28 de out. de 2026

What we do in the shadows | Um filme de vampiro fora de comum


Não é nenhuma novidade que os filmes de vampiros me cativam. Há algo extremamente sedutor e encantador no mundo vampiresco, mexe não somente com meu imaginário, mas também, mexe completamente com meus desejos profundos de intelectualidade, imortalidade e liberdade sombria. Afinal, se eu tivesse a oportunidade de viver eternamente e que pudesse acumular conhecimento sobre diversas áreas do saber humano, sem dúvida nenhuma eu aproveitaria!

Comentários vampirescos aparte, hoje trago um dos meus favoritos, que certamente ocupa um lugar especial no meu ranking pessoal de filmes vampirescos, inclusive, eu reassisti essa semana. What We Do in the Shadows é um falso documentário (mockumentary) que mistura comédia e terror, escrito e dirigido por Jemaine Clement e Taika Waititi (o qual também atual como Viago). Lançado em 2014, tendo sido filmado em Wellington, na Nova Zelândia, em setembro de 2012, o longa deu origem, posteriormente, a uma série de televisão.

O filme acompanha quatro vampiros que dividem um casarão em Wellington e precisam lidar com as pequenas dificuldades da convivência doméstica. Ao longo da narrativa, somos apresentados a situações absurdas e divertidas, temperadas por momentos de gore (como uma refeição) e uma atmosfera levemente sombria, gosto também de como os clichês da mitologia vampiresca são explorados de maneira inteligente e bem-humorada, enquanto questões sociais e aspectos das relações humanas aparecem de forma orgânica, sem quebrar o ritmo de comédia e terror, um dos grandes exemplos disso é como a comunidade vampírica da cidade está organizada e como cada um encontra suas formas de se alimentar.

Um dos aspectos de que gostei muito, também, é a maneira como o filme subverte a imagem tradicional dos vampiros, ao invés de figuras sempre imponentes, misteriosas, sedutoras e aristocratas, encontramos personagens desajeitadas e bem preocupadas com questões cotidianas que para nós, meros mortais, são bem comuns também: Conseguir jantar, manter um bom relacionamento com os amigos, ir para festas, deixar a casa arrumada e etc. Ao mesmo tempo, por trás das situações cômicas, surgem temas como a solidão, a amizade e a necessidade de pertencimento, aliás a convivência entre os vampiros e a chegada de novos integrantes ao grupo revelam relações marcadas, de certa forma, por afeto, cuidado e preocupação, mesmo quando tudo parece caminhar para o completo desastre social.


Diante das câmeras, Viago (Taika Waititi), um vampiro-dândi do século XIX, relata as dificuldades diárias de conviver com Vladislav (Jemaine Clement), um antigo vampiro medieval com uma peculiar predileção pela tortura, e Deacon (Jonathan Brugh), que, antes de se tornar imortal, levava uma vida camponesa no século XIX e está longe de ser um exemplo de refinamento. Viago gostaria que a casa fosse mais organizada e agradável, mas seus companheiros resistem às tentativas de impor alguma ordem à rotina doméstica caótica, até mesmo lavar a louça suja de sangue se transforma em motivo para uma discussão acalorada, registrada integralmente pela equipe de câmeras, é extraordinariamente divertido.

Ademais, o quarto integrante do grupo é Petyr, o mais recluso de todos, com cerca de oito mil anos de existência, ele parece já ter perdido a "energia" pela convivência, e prefere permanecer afastado, escondido em seu próprio espaço. Sua aparência remete diretamente ao imaginário dos vampiros clássicos, especialmente ao conde Orlok, de Nosferatu, a referência é particularmente interessante porque aproxima a figura tradicionalmente aterrorizante do vampiro do universo cômico e absurdo construído pelo filme. Enfim, é um filme que trás um bom momento de entretenimento, um certo encantamento que mistura elementos do terror e da comédia que trás algo único, um bom refrigério para os tempos sombrios o quais vivemos na atual conjectural político-social mundial!


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