 livros por R$ 50,00. 

Eu me apaixonei pode Camões nesse semestre por conta de Literatura Portuguesa I, meu professor fez uma análise incrível de alguns sonetos e do primeiro canto de Os Lusíadas. Não queria perder a oportunidade de comprá-los. Ambos foram da Ciranda Cultural por R$ 10,00 (Se eu não me engano).

Lya Luft, "O tempo é um rio que corre", foi o segundo livro do combo de 3 por R$ 50,00, estou ansiosa para ler por conta de algumas resenhas que li no Good Reads. Já cordialmente Cruel é um YA Dark Academia, mordi a língua quando disse que não leria mais YA's, esse ganhei da minha irmã, foi menos de R$ 40,00 reais e compramos na Harper Collins. 
Eu amo Kafka e faz muito tempo que não leio ou compro algo do autor, e "O castelo" é um dos livros não lidos ainda. Nele paguei R$ 15,00 reais (entre dez ou quinze reais). Fausto do século XX, O castelo é considerado um dos pontos mais altos da ficção universal. Na história de K., o suposto agrimensor que tenta inutilmente chegar ao castelo que vê no topo de uma colina, o termo kafkiano parece atingir sua extensão completa.

Mais outros dois grandes clássicos da literatura mundial! Drácula da editora pé da letra é a terceira edição aqui em casa, paguei R$ 15,00 reais, estou ansiosa para reler nessa edição. Jane Eyre de capa dura da Ciranda Cultural paguei R$ 25,00 reais e foi um investimento maravilhoso, estou ansiosa para ler nessa edição, além disso, agora tenho as três irmãs Bronte na minha estante.


Carmilla conta a história da primeira vampira mulher da história da literatura, bem como trás personagens lésbicas, sendo uma literatura clássica e do século XVIII, também paguei R$ 10,00. Falência é um clássico brasileiro e bem pouco falado, agora se encontra na lista da UNICAMP, com toda certeza é um livro imperdível, paguei, também R$ 10,00.  


Livros que já me entregam como estudante de letras, ambos são teóricos e tratam-se de análises e comentários sobre algo bem específico. "Conferências sobre retórica & Belas-letras" paguei R$ 15,00. Já "Mitos Clássicos" é o terceiro livro do combo de 3 por R$ 50,00 reais.

 
Guerra dos mundos comprei na Editora Pé da letra também, paguei R$ 15,00 reais, e já tem muito tempo que quero lê-lo, desde que li a "Maquina do tempo", ambos livros são clássicos da ficção científica e influenciaram de mais discussões literárias posteriores, inclusive influencia a cultura pop.



Por fim, não menos importante, comprei dois mangás, SAO comprei de presente para meu namorido, assistimos ao anime juntos e foi incrível! Assistimos também Fire Force, porém não lemos aos mangás, e talvez seja mais uma coleção que farei. Ambos comprei na Panini, F.F foi R$ 29, 90, já SAO foi R$ 34, 90. Enfim, foi um excelente evento, maravilhoso, não vejo de ir no próximo, sempre me divirto e amo conhecer livros novos.


3 de jul. de 2022

Um pouco do meu saudosismo a blogs literários


Nesse momento, o qual escrevo esse post, é umas 20:48 de um sábado de julho, o primeiro sábado do mês. Minha mente está fervilhando ideias de posts para escrever e resenhas que estão na "fila" para serem escritas e devidamente publicadas. Enquanto minha mente ansiosa explode com tudo isso e um pouco mais a serem colocadas no 'papel' digital, penso no outro lado da escrita. Aqui não vou abordar teoria da escrita ficcional ou algo do gênero, mas sim, sobre a arte de escrever em blogs e como isso mudou desde os anos 2008 do meu ponto de vista! (algo um pouco mais saudosista).
 
Apesar desse espaço não exigir o rigor acadêmico, normas da ABNT ou o rigor jornalístico, sempre procuro trazer a melhor escrita que no momento sou capaz de oferecer ao leitor: A clareza dos meus pensamentos, argumentação lógica, a riqueza textual que pode ser exposta e uma série de outros fatores que me esforço a alcançar. Ao longo dos post's de um blog o leitor pode observar a evolução da escrita de um blogger, ver o rigor que ele quer transmitir as informações ou até mesmo propagar falácias. Mas o ponto que quero abordar com você, caro leitor, é outro: Os blogs tiveram um "BUM" no início dos anos 2000 e agora perder espaço para outras mídias sociais mais "divertidas" e que exigem menos do internauta. 

Embora eu seja critica com o que fazemos e consumimos na interface digital, obviamente adoro o espaço dos blogs, ora, muito já se foi feito social e politicamente nesses espaços, variados temas e pessoas se destacaram em seus meios. Estou nesse espaço desde os meus 13 anos, quando fiz meu primeiro blog, no qual entrei em contato com programação pela primeira vez, e não falava de livros ou assuntos nerds, mas treinava minha escrita e escrevia algumas fanfics (das quais não mencionarei). 

Ademais, cresci no meio digital escrevendo, decerto expondo minha opinião, expondo quem eu era ou o que eu achava quem eu era, o que lia ou gostava de escutar, ou seja, sempre fiz esse espaço de refugio. Bem, quando se é criador de conteúdo, também se é consumidor de algum(s) nicho(s), e vi vários blogs incríveis em ascensão, bem como a queda de alguns ou a migração para o youtube. Hoje, noto, e talvez você que ainda me lê, as transformações sociais nos meios digitais e quão afastados dos blogs o grande público está, o quão difícil, também, de achar pessoas que mantêm fielmente sua produção de conteúdos escritos. Nos dias atuais, nos quais as pessoas em geral não têm paciência para verem vídeos de mais de 30 segundos ou ouvirem músicas de cinco minutos, os textos como estes são deixados de lado, afinal por quê alguém vai se interessar pela escrita de uma beletrista desconhecida em um blog pouco visitado?

Esse post, portanto, é sobre um pouco de saudosismo da blogosfera, pois cresci nesse meio e vi sua mudança lenta, porém continua. Como muito do que eu consumia foi sumindo aos poucos e hoje pouquíssimos blogs continuam a produzir conteúdos de qualidade e consistentes, continuo acompanho alguns blogs que estão "vivos", no meu caso certamente blogs literários. Desse modo, bem prolixa, vejo a efemeridade no meio digital, algo que parece eterno, que nunca será apagado, mas em algum momento as palavras escritas nesses espaços não passaram de dados em um servidor velho e empoeirado esquecido pelos homens e pelas máquinas.



Leia esse post!

Não pise no meu vazio, Ana Suy

Essa foi mais uma leitura terminada nesse mês de março, a qual me fez bem no geral! O livro possui, em muitos poemas, uma metalinguagem sobr...